
Gêmeas idênticas casam com gêmeas idênticas, então ela dá à luz e isso acontece…
Suas mãos tremeram levemente quando o gel frio tocou sua barriga. O transdutor do ultrassom deslizou lentamente sobre sua pele enquanto Craig, sentado ao lado dela, apertava sua mão. Eles acabavam de contar ao médico sua história familiar: que ambos eram gêmeos idênticos e que seus irmãos gêmeos também haviam se casado.
A médica assentiu com a cabeça, mal desviando o olhar da tela. Então parou de mover o transdutor. Sua expressão mudou. Ela se inclinou para mais perto do monitor, semicerrando os olhos para algo. Craig e Diane trocaram um olhar rápido. O silêncio tomou conta da sala. Então a médica se virou para eles, e o olhar em seus olhos era uma mistura de descrença e divertimento.
“Você não vai acreditar nisso”, disse ela suavemente.
Mas antes de falarmos sobre o que aconteceu a seguir, Darlene e Diane Nedermeyer vieram ao mundo da mesma forma que fariam tudo na vida: juntas. Nascidas em 16 de agosto de 1970, em um pequeno hospital em Illinois, Darlene chegou primeiro, quarenta e cinco minutos antes da irmã. Mas eis a questão: seus pais não faziam ideia de que Diane estava a caminho. Ela foi o bebê surpresa, aquela que ninguém planejou. E desde aquele primeiro momento, as duas se tornaram inseparáveis. Compartilharam tudo enquanto cresciam: amigos, roupas, hobbies, até mesmo o gosto por comida e margaritas. Sua mãe, Sharon, seu pai, Dave, e sua irmã mais velha, Tina, sempre conseguiam, de alguma forma, diferenciá-las, mas ninguém mais conseguia. Professores tiveram dificuldades com isso por anos. Estranhos olhavam fixamente. E quando Darlene conseguiu um emprego como secretária jurídica em um escritório em Illinois, Diane acabou trabalhando exatamente na mesma empresa. Mesmo cargo, andar diferente.
Certo dia, Diane ouviu uma colega sussurrando para seu chefe: “Começou a trabalhar uma pessoa nova que é a cara da Diane? Porque acabei de ver uma moça no elevador que é a sua cópia.”
Diane teve que conter o riso. Mas, embora fossem praticamente imagens espelhadas uma da outra, as irmãs não eram exatamente iguais em todos os aspectos. Darlene adorava a ideia de ser gêmea. Ela sempre imaginou que um dia teria seus próprios gêmeos, pois amava muito o vínculo entre elas. Diane, por outro lado, detestava ser constantemente comparada. Ela disse à mãe aos oito anos: “Chega de vestidos iguais”.
Ainda assim, apesar dessas pequenas diferenças, o laço entre elas era inquebrável. Nunca passaram mais de uma semana separadas em toda a vida. Nem uma vez sequer. Quando o assunto era namoro, porém, as coisas complicavam um pouco. Ambas as irmãs sempre se sentiam atraídas por homens morenos. Nunca brigavam pelo mesmo rapaz, mas alguns de seus namorados se ressentiam da proximidade entre as duas. Nenhum homem queria competir com uma irmã gêmea que era praticamente sua outra metade.
Os anos se passaram. Relacionamentos começaram e terminaram, e nada realmente durou até agosto de 1998. As irmãs tinham vinte e sete anos quando decidiram ir ao festival anual de Twinsburg, em Ohio. Elas apareceram com camisetas e calças jeans combinando, se misturando pela primeira vez em vez de se destacarem. Enquanto estavam sentadas no bar do hotel naquela noite, Diane se virou para Darlene e disse algo que vinha pensando o dia todo.
“Estar rodeados por outros gêmeos é o único momento em que não nos destacamos.”
Darlene sorriu. Mas então seus olhos percorreram o cômodo, e foi quando cruzaram o olhar com um homem alto e moreno. Seu nome era Mark Sanders. Ele tinha um ótimo senso de humor, um sorriso caloroso e imediatamente contou a elas que também era gêmeo. Mas havia um problema. Seu irmão gêmeo idêntico, Craig, estava de volta ao quarto do hotel trabalhando. Mark entrou em pânico. Ele temia que as irmãs pensassem que ele era um estranho invadindo a festa dos gêmeos. Ele precisava provar que realmente tinha um sósia em algum lugar, então saiu correndo para buscá-lo.
Quando Craig entrou, algo mudou. Diane o notou imediatamente. Ela achou que ele era o mais bonito, embora fossem idênticos. Darlene, por sua vez, já havia se afeiçoado a Mark. Havia algo em sua personalidade, em seu humor, que simplesmente a cativava. Mais tarde, no caminho para casa, Craig se virou para Mark e fez a pergunta que estava na mente de ambos.
“De qual gêmeo você gosta mais?”
Mark disse: “Aquele que estava sentado ao meu lado no almoço.”
O coração de Craig quase parou. Então Mark disse o nome dela: “Darlene”.
Craig suspirou. “Ótimo”, disse ele, “porque eu gosto da Diane.”
Mais tarde, ele admitiu que estava apavorado com a possibilidade de Mark dizer o nome de Diane. A partir daí, os quatro começaram a namorar. Encontros duplos, férias em grupo e telefonemas interurbanos que se estendiam até altas horas da noite. Os irmãos moravam em Houston, Texas, onde trabalhavam como web designers para o time de beisebol Houston Astros, e as irmãs estavam em Illinois, em seus empregos de secretárias jurídicas. Era complicado, mas nenhum deles queria desistir.
Num dos seus primeiros encontros a dois, um garçom olhou de Diane para Darlene e, de repente, percebeu que as duas estavam sentadas à sua frente, idênticas. O choque foi tão grande que ele quase deixou cair a bandeja de bebidas. Quando saíam em público em grupo, os estranhos não apenas olhavam duas vezes; eles congelavam. Alguns até pediam para tirar fotos.
Sete meses depois de se conhecerem, Craig e Mark planejaram algo especial. Levaram as irmãs para uma viagem de férias à Flórida. Na segunda noite, organizaram um jantar elegante no hotel, mas pediram que as irmãs os encontrassem primeiro em uma sala no andar de baixo. Darlene e Diane se arrumaram e entraram, sem saber o que esperar. No meio da sala, havia um laptop aberto sobre uma mesa. Curiosas, as irmãs foram até lá para ver, e o que viram na tela as deixou boquiabertas. Era uma página da web. Um pedido de casamento. Duas perguntas. Dois botões de “sim”. Seus olhos se encheram de lágrimas quando ambas clicaram em “sim” ao mesmo tempo.
Os irmãos haviam coordenado tudo. Craig explicou mais tarde o motivo: “Estávamos preocupados. O que aconteceria se um pedisse em casamento e o outro não? E se a irmã dela também recebesse um pedido? Então decidimos fazer tudo ao mesmo tempo.”
As alianças de noivado foram talhadas no mesmo diamante — dois anéis de uma só pedra. Em novembro de 1999, realizaram o casamento dos seus sonhos: uma cerimônia dupla. Ambas as noivas usaram exatamente o mesmo vestido. Dividiram as compras ao meio, cada uma experimentando metade das opções.
Diane brincou no programa Today: “Se não ficasse bem nela, não ia ficar bem em mim.”
E Darlene acrescentou que tiveram que escolher um vestido um pouco mais reto para que todos coubessem no corredor com o pai. Porque foi exatamente o que aconteceu. O pai delas, Dave, levou as duas filhas ao altar ao mesmo tempo, uma em cada braço. Duas noivas idênticas, dois noivos idênticos esperando no altar. Foi o tipo de momento que parecia quase perfeito demais para ser verdade.
Após o casamento, ambos os casais se mudaram para Houston, no Texas. E não se mudaram apenas para a mesma cidade; construíram duas casas lado a lado, com um quintal contíguo.
Mais tarde, Diane disse: “Nunca me separei de Darlene. Então, essa foi a solução perfeita. Estávamos sempre dando uns pulinhos uma na casa da outra.”
Todas as manhãs, eles começavam o dia com uma caminhada juntos. Noites de jogos em família, noites de cinema — suas vidas estavam entrelaçadas de todas as maneiras possíveis. Mas quando chegou a hora de formar famílias, as coisas não correram tão bem. Darlene estava desesperada para ser mãe imediatamente. Diane e Craig queriam esperar. Mas o destino tinha outros planos. Diane descobriu que estava grávida primeiro, e o momento não poderia ter sido pior. Darlene acabara de sofrer um aborto espontâneo.
A culpa atingiu Diane como uma onda. “Eu me senti tão culpada”, disse ela mais tarde, “porque eles tinham acabado de perder o bebê, e nós estávamos esperando dois.”
Dois. Foi o que a médica lhe disse. E, a princípio, ela e Craig nem acreditaram. Diane estava deitada na mesa de ultrassom, prestes a fazer seu primeiro ultrassom. Craig sentou-se ao lado dela. Eles contaram casualmente à médica sua história familiar incomum: que eram gêmeos idênticos e que seus irmãos gêmeos haviam se casado. A médica mal reagiu a princípio. Ela apenas continuou o exame. Então parou, olhou para a tela e disse, quase casualmente demais: “Ah, sim. São gêmeos.”
Craig e Diane olharam fixamente para ela. Pensaram que ela estava brincando. Mas a médica apontou para a tela e disse: “Não, venham ver. São duas.”
E lá estavam eles: dois pequenos corações pulsando no monitor. Gêmeos idênticos. A probabilidade de ter gêmeos idênticos é de cerca de três em cada mil nascimentos. Mas a probabilidade de um gêmeo idêntico se casar com outro gêmeo idêntico e dar à luz gêmeos idênticos? Em milhões. Os cientistas ainda não conseguem explicar por que gêmeos idênticos acontecem. Não existe um gene hereditário para isso; é uma divisão completamente aleatória e espontânea de um óvulo fertilizado. E, no entanto, de alguma forma, aconteceu com eles.
Brady e Colby Sanders nasceram em 2001, saudáveis, fortes e idênticos em todos os aspectos. Quando Diane estava com 25 semanas de gestação, Darlene compartilhou sua própria boa notícia: estava grávida novamente. Desta vez, tudo correu bem. Darlene deu à luz uma linda menina, a quem chamou de Reagan. Dezesseis meses depois, nasceu outra filha, Landry. E, com o tempo, Diane teve um terceiro filho, Holden.
Cinco crianças, das duas famílias, todas crescendo lado a lado, brincando no mesmo quintal, frequentando a mesma escola primária, a mesma escola secundária e o mesmo colégio. E aqui está o que torna essa história diferente de todas as outras: geneticamente, essas cinco crianças não eram apenas primas. Eram irmãos biológicos. Como ambas as mães e ambos os pais compartilhavam o mesmo DNA, as crianças herdaram a mesma composição genética que irmãos dos mesmos pais herdariam. Primos no papel, irmãos de sangue.
As crianças até admitiram que às vezes confundiam uma tia ou um tio com um dos seus próprios pais, principalmente quando os viam de costas. E quando a família inteira, composta por nove pessoas, saía em público junta, as pessoas não apenas olhavam fixamente; elas não conseguiam acreditar no que viam. A história virou notícia nacional. Eles apareceram no programa Today, onde Savannah Guthrie sentou-se em frente a todos os nove, balançando a cabeça em espanto. Foram destaque no programa de Jeff Probst, no programa This Morning da ITV, no Reino Unido, e em revistas do mundo todo.
Nem todos lidaram com a atenção da mesma forma. Mark, sempre o mais sincero, brincou diante das câmeras: “Sou considerado o gêmeo malvado entre nós quatro porque às vezes existe um gêmeo malvado. Sou eu quem acaba se cansando um pouco da história.”
Mas para Diane, a resposta foi simples. Quando perguntada sobre qual era a sua coisa favorita em ser gêmea, ela não hesitou.
“Você sempre tem uma melhor amiga”, disse ela.
E Darlene, sentada bem ao lado dela, sorriu e acrescentou: “Sim, você é minha melhor amiga. Sempre.”