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Neta agride avó idosa brutalmente em Guarulhos por disputa de aluguel

Olha essa história do André Azeredo. Para agora o que você está fazendo, respira fundo e assista comigo. Quantas pessoas não gostariam de ter a vozinha por perto hoje? Hã? A vozinha já se foi para muitos, mas quem a tem, quer chegar em casa, contar para ela as histórias, ouvir as histórias.

Tem uma senhora de 96 anos. 96 anos! Não vamos falar que é uma senhora frágil; são 96 anos de vida. Ela deveria estar sendo cuidada, amparada, mas ela está sendo agredida dentro da própria casa, pela própria neta. Dona Josefa é essa senhora aqui.

Dona Josefa tem dois filhos: Maria Teresa e Marcelo. A filha, Maria Teresa, mora na praia. Em certo momento, Dona Josefa disse: «Olha, eu vou ficar por aqui». Aí a filha falou: «Mãe, então fica no meu apartamento, você me paga um aluguelzinho e você fica aí, enquanto eu fico na praia». Tudo bem. Isso aconteceu em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Dona Josefa paga o aluguel para a filha e o filho, Marcelo, passou a morar com a mãe para cuidar dela. Só que a situação estaria incomodando a neta de Dona Josefa, a Vivian — filha de Maria Teresa. De acordo com parentes, a Vivian teria dito: «Se a minha avó sai desse apartamento, ela que paga 1.200 reais… em outro lugar eu consigo alugar por mais dois, três pau aí na conta. Só o Pix caindo».

Neta é flagrada agredindo avó de 96 anos em disputa por aluguel em SP

Por que 1.200? Poxa, é a tua avó, bicho! Ela não deveria estar pagando nada, mas vocês acertaram esse valor, então está bom. Mas a menina acha que a avó paga um aluguel baixo e, segundo a família, vizinhos e testemunhas, a neta mandou despejar a própria avó do imóvel.

As imagens registradas são revoltantes. Estão segurando a Dona Josefa à força. Ela contratou um homem para fazer a mudança e disse: «Depois que ela for embora…». Estão levando até o botijão de gás. Aí não, gente! Aí não. Olha que situação revoltante. Os vizinhos registraram o momento em que a neta aparece imobilizando a avó. Ela não a deixa passar.

«Tô esperando porque eu tenho todas as provas, viu?» — gritava alguém enquanto retiravam o fogão. Vivian mandou tirar tudo. «Vai, eu estou mandando!» — ela ordenava. Olha que loucura. Ela vai segurando os braços da idosa, machucando a senhora. A senhora já tem a pele mais sensível pela idade.

Dona Josefa grita desesperada: «Socorrinho! Socorro!». Meu Deus. Vivian ainda debocha: «Que mentira. Vai fazer corpo de delito, então». Só que ela não sabe que está sendo gravada por cima, pelos vizinhos. É aí que a casa caiu para ela.

O repórter André Azeredo foi até lá conversar com Dona Josefa para entender como tudo aconteceu. O grito de socorro dado por essa idosa de 96 anos, agredida pela própria neta, ecoa como um pedido de justiça. Vivian é chamada de «falsa e fingida» pelos familiares.

«Ela tem a chave dessa porta. Eu tenho medo dela vir fazer de novo» — desabafa a idosa. Nas imagens, Vivian segura as mãos da avó e chega a jogá-la contra a parede. Os vizinhos relatam: «A gente começou a escutar a gritaria, ela gritando por socorro. Aí eu saí na janela e a gente se deparou com a situação. Foi na hora que a minha esposa queria descer para resolver, mas eu falei: ‘Não, vou começar a filmar da minha garagem’».

Enquanto Vivian tomava a chave do pescoço da avó, um homem contratado por ela retirava o botijão de gás e o fogão. Hoje, Dona Josefa vive em constante vigília: «Quando eu fico sozinha, eu faço isso. Eu fecho a porta na chave e escoro com essa escada. Escoro porque com a escada ninguém abre». É desolador ver uma mulher de quase um século de vida tendo que escorar a porta com uma escada por medo da própria neta.

Essa confusão começou um dia antes, quando Vivian mandou cortar a energia da casa da avó. Existe um áudio da Vivian pedindo a uma pessoa que cortasse a luz: «Eu precisava que você desligasse o disjuntor na caixinha para cortar a luz e a pessoa não fazer ligação direta. E aí eu precisava resolver isso hoje. Inquilinos, né? Aquela maravilha quando dá problemão».

Inquilinos? No caso, ela está se referindo à própria avó. Um vizinho avisou: «Entraram dois cidadãos aí que nós não conhecemos. Estão mexendo aí». E arrancaram os fios. Foi cortado. Mandaram carregar o bujão e o fogão para a casa da neta. Dona Josefa questiona: «Como é que eu ia ficar desse jeito? Sem comer, sem luz… eu tinha que morrer ou sair daqui».

De acordo com outro neto de Dona Josefa, tudo aconteceu por causa de dinheiro. O apartamento pertence a Maria Teresa e aos filhos, pois foi herança do falecido marido de Maria Teresa. O prédio tem cinco andares, um por andar. Dona Josefa mora no térreo. O patrimônio foi dividido: 50% para Maria Teresa e 25% para cada um dos dois filhos (Vivian e o irmão). Todos os apartamentos são alugados, e até Dona Josefa paga.

A família diz que a neta pensa que, se alugasse o imóvel para outra pessoa, ganharia mais. «É triste ver que uma pessoa da família trata a minha avó dessa forma por conta de 400 ou 500 reais» — diz o neto. Maria Teresa, a mãe de Vivian, contesta: «Referente ao aluguel, é comigo e com a minha mãe. O que combinei com ela foi: se ela vai alugar o apartamento dela, nada mais justo que pagar aluguel aí também. Só que o aluguel não era igual ao dos vizinhos. Então quem resolve sou eu. Não é a Vivian, nem o Marcelo. Eu falei: você tinha que deixar eu resolver. Vivian ficou nervosa, está errada, não estou coitando ela».

Marcelo, o filho que cuida de Dona Josefa, abriu mão de sua própria casa para estar com a mãe. «Ela ficou um mês morando sozinha lá atrás. Ela veio morar comigo, viu que não dava. Aluguei minha casa, vim morar com ela aqui, trouxe meu cachorro, vendi o que tinha que vender e fiquei com ela aqui. Eu vou para onde a minha mãe quiser».

Mesmo com quase 100 anos, Dona Josefa está lúcida. «Eu quero justiça, ela vai pagar tudo que fez» — afirma ela. Já Maria Teresa acha que o problema é o irmão, Marcelo. «Ela faz as coisas sozinha, ela é bem independente, só que ela esquece as coisas. Ela tem 96 anos, ela não quer ir, ela quer ficar com ele. Então ele que arrume um lugar para ela ficar, porque eu não quero que ele fique aí».

Vivian, por sua vez, defende-se das acusações: «Eu sou a neta que mais faço por ela. Estou muito decepcionada e triste porque usaram de uma situação para desestruturar todo o contexto». No entanto, o caso agora é de polícia, registrado como lesão corporal no ambiente de violência doméstica.

A Delegacia do Idoso de Guarulhos investiga o caso. Aos 96 anos, Dona Josefa deveria ter paz, mas vive dias de medo. «Eu espero que eu consiga alugar uma casa para viver melhor, sair daqui e parar com essas brigas. Sair daqui porque não tem condição, ela tem a chave daqui».

Mas como alugar algo com 1.200 reais hoje em dia? Está tudo caro. Vivian, se você tira tua avó daí, vai alugar por quanto? Por 2.800? Isso muda a tua vida? Você já recebe uma parte dos outros aluguéis. É tua avó! Você só existe porque ela permitiu. Olha para ela com outro olhar. Quantos anos mais ela vai viver?

O apelo que fica é para que abram mão dessa ganância. Se o medo é que o irmão fique com a casa após a morte da idosa, façam um contrato, um documento legal, mas não tirem a senhora da rotina dela agora. A vida já é tão complicada. Maria Teresa, Dona Josefa trocou tuas fraldas por tantos anos. Faz alguma coisa pela tua mãe agora.

Não se cobra aluguel de mãe ou de avó; se dá amparo. O que parece estar em jogo é uma briga familiar onde a idosa é a maior vítima. Que a justiça seja feita e que Dona Josefa possa recuperar a paz que lhe foi roubada dentro do próprio lar.