Enquanto o Brasil assiste atônito, o Senado Federal vive o momento mais explosivo dos últimos anos. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são formalmente indiciados por crimes de responsabilidade na CPI do Crime Organizado. O relator, senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), não recuou nem um milímetro: apontou Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes como envolvidos em condutas gravíssimas ligadas ao escândalo Banco Master. O relatório de mais de 200 páginas foi rejeitado por manobra do governo Lula, mas os fatos não desaparecem com voto. E agora o contra-ataque veio com fúria: os próprios ministros ameaçam o senador com processos criminais, inelegibilidade e até cassação do mandato.
Gilmar Mendes, o decano do STF, não perdeu tempo. Após ser citado no relatório, disparou contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que ousou defender o impeachment de ministros envolvidos em irregularidades. No Twitter, Mendes exigiu silêncio de Zema alegando que o STF já havia decidido favoravelmente ao governo mineiro. A resposta de Zema foi cirúrgica e viralizou: “Se o senhor tomou a decisão correta, cumpriu a Constituição. Se errou, renuncie. Um cidadão decente age assim”. O recado foi claro: ninguém mais tem medo de confrontar o Supremo.
O clima no plenário do Senado ficou ainda mais quente quando o senador Flávio Bolsonaro foi alvo de novo inquérito no STF. Motivo? Uma postagem simples associando Lula a Nicolás Maduro. Alexandre de Moraes já autorizou a abertura de processo por difamação, ignorando a imunidade parlamentar. Flávio reagiu: “Onde está a liberdade de expressão? Onde está a imunidade? Isso é perseguição política pura”. No mesmo dia, o senador Magno Malta subiu à tribuna e detonou: “Ministro Toffoli, o senhor não é um homem limpo. Não usa fralda suja, não tem cassino, mas foi afastado de investigação por crime. E agora ameaça cassar senador eleito pelo povo?”.
Alessandro Vieira, no centro da tempestade, subiu ao plenário e fez história. “Eu exerci meu voto livre, baseado em fatos comprovados nos autos. Se isso rende ameaça de prisão, inelegibilidade e processo, então o que estamos vivendo não é democracia, é ditadura do Judiciário”. Ele lembrou que em fevereiro de 2019 já havia alertado o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a necessidade de investigar condutas de ministros. Na época, nada andou. Hoje, o cenário mudou: o relatório da CPI ligou pontos explosivos – o Banco Master, o BRB (Banco de Brasília), contratos milionários e até parentes de ministro recebendo quantias astronômicas.

E o escândalo Banco Master ganhou novo capítulo nesta semana. A Polícia Federal, com autorização do ministro André Mendonça, prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de receber imóveis avaliados em R$ 146 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro em troca de facilidades na compra do Banco Master. Investigadores falam em lavagem de dinheiro, pagamento de propina a agentes políticos e até interferência na aprovação de operações bilionárias. Uma das empresas citadas recebeu R$ 129 milhões – e a esposa de um ministro do STF estaria no centro da operação. O nó está tão emaranhado que até os comentaristas mais cautelosos admitem: tudo leva ao topo da pirâmide do poder.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, está visivelmente desconfortável. No início da sessão, tentou acalmar os ânimos dizendo que “os Poderes devem respeitar uns aos outros”. Mas os senadores não engoliram. Cleitinho (Cidadania-MG) foi direto: “Presidente, o Senado precisa mandar recado ao STF. Abra processo de impeachment já! Eles não são reis”. Outros senadores, inclusive da base aliada, começaram a se posicionar. O medo é evidente: se o Senado não reagir, o próximo alvo pode ser qualquer um. A estratégia dos ministros, segundo os críticos, é clara – usar o inquérito das fake news (aberto há 7 anos) e o TSE para desequilibrar as eleições de 2026, tornando inelegíveis os nomes que ousam confrontá-los.
O que está em jogo vai muito além de uma briga institucional. É o princípio básico de quem controla quem. O STF, nos últimos anos, tem se colocado acima de qualquer controle. Decisões monocráticas, prisões preventivas longas, bloqueio de contas, censura em redes sociais – tudo sob o pretexto de “defender a democracia”. Enquanto isso, fatos concretos como o recebimento de jatinho particular, parentes beneficiados com milhões e interferência em investigações financeiras ficam impunes. O relatório de Vieira é incômodo justamente porque documenta isso com nomes, datas e valores.
Romeu Zema, pré-candidato à Presidência, reforçou o tom: “Criminosos devem ser julgados. Se ministro do STF cometeu crime, deve ser cassado, preso e punido com todo rigor da lei”. Alessandro Vieira ecoou: “Os fatos não somem com voto. Pode ser nesta legislatura ou na próxima, mas o momento da prisão virá. A nova composição do Senado após as eleições de outubro vai decidir se o Brasil terá coragem de colocar o Judiciário no seu devido lugar”.
O pano de fundo é eleitoral e explosivo. A crise de credibilidade do STF pesa pesado nas urnas. Pesquisas internas mostram que o tema “Supremo acima da lei” mobiliza eleitores de direita e centro. Flávio Bolsonaro, mesmo sob ameaça de inelegibilidade, ganha força ao ser visto como vítima de perseguição. Nicolás Maduro, amigo histórico de Lula, está preso nos EUA ou morto (no caso de aliados), e o Brasil assiste à contagem regressiva. Trump, do outro lado, prometeu “limpeza” nas ditaduras da América Latina. Fontes próximas à Casa Branca já acompanham cada movimento do STF contra parlamentares brasileiros.

Enquanto isso, a Operação Compliance Zero da PF avança. Prisões em Brasília e São Paulo, buscas e apreensões em endereços ligados ao Banco Master. O ex-presidente do BRB pode fazer delação premiada e abrir o jogo sobre quem garantia “tudo certo” na operação de compra do banco. Os R$ 200 bilhões movimentados por esquemas ligados ao PCC e ao CV, citados indiretamente na CPI, podem ter ramificações que chegam ao Judiciário. O senador Vieira foi claro: “Olhem para o topo da pirâmide. Se o chefe está podre, toda a organização cai”.
Davi Alcolumbre, que já foi reeleito quase por unanimidade, agora enfrenta pressão interna. Senadores cobram: “Ou o Senado se posiciona ou vira refém do STF”. A eleição para a presidência da Casa em fevereiro de 2027 será decisiva. Se Alcolumbre permanecer ou se um nome mais independente assumir, o ritmo das investigações mudará completamente.
O Brasil vive momento histórico. Pela primeira vez em décadas, o Legislativo parece disposto a dizer “basta” ao Judiciário. Não é mais teoria. É prática. Ministros ameaçam senadores eleitos pelo povo. Senadores respondem com coragem. O povo assiste e cobra. As eleições de 2026 não serão apenas sobre presidente ou governador. Serão sobre quem realmente manda no país: o voto popular ou a toga intocável.
Alessandro Vieira resumiu o sentimento de milhares de brasileiros: “Não recuo. Se for para ir preso por defender a lei, que seja. Os fatos permanecem”. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli podem ameaçar quanto quiserem. O Senado está acordando. Davi Alcolumbre sente o chão tremer. E o Brasil inteiro espera o próximo capítulo dessa guerra institucional que pode, finalmente, recolocar o Supremo no seu devido lugar: abaixo da Constituição e da vontade popular.
Fim da matéria. Os fatos estão aí. O resto é história.