
Escola manda menina para casa pela 12ª vez; mãe descobre quem é o novo diretor.
Criar uma criança tão teimosa quanto Lena era uma batalha constante. Embora tivesse uma alma bondosa, se não quisesse fazer algo, simplesmente não fazia. Era simples assim. Nas primeiras vezes em que foi mandada para casa da escola, sua mãe, Hannah, ficou surpresa, mas logo se tornou rotina. Isso até a décima segunda vez. Hannah finalmente se cansou. Exigiu falar com a nova diretora, e uma verdade surpreendente veio à tona.
“A sala da diretora fica no final do corredor à direita”, disse uma recepcionista gentil à furiosa Hannah, que estava ali para exigir explicações sobre o fato de sua filha ter sido mandada para casa mais uma vez. Lena permaneceu em silêncio ao lado dela, com o braço sendo puxado pela mãe. Era como se uma nuvem de tempestade pairasse sobre as duas, e uma grande tempestade pudesse desabar a qualquer momento.
“Você não pode entrar; ele está em reunião”, tentou dizer uma segunda recepcionista a Hannah, mas ela já estava com metade do caminho para dentro. O diretor ergueu o olhar, chocado, os olhos arregalados ao encontrarem os de Hannah. A sala ficou em silêncio por um instante, o que deixou Lena confusa, pois esperava uma explosão imediata.
“Mãe”, disse ela irritada, soltando a mão. Ela viu a mãe voltando à realidade enquanto suas sobrancelhas se franziam e a cor retornava às suas bochechas.
“Você… você é a nova diretora?” perguntou Hannah, sem se impressionar. “Você é a pessoa que está mandando minha filha para casa, impedindo-a de aprender?” acrescentou, com a raiva voltando à sua voz. Mas por que Lena estava sendo tão teimosa? Quem era esse novo diretor e como Hannah o conhecia?
Mais cedo naquele dia, Lena jogou a bolsa no chão ao entrar em casa. Fez questão de jogá-la com força para que o baque fosse ouvido até no andar de cima. Logo depois, ouviu a mãe chamando seu nome do quarto lá em cima.
“Lena”, disse Hannah novamente enquanto descia as escadas. Ela não estava surpresa, mas sim irritada, ao ver a filha em casa antes do fim do dia letivo. “O que você fez dessa vez?” foi a primeira coisa que Hannah perguntou. Não era como se isso nunca tivesse acontecido antes.
Lena suspirou e revirou os olhos. “Nada”, disse ela, jogando-se no sofá.
Hannah estava parada na porta, com as mãos na cintura, olhando para a filha incrédula. “Você não se importa nem um pouco com a escola?”
Lena deu de ombros e estendeu a mão para pegar o controle remoto da TV, mas sua mãe o arrancou da mesa antes que ela pudesse alcançá-lo.
“Cansei da sua atitude, Lena”, disparou Hannah, explodindo toda a frustração acumulada. Ela jogou o controle remoto para o outro lado do sofá e agarrou Lena pelo pulso. “Vamos resolver isso agora.”
Ela arrastou Lena até o carro. Lena sentou-se com os braços cruzados e as pernas encostadas na porta, olhando para o mundo lá fora enquanto sua mãe continuava a reclamar de como ela havia mudado nas últimas semanas.
“Você não é mais você mesma, Lena”, suspirou Hannah, olhando para a filha. Lena percebeu a preocupação da mãe, mas se recusou a dizer qualquer coisa. “Tudo bem, então terei que falar com o diretor.”
Parecia que ela tinha visto algo se mexer no rosto de Lena. Parando num semáforo, Hannah se virou para Lena uma última vez, na esperança de conseguir alguma informação. “Aconteceu alguma coisa entre você e a Srta. Cardigan?”, perguntou, preocupada.
“A senhorita Cardigan já foi embora”, respondeu Lena simplesmente.
“Já foi embora?” perguntou Hannah, mas alguém começou a buzinar atrás dela. O resto da viagem de carro foi silencioso, mas carregado de tensão. Cada pequeno movimento que Lena fazia era notado por sua mãe. Ao chegarem à escola, Hannah a puxou para fora do carro e segurou seu pulso com força.
“Ai! Você está me machucando!” disse Lena, tentando se soltar, mas Hannah apenas apertou seu aperto. Ela puxou a filha para dentro da escola, e Lena teve que se esforçar para acompanhar os passos largos da mãe.
“A sala do diretor?” perguntou Hannah à recepcionista, disfarçando a raiva o melhor que podia. Depois de ser mandada embora, saiu furiosa e entrou pela porta, interrompendo uma reunião online. O diretor, sentado em uma grande mesa de madeira, olhou para cima com uma mistura de surpresa e irritação. Mas, ao encontrar o olhar de Hannah, encerrou abruptamente a reunião, dizendo que voltaria em breve.
Hannah paralisou ao vê-lo, seu choque evidente. Enquanto Lena se libertava do aperto da mãe, o rosto de Hannah empalideceu. O diretor se levantou lentamente.
“Hannah”, disse ele suavemente, como se tentasse confirmar o que via.
Lena esfregou o pulso e observou a reação da mãe com crescente curiosidade. A sala parecia prender a respiração. A boca de Hannah abriu e fechou, mas nenhuma palavra saiu. A diretora contornou a mesa, aproximando-se.
“Faz muito tempo”, disse ele, com a voz quase suave. Hannah assentiu lentamente, com a mente a mil.
“Mãe, o que está acontecendo?” perguntou Lena, mas Hannah pareceu não ouvi-la. Estava perdida em lembranças. A diretora olhou para Lena e depois para Hannah.
“Precisamos conversar”, disse ele com firmeza, mas com um toque de compaixão. Lena sentiu um nó se formar em seu estômago.
“Não, não aqui”, disse Hannah finalmente, com a voz trêmula.
O diretor assentiu com a cabeça, compreendendo. “Vamos dar uma olhada lá fora.”
A segunda recepcionista entrou apressadamente, pedindo desculpas pela intromissão. “Sinto muito, Sr. Davis. Tentei impedi-la.”
“Está tudo bem, Rachel”, disse o Sr. Davis calmamente. “Nós cuidaremos disso. Obrigada, você pode ir agora.”
Assim que a porta se fechou com um clique, o diretor se virou para Hannah com um sorriso presunçoso, cruzando os braços. “Bem, este é um reencontro e tanto”, disse ele, com os olhos brilhando de divertimento.
“Não estou aqui para uma visita social, Sr. Davis”, respondeu Hannah secamente. “Precisamos conversar sobre Lena.”
“Claro que sim”, respondeu ele, com voz zombeteira.
“Por que a Lena está sendo mandada para casa o tempo todo?”, perguntou Hannah, com a voz trêmula de raiva. “Ela não é uma menina má. Qual é o verdadeiro motivo?”
O Sr. Davis recostou-se e deu uma risadinha. “Talvez se você passasse mais tempo sendo pai e menos tempo invadindo escritórios, a Lena não estaria se comportando mal.”
“Como você se atreve!”, sibilou Hannah. “Você não sabe nada sobre nós.”
“Assunto delicado?”, perguntou ele, arqueando uma sobrancelha.
Hannah respirou fundo. “Não se trata de mim. Trata-se da educação de Lena.”
“É mesmo?”, perguntou ele em tom de deboche. Parecia estar gostando do controle que exercia sobre ela. “É fascinante como você fica na defensiva. Do que você tem tanto medo, Hannah?”
Ele então chocou a todos ao mencionar a ausência do pai de Lena. “Suponho que seja mais difícil lidar com a situação sem um pai por perto.”
“Isso não é da sua conta!”, disparou Hannah. Até a recepcionista, que havia retornado à sala, parecia atônita.
“Sr. Davis!” exclamou Rachel, incrédula.
Hannah se virou para ela. “Rachel, por favor, leve Lena para fora.”
Lena foi conduzida até uma cadeira no corredor. Logo, gritos abafados aumentaram de volume vindos de trás das portas fechadas. De repente, a discussão cessou, seguida por um silêncio sepulcral. Então, ouviram-se estrondos altos.
“Temos que fazer alguma coisa!” exclamou Lena, levantando-se de um pulo. Ela correu até a porta e a abriu com um puxão. Papéis estavam espalhados por toda parte. Hannah e a diretora pareciam ter entrado em luta corporal, mas a realidade era mais complexa. Hannah saiu correndo, prendendo o cabelo.
“Lena, espere por mim!” ela gritou.
O diretor chegou logo em seguida, ajeitando a gravata e abotoando a camisa. Finalmente, encontrou Hannah batendo na porta do banheiro feminino.
“Lena, por favor, abra a porta”, chamou Hannah. Quando o diretor se aproximou, Hannah estendeu a mão e limpou uma mancha de batom do pescoço dele. Ela parecia calma.
Usando uma chave reserva, a diretora abriu a porta. Encontraram Lena encolhida num canto. Convenceram-na a voltar para a sala. O cômodo havia sido limpo por Rachel, que discretamente devolveu algo à diretora, corando ao perceber o que realmente havia acontecido durante a “discussão”.
Lena virou a cadeira de costas para a parede, recusando-se a falar. Finalmente, Hannah começou a explicar.
“Lena, o Sr. Davis e eu… temos uma história. Éramos namorados no ensino médio. Quando nos reencontramos recentemente, os sentimentos antigos voltaram. Eu sei que é confuso agora, mas quando você for mais velha, tudo fará mais sentido.”
Então, Hannah insistiu para saber a verdade sobre o comportamento de Lena. “O que está acontecendo, Lena? Por que você está agindo assim?”
Lena não queria falar na frente da diretora, então Hannah a levou até o carro. Lá, Lena finalmente desabou em lágrimas.
“Mãe, eu não sabia o que fazer”, ela soluçou. “Eu… eu tinha uma queda pelo diretor. Pensei que se eu me metesse em encrenca, ia vê-lo mais vezes.”
Hannah ficou estupefata. “Oh, Lena… eu não fazia ideia.”
Ver a mãe com o diretor destruiu a paixão de Lena. “Sinto muito que você tenha visto isso”, disse Hannah suavemente.
“Eu fui tão estúpida”, murmurou Lena.
“Não, Lena, você não é boba. Os sentimentos são confusos.”
Hannah prometeu resolver a situação para que Lena se sentisse segura e confortável na escola novamente. Elas conversaram sobre a possibilidade de Lena se juntar ao Clube de Arte e seguir em frente juntas.
“Vamos lidar com isso juntas”, disse Hannah, apertando a mão da filha. Enquanto voltavam para a escola, os corredores já não pareciam tão intimidantes. Era um novo começo para ambas.