Posted in

EDUARDO BORGES MORREU HÁ 13 ANOS… E ALGO MUDOU DEPOIS DO ENTERRO | História de Terror Real

EDUARDO BORGES MORREU HÁ 13 ANOS… E ALGO MUDOU DEPOIS DO ENTERRO | História de Terror Real

Trabalho no Cemitério Municipal de Coimbra desde o ano de 1999.

São vinte e sete anos de serviço. Deve imaginar que, após tanto tempo a conviver de perto com a morte e com o luto, já nada nos consegue assustar. A rotina de quem cuida do repouso final dos outros acaba por nos endurecer.

No entanto, aquilo que me aconteceu em 2015 mudou para sempre a minha visão do mundo. Eu não apenas senti uma presença. Eu vi algo com os meus próprios olhos.

Se julga que sabe o que se passa por detrás dos pesados portões de ferro de um cemitério quando a noite cai, prepare-se. O que lhe vou relatar agora é algo sem igual em quase três décadas da minha profissão.

O meu nome é Carlos Eduardo Silva, tenho cinquenta e dois anos e sou, hoje em dia, o funcionário mais antigo deste cemitério municipal. Já presenciei muita coisa ao longo de todo este tempo, mas há eventos que nunca se apagam da nossa memória. Há situações que marcam a nossa alma para o resto da vida.

Vou partilhar uma história que começou lá muito atrás, em 2002. Já passaram mais de vinte anos, mas ainda guardo cada detalhe na minha mente. Por vezes, essa lembrança ainda me rouba o sono durante a madrugada.

Tudo teve início no final de um funeral. Era o funeral de um homem chamado Eduardo Borges. Tratava-se de um dia de semana comum. Estávamos a terminar o nosso serviço, a selar a campa dele, um trabalho de rotina sem qualquer sobressalto.

Ou, pelo menos, era o que deveria ter sido. Mas havia uma atmosfera estranha naquele funeral. Eu não me apercebi logo no momento. Só fui compreender muito depois, quando os fenómenos começaram a manifestar-se.

O enterro foi tranquilo demais. Calmo até ao extremo. A família estava presente, claro, umas dez ou quinze pessoas, mas o silêncio que pairava sobre eles era espesso e pesado.

As pessoas olhavam para a urna, mas não se via aquela tristeza profunda de quem perde alguém amado. Era um sentimento diferente. Parecia que estavam ali por mera obrigação, como se tivessem de cumprir um dever, mas, no fundo, não quisessem estar ali.

Eu e o meu colega de turno ainda comentámos no final do dia. Achámos aquele funeral muito esquisito.

Os primeiros dias após o enterro decorreram com a maior das normalidades. Voltámos à nossa rotina de limpeza e manutenção. No entanto, aos poucos, comecei a sentir uma energia diferente no ar.

Advertisements

Não sei explicar em palavras corretas. Era como se o próprio cemitério tivesse mudado a sua essência. O ar tornou-se mais denso e opressivo.

A história que alterou tudo começou umas duas semanas após o enterro do senhor Eduardo Borges. Nós tínhamos o hábito de nos encontrarmos de manhã, na sala de descanso dos funcionários, para a troca de turno.

O guarda-noturno estava a terminar a sua vigília, e nós estávamos a chegar para mais um dia de trabalho. Esse guarda era um rapaz chamado Roberto, que já trabalhava connosco há uns cinco anos.

Conversávamos sempre sobre tudo: futebol, a vida, as notícias do dia. Por vezes, ele contava-nos, a rir, que algum jovem desequilibrado tinha tentado saltar o muro durante a madrugada. Mas, naquele dia específico, o ambiente foi completamente distinto.

Entrámos na sala e o Roberto estava sentado, imóvel. Parecia exausto, de uma exaustão que não era apenas física.

Havia algo de muito perturbador no seu rosto. Dava para notar, à primeira vista, que ele não estava bem. Estava extremamente pálido, com os olhos muito abertos e encovados, como se tivesse presenciado algo que não pertencia a este mundo.

Perguntei-lhe se estava tudo bem. Ele demorou a responder. Ficou apenas a olhar para nós, num silêncio profundo, até que suspirou e começou a falar.

Contou-nos que estava a fazer a sua ronda habitual, por volta das três e um quarto da manhã. Tudo estava imerso naquele silêncio sepulcral típico das madrugadas num cemitério.

De repente, ouviu um som estranho. Parecia vir do Talhão M. Era um ruído que ele não conseguia identificar. Não era o vento a bater nos ciprestes, nem nenhum animal noturno. Era outra coisa.

Pensou que algum intruso tivesse saltado o muro. Pegou na sua lanterna e foi verificar. Quando se começou a aproximar do Talhão M, a luz da lanterna começou a enfraquecer de forma inexplicável.

Ele deu umas pancadas no aparelho, pensando que seriam as pilhas, mas não adiantou. Foi então que ele o viu. Havia alguém ali. Parecia um homem de pé, parado entre as campas de mármore.

Mas havia algo de muito anómalo. O Roberto disse que a figura estava imóvel, mas a sua forma era difusa, como se estivéssemos a olhar para alguém através de um vidro embaciado.

O Roberto chamou por ele com respeito: “Senhor, o cemitério já se encontra encerrado.” A figura não respondeu. Não esboçou um único movimento. Ficou simplesmente ali, estática.

O Roberto, cumprindo o seu dever, decidiu aproximar-se. Tinha de retirar aquela pessoa do local. Mas, assim que deu mais alguns passos em frente, a lanterna apagou-se por completo.

Fez-se uma escuridão total. Quando a luz finalmente regressou, num pestanejar, já não estava lá ninguém. Ele procurou por todo o lado. Caminhou pelo Talhão M inteiro, espreitou por trás dos jazigos, iluminou as árvores. Nada.

A pessoa tinha-se esfumado no ar. Não havia por onde fugir tão rapidamente sem fazer o mínimo barulho.

Quando ele terminou de relatar o sucedido, a sala dos funcionários explodiu em gargalhadas. Os colegas começaram a ridicularizá-lo, dizendo que ele andava a beber ou a inventar histórias de fantasmas para nos assustar.

Mas eu olhei para os olhos dele e percebi. Ele não estava a brincar. Os olhos de um homem não mentem daquela forma. Um guarda-noturno não se deixa intimidar facilmente, mas o Roberto estava aterrorizado.

Ele levantou-se, agarrou na sua mochila e disse apenas que podíamos rir à vontade, mas que ele sabia muito bem o que tinha visto. Saiu e não disse mais nada. O clima na sala ficou pesado, e o dia de trabalho seguiu com uma estranha sombra sobre nós.

Os meses foram passando e a história do Roberto virou uma piada interna. Sempre que alguém ia limpar o Talhão M, ouvia-se: “Cuidado com a assombração.” Mas o Roberto nunca mais riu. Tornou-se um homem sombrio e calado.

Depois, as coisas começaram a piorar. O senhor Alberto, um dos coveiros mais antigos, estava a limpar uma campa no Talhão M num dia de sol ameno. Do nada, voltou para a sala pálido e a transpirar frio.

Disse que sentiu uma dor de cabeça fulminante, como se alguém lhe estivesse a esmagar o crânio com as mãos. Semanas depois, foi a vez da dona Ana, da limpeza. Sentiu tonturas e vómitos no mesmo exato local.

Aos poucos, os visitantes começaram a queixar-se. A administração recebia chamadas de pessoas que passavam mal, que desmaiavam ou que sentiam uma indisposição súbita quando visitavam os seus entes queridos. O mal parecia alastrar-se lentamente para os talhões vizinhos.

Mas o mais perturbador eram os dias em que o cheiro aparecia. Aconteceu duas vezes ao longo daqueles anos.

O primeiro episódio ocorreu seis meses após o funeral do senhor Eduardo Borges. Chegámos de manhã e fomos recebidos por um odor a decomposição absolutamente insuportável. Era um cheiro pútrido, que revirava o estômago a qualquer um.

Passámos o dia inteiro a inspecionar os jazigos, à procura de terras cedidas ou caixões expostos. Verificámos cada centímetro daquele talhão. Não encontrámos absolutamente nada. No dia seguinte, o cheiro desapareceu como por magia.

O Roberto pediu a demissão um ano após o seu encontro noturno. No seu último dia, tentei falar com ele a sós. Perguntei-lhe o que realmente se passava. Ele olhou para mim com os olhos fundos e disse apenas: “Carlos, se um dia vires alguma coisa estranha aqui, foge. Não tentes perceber, apenas foge.”

Se eu tivesse prestado atenção a esse aviso, talvez tivesse evitado o que me aconteceu.

Chegámos ao ano de 2015. Eu estava a fazer serão para terminar a restauração de um jazigo no Talhão S. A família queria tudo impecável para o Dia de Finados.

O sol já se punha, criando aquelas sombras longas e melancólicas. Eram quase seis da tarde e o cemitério estava vazio. De repente, senti uma presença.

Sabe aquele arrepio na nuca? Aquela certeza absoluta de que alguém está a olhar fixamente para si? Tentei ignorar. Pensei ser o cansaço do fim do dia.

Mas a sensação tornou-se esmagadora. O meu coração acelerou. Virei-me devagar e, a poucos metros de mim, estava um homem parado.

O meu coração falhou uma batida. Ele não se mexia. Não pestanejava. O olhar dele era oco, gélido, como se estivesse a estudar a minha alma. Tentei falar-lhe de forma educada: “O senhor precisa de ajuda? Vamos fechar em breve.”

Ele não disse uma palavra. Começou a caminhar, com passos arrastados e rígidos, passando muito perto de mim. Senti um frio cortante roçar a minha pele. Ele seguiu na direção do Talhão M e desapareceu entre os ciprestes.

Apressei-me a arrumar as ferramentas, com as mãos a tremer. Queria ir embora dali o mais rápido possível. Caminhei na direção da saída, por um percurso que conhecia de olhos fechados.

No entanto, andei e andei, e quando olhei em volta, estava completamente perdido. Tinha ido parar diretamente ao centro do Talhão M. E o pior: estava parado exatamente em frente à campa do senhor Eduardo Borges.

Tentei virar as costas para fugir, mas o corpo não me obedeceu. O homem estava lá, mesmo à minha frente.

Consegui ver o seu rosto pálido e os seus olhos vazios. E, de súbito, aquele cheiro pútrido invadiu o ar. A dor de cabeça atingiu-me como uma marretada. Senti os músculos do meu corpo a ser esmagados.

Caí de joelhos no empedrado. Foi então que uma voz soou, mas não nos meus ouvidos. A voz ecoava dentro da minha própria mente.

“Foi você.”

Tentei gritar que não, que não sabia do que ele falava. A presença na minha cabeça continuava, desesperada: “Era para ser outra pessoa… Por que fez isso?”

Senti uma angústia que não era minha. Um desespero, uma tristeza e um abandono tão profundos que o meu espírito não conseguiu suportar. Era uma dor de alma insuportável. A última coisa de que me lembro foi de ver aqueles olhos ocos e de cair inanimado sobre o mármore frio.

Acordei na sala dos funcionários com o Marcelo, o guarda-noturno atual, a amparar-me. Ele disse que me ouviu gritar no escuro. A minha cabeça latejava. Fui para casa num estado de choque, sem conseguir pregar olho toda a noite.

No dia seguinte, a muito custo, ganhei coragem e voltei à campa de Eduardo Borges. Queria provar a mim mesmo que tinha sido apenas um pesadelo.

Mas não foi. Na lateral do mármore branco, perfeitamente nítida, estava a marca de uma mão. Cinco dedos marcados na pedra. Passei a mão sobre a marca. Era real.

Compreendi, naquele momento, que não se tratava de um espírito maligno, mas sim de uma alma em profundo e absoluto sofrimento, presa a uma dor que eu não conseguia sequer imaginar.

“Eduardo Borges”, sussurrei para a pedra, “não sei o que lhe fizeram, mas prometo orar por si.”

Juntei as mãos ali mesmo e rezei com toda a minha fé. Pedi que ele encontrasse a luz e a paz que lhe tinham sido roubadas. Ao terminar, senti o ar ficar imediatamente mais leve. Aquele peso opressivo diminuiu de forma drástica.

Até hoje, continuo a cumprir a minha promessa. Sempre que posso, limpo a sua campa, deixo flores e oro pela sua alma. A marca no mármore nunca desapareceu, lembrando-me diariamente de que há mistérios entre a vida e a morte que ultrapassam a nossa compreensão.

Ao fim de vinte e sete anos, esta foi a única vez que vi o lado oculto da morte. Se o Eduardo ainda precisa de mim, eu estarei lá para o ajudar a encontrar a serenidade.

Se também desejar ajudá-lo a encontrar a paz, peço-lhe apenas que deixe uma rosa nos comentários. Lembrar-me-ei de todos vocês quando voltar a rezar por ele.