Posted in

NEYMAR VAI TRAZER O HEXA? OLHA O QUE NETO FALOU

O futebol brasileiro atravessa um momento de transe coletivo, um misto de esperança cega e uma profunda descrença técnica que parece contaminar desde o torcedor mais fanático até os analistas mais experientes. Enquanto a narrativa oficial da CBF tenta vender uma imagem de renovação, uma voz dissidente ecoa com a autoridade de quem não teme represálias e fala a língua das arquibancadas: José Ferreira Neto. O Craque Neto, em uma de suas análises mais viscerais e contundentes, não apenas questionou o trabalho atual da comissão técnica da Seleção Brasileira, mas desenhou um cenário de catástrofe iminente caso a equipe não se curve à necessidade urgente de mudar sua estrutura para orbitar em torno de Neymar.

Para Neto, o Brasil não é apenas uma seleção que não se encontrou; é um grupo que perdeu a identidade, o foco tático e, acima de tudo, a capacidade de ser competitiva em grandes palcos internacionais contra potências europeias que jogam como máquinas. A crítica começa pela estrutura que tem sido apresentada sob o comando de Carlo Ancelotti. O treinador, embora ostente um currículo vitorioso por onde passou, parece perdido em um labirinto de tentativas frustradas de encaixar peças que não se conectam. Neto pontua que, após vinte e quatro anos de jejum de títulos mundiais, o Brasil acumulou fracassos traumáticos em quartas de final e semifinais, culminando na vergonha histórica do sete a um que, ironicamente, parece não ter ensinado nada aos gestores. Para ele, a gestão atual é uma extensão desse desleixo sistêmico. Existe uma narrativa inflada, uma festa exagerada em torno de convocações, dancinhas e ostentação de luxo, que desvia a atenção do que realmente importa: o peso de vestir a amarelinha e a responsabilidade de honrar a história do futebol brasileiro. O Brasil, na visão do comentarista, classificou-se na quinta posição nas eliminatórias de forma sofrida, demonstrando uma fragilidade preocupante contra adversários que deveriam ser superados com autoridade, o que evidencia que a base não é tão sólida quanto tentam fazer crer.

O ponto central da argumentação de Neto repousa sobre a figura de Neymar. O jogador, que busca sua quarta Copa do Mundo com a camisa dez, é tratado por muitos críticos como um símbolo de um tempo que não volta, mas para Neto, ele permanece sendo a única esperança real de genialidade em um elenco burocrático. A cena recente de Neymar mancando, mas ainda assim carregando o peso da expectativa, é a metáfora perfeita do estado atual da Seleção. Enquanto a mídia se encanta com óculos caros e jatinhos particulares, Neto clama por pragmatismo. Se Neymar não estiver em condições clínicas de assumir o protagonismo, o Brasil não passará das quartas de final, um destino que tem sido o cemitério das ambições brasileiras nas últimas décadas. A polêmica aumenta quando ele detona o esquema tático proposto por Ancelotti. A ideia de jogar com quatro atacantes é, para Neto, um suicídio estratégico. Ele questiona a presença de jogadores que, apesar da fama construída em ambientes digitais ou nos videogames, não entregam resultados efetivos em campo. Ele cita nominalmente Matheus Cunha e outros jovens que, segundo o comentarista, seriam promessas para o futuro, mas que não possuem a casca necessária para enfrentar uma Copa do Mundo agora. O Brasil precisa de um meio-campo robusto, de jogadores que marquem, desarmem e saibam ditar o ritmo da partida. Sem essa base, Neymar fica isolado na ponta, sem bola, forçado a buscar jogo na defesa e perdendo sua capacidade de decidir no terço final. Neto propõe uma revolução radical: um quatro-quatro-dois clássico. Ele defende a presença de Casemiro, Danilo, Bruno Guimarães e Fabinho protegendo a retaguarda, fortalecendo a posse de bola e permitindo que os laterais avancem com inteligência. Nessa formação, Neymar e Raphinha seriam os responsáveis pelo brilho ofensivo, com o craque tendo liberdade total, sem a obrigação extenuante de voltar para marcar — um trabalho que deveria ser delegado a jogadores com mais vigor físico e menos responsabilidade criativa. Ele enfatiza que Vinícius Júnior, se quiser permanecer no time titular, precisa assumir o papel de fazer o corredor defensivo, algo que o esquema atual parece negligenciar.

A comparação com a Argentina de 2022 torna-se inevitável na fala de Neto. Ele destaca a entrega dos jogadores argentinos, a forma como eles jogam por Messi e a inteligência tática de uma equipe que soube se ajustar durante a competição, transformando-se conforme o adversário. O Brasil, por outro lado, parece jogar contra si mesmo, com uma falta crônica de liderança e uma desorientação técnica que tornam esta, nas palavras de Neto, uma das piores seleções da história em termos de coesão coletiva. Ele não poupa nem os treinadores do passado, como Parreira e Felipão, que, na sua visão, deveriam ser evitados em qualquer papel de conselho, dado o histórico de derrotas que acumularam. O drama pessoal de Neymar também é combustível para essa discussão. O jogador enfrentou um calvário nos últimos dois anos, com escândalos que quase destruíram sua carreira e sua saúde mental. Ele admitiu publicamente a dificuldade de lidar com a possibilidade de banimento do futebol, o impacto na sua família e a perda de oportunidades únicas, como a de jogar pelo Manchester City de Guardiola. Para Neto, Neymar é um sobrevivente que merece mais do que críticas infundadas. Se ele conseguiu dar a volta por cima, a Seleção Brasileira tem o dever de colocar esse talento em uma posição onde ele possa decidir, caso contrário, estará desperdiçando o maior gênio de sua geração. O confronto contra o Marrocos, que surge como o próximo grande teste, é visto com preocupação extrema. Os marroquinos, semifinalistas da última Copa e campeões africanos, representam o tipo de adversário que o Brasil tem sofrido para superar: organizados, físicos e autoconfiantes.

Se o Brasil entrar em campo com a desorganização defensiva vista nos amistosos, Marrocos não terá dificuldades em explorar os espaços deixados pelos volantes e a falta de cobertura dos pontas. Neto insiste que o jogo é do Neymar, mas o jogo precisa ser sustentado por um coletivo que entenda sua função defensiva. Em última análise, o que Neto defende é a volta do respeito à camisa e a compreensão de que talento, isolado, não ganha Copas. O futebol mudou, os europeus jogam com linhas compactas, marcando com intensidade, e o Brasil tenta, de forma romântica e ingênua, vencer apenas com jogadas de efeito. O tempo do futebol arte sem esforço acabou há décadas. Ou o Brasil se torna um time operário, capaz de sustentar Neymar no ataque, ou o hexacampeonato continuará sendo um sonho distante. A pressão sobre Ancelotti e sobre a própria CBF é insuportável, e o fracasso, se vier, não será apenas uma derrota técnica; será uma falha de planejamento que ficará marcada na história como a maior oportunidade perdida desta década. Resta saber se veremos a Seleção que o torcedor brasileiro conhece ou a equipe fragmentada que Neto, com sua franqueza habitual, tem denunciado aos quatro ventos. O futuro do futebol brasileiro, para o Craque Neto, está sendo decidido agora, e a chave desse futuro, paradoxalmente, está nas pernas do homem que todos julgaram estar acabado. A torcida brasileira, calejada de grandes expectativas e decepções, observa com cautela, mas também com a esperança renovada de que um filho que quase foi perdido para o sistema possa ser o herói da conquista que o país tanto almeja. O campo, como sempre, será o único juiz final.

E no próximo sábado, quando o apito inicial soar, todos os olhares estarão voltados para o meio-campo. A possível escalação de um time mais cauteloso não será apenas uma mudança tática; será um recado para o mundo de que, mesmo após as noites mais escuras, a bola continua rolando e o talento, quando aliado à superação, é imbatível. A jornada até aqui foi longa, cheia de pedras e sombras, mas a luz que brilha nos olhos de quem sobreviveu ao pior momento da carreira profissional é o que separa um jogador comum de um craque que decide o destino de uma nação. Essa, sem dúvida, é a história que o Brasil quer ver se concretizar: a de um jogador que provou sua inocência fora das quatro linhas e que agora, dentro delas, se prepara para provar que ainda é um dos melhores do planeta, redefinindo o patamar da nossa Seleção rumo ao objetivo maior. O Brasil precisa parar de brincar de ser seleção e voltar a ser uma potência que impõe respeito pelo tamanho do seu futebol e não pelo tamanho das suas redes sociais.