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Neymar machucado foi convocado… e o que a torcida gritou no Maracanã expôs tudo!

A vitória do Brasil por 6 a 0 sobre o Panamá no Maracanã, com mais de 72 mil torcedores presentes, foi um jogo de contrastes que deixou lições importantes para Carlo Ancelotti e para toda a torcida brasileira que lotou o estádio em uma tarde de festa e cobrança. Embora o placar final tenha sido elástico e comemorado, quem acompanhou os noventa minutos percebeu claramente que a partida teve dois tempos completamente diferentes, com um primeiro tempo que gerou preocupação real e um segundo tempo que acendeu esperança sobre o potencial da equipe amarela. Felipe Melo, Denilson, Paulo Nunes, PVC, Casão e outros comentaristas debateram longamente após o jogo, destacando os acertos, os erros e as alternativas táticas que o técnico italiano precisa considerar para a Copa do Mundo.

O jogo começou com o Brasil impondo seu ritmo desde os primeiros minutos. A seleção pressionou alto, recuperou bolas no campo de ataque e abriu o placar com Vinicius Júnior em uma jogada característica, pisando no acelerador, encarando a marcação e finalizando com precisão. Poucos minutos depois veio o segundo gol, e tudo indicava que seria uma tarde tranquila no Maracanã. A torcida vibrava, o time parecia encaixado e o domínio era claro. No entanto, após esses dois gols iniciais, o Brasil recuou demais, perdeu a intensidade da pressão e permitiu que o Panamá, mesmo sendo uma seleção tecnicamente inferior, ganhasse espaço no meio-campo, controlasse partes do jogo e criasse situações de perigo. Esse apagão coletivo foi o principal ponto de crítica dos comentaristas.

Felipe Melo foi direto ao ponto ao analisar o primeiro tempo, dizendo que ele foi de fato preocupante até a página dois. Ele reconheceu que o Brasil começou bem, fez o primeiro gol rapidamente e depois voltou a pisar no acelerador para marcar o segundo, mas alertou que em uma Copa do Mundo não é possível dormir tanto tempo sem manter a intensidade, especialmente contra seleções mais qualificadas como Marrocos, França ou Espanha. Segundo ele, esse tipo de oscilação contra times mais fortes poderia custar caro, talvez até uma eliminação precoce. O posicionamento de Rafinha como falso nove foi um dos problemas mais evidentes. Ele pegava muitas bolas de costas para o gol, perdia duelos aéreos, não conseguia segurar a posse para o meio-campo se aproximar e devolvia a bola com facilidade para o Panamá. Isso criava um buraco grande entre o ataque e o meio-campo, permitindo que o adversário progredisse e respirasse no jogo.

Denilson e Paulo Nunes concordaram que o Rafinha fora de posição não entregou o que se esperava. A bola batia nele e voltava, sem sustentação, o que permitiu ao Panamá controlar o meio-campo em alguns momentos. Eles destacaram que o ajuste que faltou no primeiro tempo era simples, como a troca do Rafinha pelo Mateus Cunha, que tem mais características de nove, consegue segurar a bola no peito e dar profundidade ao ataque. Quando o Mateus Cunha entrou no segundo tempo, o cenário mudou completamente. Ele atuou como um falso nove que vem de trás, compondo pelo lado esquerdo, fechando o corredor e aparecendo entre as linhas, algo muito parecido com o papel que Zinho cumpriu na Copa de 1994, onde era um nove que nunca atuava como centroavante fixo, mas sim como um meia que compunha e criava.

O segundo tempo foi outro jogo. O Brasil voltou com mais intensidade, dominou o meio-campo, conseguiu triangular com qualidade e apresentou o futebol bonito que a torcida brasileira tanto espera ver. As triangulações fluíram, a pressão alta voltou e o time criou várias oportunidades. Igor Thiago, quando entrou, entregou algo único que nenhum outro atacante havia oferecido no primeiro tempo. Ele segurava a bola no peito, sustentava as jogadas com força física e permitia que o meio-campo se aproximasse com perigo. Isso foi fundamental para o time não perder posse tão facilmente. Danilo e Paquetá também foram muito elogiados pela capacidade de marcação, transição rápida e pulmão no jogo. Danilo, especialmente, vive um grande momento, com três atuações consistentes seguidas contra França, Croácia e agora o Panamá. Ele aparecia tanto no ataque quanto na defesa, funcionando como um verdadeiro motor da equipe.

Fabinho teve momentos importantes com carrinhos decisivos e boa cobertura na frente da zaga. Os comentaristas defenderam que o esquema 4-2-4 testado por Ancelotti mostrou limitações claras quando a pressão alta não funciona. Nesse caso, o time fica exposto nas transições. Por isso, eles sugerem reforçar o meio-campo com um tripé, tendo Casemiro à frente da defesa para dar sustentação, dois jogadores box-to-box como Bruno Guimarães, Danilo ou Paquetá, e três atacantes mais móveis na frente. Essa formação daria mais equilíbrio, especialmente contra seleções fortes, sem que os atacantes precisem voltar tanto para marcar.

PVC trouxe uma reflexão importante sobre o tempo de preparação. Ele disse que esse time deveria ter sido montado ao longo de quatro anos, mas o Brasil parece um estudante extremamente inteligente e um pouco vagabundo, que passou três anos sem estudar direito e agora tem apenas duas semanas para se preparar para o Enem. Segundo ele, o processo de montagem ainda está em andamento e Ancelotti precisa encontrar o equilíbrio ideal entre ataque e meio-campo. Uma possibilidade discutida foi a entrada de Danilo no time titular, talvez tirando Luiz Henrique, que rende mais quando entra no segundo tempo. Luiz Henrique tem mostrado desconforto quando começa jogando desde o início, mas muda o jogo quando vem do banco. Isso abre espaço para rotações interessantes no elenco.

O tema Neymar dominou grande parte do debate, mesmo ele não tendo entrado em campo. Desde o primeiro tempo, e especialmente no final do jogo, a torcida cantou forte o nome dele no Maracanã. Os cânticos de “Neymar, Neymar” ecoaram pelo estádio, mostrando o carinho enorme que o torcedor ainda tem pelo ídolo, que é o craque da seleção há mais de uma década. Fabiola considerou isso super compreensível, mas outros comentaristas alertaram que essa presença, mesmo machucado, cria uma distração grande. Se o time jogar mal contra o Marrocos, os gritos por Neymar vão crescer ainda mais, aumentando a pressão sobre Ancelotti e sobre os jogadores em campo.

PVC foi sincero ao dizer que é contra a convocação do Neymar nesse momento, pois acha que ele não deveria estar no grupo por causa da lesão. Ele acredita que o técnico italiano sempre quis o Neymar e poupou críticas com o discurso de só levar jogadores que estão bem. Quando o Neymar apareceu com lesão grau dois, Ancelotti poderia ter cortado, mas optou por mantê-lo. Isso vai contra o que ele mesmo pregou anteriormente sobre condição física. No entanto, ficou claro que tanto a CBF quanto a torcida queriam o Neymar na lista, e o técnico entendeu quem são seus chefes. A discussão vai esquentar conforme a Copa se aproximar e o Neymar for se aproximando de poder jogar.

Sobre os goleiros, o momento mais polêmico foi a vaia que Alisson recebeu no primeiro tempo após o gol do Panamá, que desviou em Mateus Cunha. Casão explicou que parte da torcida raiz associa Alisson às eliminações recentes, como contra a Bélgica em 2018 e contra a Croácia, onde bolas desviadas entraram. Hoje foi mais um caso de desvio, e a torcida vaiou. Ele reconheceu que as vaias não fazem sentido técnico, pois Alisson não tomou frango, a bola desviou e ele estava no caminho. No entanto, a paixão da torcida fala mais alto e cria uma marca negativa sobre ele. Ederson entrou no segundo tempo, mas quase não foi testado. Everton foi convocado como terceira opção após falhas de Hugo e Bento. O maior problema não é técnico, mas psicológico, especialmente para Alisson, que é o titular e carrega esse peso. Casão disse que isso preocupa, pois o goleiro deve ter saído do campo pensando por que estava sendo vaiado em um amistoso de despedida.

No geral, o jogo mostrou que o Brasil tem talento de sobra, com Vinicius Júnior como grande diferencial, Mateus Cunha como opção interessante no ataque, Danilo em grande fase e vários jogadores no banco capazes de mudar partidas. Ancelotti tem material para trabalhar, mas precisa definir o esquema ideal. O 4-2-4 pode funcionar contra times mais fracos, mas contra potências um meio-campo mais reforçado parece necessário. A torcida saiu do Maracanã com sensações mistas, alívio pela goleada, preocupação com o primeiro tempo e esperança no que o segundo tempo revelou. Neymar segue sendo o grande ídolo, mesmo machucado. Alisson precisa de apoio psicológico. O time precisa de equilíbrio tático.

Agora é trabalhar nos próximos amistosos contra Egito e Marrocos para chegar à Copa com mais consistência. A Seleção Brasileira tem tudo para brilhar, mas precisa transformar os flashes de bom futebol em uma equipe madura e equilibrada. A torcida brasileira, como sempre apaixonada, espera que os ajustes venham rápido. Quando o Brasil pisa no acelerador do jeito que fez no segundo tempo contra o Panamá, poucos times no mundo conseguem acompanhar. Resta saber se Ancelotti conseguirá montar esse time a tempo e se a pressão em torno de Neymar vai ajudar ou atrapalhar o grupo. O debate continua aberto e a expectativa só cresce.