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O ESCRAVO dado para SATISFAZER a esposa. História Impactante da ESCRAVIDÃO

O ESCRAVO dado para SATISFAZER a esposa. História Impactante da ESCRAVIDÃO

Em 1805, nas sombras húmidas da Casa Grande da fazenda Boa Vista, no coração do Recôncavo Baiano, a sinhá Moema obrigava o escravo Manuel a possuí-la todas as tardes, enquanto o coronel Amleto fiscalizava o beneficiamento do algodão nos terreiros distantes. Mas o que levou a este ato extremo? E qual foi o destino final destas pessoas? O que aconteceu nos detalhes deste caso é o que vão descobrir hoje.

O ano era 1805 e o Brasil vivia o auge do ciclo do algodão. A província da Baía exportava para Liverpool mais fibra do que todo o restante da América junto. Fazendas como a Boa Vista tinham mais de duzentos escravos e terras que se perdiam de vista sob o sol ardente. O Coronel Amleto de Almeida e Castro, de 42 anos, descendia de portugueses. Rico, autoritário e devoto em público, mantinha na capital uma amante e na fazenda uma esposa vinte anos mais nova.

Moema Rosa de Jesus casara-se aos 16 anos em troca de um dote que salvara os pais da ruína. Moema era alta, de pele muito branca, cabelos castanhos longos e olhos verdes inquietantes. Na Casa Grande, sentia-se sufocada pela monotonia das rezas e dos bordados. O marido raramente a procurava à noite.

Foi numa manhã de março que chegou um novo carregamento de africanos. Entre eles estava Manuel, de 25 anos, alto, de ombros largos e pele escura que brilhava, vindo diretamente de Luanda. Falava pouco português e carregava o corpo marcado pelas correntes. No mesmo navio viera também Maria, 20 anos, inteligente e que falava um português razoável. Manuel e Maria já se conheciam do porão do navio, onde prometeram um ao outro que sobreviveriam juntos. Na Boa Vista, o feitor permitiu que dividissem a mesma palhoça, acreditando que um casal formado manteria o homem mais obediente e a mulher mais quieta.

Manuel foi destacado para a Casa Grande. Moema observou-o da varanda. Sentiu algo que não sabia nomear: um desejo misturado com poder. Numa tarde, quando a casa estava vazia, mandou que ele arrumasse o seu quarto. A porta foi fechada. Moema, vestida apenas com uma roupa fina, aproximou-se e ordenou que ele se deitasse na cama do casal. Moema descobriu um prazer que nunca sentira com Amleto. Manuel, dividido entre o terror do chicote e a confusão, obedeceu. Quando terminou, ela ameaçou-o: se contasse a alguém, diria que ele a forçara e seria açoitado até à morte.

A partir daquele dia, tornou-se rotina. Todas as tardes, Moema trancava o quarto.

Na senzala, Maria percebeu as mudanças em Manuel. As marcas nas costas e o cheiro a mulher branca. Maria Conga não era mulher de gritar ou chorar. Era mulher de pensar. Observava a Casa Grande, anotava horários e preparava-se.

Moema começou a dar presentes a Manuel, mas cada presente era uma nova corrente. O desejo da sinhá tornara-se obsessivo. O coronel Amleto, cego pela rotina, não via nada. A honra, pensava ele, estava intacta.

Mas em maio de 1805, algo mudou. Moema descobriu que estava grávida. O coronel, que não a tocava há meses, recebeu a notícia com alegria pública e dúvida privada. A cor do filho poderia denunciar tudo. O medo começou a corroer a sinhá, e com o medo veio a crueldade.

Moema começou a evitar Manuel. O desejo continuava a arder, mas agora misturado com o terror. Na senzala, Maria sabia de tudo. Decidiu usar o próprio sistema contra a sinhá. Cultivou uma amizade com Rita Crioula, a mucama mais velha, que guardava um ódio antigo à patroa. Numa noite de lua cheia, Maria contou-lhe tudo. Rita ouviu em silêncio e disse apenas: “Deixa comigo, filha. A sinhá vai aprender que até a bruxa branca tem hora de pagar.”

Rita começou a semear rumores sobre o cheiro a homem na cama da senhora quando o coronel estava a viajar. Moema, desesperada, decidiu livrar-se do problema. Contratou uma curandeira para provocar um aborto no seu quarto. Rita viu tudo e guardou o pano ensanguentado como prova.

Moema ficou de cama, dizendo que era febre. O coronel mandou rezar missas. Manuel foi proibido de entrar na Casa Grande e posto a trabalhar nos campos sob o sol abrasador.

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Maria Conga, contudo, não esperou. Combinou com Rita o passo final. Na missa de domingo, Rita entregou o pano ensanguentado a uma comadre fofoqueira do coronel, sussurrando-lhe que algo horrível acontecia quando ele viajava. Três dias depois, o coronel Amleto recebeu uma carta com o pano e uma frase: “A tua mulher mata o teu filho e deita-se com um negro.”

Amleto voltou à fazenda feito um demónio. Reuniu todos os escravos no pátio. Moema foi arrastada do quarto. O coronel atirou o pano ao chão e perguntou, a tremer de ódio: “Quem é o pai desta desgraça?” Moema chorou e acusou Manuel: “Foi ele! Ele forçou-me!” Manuel não disse palavra. Olhou apenas para Maria, que observava tudo de longe, imóvel como uma estátua.

A noite de 14 de julho ficou conhecida como a “Noite do Tronco Longo”. Manuel foi amarrado ao tronco e açoitado sem piedade. Moema assistiu com os olhos vidrados, tremendo de horror e alívio. O padre Anselmo tentou intervir, mas levou um soco do coronel. Maria Conga permanecia na sombra, sabendo que a vingança ainda não estava completa.

Ao amanhecer, com Manuel quase morto, Amleto anunciou que ele seria castrado e vendido para as minas. Moema, desesperada, gritou que era mentira, que tinha sido desejo dela. Amleto bateu na esposa até a fazer cuspir sangue.

Foi então que Maria agiu. Na calada da noite, entrou no hospital dos escravos, cortou as cordas que prendiam Manuel e fugiram os dois pelo rio. Na manhã seguinte, quando descobriram a fuga, o inferno desabou. Amleto ofereceu uma recompensa, mandou cães farejadores e homens armados, mas eles já estavam a salvo num quilombo.

A fazenda entrou em pânico. Os escravos adoeciam misteriosamente, os animais apareciam mortos, as colheitas secavam. Moema enlouqueceu de vez. Amleto mandou internar a esposa num convento, uma verdadeira prisão disfarçada. Entregou-se à bebida e à violência, dobrando o trabalho e marcando a ferro os escravos.

Foi então que Maria Conga voltou a atormentar o coronel através de cartas assustadoras: “O sangue chama sangue. Sete vezes sete.”

Em agosto, o inevitável aconteceu. Manuel liderou vinte homens armados e o quilombo atacou a fazenda. Incendiaram as colheitas e a Casa Grande. O coronel foi encontrado e amarrado ao mesmo tronco onde Manuel sofrera. Os escravos que ele marcara a ferro retribuíram com chicotadas. Quando chegou a vez de Maria Conga, ela cuspiu-lhe no rosto e disse: “O teu sangue vai regar a terra que roubaste.”

Ao amanhecer, atearam fogo à Casa Grande com o coronel ainda vivo lá dentro. A fazenda Boa Vista ardeu durante três dias. Manuel e Maria desapareceram para sempre, vivendo livres no quilombo.

A igreja declarou o caso uma rebelião demoníaca. Os jornais mal o mencionaram. A Boa Vista ficou reduzida a cinzas. O Brasil Imperial preferiu esquecer. A estrutura social da época tornava tudo possível: o senhor era rei, a esposa uma rainha entediada e o escravo uma coisa que podia ser violada sem crime. Maria e Manuel representam os milhares de anónimos que um dia disseram “Basta!”. Hoje, onde ficava a Boa Vista, cresce capim alto. Dizem que, nos dias de vento forte, ainda se sente o cheiro a queimado.