
Em uma das análises mais ousadas e detalhadas dos últimos anos, o jornal espanhol Diário AS publicou um manifesto que já está dividindo o Brasil: a Seleção Brasileira vai conquistar a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos e levantar a sexta estrela. O que parecia sonho distante para muitos torcedores agora ganha contornos de profecia. Com 24 anos de jejum desde o título de 2002 na Coreia e no Japão, a Canarinho chega ao solo americano carregando exatamente a mesma “maldição” que quebrou há duas décadas – e, segundo os espanhóis, isso é o maior trunfo.
O texto, assinado por Hugo, com participação de Eduardo Burgos e Tiago Rabelo, além de uma conversa posterior com o especialista Gabriel Prado, não poupa argumentos. “Eles não são os favoritos. Não carregam o peso de ter que chegar à final custe o que custar. Aprenderam o que é derrota com a eliminação para a Croácia no Qatar 2022. E isso, paradoxalmente, os torna mais perigosos”, resume o jornal. Pela primeira vez na história, o Brasil será comandado por um técnico estrangeiro: Carlo Ancelotti. O italiano, que já esteve em uma final de Copa nos EUA como auxiliar em 1994, conhece o terreno. E o caminho até aqui não foi um mar de rosas – a classificação em quinto lugar nas Eliminatórias sul-americanas gerou dúvidas, mas também aliviou a pressão interna.
O Diário AS vai fundo nas baixas e nas surpresas da lista de Ancelotti. Rodrigo e Militão, peças-chave no primeiro ciclo, estão fora. Em contrapartida, entram nomes como Ruan, que viveu temporada espetacular no Borussia Dortmund, e o jovem Igor Thiago, ainda com poucos jogos. O grande debate gira em torno de Endrick, o fenômeno que a torcida já vê como “o próximo Neymar”. Como ele se encaixará? O jornal espanhol aposta que o garoto de 19 anos será o grande diferencial, chegando fresco, sem o peso de ser o salvador da pátria desde o início.
O ponto mais delicado – e mais comentado – é o papel de Neymar. Aos 34 anos, o craque voltou ao Santos e viveu momentos de brilho, mas a lesão na panturrilha o afastou dos gramados por meses. O Diário AS é direto: “Neymar não é mais o rei que gira o time inteiro ao seu redor como em 2014 ou 2018. Hoje Vinicius Junior está um degrau acima na hierarquia”. Neymar, que não joga pela Seleção desde 2023, terá de aceitar um papel secundário, de referência, de mentor dos mais novos. O ego dele, naturalmente, vai exigir titularidade, mas Ancelotti prioriza forma física e coletivo. “Se ele estiver inteiro, pode entrar nos 15 ou 20 minutos finais e decidir. Mas o time não vai girar mais em torno dele”, afirma Eduardo Burgos.
Vinicius Junior, por sua vez, é tratado como o grande protagonista. “Ele é o porta-estandarte. O Brasil precisa dele como nunca”, diz Tiago Rabelo. Depois da Copa América irregular, Vini chega em alta no Real Madrid, com velocidade, drible e maturidade que o colocam como o novo rosto da Seleção. Casemiro já declarou abertamente: “Esta vai ser a Copa de Vinicius e de Raphinha”. Os dois extremos serão as principais armas de Ancelotti, que ainda tem Bruno Guimarães e Paquetá no meio, formando uma trinca criativa e equilibrada.

O modelo tático proposto pelo italiano é pragmático. O jornal espanhol lembra que o Brasil histórico sempre priorizou o “jogo bonito”, mas a torcida de 2026 quer, acima de tudo, vitória. “Não importa se for feio. O que importa é o hexa”, resume Gabriel Prado no debate. Ancelotti montará um time com posse de bola controlada, transições rápidas explorando a velocidade de Vini e Raphinha, e uma defesa sólida com Gabriel Magalhães (campeão inglês pelo Arsenal), Marquinhos e laterais que, embora não sejam os Cafus e Robertos Carlos do passado, oferecem segurança em jogos de alta tensão.
O grupo C da Copa – Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia – é visto como perigoso, mas acessível. A estreia em Nova York contra Marrocos será o primeiro grande teste. Os africanos, finalistas da última CAN, são fortes no contra-ataque e têm talento (Brahim, Ounahi, Saibari). O Diário AS prevê um Brasil com muita posse, explorando espaços com Vini, mas alerta: “Se falhar na estreia, a campanha pode desandar”. Depois vêm Haiti e Escócia, jogos onde Ancelotti deverá rodar o elenco e dar minutos a Endrick e Neymar.
A grande sacada da análise espanhola é o paralelo psicológico com 2002. Naquela época, o Brasil também não era favorito absoluto. A pressão era menor. Luiz Felipe Scolari montou um time pragmático, com Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho em estado de graça. Agora, 24 anos depois, a história se repete: Ancelotti traz calma, Vinicius carrega o talento, Endrick a juventude e Neymar a experiência. “O peso da camisa é o maior ativo do Brasil”, completa Gabriel Prado. “Mesmo quando o time não joga bem, o adversário sente o manto.”
Nos bastidores, o ambiente na Granja Comary é descrito como de “concentração máxima”. Ancelotti tem conversado individualmente com cada jogador. Com Neymar, o recado foi claro: “Você é importante, mas o time vem primeiro”. Com Vini, o italiano, que o conhece desde o Real Madrid, cobrou liderança: “Você é o cara agora”. Endrick, o mais jovem, ouve tudo calado e treina como um louco. A torcida, dividida entre saudosistas de Neymar e entusiastas de Vini, começa a se unir: o hexa é o objetivo comum.
O jornal ainda destaca o calendário favorável. Depois da fase de grupos, o mata-mata começa com adversários que o Brasil historicamente domina. E o fato de a Copa voltar aos EUA – palco da quebra da última maldição – é tratado quase como um sinal do destino. “Eles aprenderam a perder. Agora sabem que não podem relaxar nem um minuto. Isso muda tudo”, diz Eduardo Burgos.
Enquanto o mundo discute se França, Espanha, Inglaterra ou Argentina são os grandes favoritos, o Brasil caminha nas sombras. Sem o rótulo de “obrigado a ganhar”, a Seleção ganha liberdade. Ancelotti, com sua experiência em finais europeias, sabe dosar pressão. Vinicius, sem o peso de carregar o time sozinho desde o início, pode explodir. Neymar, se entrar nos minutos finais, pode dar o toque de magia que só ele tem.
A profecia do Diário AS é clara: o Brasil será hexa porque aprendeu com o passado, porque tem o melhor treinador possível no momento, porque a transição de gerações está sendo feita com inteligência e porque, acima de tudo, a camisa amarela ainda pesa toneladas quando o assunto é Copa do Mundo. A seca de 24 anos está prestes a acabar. O hexa está mais perto do que nunca.
E você, acredita nessa análise espanhola? Acha que Ancelotti, Vini e companhia vão trazer a sexta estrela para casa ou ainda falta algo? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com a galera. A Copa de 2026 promete ser inesquecível – e o Brasil, segundo o Diário AS, será o grande protagonista.