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Empresário Mata Esposa e Sócio Durante Jantar de Negócios — Cliente Presenciou Tudo

Na noite de 14 de janeiro de 2007, três tiros quebraram o silêncio de um parque de estacionamento de um restaurante em Natal. Dois corpos caíram no chão. Um homem permaneceu de pé, segurando a arma. Dentro do estabelecimento, um cliente de Curitiba terminava o seu vinho, alheio ao facto de ter acabado de testemunhar o colapso completo de uma família e de um negócio.

Henrique tinha construído tudo do zero, tinha 42 anos, era casado há 10 e era sócio do seu melhor amigo de infância. Aquela noite seria a celebração do maior contrato da empresa de construção. Mais de R$ 1 milhão. Adriana vestia o vestido que ele lhe tinha comprado em Miami. Paulo sorria como sempre.

O investidor observou os três, impressionado com a harmonia do grupo, mas algo estava errado. Um olhar persistente, uma mão que roçou noutra durante demasiado tempo. Henrique conhecia a mulher, conhecia o sócio, e naquele instante percebeu tudo. Vinte minutos depois, dois corpos ensanguentados foram encontrados entre os carros.

Henrique não tentou fugir, limitou-se a repetir a mesma frase, como um disco riscado:

“Os dois traíram-me. Era tudo mentira.”

O que leva um empresário de sucesso a destruir a sua vida em questão de segundos? A resposta residia nas mensagens apagadas, nos extratos bancários escondidos e nos oito meses de mentiras que ninguém notou. Henrique trabalhava 14 horas por dia para construir um império, mas enquanto erguia edifícios, outro homem estava a destruir a sua família.

E esta história começou muito antes daquele fatídico jantar. Natal, a capital do Rio Grande do Norte, vivia um período de expansão imobiliária em 2007. Empresas de construção competiam por contratos multimilionários enquanto o turismo impulsionava a economia local. Henrique era um dos principais nomes do setor.

A sua empresa, fundada em 1999, já tinha entregado 12 projetos na área metropolitana. Paulo juntou-se como sócio em 2001. Os dois conheciam-se desde os 13 anos, estudaram juntos e trabalharam em projetos de outras pessoas antes de abrirem o próprio negócio. A divisão era simples. Henrique encarregava-se das finanças e das relações com os clientes.

Paulo geria os projetos de construção e as equipas. A confiança entre eles nunca foi posta em causa. Adriana conheceu Henrique em 1996, durante uma festa de formatura. Ela estava a estudar administração de empresas. Ele já trabalhava no setor da construção. Casaram-se em 1997. Não tiveram filhos. Adriana ajudava na parte administrativa da empresa, mas o seu papel era discreto.

O cliente de Curitiba chegou a Natal na manhã de 14 de janeiro. Representava um fundo de investimento interessado na construção de um condomínio de luxo no litoral norte. O projeto estava avaliado em mais R$ 15 milhões. Para Henrique e Paulo, aquele contrato representava a consolidação definitiva da empresa.

Seria o maior projeto da história da empresa de construção. A reunião teve lugar à tarde. Henrique apresentou os números. Paulo mostrou o cronograma de construção. O investidor ficou impressionado com a organização e a experiência da dupla. Por fim, indicou que iria fechar o negócio. Henrique sugeriu um jantar para celebrar.

O restaurante ficava na praia de Genipabu, uma zona turística a 30 km do centro de Natal. Henrique reservou uma mesa privada com vista para o mar. O local era conhecido pela sua atmosfera discreta e pela qualidade da sua cozinha. Os executivos costumavam fechar negócios ali. Adriana pediu para acompanhar o marido. Disse que queria estar presente no momento mais importante da sua carreira.

Henrique ficou satisfeito com o interesse. Paulo também ia levar a mulher, mas ela cancelou à última hora por motivos de saúde. O sócio foi sozinho. Os quatro encontraram-se às 20 horas. Henrique vestia um fato azul-marinho, Paulo, uma camisa branca e calças de cerimónia. Adriana chamou a atenção com o seu vestido vermelho justo.

O cliente notou a sua beleza, mas manteve-se discreto. A conversa inicial foi descontraída. Falaram sobre a cidade, o tempo, as praias. O pedido foi feito às 20h15. Henrique escolheu um vinho tinto de R$ 400. Paulo sugeriu marisco. Adriana optou por peixe grelhado. O cliente acompanhou a escolha do anfitrião.

A garrafa chegou em 5 minutos. Henrique fez um brinde ao futuro da empresa. Foi durante o jantar que tudo começou a desmoronar. Henrique reparou num detalhe que lhe gelou o sangue. Adriana e Paulo trocaram olhares que iam além da amizade. Ela tocou na mão dele enquanto pegava no sal.

Paulo sorriu de uma forma que Henrique nunca tinha visto antes. O cliente também reparou. Desviou o olhar, embaraçado. Henrique tentou continuar a conversa sobre o contrato, mas a sua mente estava noutro lado. Observou cada gesto, cada palavra, cada movimento dos dois. A suspeita crescia a cada segundo que passava.

Às 20h40, Henrique levantou-se da mesa e disse que precisava de ir buscar uns documentos ao carro. Olhou para Paulo e Adriana e pediu-lhes que fossem com ele. Queria mostrar os novos veículos da empresa ao investidor mais tarde. Os dois aceitaram sem hesitar. O cliente ficou sozinho.

Continuou a comer, alheio à tensão que começava a apoderar-se do grupo. Vários empregados de mesa vieram à mesa oferecer mais vinho. Ele aceitou. O restaurante estava tranquilo e movimentado. As segundas-feiras costumavam ser assim. O parque de estacionamento ficava nas traseiras do estabelecimento. Havia cerca de 15 carros no local. A iluminação era adequada, mas algumas áreas estavam mal iluminadas devido às árvores.

Henrique estacionou o seu carro, um sedan prateado, no primeiro lugar à esquerda. Paulo tinha deixado o seu veículo, um SUV preto, três lugares mais à frente. Henrique caminhou em silêncio. Adriana e Paulo seguiram-no, conversando sobre o cliente. Ela comentou que o investidor parecia sério, mas de confiança. Paulo concordou.

Nenhum deles notou a mudança no comportamento de Henrique. Quando chegaram aos carros, Henrique abriu a bagageira do sedan e tirou uma pasta preta. Lá dentro estavam documentos da empresa, mas havia outra coisa: uma pistola calibre .38. Henrique mantinha-a sempre no carro por motivos de segurança. Natal estava a enfrentar problemas com roubos naquela altura.

Virou-se para os dois. A sua expressão tinha mudado completamente. Paulo notou primeiro e perguntou se estava tudo bem. Henrique não respondeu imediatamente, apenas olhou para Adriana, depois para Paulo, e de volta para Adriana. A pergunta saiu fria.

“Há quanto tempo é que vocês os dois me andam a trair?”

Adriana empalideceu.

Paulo tentou disfarçar, mas a voz falhou-lhe.

“Do que é que estás a falar, Henrique? Que história é essa?”

Henrique apontou a arma ao seu sócio.

“Não mintas. Eu vi. Toda a gente viu. Até o cliente reparou.”

Adriana começou a chorar. Disse que não era nada, que Henrique estava a interpretar mal as coisas.

Paulo deu um passo em frente, tentando acalmar o amigo. Pediu-lhe que guardasse a arma, que podiam conversar com calma. Mas Henrique não estava interessado em conversa. Todas as peças se encaixavam agora. Os atrasos de Adriana, as viagens de Paulo sem justificação clara, o comportamento distante dela nos últimos meses. Perguntou há quanto tempo aquilo estava a acontecer.

Adriana tentou negar novamente. Paulo também, mas ambos estavam visivelmente abalados. Henrique deu um passo em frente, dizendo que sabia de tudo, que ia descobrir cada detalhe, cada mentira, cada traição. Foi aí que Paulo admitiu que, há alguns meses, não tinha sido planeado; simplesmente aconteceu. A confissão destruiu Henrique. Ele tinha construído tudo ao lado daquele homem.

Tinha confiado nele desde os 13 anos. E Adriana, a mulher com quem partilhou a vida durante 10 anos. Os dois destruíram tudo. O primeiro tiro atingiu Paulo no peito. Ele caiu instantaneamente, sem ter tempo de reagir. Adriana gritou e tentou fugir. Henrique disparou novamente. Ela foi atingida nas costas.

Caiu alguns metros à frente, ainda consciente, mas gravemente ferida. O terceiro tiro foi disparado à queima-roupa. Henrique aproximou-se de Adriana e deu-lhe um tiro na cabeça. Silêncio total. Os dois corpos estavam no chão. O sangue espalhava-se pelo asfalto. Henrique não se mexeu. Ficou parado, segurando a arma, a olhar para a cena.

A sua respiração era ofegante, as mãos tremiam, mas não tentou fugir. O cliente ouviu os tiros. A princípio, pensou que fossem fogo de artifício, mas o som era diferente, seco, metálico. Levantou-se da mesa e correu para o parque de estacionamento. Outros clientes e funcionários fizeram o mesmo.

A cena que encontraram foi chocante. Dois corpos no chão, um homem parado e imóvel com uma arma na mão. O cliente reconheceu Henrique e gritou-lhe imediatamente para largar a arma. Henrique obedeceu, deixou cair a pistola no chão e levantou as mãos. Um empregado de mesa chamou a Polícia Militar.

O carro-patrulha mais próximo estava a 10 minutos de distância. Entretanto, o cliente tentava verificar os sinais vitais das vítimas. Paulo já estava morto. Adriana ainda respirava, mas estava a morrer. Morreu antes da ambulância chegar. A polícia chegou às 20h53. Quatro polícias militares isolaram a área e prenderam Henrique no local.

Ele não conseguiu resistir. Apenas repetia:

“Traíram-me, os dois. Era tudo mentira.”

O oficial encarregue do caso, um homem de 52 anos com 25 de experiência, chegou às 21h20. Ordenou que a cena fosse preservada. A equipa forense foi chamada. O Instituto Técnico-Científico de Perícia teria de recolher todas as provas.

Os corpos foram fotografados e removidos às 22 horas. A pistola foi apreendida. Henrique foi levado para a esquadra de homicídios no centro de Natal. O cliente prestou a sua declaração inicial ainda no restaurante. Descreveu o jantar, o comportamento de Henrique e o momento em que ouviu os tiros.

A hipótese inicial da polícia era a de um crime passional, mas faltavam provas. Henrique era um empresário de sucesso sem cadastro criminal. Paulo e Adriana não tinham antecedentes de violência nem envolvimento em atividades ilegais. O caso parecia simples à primeira vista, mas havia algo que não batia certo. Porque é que Henrique levaria uma arma para um jantar de negócios? Porque é que foram os três juntos para o parque de estacionamento? O que foi exatamente dito antes dos tiros serem disparados? O cliente não assistiu à conversa, apenas ouviu os tiros.

A autópsia de Paulo revelou um único ferimento de bala. Tiro no peito. Morte instantânea. Adriana foi baleada duas vezes, uma nas costas e outra na cabeça. O relatório indicava que o primeiro tiro não foi letal. Estava viva quando foi baleada pela segunda vez. Isto caracterizou a execução. A arma estava registada em nome de Henrique.

Tinha licença legal para porte de arma de fogo desde 2003. Alegou necessidade devido ao valor dos contratos que negociava. A documentação estava em ordem. Os peritos encontraram três invólucros de cartuchos gastos no local. As trajetórias dos projéteis foram reconstituídas. Tudo coincidia com a versão inicial.

Henrique disparou primeiro sobre Paulo, depois sobre Adriana, duas vezes. Não houve luta física. As vítimas não tiveram hipótese de se defender. O interrogatório de Henrique teve lugar na madrugada de 15 de janeiro. Estava calmo, mas visivelmente abalado. Confirmou que tinha disparado sobre ambos. Disse que tinha descoberto a traição durante o jantar, que não suportou a humilhação, que perdeu o controlo.

O advogado de Henrique tentou construir a defesa com base na forte emoção. Argumentou que o cliente tinha presenciado um clássico crime passional. Henrique agiu por impulso, sem premeditação, mas o procurador discordou. Assinalou que Henrique levou a arma carregada para o jantar, chamou as vítimas ao parque de estacionamento e executou-as a ambas a sangue-frio.

A investigação precisava de determinar se foi premeditado ou verdadeiramente um crime passional. A polícia passou os dias seguintes a recolher provas para responder a esta pergunta. A casa de Henrique e Adriana foi alvo de buscas. Computadores, telemóveis e documentos foram apreendidos. O escritório da empresa de construção foi também alvo de uma operação de busca e apreensão.

O que os investigadores encontraram mudou completamente o rumo do caso. No computador de Adriana, havia centenas de mensagens trocadas com Paulo. O caso durava há 8 meses. As conversas eram explícitas. Planeavam encontros, declaravam o seu amor e discutiam o seu futuro juntos. Mais grave ainda, Paulo estava a desviar dinheiro da empresa.

As transferências bancárias revelaram levantamentos irregulares num período de 6 meses. Valores entre R$ 5.000 e R$ 15.000, sempre em dinheiro. O destino não era claro, mas as datas coincidiam com as viagens de Adriana. Foi descoberto um apartamento no bairro de Ponta Negra, arrendado em nome de terceiros, mas pago por Paulo.

Os vizinhos confirmaram ter visto um casal a frequentar o local. As descrições correspondiam a Adriana e Paulo. Encontravam-se lá pelo menos duas vezes por semana. As mensagens revelavam planos de fuga. Adriana e Paulo tencionavam abandonar Natal após a finalização do contrato de 15 milhões. Paulo iria desviar mais dinheiro.

Os dois iam para o Nordeste, possivelmente para Fortaleza ou Recife. Começariam uma nova vida juntos. Henrique não sabia de nada. Trabalhava 14 horas por dia para fechar o maior negócio da empresa. Enquanto isso, a sua mulher e o seu sócio conspiravam para o trair e roubar a sua empresa. A descoberta foi devastadora para a defesa.

O procurador argumentou que Henrique tinha motivos de sobra para o crime: infidelidade conjugal e peculato. Mas isso não justificava a execução. A lei brasileira não permitia a vingança pessoal. O advogado de Henrique contrapôs, afirmando que o seu cliente não tinha premeditado o crime. Descobriu tudo durante o jantar e perdeu o controlo emocional.

Se está a gostar desta investigação, subscreva o canal e deixe um gosto. Isto ajuda a trazer a público mais casos verdadeiros e impactantes. O perito forense que analisou a cena do crime concluiu que os tiros foram disparados com precisão. Henrique atingiu Paulo no peito e Adriana nas costas e na cabeça. Para alguém sob intensa emoção, a pontaria era impressionante.

Isto levantou dúvidas sobre a teoria do “crime passional”. Foram ouvidas testemunhas. Os funcionários da empresa de construção confirmaram que Henrique e Paulo pareciam amigos inseparáveis. Ninguém suspeitou de quaisquer problemas entre eles. Os amigos de Adriana disseram que ela parecia feliz no seu casamento. Não havia sinais públicos de crise.

O cliente de Curitiba prestou um depoimento formal. Relatou que Henrique esteve calmo durante quase todo o jantar. Apenas nos últimos 15 minutos o seu comportamento mudou. Manteve-se calado, a observar Adriana e Paulo. Depois levantou-se e pediu aos dois que o acompanhassem. A família de Paulo exigiu justiça. Descreviam o filho como trabalhador e honesto.

Negaram que fosse capaz de trair ou roubar. Mas os extratos bancários e as mensagens eram irrefutáveis. Paulo tinha traído o seu amigo de infância de todas as formas possíveis. A família de Adriana também emitiu uma declaração. Disseram que ela era vítima de uma relação controladora, que Henrique a estava a sufocar. Mas as investigações não encontraram provas de abusos domésticos.

Vizinhos e conhecidos descreveram o casal como normal. A imprensa local fez uma extensa cobertura do caso. “Empresário mata esposa e sócio durante jantar de negócios” foi o título de primeira página durante semanas. A opinião pública dividiu-se. Uns viam Henrique como vítima de uma traição brutal, outros como um assassino a sangue-frio que executou duas pessoas desarmadas.

A investigação contabilística concluiu em fevereiro de 2007. Paulo desviou aproximadamente R$ 180.000 da empresa de construção. O dinheiro foi utilizado para pagar o apartamento em Ponta Negra, viagens a Fortaleza e João Pessoa, presentes caros para Adriana e despesas pessoais. Os contratos da empresa mostravam que Paulo tinha acesso total às contas.

Na qualidade de gestor de obras, autorizou pagamentos a fornecedores, criou empresas fantasma e inflacionou os custos dos serviços. Henrique confiava tanto nele que nunca auditou os números. A traição financeira era tão grave como a infidelidade conjugal. O advogado de defesa utilizou esta informação para construir uma narrativa.

Henrique era um homem traído em todos os sentidos. A sua mulher andava a traí-lo. O seu melhor amigo andava a roubar a sua empresa. No momento em que ela descobriu a verdade, teve um esgotamento emocional. Ele não era um criminoso, era uma vítima que tinha tido uma reação exagerada. Mas o Ministério Público não aceitou essa versão. O procurador sublinhou que Henrique levou a arma carregada para o jantar, chamou as vítimas para um local isolado, disparou com precisão letal e executou Adriana quando esta já se encontrava ferida no chão.

Isto não foi um crime passional, foi homicídio qualificado. A audiência preliminar começou em abril de 2007. O juiz que presidia era conhecido por ser rigoroso em casos de violência doméstica e crimes passionais. Iria ouvir todas as testemunhas antes de decidir se aceitava a denúncia ou reduzia as acusações.

O cliente de Curitiba foi a primeira testemunha. Relatou que Henrique parecia normal durante o jantar.

“Falámos de negócios, sorrimos e brindámos.”

Apenas nos últimos minutos algo mudou.

“Ele ficou calado e observador, depois levantou-se abruptamente.”

A testemunha não assistiu à conversa no parque de estacionamento, ouviu os três tiros de dentro do restaurante, correu para o exterior e deparou-se com o cenário.

Henrique encontrava-se ali, de arma na mão, em estado de choque. Não ameaçou ninguém, apenas repetiu que tinha sido traído. Os funcionários do restaurante confirmaram esta versão dos acontecimentos. Disseram que Henrique foi educado e calmo durante o jantar. Não houve sinais de agressão. Quando se ouviram os tiros, todos pensaram que era fogo de artifício.

Só mais tarde se aperceberam da gravidade da situação. Os peritos forenses apresentaram os relatórios técnicos. Os três tiros foram disparados à queima-roupa. Paulo foi baleado no peito. Adriana foi atingida nas costas com um e atingida na cabeça com outro. Não houve sinais de luta. As vítimas foram apanhadas de surpresa. A arma estava registada e carregada.

Henrique tinha licença legal para porte de arma.

“Guardei sempre a pistola no carro por segurança.”

A defesa argumentou que ele não trazia a arma com a intenção de matar ninguém. Já se encontrava na bagageira. O psicólogo forense, que avaliou Henrique após a sua detenção, apresentou o seu relatório.

Concluiu que o arguido não sofria de perturbações mentais graves. Conseguiu compreender a natureza ilícita dos atos, mas sofria de depressão aguda devido à descoberta da dupla traição. Amigos de Henrique testemunharam, descrevendo-o como um homem dedicado ao seu trabalho e à sua família. Disseram que confiava cegamente em Paulo e que amava profundamente Adriana.

A descoberta da traição teria sido devastadora para qualquer pessoa. Os colegas de Paulo apresentaram uma versão diferente. Alguns suspeitavam de peculato. Notaram inconsistências nos relatórios financeiros, mas ninguém as questionou porque Paulo era um dos sócios fundadores. A confiança entre os dois era inabalável.

Pessoas que conheciam Adriana foram entrevistadas. Algumas disseram que ela parecia infeliz no seu casamento. Queixava-se de que Henrique trabalhava muito e não lhe prestava atenção suficiente. Outros afirmaram que ela nunca tinha mencionado problemas conjugais. A defesa tentou caraterizar o crime como crime passional, solicitando a aplicação do artigo 121 do Código Penal, homicídio sob a influência de violenta emoção.

Caso fosse aceite, a pena seria reduzida de 12 a 30 anos para 4 a 12 anos. Era a única hipótese de Henrique evitar décadas de prisão. O argumento era sólido. Henrique descobriu a traição durante o jantar. Viu a sua mulher e o seu melhor amigo a trocar gestos íntimos à frente de todos. O cliente testemunhou o comportamento suspeito. A humilhação foi pública.

Henrique perdeu o controlo emocional e agiu por impulso. Mas o procurador apontou incoerências. Se foi um impulso, porque é que Henrique os chamou aos dois ao parque de estacionamento? Porque é que não reagiu à mesa, em frente ao cliente? Porque é que levou uma arma carregada? Porque é que disparou três vezes, incluindo um tiro à queima-roupa na cabeça de Adriana? As testemunhas de acusação apresentaram novas provas.

Um funcionário do restaurante revelou que Henrique pediu a conta antes de se levantar. Isto sugere planeamento. Ele sabia que não voltaria à mesa. Outro detalhe chamou a nossa atenção. Henrique estacionou propositadamente longe dos outros carros. O lugar de estacionamento escolhido encontrava-se numa área menos iluminada.

Isto facilitaria uma conversa privada ou um confronto sem testemunhas diretas. A análise balística confirmou que os três tiros foram disparados com poucos segundos de intervalo. Paulo foi o primeiro a ser atingido. Adriana tentou fugir, mas foi baleada nas costas a cerca de 4 metros de distância. Em seguida, Henrique aproximou-se e disparou o último tiro na sua cabeça.

A execução a sangue-frio de Adriana pesou contra a defesa. Se Henrique se encontrava sob intenso sofrimento emocional, por que razão se aproximou de uma vítima já ferida e desarmada para lhe dar o tiro de misericórdia? Isto não caracterizou uma perda de controlo; caracterizou frieza e determinação. O advogado contrapôs dizendo que Henrique se encontrava em estado de choque.

Ele não estava plenamente consciente dos seus atos. A descoberta da dupla traição colocou-o num estado de dissociação mental. Agiu de forma automática, sem raciocínio lógico. Mas os relatórios psiquiátricos não confirmaram esta versão. Henrique encontrava-se consciente e alerta após a sua detenção. Respondeu de forma coerente a todas as perguntas, relatou os acontecimentos em pormenor e não demonstrou sinais de episódio psicótico ou dissociação.

O julgamento foi marcado para agosto de 2007. O júri iria decidir se Henrique era culpado de homicídio qualificado ou de crime passional. A diferença de pena seria brutal. Dos 6 aos 20 anos ou dos 12 aos 30 anos. A imprensa aumentou a sua cobertura. Repórteres entrevistaram especialistas em direito penal.

A maioria acreditava que a acusação tinha argumentos mais fortes. A execução de Adriana, com um tiro na cabeça, dificilmente seria vista como um crime passional. Os familiares das vítimas organizaram manifestações, exigindo justiça e a pena máxima. Diziam que Henrique era um assassino a sangue-frio que não merecia piedade.

A traição não justificava tirar duas vidas. Os apoiantes de Henrique manifestaram também o seu apoio. Proprietários de empresas locais assinaram uma petição destacando a sua reputação. Argumentavam que fora levado ao limite por pessoas em quem confiava cegamente. Ninguém deveria ter de passar por uma dupla traição, tanto conjugal como financeira. O debate público foi intenso.

Programas de rádio e televisão debateram o caso. Alguns defendiam o agravamento das penas para crimes passionais. Outros argumentavam que a traição não devia ser punida com a morte. Em julho de 2007, semanas antes do julgamento, surgiram novas provas. Um perito voltou a examinar os telemóveis apreendidos e encontrou mensagens que tinham sido apagadas.

Adriana e Paulo falaram de Henrique de forma pejorativa. Numa mensagem de novembro de 2006, Paulo escreveu:

“Ele é tão cego, trabalha como um burro enquanto nós vivemos.”

Adriana respondeu:

“Quando sairmos daqui, ele vai perceber que nunca teve nada, nem mulher, nem parceiro, nem dinheiro.”

Outras mensagens revelaram que o plano era mais elaborado.

Após a finalização do contrato de 15 milhões de dólares, Paulo desviaria uma quantia ainda maior. Os dois fugiriam para o estrangeiro, possivelmente para a Argentina ou Uruguai. Henrique ficaria com dívidas e sem sócios. A família da empresa seria intencionalmente destruída. Paulo já tinha falsificado documentos para transferir parte das ações para o seu nome.

Com Henrique endividado e sem dinheiro, seria forçado a vender a sua participação por um valor irrisório. A descoberta chocou até os procuradores. O nível de premeditação envolvido na traição foi assombroso. Adriana e Paulo não estavam apenas a trair Henrique. Planeavam destruí-lo a nível financeiro, emocional e profissional.

Um contabilista contratado pela defesa realizou uma análise exaustiva às finanças da construtora. O desfalque não foi de R$ 180.000, foi de mais de R$ 400.000. Paulo tinha criado uma complexa rede de empresas fantasma, inflacionado os preços dos materiais e pago serviços que nunca foram prestados.

Se o esquema continuasse, a empresa iria à falência em menos de um ano. Henrique perderia tudo o que tinha construído em 8 anos de trabalho e ainda ficaria com milhões de dívidas em seu nome. A defesa apresentou estes documentos como prova de que Henrique foi vítima de uma conspiração criminosa. Não foi apenas infidelidade conjugal; foi um crime contra a propriedade, fraude e falsificação de documentos.

Paulo e Adriana foram criminosos que destruíram a vida de um homem honesto, mas o procurador manteve a sua posição. Ainda que a traição fosse horrível, isso não dava a Henrique o direito de matar duas pessoas. A lei brasileira não permite a execução sumária. Devia ter denunciado os crimes às autoridades e não fazer justiça pelas próprias mãos.

O julgamento começou a 15 de agosto de 2007. O Tribunal do Júri de Natal estava repleto. Familiares das vítimas, simpatizantes de Henrique, jornalistas e curiosos preencheram todos os lugares. A segurança foi reforçada devido ao aumento da vigilância entre os grupos. Se quer saber como terminou este julgamento, subscreva o canal e ative as notificações para não perder o desfecho.

Os jurados eram sete pessoas comuns, cinco homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos. Várias profissões: professora, lojista, funcionário público, dona de casa, mecânico, enfermeira e reformado. A acusação foi a primeira a ser apresentada. O procurador descreveu os acontecimentos de 14 de janeiro com precisão cirúrgica, mostrou fotografias do local do crime, explicou as trajetórias dos disparos e sublinhou que Adriana foi executada quando já se encontrava no chão, ferida e indefesa.

A emoção encheu o tribunal à medida que os familiares das vítimas testemunhavam. A mãe de Paulo chorou ao descrever o filho. Disse que ele era trabalhador e dedicado, que construiu tudo ao lado do amigo de infância e que não merecia morrer aos 38 anos. A irmã de Adriana foi ainda mais enérgica. Relatou que a cunhada era infeliz no seu casamento, que Henrique era controlador e possessivo e que ela encontrou em Paulo o amor que nunca teve em casa.

“A minha irmã foi assassinada por querer ser feliz,” declarou ela, lavada em lágrimas.

A defesa contrapôs, apresentando as mensagens recuperadas. As conversas entre Adriana e Paulo foram projetadas no ecrã da sala de audiências. Os jurados leram em silêncio. Algumas pessoas na plateia murmuraram indignadas.

As mensagens revelaram total desprezo por Henrique. O advogado de defesa baseou a sua argumentação na dupla traição. Disse que Henrique confiou em duas pessoas durante anos. Uma era a sua mulher, a outra o seu melhor amigo desde a adolescência. Os dois conspiraram para o destruir completamente. As testemunhas de defesa descreveram a rotina desgastante de Henrique.

“Ele costumava acordar às 6h da manhã e trabalhava até às 22h. Os fins de semana eram dedicados a reuniões com clientes.”

Ergueu o império sozinho, enquanto Paulo desviava dinheiro e Adriana fingia amor. O contabilista explicou o esquema de desvio de fundos aos jurados. Mostrou folhas de cálculo, transferências bancárias e faturas falsas.

Paulo roubou sistematicamente a empresa durante 8 meses. O montante total ascendeu a R$ 430.000. Especialistas em caligrafia confirmaram que Paulo forjou as assinaturas de Henrique em documentos empresariais. Ele planeava assumir o controlo total da empresa de construção. Henrique seria expulso da sua própria empresa. O cliente de Curitiba voltou a ser contactado.

Confirmou ter notado um comportamento suspeito entre Adriana e Paulo durante o jantar. Trocaram olhares íntimos e deram as mãos discretamente.

“Qualquer pessoa casada reconheceria esses sinais,” afirmou ele.

O advogado perguntou o que o cliente sentiu naquele momento.

“Constrangimento. Eu estava a fechar um negócio no valor de 15 milhões de reais e percebi que algo muito errado estava a acontecer ali. Desviei o olhar porque não queria testemunhar isso.”

A defesa concluiu a sua argumentação pedindo aos jurados que se colocassem no lugar de Henrique. Imaginem descobrir que a vossa mulher vos anda a trair com o vosso melhor amigo, que ambos planeiam fugir juntos, que a vossa empresa foi roubada, que trabalharam 14 horas por dia para construir algo que vos seria roubado pela pessoa em quem mais confiavam — qualquer um perderia o controlo.

O procurador fez uma refutação. Compreender a dor não é justificar o crime. Henrique teve opções. Poderia ter-se divorciado, processado Paulo criminalmente, recuperado o dinheiro desviado, mas escolheu matar, escolheu executar duas pessoas desarmadas. Isto é homicídio, não é justiça. As fotografias dos corpos voltaram a ser mostradas.

Paulo jazia no chão com um ferimento de bala no peito. Adriana apresentava ferimentos nas costas e na cabeça. O procurador sublinhou:

“Este homem não agiu por emoção, agiu a sangue-frio, deu à própria mulher um tiro de misericórdia. Isto não é perda de controlo, é execução.”

Os jurados retiraram-se para deliberar às 18 horas. O tribunal caiu num silêncio tenso. Os familiares das vítimas choravam. Os apoiantes de Henrique rezavam. Os jornalistas atualizavam as suas histórias em tempo real. A espera durou 3 horas e 40 minutos. Às 21h40, os jurados regressaram. O juiz perguntou se tinham chegado a um veredicto. O porta-voz do júri respondeu afirmativamente:

“Os jurados reconhecem que o arguido Henrique agiu sob a influência de violenta emoção logo após injusta provocação por parte das vítimas?”

A resposta foi não. Cinco votos contra dois.

“Os jurados reconhecem que o arguido Henrique cometeu homicídio qualificado por motivo fútil e pela incapacidade de defesa das vítimas?”

A resposta foi sim. Seis votos a favor, um contra. Henrique foi considerado culpado de duplo homicídio qualificado. A pena seria posteriormente determinada pelo juiz, mas a expectativa era de 25 a 30 anos de prisão.

A sentença foi proferida a 23 de agosto de 2007. O juiz condenou Henrique a 27 anos de prisão em regime fechado. Reconheceu as atenuantes de infidelidade conjugal e financeira, mas considerou a execução a sangue-frio de Adriana como a agravante decisiva. Ao ler a sentença, o juiz foi direto.

O arguido foi vítima de uma traição cruel e planeada, mas nenhuma traição, por mais dolorosa que seja, justifica tirar a vida a outra pessoa. A lei existe precisamente para impedir que a vingança pessoal substitua a justiça. Henrique escutou a sentença sem qualquer reação visível. Não chorou, não protestou, limitou-se a baixar a cabeça quando a polícia o voltou a algemar.

Foi transferido para o complexo prisional de Alcaçuz, onde viria a cumprir a sua pena. A empresa de construção abriu falência três meses depois. O contrato de 15 milhões nunca foi assinado. O cliente de Curitiba desistiu do negócio após os homicídios. Outros clientes também cancelaram projetos.

A empresa acumulou dívidas e encerrou a sua atividade em novembro de 2007. Os empregados perderam os seus postos de trabalho. Os fornecedores não receberam os seus pagamentos. Os investidores perderam dinheiro. O império que Henrique construiu em 8 anos desmoronou em menos de um ano. As famílias de Paulo e Adriana moveram um processo civil contra Henrique. Solicitaram uma indemnização por danos morais e materiais.

O processo decorreu paralelamente à execução da pena. Henrique deixou de ter quaisquer bens. Tudo foi vendido para pagar as dívidas da empresa. A casa onde viveu com Adriana foi a leilão. O apartamento na Ponta Negra, onde ela e Paulo se encontravam, foi devolvido ao seu proprietário. Os carros foram vendidos e a conta bancária esvaziada.

Henrique perdeu tudo. Liberdade, propriedade, reputação e dignidade. O cliente de Curitiba nunca mais fechou negócios durante jantares. Em entrevistas posteriores, disse que aquela noite o marcou profundamente.

“Vi um homem perder tudo em segundos. Testemunhei o fim de uma família, de uma empresa e de três vidas. Isso muda qualquer pessoa.”

Em 2010, Henrique deu uma entrevista à imprensa a partir do interior da prisão. Disse que lamentava profundamente os assassínios, que pensava todos os dias nas famílias de Paulo e Adriana e que tinha perdido o controlo num momento de dor insuportável. Mas disse também que a traição o destruiu mesmo antes de os tiros serem disparados.

“Trabalhei 14 horas por dia durante anos. Confiei a minha vida a eles, e eles conspiraram para me destruir. Não estou a justificar o que fiz, mas queria que as pessoas percebessem pelo que passei.”

A pena de Henrique foi reduzida para 22 anos na sequência de um recurso. Com bom comportamento, poderia progredir para o regime semiaberto em 2019. A data prevista para a liberdade condicional era 2029. Paulo foi sepultado no cemitério Parque das Dunas, em Natal. Adriana foi sepultada no cemitério Morada da Paz, na mesma cidade. As duas famílias continuam sem se falar até hoje. Cada uma culpa a outra pelo desfecho trágico. O restaurante onde decorreu o jantar fechou as portas em 2009.

O proprietário disse que o local ficou marcado pela tragédia. Os clientes evitavam o local. O movimento caiu drasticamente. A história tornou-se numa lenda urbana em Natal. A pistola calibre .38 utilizada no crime foi destruída após o julgamento, conforme o procedimento habitual. O processo continua arquivado no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

É um livro de 263 páginas que conta a história de como três vidas foram destruídas no dia 14 de janeiro de 2007. Henrique continua na prisão. Trabalha na biblioteca do estabelecimento prisional, participa em atividades educativas e não recebe visitas. Não tem família, não tem amigos, nada mais do que 22 anos pela frente para refletir sobre as consequências de cinco segundos de fúria. Sim.