
Ontem, no centro de treinamento da Seleção Brasileira, o clima era de tensão controlada. Ancelotti já tinha definido boa parte da escalação para o amistoso contra o Egito, mas o que realmente chamou atenção não foi o retorno de Marquinhos e Gabriel Magalhães, nem a entrada de Paquetá no meio. Foi um garoto de 19 anos que não parava de sorrir, de pedir bola e de fazer a diferença.
Endrick estava em outro patamar.
O jovem que está emprestado no Lyon chegou ao treino com fome de mostrar serviço. E mostrou. De todos os ângulos. Marcou gols bonitos, driblou Marquinhos como se o zagueiro fosse um garoto da base, e deixou claro por que muita gente já o coloca como uma das grandes esperanças do Brasil na Copa do Mundo de 2026.
O momento mais comentado foi quando ele recebeu a bola no ataque, deu um drible seco em Marquinhos e finalizou com categoria. O capitão da defesa não conseguiu acompanhar. Endrick não perdoou. Depois veio outro gol, mais um, e outro. O garoto não estava treinando — estava jogando como se fosse decisão de Copa.
E não foi só contra os zagueiros. Em uma das jogadas mais intensas do dia, Casemiro, que já tinha sido deixado para trás em uma corrida, cometeu uma falta forte, quase um carrinho no tornozelo do garoto. Endrick caiu, sentiu, mas levantou rápido. O meia do Manchester United foi até ele, pediu desculpas e o ajudou a se levantar. Fabinho, que estava dando entrevista logo depois, foi sincero: “É normal em treino intenso. Todo mundo quer ganhar a bola, mostrar serviço. Às vezes a falta sai mais forte, mas ninguém quer machucar companheiro”.
O recado, porém, ficou dado: Endrick não está mais só “prometendo”. Ele está exigindo espaço.
Ancelotti, que vinha testando várias formações, já havia mudado o time para o jogo contra o Egito. Voltaram Marquinhos e Gabriel Magalhães na zaga (ausentes no Panamá por causa da final da Champions). Douglas Santos ganhou a vaga na lateral esquerda. No meio, Paquetá entrou para dar mais criação e intensidade ao lado de Casemiro e Bruno Guimarães. No ataque, Igor Thiago ganhou a chance como centroavante, com Vinicius na esquerda e Raphinha na direita.
Mas o nome que mais gerou conversa depois do treino foi Endrick.
O garoto de 19 anos, que já mostrou serviço no Lyon com gols e assistências, está usando os treinos da Seleção para provar que merece ser levado a sério para a Copa. Ele não está pedindo vaga — está tomando. Contra o Egito, que vem organizado, com Salah motivado e Marmoush como grande perigo, Endrick pode ser exatamente o tipo de jogador que abre defesas compactas com sua mobilidade, drible e finalização.
O que mais impressionou quem acompanhou o treino foi a fome. Endrick disputava toda bola, pedia para repetir jogadas, comemorava gols como se fossem em jogo oficial. Enquanto alguns veteranos pareciam mais cautelosos, o moleque tratava cada lance como uma final.
Isso gerou um debate inevitável: Ancelotti vai dar a chance a ele contra o Egito ou vai esperar mais um pouco?
Muita gente acha que Endrick já deveria estar entre os titulares. Não só pela qualidade técnica, mas pela energia que ele traz ao grupo. Em uma Seleção que ainda busca identidade e que tem Neymar voltando de lesão (e que pode não estar 100% fisicamente), a presença de um jogador com tanta vontade e qualidade pode fazer diferença.

Casemiro sentiu na pele. O veterano, que já foi imbatível na marcação, precisou recorrer a uma falta mais dura para tentar conter o garoto. Não foi deslealdade — foi reconhecimento de que, no um contra um, Endrick estava levando vantagem. E isso, em 2026, é um sinal claro de que uma nova geração está batendo na porta.
Ancelotti tem a difícil missão de equilibrar experiência e juventude. Ele trouxe de volta os zagueiros titulares, deu chance a Paquetá e Igor Thiago, mas ainda não deu a Endrick a titularidade que muitos esperavam. Contra o Egito, um time que costuma defender bem e contra-atacar com velocidade, o técnico pode ser obrigado a lançar mão do jovem para desequilibrar.
Porque uma coisa ficou clara ontem: Endrick não está mais só “dando show” nos treinos. Ele está assustando. Assustando Marquinhos, assustando Casemiro, assustando quem ainda duvidava que um garoto de 19 anos pudesse brigar por vaga em uma Copa do Mundo.
A preparação para 2026 está entrando na reta final. Neymar é a estrela, os veteranos são a base, mas os moleques como Endrick, Rayan e Igor Thiago estão mostrando que querem mais do que ser coadjuvantes. Eles querem ser protagonistas.
E se o treino de ontem servir de termômetro, Endrick já está pronto para dar o próximo passo.
Agora a pergunta que não sai da cabeça de ninguém: Ancelotti vai ter coragem de colocá-lo contra o Egito? Ou vai guardar o garoto para estrear na Copa?
Se depender do que foi visto no treino, o moleque já deu a resposta: ele está pronto. E quem viu Endrick driblar Marquinhos e marcar de novo sabe que, mais cedo ou mais tarde, ele vai ser titular. A questão é: vai ser já no sábado ou só quando a bola rolar de verdade na Copa?
O tempo está correndo. E Endrick, com a bola nos pés, está correndo ainda mais rápido.