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Todos Abandonaram Este CÃO DE GUERRA ALIENÍGENA Para Morrer No Campo de Batalha Até Que Humanos O Salvassem | Ficção Científica HFY

O campo de batalha estava silencioso após a longa noite de luta. A fumaça ainda flutuava no ar e pedaços de máquinas quebradas estavam espalhados pelo chão. No meio deste lugar em ruínas, um cão de guerra alienígena jazia de lado, mal respirando. Era um ravox, uma criatura outrora conhecida por sua força e sentidos aguçados.

Agora ele não conseguia nem levantar a cabeça. Seu corpo estava coberto de poeira e velhas marcas de batalha. Sua armadura estava rachada, suas pernas fracas e seu coração confuso. Ele se lembrava de correr com sua unidade, lutar ao lado deles, obedecendo a todos os comandos sem medo. Mas quando o ataque final veio, suas pernas cederam. Os outros correram para frente e nunca mais voltaram.

Eles não olharam para trás. Eles não tentaram ajudá-lo. Eles o deixaram lá para enfrentar o fim sozinho. O Ravox não entendia a traição. Ele só conhecia a lealdade. E por causa disso, o silêncio doeu mais do que as feridas. Horas se passaram e o sol nasceu lentamente sobre a terra destruída. O Ravox esperava que os inimigos aparecessem ou talvez que o frio o levasse.

Em vez disso, ele ouviu vozes distantes, suaves, não zangadas, não gritando comandos. Essas vozes estavam inseguras, quase gentis. Ele tentou se mover, mas uma dor atravessou suas costelas, e ele soltou um gemido baixo sem querer. As vozes pararam. Então, passos se aproximaram. Um grupo de humanos caminhou com cuidado, vasculhando o campo de batalha por sobreviventes.

Eles usavam armaduras leves e carregavam ferramentas de escaneamento. Eles não esperavam encontrar ninguém vivo. Quando viram a grande criatura deitada imóvel, eles congelaram. Um deles levantou um scanner. Outro levantou a mão, avisando os outros para ficarem para trás.

“É um ravox. O inimigo os usava”, um dos humanos sussurrou.

“Mas ele não está se movendo”, outro respondeu. “Parece machucado.”

O ravox os observou com olhos cansados. Em seu antigo treinamento, foi ensinado a temer os humanos, a atacar à primeira vista. Mas não lhe restava força. Ele esperava que eles acabassem com seu sofrimento ou fossem embora como seu próprio exército fez. Em vez disso, uma jovem humana chamada Ava deu um passo à frente. Ela era menor que os outros, mas seus olhos eram afiados com um foco calmo.

Ela não segurava nenhuma arma nas mãos, apenas uma pequena luz médica.

“Ele está com medo”, Ava disse calmamente. “Olhe para os olhos dele. Ele não quer lutar.”

Os outros hesitaram. A espécie do Ravox havia causado danos em batalhas passadas. Salvar um seria um risco, mas Ava se ajoelhou lentamente, mantendo as mãos abertas e visíveis. Seus movimentos eram cuidadosos, como se ela estivesse se aproximando de um cachorro ferido na Terra.

Ela manteve a distância, mas certificou-se de que a criatura pudesse vê-la. O Ravox a observou com confusão. Supunha-se que os humanos fossem barulhentos e zangados, mas esta era suave e calma. Ela falou em uma voz baixa e constante, não sabendo se ele entendia alguma coisa.

“Você não está mais sozinho”, ela disse. “Nós estamos aqui. Não vamos te machucar.”

As orelhas do Ravox se contraíram. Ele não entendeu as palavras, mas o tom parecia diferente de tudo que ele tinha ouvido na guerra. Ava olhou para os outros.

“Se o deixarmos aqui, ele vai morrer. Mas olhe para ele. Não há mais vontade de lutar nele. Ele está apenas cansado.”

A equipe sussurrou entre si. Eles não podiam ignorar uma criatura viva, mesmo um velho inimigo. Finalmente, eles concordaram.

Eles lentamente prepararam uma maca de elevação, mantendo seus movimentos lentos. O ravox deu um rosnado fraco quando eles chegaram muito perto, mas Ava colocou a mão gentilmente no chão, deixando a criatura cheirá-la. Ela não o tocou diretamente, mas permaneceu onde ele pudesse ver seu rosto.

“Está tudo bem”, ela sussurrou. “Estamos tentando ajudar.”

Pela primeira vez desde que seu exército o deixou para trás, o Ravox sentiu algo quente por dentro. Não era confiança ainda, mas era algo novo, algo que o fez parar de resistir e deixar os humanos se aproximarem. Juntos, a equipe levantou cuidadosamente a pesada criatura e a colocou na maca. O Ravox não lutou. Ele apenas observou Ava, seus olhos cansados seguindo seus movimentos calmos.

Enquanto o carregavam de volta para sua nave de transporte, o vento soprou pelo campo de batalha, levando para longe os últimos vestígios da batalha da noite. O Ravox fechou lentamente os olhos, não de medo, mas de alívio. Ele não entendia os humanos. Ele não conhecia seus costumes ou suas regras. Mas ele sabia de uma coisa com certeza.

Esses humanos não o haviam abandonado. E para uma criatura que só conhecera a guerra, aquele pequeno ato de bondade pareceu a primeira ponta de esperança que ele já havia recebido. A estação de cura estava silenciosa enquanto os humanos carregavam o Ravox ferido para dentro. Luzes brilhantes brilhavam acima e o ar cheirava a limpo. A respiração do cão de guerra estava fraca, mas seus olhos permaneceram abertos, observando tudo com medo e confusão.

Ele nunca tinha estado em um lugar humano antes. Ele não sabia o que eram aquelas luzes ou por que ninguém estava gritando ordens. Ava andou ao lado da maca, mantendo seus passos lentos e calmos. Ela podia ver os músculos da criatura se contraírem sempre que alguém se movia muito rápido. Mesmo em seu estado fraco, o Ravox não confiava neles.

Ele manteve as orelhas abaixadas e o olhar aguçado, esperando o perigo. Quando o colocaram gentilmente em uma cama acolchoada, o Ravox tentou se levantar, mas a dor o forçou para baixo novamente. Ele soltou um rosnado baixo que era mais medo do que raiva. Os humanos recuaram, mas Ava ficou na frente da criatura, ajoelhando-se para que ele pudesse ver suas mãos.

“Está tudo bem”, ela sussurrou. “Não somos seus inimigos.”

O Ravox não acreditou nela. Ele havia sido treinado para lutar contra humanos. Seus antigos treinadores lhe contavam histórias de que os humanos eram cruéis, que eles matariam qualquer Ravox sem hesitar. Suas memórias estavam cheias de medo e punição. Então por que esses humanos estavam agindo diferente? Um médico chamado Rian se aproximou lentamente com um dispositivo.

“Precisamos escanear os ferimentos dele”, ele disse. “Apenas o mantenha calmo.”

Ava assentiu. Ela manteve sua voz suave, falando gentilmente, embora soubesse que a criatura não conseguia entender cada palavra. Rian moveu o scanner sobre a armadura rachada e as costelas machucadas do Ravox. A luz fez a criatura recuar.

Sua cauda se contraiu e suas garras afundaram levemente no acolchoamento. Rian parou e recuou.

“Ele acha que estamos tentando machucá-lo”, ele sussurrou.

“Claro que acha”, Ava respondeu. “Ele nunca conheceu a gentileza.”

O Ravox ouviu suas vozes. Eles estavam calmos, não zangados. Mas o medo era mais forte que a curiosidade. Quando Rian estendeu a mão novamente, o Ravox abocanhou o ar fracamente, não para morder, mas para avisar.

Ava rapidamente se colocou na frente de Rian.

“Pare”, ela disse suavemente. “Deixe-me tentar.”

Ela se sentou no chão, perto o suficiente para a criatura vê-la claramente, mas longe o suficiente para não ameaçá-la. Ela ficou quieta por alguns momentos. A respiração do Ravox desacelerou um pouco, observando-a. Então, ela fez algo inesperado. Ela tirou as luvas e colocou uma das mãos nuas no chão entre eles.

Ela não tocou a criatura. Ela apenas ofereceu seu cheiro. O ravox encarou a pequena mão aberta. Em seu antigo treinamento, os humanos estavam sempre cobertos por armaduras, eram barulhentos e metálicos. Esta humana estava mostrando sua pele, macia, desprotegida. Não fazia sentido. Por que um inimigo mostraria fraqueza? Ava esperou.

Lentamente, o ravox se inclinou para frente e cheirou o ar. Ele cheirou algo quente, gentil, sem medo. Os olhos da criatura suavizaram apenas um pouco. Não era confiança, mas um começo. Rian tentou novamente com o scanner, movendo-se lentamente. Desta vez, o Ravox apenas observou. Ele ainda não confiava neles, mas a presença calma de Ava o impedia de entrar em pânico.

Horas se passaram enquanto os humanos limpavam seus ferimentos, removiam pedaços de armadura quebrada e envolviam seus ferimentos com bandagens macias. Cada vez que alguém novo se aproximava, o Ravox rosnava. Cada vez que Ava falava, o rosnado parava. A equipe notou.

“Você é a única que ele escuta”, disse Rian.

Ava olhou para a criatura.

“Ele não está escutando minhas palavras”, ela disse. “Ele está escutando meu coração. Ele sabe que eu não quero machucá-lo.”

O ravox não entendia o idioma dela, mas entendia o tom, o calor e a ausência de ameaça. Ele ficou deitado imóvel, respirando lentamente, exausto. Mais tarde naquela noite, quando os outros humanos saíram da sala, Ava ficou. Ela se sentou ao lado da cama, mantendo uma pequena lâmpada acesa para que a criatura não acordasse na escuridão.

Ela abriu um pacote de ração e comeu em silêncio. O ravox a observou, surpreso que ela descansasse perto dele.

“Você está seguro”, ela disse suavemente. “Eu sei que você não confia em nós, mas talvez um dia você confie.”

O ravox piscou lentamente. Confiança era uma palavra que ele não conhecia. Segurança era algo que ele nunca tinha sentido, mas a voz da garota humana parecia firme como um vento quente após um longo inverno.

À medida que a noite se aprofundava, a criatura finalmente fechou os olhos. Ele não dormiu completamente, mas se permitiu descansar. Ava ficou acordada, vigiando, não porque temesse o Ravox, mas porque queria que ele soubesse que não estava sozinho. Foi a primeira noite em sua vida em que a criatura não foi abandonada, nem punida, nem usada.

Ele ainda não confiava nos humanos. Mas pela primeira vez, ele não os temeu. Na manhã seguinte, o sol nasceu sobre a base humana, enchendo a sala de cura de luz suave. Ava entrou silenciosamente com uma pequena bandeja de comida. Ela esperava que o ravox ainda estivesse descansando, mas, em vez disso, encontrou a criatura de pé, trêmula, mas de pé.

Suas garras estavam pressionadas no chão para manter o equilíbrio, e sua cauda tremia levemente.

“Você não deveria estar de pé ainda”, Ava disse gentilmente.

O Ravox virou a cabeça para ela. Sua respiração estava áspera, e sua perna ferida tremia sob seu peso, mas ele se recusava a se deitar. Era uma criatura treinada para demonstrar força mesmo quando quebrada.

Em seu mundo antigo, fraqueza significava punição. Ava pousou a bandeja e se aproximou lentamente. Ela sabia que qualquer movimento brusco poderia assustá-lo.

“Está tudo bem”, ela sussurrou. “Você não precisa se forçar.”

O ravox soltou um som baixo, não de raiva, mas de teimosia. Ele queria mostrar que ainda era forte para mostrar que não precisava de ajuda humana, mas seu corpo discordava.

Depois de alguns segundos, suas pernas vacilaram e ele caiu de volta na cama com um suspiro pesado. Ava se aproximou e colocou um cobertor ao lado dele.

“Você pode ser forte e ainda assim descansar”, ela disse.

O ravox a encarou com olhos cansados. Ele não entendeu as palavras dela, mas algo no tom dela fez seu peito relaxar. Ele não sentia mais que precisava lutar o tempo todo.

Rian entrou no quarto com um pequeno dispositivo.

“Bom dia”, ele disse. “Precisamos verificar como está o progresso da cura.”

O Ravox ficou tenso imediatamente, estreitando os olhos. Ava colocou a mão gentilmente na lateral da cama.

“Está tudo bem. Eles estão aqui para ajudar.”

A voz dela era suave, constante e calorosa. O Ravox se concentrou naquela voz até que sua respiração desacelerasse.

Rian escaneou a criatura novamente.

“Os músculos dele são mais fortes do que qualquer espécie que já vimos”, ele disse baixinho. “Mesmo ferido, o corpo dele está se recuperando mais rápido do que o esperado.”

Ava olhou para a criatura.

“Então, ele está se curando sozinho?”

“Não sozinho”, respondeu Rian. “Mas com muito mais força do que imaginávamos que ele tivesse.”

O Ravox os ouviu falar. Ele não entendia os detalhes, mas sabia de uma coisa. Sua força sempre foi usada para a guerra, para ordens, para o medo. Ele nunca soube que sua força poderia ser algo mais. Quando os humanos saíram da sala, Ava ficou para trás. Ela abriu o pacote de ração e colocou um pequeno pedaço de comida perto da cama do Ravox.

Ele cheirou com cuidado. Por um longo momento, ele não fez nada. Então, lentamente, ele pegou a comida e comeu. Ava sorriu suavemente.

“Viu, não foi tão ruim.”

Mais tarde naquele dia, uma tempestade passou sobre a base. O trovão ecoou pelas paredes e o Ravox congelou instantaneamente. Seus olhos se arregalaram e suas garras se cravaram na cama.

Em seu mundo natal, o trovão significava ataques aéreos, significava perigo. Ava notou o medo repentino. Ela se moveu em direção a ele lentamente e sentou-se ao lado da cama.

“Você está seguro”, ela sussurrou.

O Ravox não acreditou nela. Cada memória lhe dizia que barulhos altos significavam dor. Ele pulou para ficar de pé novamente, ignorando a dor ardente em seus membros.

Por um momento, parecia que ele tentaria escapar da sala. Ava colocou a mão gentilmente no braço dele. Leve, cuidadosa, sem forçar. O Ravox congelou. A voz dela veio novamente, quente e constante.

“Você não precisa lutar contra a tempestade.”

A criatura olhou para ela. Sua respiração estava trêmula. Seu coração disparou, mas o toque dela não machucou.

Acalmou. Gradualmente, seus músculos relaxaram e ele se abaixou de volta para a cama. Ava ficou ao lado dele enquanto o trovão rolava pelo céu. Ela falou baixinho, contando histórias sobre as tempestades da terra, de como os humanos costumavam sentar perto das janelas e observar a chuva. O ravox não entendia as palavras, mas ele entendeu a calma dela.

Lentamente, o medo diminuiu. Horas depois, quando a tempestade passou, aconteceu algo que Ava não esperava. O Ravox se aproximou dela e colocou sua cabeça pesada perto de seu joelho, não tocando nela, mas perto o suficiente para demonstrar confiança. Ava congelou por um momento, depois sorriu.

“Você é mais forte do que imagina”, ela sussurrou.

O Ravox não tinha certeza se gostava dessa sensação. Não era medo e não era raiva. Era algo novo, algo que ele nunca teve permissão para sentir. Segurança. Sua força oculta sempre foi seu poder de lutar, de sobreviver. Mas agora, pela primeira vez, o Ravox descobriu outra força. A força para confiar. E no fundo, embora a criatura não entendesse ainda, essa força era muito maior do que qualquer arma que ele já foi forçado a carregar.

A noite estava calma ao redor da base humana. A maioria dos soldados estava descansando, e as luzes dentro dos corredores brilhavam suavemente. Ava verificou o Ravox uma última vez antes do fim de seu turno. A criatura finalmente caiu em um sono tranquilo, respirando devagar e de forma constante. Ele não pulava mais a cada som. Ele não esperava mais punição.

Ele estava curando, não apenas seu corpo, mas seu coração. Ava sorriu baixinho e sussurrou:

“Boa noite.”

Ela se virou para sair, mas antes que pudesse alcançar a porta, os alarmes explodiram pela base. Uma luz vermelha profunda piscou ao longo do teto. O som era agudo, alto e urgente. O coração de Ava deu um salto quando uma voz ecoou pelos alto-falantes.

“Alerta! Nave inimiga se aproximando. Assinatura desconhecida. Possível ataque Crojen.”

O Ravox acordou em um solavanco instantaneamente. Suas orelhas se levantaram e suas garras rasparam o chão de metal. Ele reconheceu o nome. Os Crojen eram seus antigos mestres. Aqueles que o treinaram, usaram-no e o deixaram para morrer. Eles haviam retornado. Ava correu para o lado da cama.

“Está tudo bem. Você está seguro aqui”, ela disse rapidamente.

Mas ela já podia ver o medo aumentando nos olhos da criatura. Lá fora, explosões estalaram à distância. O chão tremeu. O corpo inteiro do Ravox endureceu de terror. Todas as memórias do campo de batalha voltaram correndo. Ordens, punição, abandono. Ele se levantou em pernas trêmulas, rosnando fracamente, não para Ava, mas para o medo que puxava sua mente.

Um grupo de soldados humanos passou correndo pelo corredor. Um deles parou na porta.

“Ava, você precisa ir para um lugar seguro. Naves inimigas estão pousando. Mas o Ravox, não podemos proteger você e ele. Não sabemos o que eles vieram buscar.”

Ava sabia exatamente o que eles vieram buscar. Ela olhou para a criatura.

“Eles querem você de volta ou querem você morto.”

O Ravox abaixou a cabeça, envergonhado. Ele achou que os humanos agora o abandonariam também, assim como os Crojen fizeram. Ele esperou que Ava corresse. Em vez disso, Ava se aproximou.

“Eu não vou deixar você”, ela disse.

A criatura piscou, confusa. Outra explosão sacudiu as paredes. Poeira caiu do teto. O Ravox deu um passo à frente, colocando-se entre Ava e a porta, não como um lutador, mas por instinto.

Ele queria protegê-la, embora não soubesse como. Então, um estrondo pesado veio do lado de fora do prédio. Os soldados Crojen haviam pousado. Seus passos ecoaram pelos corredores externos, duros, metálicos, frios. A respiração do Ravox tornou-se rápida. Ele recuou em direção ao canto, tremendo.

Estas eram as mesmas vozes que antes o comandavam. Os mesmos passos que ele costumava seguir sem questionar. Mas agora, pela primeira vez, ele não queria voltar para eles. Ava se ajoelhou ao lado da criatura.

“Ouça-me”, ela disse gentilmente. “Você não é mais deles. Você escolhe seu caminho agora.”

O ravox a encarou com olhos arregalados. Ninguém nunca lhe tinha dado uma escolha. De repente, a porta do quarto se abriu com um chiado violento. Dois soldados Crojen entraram, altos e com armaduras, segurando armas que brilhavam com energia azul. Seus capacetes reluziam com bordas afiadas, suas vozes mecânicas.

“Lá está ele”, um disse, apontando para o Ravox. “Recuperem o ativo.”

O Ravox soltou um rosnado quebrado. Ele queria ser forte, mas seu corpo ainda estava fraco. Ele recuou, tremendo, pressionando-se contra a parede. Ava se moveu para a frente dele.

“Vocês não vão levá-lo”, ela disse com firmeza.

O soldado Crojen a encarou como se ela estivesse louca.

“Humana”, um sibilou friamente. “Esta criatura pertence a nós.”

“Não”, Ava disse, “ele nunca pertenceu a ninguém.”

O Ravox a observou chocado. Nenhum humano jamais havia se interposto entre ele e o perigo. Ninguém jamais o havia defendido de seus próprios mestres. Os Crojen deram um passo à frente, levantando suas armas. Naquele momento, o medo se dissipou dentro do Ravox. Algo mais profundo se ergueu.

Algo que esteve escondido sob anos de controle. Não raiva, não dor, uma decisão. A criatura se empurrou para frente, colocando seu corpo danificado entre Ava e os soldados. Ele arreganhou os dentes, não por ódio, mas por proteção. Os Crojen hesitaram.

“Ele a defende”, um murmurou, confuso.

Ava colocou a mão no ombro do Ravox.

“Você é mais forte do que eles jamais entenderam.”

O ravox sentiu a mão dela, quente, firme, destemida, e algo dentro dele despertou. Com um rugido que sacudiu a sala, a criatura avançou, não como uma arma, não como um escravo, mas como algo livre. Os Crojen tropeçaram para trás, surpresos. Eles não esperavam resistência de uma criatura que eles acreditavam estar quebrada.

Soldados humanos chegaram segundos depois, disparando tiros de aviso que forçaram os Crojen a recuar para o corredor. O ravox desmaiou de exaustão, e Ava segurou sua cabeça com cuidado.

“Você conseguiu”, ela sussurrou. “Você escolheu o seu lado.”

O Ravox respirou com dificuldade, mas seus olhos estavam calmos. Ele tocou a testa levemente contra o braço de Ava, um gesto que ele não entendia completamente, mas que parecia certo. O inimigo havia retornado.

Mas desta vez, o Ravox não estava sozinho. O campo de guerra ficou quieto pela primeira vez em meses. A fumaça não cobria mais o céu e as máquinas quebradas finalmente pararam de queimar. Humanos e tropas Ravox estavam juntos. Agora, algo que ninguém nunca acreditou que aconteceria. No centro de tudo estava o Comandante Hail e o cão de guerra Ravox, Corex.

Eles estavam lado a lado, observando enquanto os soldados consertavam o que restava do campo de batalha. Corex havia mudado mais do que qualquer um esperava. Ele estava mais forte agora, mas também mais calmo. Ele não rosnava mais para todo humano que passasse perto dele. Muitos soldados até sorriam quando o viam. Alguns se sentiam seguros perto dele. Outros sentiam esperança.

Uma criatura outrora feita apenas para a violência havia se tornado um símbolo de paz. Mas a guerra ainda não havia acabado. O inimigo, o Domínio Varcon, reuniu suas forças novamente. Suas naves bloquearam o céu como montanhas escuras. Suas armas eram muito mais fortes do que antes. Todos sabiam que a batalha final decidiria tudo. Se os Varcon vencessem, tanto humanos quanto Ravox cairiam.

Na noite anterior à última luta, Hail sentou-se ao lado de Corex. O Ravox descansou silenciosamente, sua respiração lenta e constante. Hail colocou a mão em seu pelo blindado.

“Você não precisa lutar”, Hail disse suavemente. “Você já fez o suficiente.”

Corex levantou a cabeça e olhou para Hail com olhos firmes. Não havia medo neles, apenas lealdade, apenas confiança.

A criatura que antes achava que os humanos eram perigosos agora confiava em um humano mais do que em qualquer um em seu próprio exército. Quando a batalha final começou, o chão tremeu com o peso das máquinas em marcha. O ar queimou com explosões. Humanos e Ravox lutaram lado a lado. Corex ficou perto de Hail, movendo-se com velocidade e poder que chocaram até o inimigo.

Toda vez que os soldados ficavam presos, Corex rompia as linhas inimigas para salvá-los. Toda vez que alguém caía, Hail e Corex lutavam com mais força para proteger o resto. Os soldados Varcon tentaram separá-los. Eles enviaram drones e mechas pesados para derrubar Corex, mas o Cão de Guerra se recusou a cair. Hail lhe deu cobertura com tiros precisos enquanto Corex saltava nas máquinas inimigas, rasgando o metal com uma força que nenhum humano poderia igualar.

Então veio o maior andador inimigo, uma besta de metal imponente com poder de fogo suficiente para destruir um exército. Ele se moveu em direção ao posto de comando humano. Um acerto acabaria com tudo. Corex olhou para Hail. Hail olhou para Corex. Ambos sabiam o que tinha que acontecer.

“Vamos acabar com isso”, Hail sussurrou.

Eles atacaram. Corex saltou na perna do andador, rasgando cabos e articulações. Hail subiu ao lado dele, atirando nas aberturas que Corex criava. O andador tremeu, faíscas voaram, alarmes gritaram. Mas eles não pararam. Com um ataque final, o andador desabou. A explosão jogou Hail no chão. Corex o cobriu com seu corpo, protegendo-o da explosão. Quando a poeira baixou, o campo estava silencioso novamente.

Soldados humanos e Ravox levantaram suas armas em vitória. As forças Varcon recuaram. A guerra estava finalmente terminando. Hail se levantou lentamente e olhou para Corex. O cão de guerra estava cansado, respirando pesadamente, mas vivo. Hail colocou as duas mãos no rosto da criatura.

“Você nos salvou”, ele sussurrou. “Você salvou a todos.”

Corex inclinou-se suavemente em suas mãos.

Os soldados ao redor deles assistiam em silêncio. Eles sabiam que não estavam apenas olhando para um soldado e seu cão de guerra. Eles estavam olhando para algo muito maior. Um vínculo que mudou toda uma guerra. Um vínculo que tornou duas espécies aliadas. Um vínculo que provou que a confiança pode crescer mesmo nos lugares mais sombrios. E a partir daquele dia, sempre que alguém falava sobre a batalha final, sempre começava com as mesmas palavras.

Foi o dia em que um humano e um cão de guerra Ravox mudaram o futuro juntos.