
No meio de uma conversa franca sobre a Seleção Brasileira, o assunto que mais gerou tensão foi exatamente aquele que todo torcedor tenta evitar: os goleiros. Alisson é consenso como titular. Todo mundo concorda. Mas a partir do momento em que o nome dele sai da equação, o clima muda. A insegurança aparece. E as dúvidas, que estavam guardadas, vêm à tona.
O especialista que estava no programa foi direto: “Se Alisson não joga, eu fico tenso. E o pior é que o goleiro é alguém que qualquer torcedor ou técnico perde a confiança rapidinho. É desesperador”. A frase não foi dita com exagero. Foi dita com a experiência de quem já viveu o peso de defender a meta do Brasil.
Alisson é, sem dúvida, o melhor goleiro da geração atual. Chegou à Seleção ainda jovem, estreou contra a Argentina com apenas 23 anos e já mostrou maturidade. Hoje, com a experiência de Copas do Mundo, ele transmite segurança para todo o time. Taffarel, o preparador de goleiros, trabalhou muito tempo com ele e tem total confiança no titular. Os dois são gaúchos, têm a mesma referência e isso ajuda na comunicação.
Mas o problema não é Alisson. O problema é quem fica atrás dele.
Ederson já foi testado em Copa do Mundo e, em pelo menos um jogo, não convenceu. Aquela partida deixou uma marca. Desde então, sempre que seu nome é citado como possível reserva ou titular, surge a desconfiança. “Ele é ótimo, mas…”. Hugo Souza também é elogiado por muita gente, tem tudo para explodir, mas um jogo ruim na Seleção foi o suficiente para gerar dúvida. Everton, do Grêmio, é outro que divide opiniões: saiu cedo demais do Palmeiras na opinião de alguns, tem 34 anos e ainda é considerado por muitos como uma opção de alto nível.
E aí entra o nome que mais surpreendeu na conversa: Fábio, do Fluminense, 45 anos.
Sim, 45 anos. O goleiro que muitos já davam como aposentado da Seleção voltou a ser assunto. O especialista foi enfático: “Fábio está jogando em alto nível. Fez o Club World Cup ano passado em alto nível. Merece ser lembrado”. Ele lembrou que Fábio já passou por tudo no futebol, viu de tudo, errou, acertou, e que essa bagagem faz diferença quando o time precisa de alguém calmo e experiente. “Ele merecia ter ido em 2010, quando a gente tinha Júlio César, Jefferson e Doni. Naquela época ele já estava em outro patamar no Cruzeiro”.
A ideia de levar um goleiro de 45 anos para uma Copa do Mundo soa absurda para muita gente. Para outros, é exatamente o tipo de experiência que falta no grupo. Fábio não é mais o mesmo de 10 anos atrás fisicamente, mas a leitura de jogo, a liderança e a tranquilidade que ele transmite dentro de campo são coisas que nenhum jovem de 25 anos tem automaticamente.
Enquanto isso, Bento aparece como a opção jovem. A tradição brasileira de levar um goleiro mais novo para ganhar experiência para o ciclo seguinte é antiga. Bento ainda está em desenvolvimento e, segundo o especialista, pode ser o terceiro goleiro ideal — não necessariamente para jogar agora, mas para estar pronto daqui a quatro anos.
A grande dúvida que ficou no ar foi: quem são os três goleiros que Ancelotti vai levar para a Copa?
Alisson é indiscutível. Entre Ederson, Bento, Hugo Souza e até Fábio, a conversa fica quente. Taffarel tem voz pesada nessa decisão. Ele é quem acompanha os treinamentos, quem vê o dia a dia, quem sabe quem está mais preparado fisicamente e mentalmente. O técnico (Ancelotti) decide, mas o preparador de goleiros entrega uma lista com nomes e justificativas. E, nesse momento, a opinião de Taffarel pesa muito.

Outro ponto levantado foi a forma como os goleiros brasileiros são treinados. O especialista criticou o fato de muitos preparadores de goleiros no Brasil serem “secretos”. Cada um treina do seu jeito, esconde método, não compartilha conhecimento. Ele defendeu que deveria existir mais troca, mais convenção entre os treinadores de goleiros dos clubes para que todos trabalhem com as mesmas bases: saída de bola, domínio de área, posicionamento em escanteios e faltas, e, principalmente, a coragem de sair do gol quando necessário.
Ele lembrou que, na época de Telê Santana, ele próprio tinha total apoio para sair da área. O técnico dizia: “Você tem que sair”. E ele saía. Hoje, com o futebol mais posicional e com tantas bolas paradas, o goleiro precisa estar preparado para agir em situações de muita gente dentro da área.
No final das contas, a Seleção tem um titular de elite. Mas o que vem depois gera desconforto. Se Alisson, Deus nos livre, se machucar ou não estiver em seu melhor momento, quem vai defender a meta do Brasil? A resposta ainda não é clara. E isso, em uma Copa do Mundo, é o tipo de dúvida que ninguém quer ter.
Fábio de 45 anos sendo cogitado, Ederson com desconfiança residual, Hugo Souza com um jogo ruim na memória, Bento ainda verde… A posição de goleiro, que deveria ser a mais tranquila da Seleção, virou tema de debate acalorado.
E a pergunta que ficou pairando foi: será que a gente está subestimando a experiência de Fábio ou superestimando a segurança dos outros nomes?
Enquanto Ancelotti e Taffarel não definirem os três escolhidos, a torcida vai continuar nervosa toda vez que Alisson sentir qualquer coisa diferente. Porque, como foi dito no programa: quando o goleiro não transmite confiança, o desespero toma conta de todo mundo.
A Copa está chegando. E o Brasil ainda não tem resposta clara para a pergunta mais importante do gol: e se Alisson não puder jogar?