
Arboga, Suécia, 17 de março de 2008. Era uma noite comum, fria, daquele mês. No aconchego do seu lar, uma mãe cuida com todo o amor de seus dois filhos, o pequeno Max, de 3 anos, e a bebê Saga, de um aninho e meio. Enquanto preparava o jantar, Emma senta-se por um instante para conversar online com sua irmã, Catarina.
Elas trocam mensagens animadas sobre o que estavam planejando para o próximo aniversário de casamento de seus pais. Mas de repente, às 19:07, a conversa simplesmente para no meio de uma frase; do nada, era um silêncio absoluto. Catarina estranha e tenta enviar outra mensagem, mas nada, ela não tem resposta alguma. E então ela liga para Emma uma, duas, três vezes e as ligações só caem na caixa postal.
O coração de Catarina então aperta. Desesperada, ela decide ligar para Torbe, o noivo da irmã que estava a caminho de casa. Ele tenta tranquilizá-la, dizendo que talvez Emma só tenha deixado o celular carregando ou se distraído com as crianças, mas ao chegar em casa, Torbe encontra a porta da frente destrancada.
Aquilo nunca acontecia naquela casa. Ele então chama por Emma e pelas crianças e ninguém responde. O silêncio na casa é incomum. Um arrepio então percorreu seu corpo ao adentrar ainda mais no imóvel. Dessa forma, ele logo percebe que a casa estava toda revirada. No começo, o homem pensou que as duas crianças tinham exagerado nas brincadeiras, mas logo ele percebeu que o nível de destruição naquele lugar era grave demais para ser apenas uma brincadeira.
E então algo chamou a sua atenção no final da sala. Era a Emma. Ela estava no chão quase que irreconhecível. Torbe entrou em estado de choque, mas logo lembrou dos dois pequenos, Saga e Max, e subiu imediatamente para o andar de cima para saber como eles estavam. À medida que ele se aproximava, o pânico tomava conta de seu corpo e assim ele descobriu uma cena que ninguém deveria ver.
Max e Saga estavam deitados no chão, cobertos por aquele líquido vermelho. Suas cabeças e rostos foram completamente descaracterizados. Em estado de choque, Torbe ligou para o serviço de emergência às 19:20. Vão marcando bem esse horário, porque esse tempo mostra que houve uma janela de apenas 13 minutos da última mensagem da Emma até a chegada do noivo na casa.
E esse crime não vai chocar só a Suécia, mas também vai iniciar uma investigação com um fim totalmente inimaginável, imprevisível, onde tudo o que parece ser não é, e vocês vão ver no final. Para quem não me conhece, eu sou Mirla Prado. Sejam muito bem-vindos aqui no canal. Se você se interessa por esse tipo de conteúdo, eu te convido a se inscrever, ativar as notificações e, se puder, deixar o like logo agora no começo do vídeo, porque me ajuda muito a produzir mais conteúdo para vocês, tá? Quem quiser também ser membro do canal, porque nos ajuda demais, é um valor bem pequenininho, fora algumas regalias que você passa a ter, o convite está feito. É isso, meus amores, agora bora para a história.
Primeiramente, para a gente entender bem os fatos, bora conhecer primeiro alguns personagens principais dessa história. Eu falo alguns porque ao longo da história vai aparecer mais gente, tá? Emma Jangestig nasceu em 16 de fevereiro de 1985 em Estocolmo.
Desde nova ela sonhava com aquele tipo de família simples: família, filhos, uma casinha com jardim e domingos tranquilos. E por um tempo, parecia mesmo que tudo estava se encaixando conforme Emma queria. Aos 19 anos, apaixonada pelo namorado dos tempos da escola, Nicolas, ela se casou acreditando estar dando o primeiro passo para construir justamente esse futuro.
Um tempo depois, veio o primeiro filho do casal, o Max, um menino doce, de olhos atentos, que mudou tudo ali entre eles. A casa ficou mais cansativa, mas também ficou mais alegre. E assim, nem deu tempo para respirar. Cerca de um ano e meio depois, chegou a pequena Saga, a caçulinha da casa, trazendo aquele caos gostoso que os bebês trazem. Mas a vida real, como a gente sabe, não é um conto de fadas.
Infelizmente, o que era para ser um lar virou um campo de batalha. A imaturidade, o cansaço, os desafios do dia a dia, tudo virou motivo para brigas entre o casal. A separação logo veio depois do nascimento da Saga, mas não foi daquelas separações tranquilas. Virou uma separação realmente litigiosa. Eles começaram a brigar demais, tanto pela guarda dos filhos como por motivos como pensão, por exemplo.
O Nicolas queria continuar, mas a Emma achou que realmente não cabia mais aquela relação. Então ela decidiu seguir em frente com seus filhos. Ela fez as malas e partiu para recomeçar. Ela escolheu Arboga, uma cidade pequena e tranquila, a cerca de 150 km de Estocolmo, o tipo de lugar onde se espera paz e não manchetes de jornal. E foi lá que a Emma conheceu Torbe Hellgren, um cara simples, gentil, com aquele ar de homem bom.
Eles se conheceram online e a conexão foi rápida. E ao contrário de muitos, Torbe não se assustou com as crianças e a bagagem emocional que ela trazia de outro relacionamento, o que para muitos homens é um verdadeiro repelente. O Torbe não; ele viu aquilo como a possibilidade de se ter realmente uma família com uma boa mulher.
E logo no início, embora ele não fosse o pai biológico de Max e Saga, ele os tratava como se fossem seus. As crianças logo se apegaram a ele e a Emma sentiu que pela primeira vez em muito tempo talvez ela tivesse achado a pessoa certa. A relação entre a Emma e o Torbe começou apenas um ano após o divórcio e rapidamente eles perceberam que não podiam viver um sem o outro.
Em apenas dois meses, eles compraram uma casa juntos e começaram a construir um futuro. E assim eles marcaram o casamento para o verão de 2008. E tudo indicava que aquele seria um verdadeiro recomeço para eles. No entanto, esse sonho foi brutalmente interrompido naquela noite de inverno, quando Torbe se deparou com sua nova família quase aniquilada.
Mesmo em choque, ele conseguiu ligar para o serviço de emergência e, ao chegarem no local, os médicos encontraram algo impressionante. A cena era realmente de tirar o fôlego, mas tinha um milagre ali. Eles ainda estavam vivos. Sim, apesar de tudo, os três ainda respiravam. Fraco, mas respiravam. Só que o estado era realmente gravíssimo.
O Max e a Saga estavam à beira da morte e a Emma foi levada direto para a UTI e colocada em coma induzido. Essa era a única chance que ela tinha. Enquanto isso, os médicos não escondiam que, se eles sobrevivessem, as sequelas seriam inevitáveis. E enquanto no hospital cada segundo era sinônimo de luta, os peritos tentavam entender o que tinha acontecido ali.
E o que eles encontraram só aumentava o mistério. Não existia sinal de arrombamento, não existia sangue de outra pessoa na casa e nada que apontasse para um ladrão ou um ataque aleatório. A única certeza que eles tinham naquele momento era que aquilo não tinha sido um assalto. Simplesmente porque tudo, absolutamente tudo, estava no lugar.
Carteiras, dinheiro, joias, pertences de valor, nada tinha sido levado. Então, deixava claro que aquilo ali foi um ataque realmente direcionado, um ataque que visava a perda da vida daquelas pessoas. Então, rapidamente a polícia concluiu que aquilo era pessoal, e muito pessoal, com muito ódio e, o mais assustador, ódio contra pequenos anjinhos. Mais uma coisa foi constatada.
Quem fez aquilo usou algo pesado, provavelmente um martelo. E bateu com tanta força, tantas vezes, que parecia querer apagar aquelas três vidas de uma vez só. Mas aí veio outro problema. Cadê a arma do crime? Ela tinha sumido. E tem mais. No desespero de salvar a Emma e os pequenos, os paramédicos acabaram mexendo em toda a cena do crime e, é claro, sem querer, acabaram destruindo provas importantíssimas.
Mas isso era algo totalmente compreensível, né? Afinal, a prioridade ali eram aquelas vidas. E depois de revirarem cada pedacinho daquele espaço, nada foi achado. Nenhuma digital, nenhum fio de cabelo estranho, nenhuma gota de DNA de um possível invasor; parecia que ninguém tinha passado por ali. Então eles passaram a pensar que talvez quem fez isso já conhecia a casa e já andava por ali.
E logo eles repararam em algo incomum que chamaria muito a atenção deles. Era uma pegada, uma pegada de um tênis pequeno que claramente não era de ninguém naquela casa. E é aí que a história começa a tomar um rumo ainda mais tenso. Porque a primeira pergunta que a polícia se fez foi: “Quem teria coragem de, a sangue frio, fazer isso com uma mãe e seus dois anjinhos?” É claro que o primeiro nome que surgiu foi o de Torbe.
Sim, o próprio homem que ligou desesperado para o socorro. Porque pensem comigo: a polícia viu aquela cena absurda, percebeu que o ataque tinha acontecido num intervalo super curto de tempo e naturalmente pensou que alguém de fora não teria conseguido fazer isso tão rápido, sem ser visto, e ainda desaparecer sem deixar nenhum rastro.
Tudo apontava para alguém de dentro, alguém que tivesse acesso à casa, que soubesse da rotina, que tivesse uma motivação. Mas aí vem a reviravolta. A história de Torbe batia direitinho. Os colegas de trabalho confirmaram que ele estava lá cumprindo o expediente normalmente e as câmeras de segurança filmaram ele no trajeto todinho do trabalho até em casa.
Então era impossível de ser ele. E a análise preliminar da polícia insistia que aquilo tinha sido algo pessoal. Podia ser um acerto de contas, um crime movido por ódio, por ciúmes. Ninguém, absolutamente ninguém do convívio da Emma conseguia apontar o dedo para alguém, já que aquele casal era um retrato da tranquilidade.
Eles eram jovens, trabalhadores, pais amorosos, sem dívidas com ninguém, sem inimigos declarados, sem nenhum envolvimento com o crime. Gente comum, gente do bem, gente como a gente, daqueles que você pensa que nunca seria alvo desse tipo de coisa, certo? Então a polícia voltou seu olhar para outro homem muito próximo da Emma.
A única pessoa que eles conseguiram pensar que teria algum motivo para fazer aquilo era o Nicolas, o ex-marido da Emma. Porque ela e ele tinham um histórico enorme de brigas sobre pensão, sobre guarda, divisão de bens e tudo aquilo que, infelizmente, a gente sabe que costuma acontecer em muitos divórcios. Inclusive, a Emma chegou a registrar um boletim de ocorrência contra ele por agressão uma certa vez.
Para a polícia, essa teoria fazia todo sentido, já que esse tipo de crime, tão brutal e pessoal, muitas vezes é cometido por companheiros ou ex-companheiros; alguém que se sentiu rejeitado, ameaçado, teve o ego ferido ou até alguém que queria se livrar de pagar pensão. Mas aí, em meio a essa linha de investigação, entrou uma voz que a polícia não esperava: a do próprio Torbe, o atual noivo da Emma.
Ele disse que, apesar do passado conturbado entre a Emma e o Nicolas, eles não tinham mais problemas nenhuns. Eles estavam muito bem já há um bom tempo, então não existia lógica naquela teoria. E para deixar a polícia mais perdida ainda, o Torbe chegou a dizer que também se dava muito bem com Nicolas. Eles se falavam com muita educação, resolviam coisas juntos e nada indicava ódio escondido no Nicolas.
Então, meu povo, se não foi o atual companheiro e não foi o ex-companheiro, se a Emma era uma mulher tranquila, pacífica, sem inimizades, sem dívidas e sem rastro de confusão, quem teria feito aquilo e por quê? Por que atacar uma mãe e dois bebês? E foi nesse ponto que a investigação começou a tomar um rumo completamente inesperado.
Depois do interrogatório, o Torbe deixou a delegacia com o corpo presente, mas a alma em algum outro lugar. Ele estava infinitamente despedaçado. Quem foi buscá-lo foi o pai da Emma. Eles entraram no carro em silêncio total. Nenhum dos dois conseguia dizer nada. Era aquele silêncio de luto. No caminho para o hospital, o pai da Emma, na tentativa de quebrar o clima pesado, resolveu ligar o rádio para que eles ouvissem alguma coisa.
Mas o que saiu dos alto-falantes do carro não era música, era a pior notícia que eles podiam ouvir naquele momento. O locutor entrou no ar com aquela voz grave e anunciou o ataque brutal que tinha chocado a cidade de Arboga. Segundo ele, os dois pequenos vítimas da violência não tinham resistido e tinham partido no hospital, enquanto a mulher estava em estado crítico, lutando por sua vida.
Sim, ele falava da Emma e de seus dois filhos. Ao ouvir aquela notícia, vocês imaginam que o silêncio dentro daquele carro virou um abismo. O coração dos dois homens se afundou. Era como se o mundo tivesse parado por um instante. Aqueles dois pequenos anjinhos inocentes que horas antes estavam brincando em casa, agora tinham partido.
Para eles e para ninguém que conhecia aquela família, nada ali fazia sentido. Nada. A Emma era uma mulher doce. Então não existia motivo para aquilo. Sem falar que estamos falando de dois anjinhos que nem conheciam a maldade ainda. E assim, a cena do crime, a violência, a escolha das vítimas, tudo gritava a palavra ódio.
Ódio direcionado e pessoal. Era como se alguém quisesse eliminar aquela família, aniquilar aquela família, um por um. Mas as perguntas que ficavam eram: por quê? E como a investigação parecia estar empacando, a polícia resolveu voltar os olhos para o único nome que causava desconfiança, mesmo após o noivo da Emma dizer que não acreditava que poderia ser ele.
Mas eles, mesmo assim, focaram no Nicolas. E então o Nicolas foi preso e levado para prestar depoimento. Só que a polícia viu ali foi um homem completamente fora de si. O Nicolas estava em estado completo de choque. Ele tremia o tempo todo, chorava tentando entender como aquele pesadelo tinha acontecido.
Afinal, ele era pai daquelas duas crianças. E conforme ele ia contando onde estava durante o momento do crime, a polícia ia checando tudo. E ficou muito claro que ele não tinha como estar ali, porque ele simplesmente estava em outra cidade. E assim, mais uma linha de investigação se perdia para os investigadores. Eles mais uma vez estavam sem saber para onde ir.
E a única esperança deles naquele momento era Emma; que ela sobrevivesse e se lembrasse de tudo o que aconteceu. Mas, para falta de sorte deles, os médicos não estavam otimistas quanto ao estado de saúde da Emma, já que mesmo que ela sobrevivesse, segundo eles, existia uma chance enorme de sequelas, de ela não conseguir falar e muito menos se lembrar do que aconteceu, ou até de ela nem ser mais a mesma pessoa.
Afinal, seu cérebro tinha sido drasticamente atingido. E para piorar, outro tipo de medo começava a crescer entre os policiais. Se a pessoa que tentou tirar a vida da Emma estivesse solta ainda, o que provavelmente estava acontecendo, ela não iria querer finalizar o serviço? Então foi solicitada uma segurança muito reforçada para o quarto onde a Emma estava, porque ali, naquele momento, a Emma passou a ser a única esperança de justiça.
Sem nenhuma testemunha ter se apresentado, a polícia entendeu que era hora de ir para a rua, bater de porta em porta para ver se alguém tinha visto alguma coisa e para que pudessem montar o seu próprio quebra-cabeça. Eles começaram uma verdadeira varredura no bairro, só que um por um dos vizinhos dizia a mesma coisa: que não tinham visto nada.
E isso deixava tudo ainda mais estranho. Porque como assim um ataque tão violento com três vítimas acontece numa casa de uma família pacata em uma área residencial silenciosa e ninguém ouve absolutamente nada? É praticamente impossível que a Emma não tenha gritado, que os bebês não tenham chorado, certo? E com essa frustração crescendo, os investigadores então decidiram apostar nas câmeras de vigilância da região.
A ideia era clara: rastrear qualquer movimento suspeito perto da casa durante aquele período de tempo. Além disso, outra questão tirava o sono da polícia: onde estava a arma do crime? Então, os arredores todos foram vasculhados; cães farejadores entraram em ação. Cada canto, cada arbusto, cada lixeira foi inspecionada, e nada.
Enquanto isso, a Emma seguia lutando por sua vida e os dias passavam e o mistério só aumentava. Foi aí que o caso explodiu na mídia nacional. Jornais, sites, programas de TV começaram a cobrir o crime com destaque. Afinal, era algo que simplesmente não acontecia rotineiramente naquela época na Suécia, muito menos numa cidadezinha tão pacata. As manchetes perguntavam o que todo o país estava se perguntando: quem foi e por quê?
A pressão só aumentava, então a polícia fez o que precisava fazer: foi a público. Eles então fizeram um apelo direto à população por qualquer informação, por menor que fosse; podia ser simplesmente uma informação muito pequenininha, mas que podia ser a chave do crime. E foi assim que surgiu a primeira fagulha de esperança em busca de respostas.
Um homem que tinha passado na frente da casa por volta das 19 horas entrou em contato com a polícia. Ele contou que viu uma pessoa parada na calçada em frente à residência das vítimas. Essa pessoa estava toda de preto, com um capuz cobrindo a cabeça e parecia hesitar se ia entrar ou não, como se estivesse em dúvida, entende? Alguns minutos depois, esse mesmo homem passou de volta.
Ele tinha ido ao supermercado só pegar alguma coisa e logo voltou. Foi um intervalo de 10 minutos, mais ou menos. E aí foi que ele viu essa mesma figura saindo correndo da casa e entrando em um carro em disparada. O problema é que ele não conseguiu ver o rosto da pessoa e nem identificar o modelo do carro, mas tinha um detalhe que ele não conseguiu ignorar.
Aquela pessoa era uma mulher. É isso mesmo. E esse pequeno detalhe enorme caiu como uma bomba dentro da delegacia. Pela primeira vez, a investigação ganhava um novo caminho, uma nova possibilidade, e uma possibilidade muito real, com uma testemunha que presenciou algo muito importante.
A partir daquele momento, os investigadores mudaram o foco, passaram a cruzar nomes, verificar listas e checar os álibis de todas as mulheres próximas de Emma. Porque se foi uma mulher que cometeu aquele crime, ela não podia estar muito longe. E enquanto tudo isso acontecia, no hospital uma nova esperança começou a surgir.
O estado de Emma, que ainda estava em coma, começou a apresentar uma leve melhora. Era sutil, quase imperceptível, mas para os médicos e para a família aquilo era uma grande coisa. Então, no dia 27 de março, 10 dias depois do ataque, os médicos decidiram que era hora de tentar despertá-la, já que ela estava em coma induzido. Eles começaram a reduzir aos poucos o sedativo que ela estava tomando para que ela fosse voltando aos poucos, para que seu corpo fosse se readaptando.
E vocês imaginam que para todos que acompanhavam o processo, principalmente para a família da Emma, o quão aquilo deve ter sido torturante. Mas finalmente a espera acabou e a Emma acordou. No início ela ainda não conseguia falar, mas mexia os olhos. Ela reagia apenas com os olhos, reconhecendo os rostos que estavam ao seu redor.
Mas tudo precisava ser feito com muito cuidado, porque afinal a notícia que ela viria a receber poderia destruir todo o trabalho que os médicos tinham feito com ela até aquele momento, já que ela estava frágil física e emocionalmente. Qualquer passo falso poderia comprometer absolutamente tudo. Inclusive, os médicos foram claros: não poderia de jeito nenhum falar para ela que os filhos dela não viviam mais, pelo menos não durante um tempo.
Então, apenas três dias depois do despertar dela, os detetives entraram naquele quarto, silenciosos e contidos de início. Eles começaram a tentar conversar com ela lentamente, só que aconteceu o que eles mais temiam. Emma não se lembrava de nada. Ela olhava para os investigadores com um misto de confusão e desespero. Ela não fazia ideia do que tinha acontecido e perguntava o tempo todo pelos filhos.
Diante daquela angústia, os médicos entenderam que não dava mais para esconder e aí veio o momento mais doloroso de toda essa história, quando foi revelado àquela mãezinha que seus maiores amores, Max e Saga, estavam mortos.
E eu nem preciso dizer a vocês o quão devastador foi receber essa notícia. No dia primeiro de abril veio enfim a reviravolta que todos esperavam para que a justiça fosse feita. Emma lembrou do que tinha acontecido naquela noite e, em uma conversa com a polícia, ela revelou que enquanto falava com sua irmã naquela noite do dia 17, alguém bateu na porta da sua casa.
Ela foi lá, abriu a porta e deu de cara com uma figura encapuzada, vestida toda de preto. A pessoa disse que se chamava Tina e, sem aviso algum, a agrediu com um golpe forte e certeiro. Ela disse que perdeu todos os sentidos ali mesmo no hall; ela entendeu o que tinha sido o começo desse inferno. E com essa lembrança crucial em mãos, a polícia partiu para uma jogada estratégica.
Eles mostraram para Emma fotos de mulheres que eles achavam ser de interesse. Entre elas estava uma mulher chamada Christine Schürrer. Emma nem hesitou e apontou de imediato. Disse que aquela era a mulher. Mas quem era Christine? Agora vocês vão ter a maior certeza do quanto esse caso era insano.
Christine Schürrer era uma alemã de 31 anos na época dos fatos. A infância dela foi um pouco conturbada e após seu pai abandonar sua família quando ela tinha 11 anos, ela ficou muito abalada. Mesmo assim, ela buscou viver experiências intensas. Ela morou em Nova York, passou um tempo na Grécia, se envolveu em escavações arqueológicas, trabalhou na hotelaria.
Parecia uma mulher do mundo, cheia de histórias, mas por trás da aparência culta e descolada existia uma mulher com um temperamento extremamente controlador, possessivo e manipulador. E isso não é fofoca, é constatação baseada em rastros que ela deixou. Na vida amorosa, os padrões se repetiam: relações intensas, rápidas, sempre terminando com rupturas dramáticas.
Ela não conseguia manter um relacionamento com um homem. Christine era o tipo de pessoa também que não sabia lidar com rejeição. E foi nesse contexto que, em agosto de 2006, enquanto trabalhava na Grécia, ela conheceu um homem sueco chamado Torbe. Sim, o Torbe, noivo da Emma. Pois é, vocês já viram onde é que isso vai parar. Torbe estava de férias, hospedado no hotel onde Christine trabalhava na época.
O clima entre os dois esquentou em tempo recorde. Em cinco dias eles estavam vivendo um romance tórrido de verão. Mas quando as férias acabaram, ele voltou para a Suécia. Os dois continuaram se falando à distância e Christine, completamente apaixonada, não quis perder tempo. Ela pegou um voo e foi visitar Torbe na Suécia sem que ele soubesse.
Ao chegar no local, Torbe ficou perdido sem saber o que fazer, mas até por educação ele aceitou recebê-la em sua casa. Só que com a convivência do dia a dia, tudo desmoronou. O Torbe começou a perceber que a Christine não era exatamente quem ele pensava que ela era. A personalidade dela controladora começou a aparecer: os dramas, as cobranças.
E aí, depois de 5 meses de relacionamento à distância e um tempo juntos na Suécia, entre idas e vindas, ele decidiu terminar por telefone mesmo, quando ela já tinha voltado para casa. Mas a Christine não aceitou o término e passou a mandar mensagens sem parar para ele. Ela também escrevia muitas cartas, implorando para que ele desse uma nova chance para o casal que, segundo sua cabeça, se amava.
Ela estava completamente desesperada para reconquistar um homem que simplesmente já tinha seguido em frente. Em março de 2007, ela apareceu de surpresa na Suécia de novo e convenceu o Torbe a sair com ela para jantar. Eles não tinham mais nada. O Torbe já tinha seguido em frente. Ele aceitou, mas deixou claro que eles só iriam sair como amigos.
E a Christine fingiu que entendeu. Mas depois do jantar, ela voltou à carga total. Disse que aquela era a última chance de eles salvarem o relacionamento e blá blá blá, mas ele disse que não, porque na verdade o Torbe já estava começando um relacionamento com a Emma. No dia seguinte, ela ligou dizendo que estava perdida, que estava tentando voltar para o seu país, mas tinha acabado ficando perdida numa área que tinha um castelo, sem conseguir voltar para casa.
Então o que ela fez? Ela ligou para ele e disse: “Estou perdida, vem me salvar”. E a gente não pode esquecer que na época não tinham os GPSs popularizados, as coisas eram de boca a boca ou por mapa. Então, preocupado, muito educado e gentil, o Torbe foi até lá socorrê-la. Ao chegar no local indicado, ele teve uma grande surpresa.
A Christine estava desmaiada dentro do carro após tomar uma quantidade absurda de comprimidos numa tentativa clara de tirar a própria vida após não aceitar ser rejeitada por ele. Ele a levou para o hospital onde ela foi socorrida e depois, por humanidade, ele a levou para casa, mas também avisou aos pais dela na Alemanha pedindo que eles a internassem, porque ela era um perigo para si mesma.
Quando voltou para a Alemanha, ela foi internada e passou três semanas em uma clínica psiquiátrica. Só que isso não resolveu absolutamente nada. No verão de 2007, ela voltou para Estocolmo, desta vez parecia decidida a ficar morando na Suécia. Mas Torbe não teve nenhuma notícia dela até fevereiro de 2008, quando ela reapareceu não para aquele “oi, sumido”, não.
Era para jogar uma bomba sobre ele. Segundo a Christine, ela tinha tido um filho do Torbe. Sim, segundo ela, ela engravidou durante o relacionamento deles, mas por conta dos problemas mentais e da separação, ela acabou entregando a criança para adoção. Só que o Torbe ficou completamente confuso, primeiro porque ele nunca soube da tal gravidez, e segundo porque as datas não batiam.
Resumindo, aquela história não fazia sentido nenhum. Quando ele tentou confirmar o que ela dizia, perguntando, por exemplo, qual era a data do nascimento da criança, Christine sempre desconversava. Ela dizia que isso não era importante. Como assim a data do nascimento do seu filho não é importante? A partir daí surgiram as bandeiras vermelhas.
Aquilo soava como mais uma invenção da cabeça dela. Mas a Christine não parou por aí. Ela disse que o suposto filho tinha uma doença genética no sangue e que os pais adotivos poderiam entrar em contato com Torbe a qualquer momento para resolver isso. Detalhe: Torbe nessa época já estava no relacionamento com a Emma, vivendo com ela e os dois filhos.
E Christine fingia que tinha aceitado tudo aquilo, mas a verdade é que ela fingia muito mal. A Emma sabia do histórico do noivo, sabia que ele tinha tido uma namorada à distância um pouco tempo antes dela e também já estava sabendo da tal história do bebê. E, claro, ela desconfiava também se aquilo era verídico.
E assim ela passou a questionar ao noivo onde esse bebê tinha nascido. E o Torbe fazia a mesma coisa para a Christine, mas a Christine sempre desconversava. E aí vocês devem estar se perguntando: a polícia não desconfiou da Christine no momento que eles estavam fazendo buscas por possíveis suspeitos? A polícia só começou a considerar Christine como possível suspeita depois de um dia que o Torbe contou aos investigadores sobre ela.
Falou que tinha uma ex que era meio maluca, que inventava umas histórias, mas que ela morava na Alemanha. Ele achava que na época ela já estava na Alemanha de volta; ele não sabia que ela tinha continuado ali na Suécia. Então, por isso os policiais meio que deixaram por um tempinho a Christine de lado por acreditar que ela estava na Alemanha.
Até que tudo mudou quando a Emma apontou nas fotos a Christine como a pessoa que bateu na sua porta naquela noite. Então, não havia mais dúvida: Christine Schürrer era responsável pelo massacre. A notícia explodiu na imprensa sueca; era manchete em todos os lugares. “A ex-namorada obcecada tinha voltado para destruir a vida do homem que seguiu em frente” — essa era a manchete.
Dias depois, Christine foi presa na Alemanha e extraditada para a Suécia. E no primeiro interrogatório ela disse que era inocente. A polícia, claro, não caiu nessa e assim foram direto para o apartamento alugado da Christine na Suécia. Eles levaram o laptop dela, o celular, roupas e tudo o que eles viam que poderia ser uma pista.
E foi assim que eles encontraram a tal jaqueta preta que ela foi descrita usando na noite, mas a roupa não tinha nenhum vestígio; ela tinha sido muito bem lavada, ela conseguiu tirar todos os vestígios. E o mais chocante ainda era o que estava por vir. No computador da Christine, os investigadores encontraram um verdadeiro arsenal: fotos da Emma, dos filhos, a planta da casa onde eles viviam, pesquisas sobre como esconder vestígios de um crime e monitoramento constante das redes sociais da Emma.
Ela estava literalmente obcecada. A cena que eles encontraram era aquela cena de filme, quando você entra no lugar e encontra aquele mural com todas as informações e fotos das vítimas; era o que eles tinham achado no computador da Christine. Sem falar que as páginas do diário dela também confirmaram isso: que ela estava obcecada.
Anotações sobre o endereço da família, a rotina das crianças, o horário da Emma de entrada e saída do trabalho. Tudo era registrado diariamente, de forma fidedigna, com toda a frieza possível. E a Christine não só não superou a rejeição, mas também transformou isso em fúria, em muito ódio, em muita inveja. E ela decidiu destruir a vida do Torbe; já que ela não poderia ficar com ele, também ninguém mais ficaria, segundo a cabeça dela.
O julgamento de Christine Schürrer começou em 29 de julho de 2008, apenas 3 meses depois do crime. O que chocou todo mundo ali presente não foi só o crime em si, o que já era chocante o suficiente, mas também como a Christine se mostrava desconectada da realidade. Ela durante a audiência acenava para as pessoas, ela sorria e pasmem: riu ao ver as fotos brutais da cena do crime.
Riu? Isso mesmo. Ela riu enquanto as imagens passavam no telão. E automaticamente essa atitude levou a uma baita dúvida: será que ela estava sã mesmo para estar sendo julgada ali? Após avaliações psiquiátricas, veio a bomba: sim, ela era mentalmente apta para ser julgada. Ou seja, Christine não era insana; ela era cruel e psicopata.
Ela não tinha o menor sinal de arrependimento. Mesmo com uma avalanche de provas se acumulando contra ela, Christine continuava negando tudo. E uma informação relevante é que, de fato, não foi encontrado DNA dela na cena do crime, e também a arma até aquele momento ninguém sabia onde estava.
Mas aí entra o famoso detalhe que muda tudo. A colega de apartamento dela, com quem ela morou durante o período na Suécia quando tudo aconteceu, disse que tinha sentido falta de um martelo de seu kit de ferramentas. O martelo de seu kit de ferramentas tinha desaparecido. Aquilo era uma coincidência? Dificilmente.
A promotoria então construiu o caso com base em provas circunstanciais, mas que foram somadas obviamente pelo testemunho da própria vítima e do homem que disse ter visto uma mulher entrando e saindo da casa. Mais de 40 pessoas foram ouvidas como testemunhas e o laptop estava ali para fechar o caso como impossível daquela mulher não ser condenada à pior pena possível.
O laptop onde continha absolutamente tudo o que Christine stalkeava e planejava contra aquela família. E lembrem do par de tênis que foi encontrado na cena do crime? Pois é, ele cabia exatamente no pé da Christine. Era o mesmo número; ou seja, ela estava totalmente cercada. Mas o que realmente acabou por virar de vez a chave no julgamento foi a Emma.
Mesmo com a memória ainda comprometida, ao ver a Christine frente a frente, suas memórias começaram a voltar ali mesmo. Ela lembrava da fisionomia da pessoa, mas não tinha aquela memória totalmente viva. Quando ela viu a Christine no julgamento, tudo mudou. As lembranças vieram com tudo. Ela lembrava de tudo: do ataque, como ela caiu, como ela tentou voltar ainda e Christine continuou golpeando. Enfim, deve ter sido um momento total de terror para ela.
E diante de tudo isso, o júri não teve dúvidas e Christine Schürrer foi considerada culpada por unanimidade e condenada à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional. Além disso, ela foi condenada a pagar uma indenização de 100.000 coroas suecas para a Emma, algo em torno de R$ 60.000 no Brasil (na conversão da época). A Christine ainda tentou recorrer, mas a justiça foi firme: nada feito. Assim, ela foi enviada para cumprir a sua pena na Alemanha, seu país de origem.
Já para Emma, o caminho da recuperação foi lento, doloroso e cheio de altos e baixos. As feridas do corpo até cicatrizaram, mas as da alma, essas provavelmente nunca serão esquecidas, pois a dor de perder seus filhos é algo que beira o insuportável. Mas felizmente ela não estava sozinha.
Com o apoio incondicional do Torbe, seu companheiro de vida, a Emma começou a se reconstruir aos poucos. Em 2010, os dois se casaram finalmente e tiveram dois novos filhos que cresceram ouvindo sobre os irmãos mais velhos que vieram antes deles. E assim, finalmente, essa família pôde se reconstruir, mas obviamente com as memórias que jamais serão apagadas.
E essa talvez seja a maior lição que esse caso nos traz: a importância da gente levar a sério sinais de obsessão e comportamento controlador por parte dos parceiros. Resumindo, não subestimem jamais pessoas que demonstrem minimamente ter esse perfil. E é isso, lindezas. Esse foi o fato sinistro de hoje.
Quem quiser deixar corações nos comentários para a gente mandar energia positiva para essas vítimas e que a Emma possa ter uma vida feliz; esquecer jamais, mas que ela possa superar com toda a ternura do mundo tudo o que passou e a perda dos seus amores. Está bom? Eu vejo vocês no próximo fato sinistro.