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Homem luta pela vida contra pitbull enfurecido e salva o cão de afogamento em São João Batista

**Homem luta pela vida contra pitbull enfurecido e salva o cão de afogamento em São João Batista**

Era uma tarde quente de sexta-feira, 27 de junho de 2025, no bairro tranquilo de São João Batista, litoral norte de Santa Catarina. Gidalte Vilanova, 42 anos, um trabalhador da construção civil conhecido na região por ser calmo e prestativo, havia ido à casa de um amigo próximo para pegar uma cadeira emprestada. Nada indicava que aquele seria o dia em que ele enfrentaria a morte cara a cara.

Gidalte estacionou o carro na frente da residência simples, de muros baixos e portão de ferro. Como de costume, entrou sem cerimônia — os dois se conheciam há anos. Foi aos fundos, pegou a cadeira de plástico azul e voltou caminhando devagar, conversando no celular com a esposa sobre o jantar. Ao se aproximar do portão, notou algo errado: a tranca estava solta, o portão entreaberto uns 40 centímetros. Antes que pudesse reagir, um vulto marrom e musculoso surgiu como um raio.

Era Luna, a pitbull fêmea de dois anos e meio dos donos da casa. Pesando cerca de 35 quilos, com mandíbulas potentes e instinto territorial aguçado, ela estava solta pela primeira vez em meses. O portão, que provavelmente se destravou sozinho ou foi esquecido mal fechado, permitiu a fuga. Luna não latiu. Ela simplesmente avançou.

“Eu vi os olhos dela vermelhos de raiva. Não era brincadeira”, contou Gidalte depois, ainda com a voz tremendo, em entrevista ao Jornal Razão. Ele ergueu a cadeira instintivamente como escudo, tentando empurrar o animal de volta para dentro. “Luna, para, sou eu!”, gritou, na esperança de que o cão o reconhecesse — afinal, ele já havia brincado com ela no quintal várias vezes.

Mas o instinto falou mais alto. A pitbull pulou, derrubando Gidalte com o impacto. Homem e cachorro caíram no chão de cimento da calçada. A cadeira voou para o lado. Dentes afiados rasgaram a camisa e cravaram no antebraço esquerdo. A dor foi imediata, lancinante. Sangue jorrou. Gidalte rolou para tentar se livrar, mas Luna mordia com força, sacudindo a cabeça como fazem os pitbulls em ataques reais. Ele sentiu o osso ranger.

Câmeras de segurança de uma casa vizinha capturaram tudo: os dois rolando, Gidalte gritando “socorro!” enquanto tentava agarrar o pescoço do animal para imobilizá-lo. Ele usou o braço direito para apertar a traqueia de Luna, mas sem machucar demais — mesmo em pânico, não queria matar o cão. “Ela é como uma filha do meu amigo. Não ia deixar ela morrer por minha causa”, explicou depois.

A luta durou exatos 1 minuto e 47 segundos — tempo eterno para quem vive o terror. Gidalte conseguiu virar o corpo, ficar por cima e, com um movimento desesperado, arrastar Luna até a borda da pequena piscina do quintal, que ficava a poucos metros da entrada. Com as últimas forças, ergueu o animal e o jogou na água. Luna caiu de lado, afundou por alguns segundos e começou a se debater, as patas batendo inutilmente — pitbulls não são ótimos nadadores e o pânico a fazia engolir água.

Gidalte, sangrando muito, ofegante, ficou parado olhando. “Ela começou a se afogar de verdade. Os olhos dela mudaram, era desespero. Eu não aguentei.” Em vez de correr para a rua ou chamar ajuda, ele pulou na piscina, agarrou Luna pelo pescoço e pela coleira e a puxou para a borda. Com esforço sobre-humano, ergueu os 35 quilos molhados e a colocou no chão seco. Luna tossiu, vomitou água e ficou deitada, exausta, sem forças para atacar novamente.

Ofegante, Gidalte fechou o portão com chave, trancou Luna no quintal e só então sentou no chão, olhando o sangue escorrer pelo braço. Vizinhos, alertados pelos gritos, chegaram correndo. Alguém chamou o SAMU. Gidalte foi levado ao hospital municipal de São João Batista com ferimentos no antebraço, ombro e perna — nada grave, graças à rapidez com que conteve o ataque. Levou 18 pontos e antibióticos potentes.

No dia seguinte, já em casa, Gidalte concedeu entrevista emocionada. “Não quis matar ela. Poderia ter batido com a cadeira na cabeça, ou chamado alguém para atirar, mas não. Ela só estava defendendo o território. O erro foi o portão aberto.” Os donos da pitbull, amigos próximos, choraram ao saber. Prometeram reforçar a segurança, colocar corrente dupla e treinar melhor o animal. Luna ficou sob observação veterinária por 10 dias, mas sem sequelas.

O caso viralizou nas redes sociais. Vídeos do ataque circularam no Instagram, Facebook e WhatsApp, com mais de 800 mil visualizações em poucos dias. Muitos elogiaram a coragem e humanidade de Gidalte. “Ele salvou a vida dele e a do cachorro. Herói de verdade”, escreveu uma internauta. Outros debateram a raça: “Pitbull não é ruim, dono irresponsável sim”, disse outro. Houve quem pedisse banimento da raça, mas a maioria destacou o caráter do homem.

Especialistas em comportamento animal explicam: pitbulls têm mandíbulas fortes (cerca de 235 PSI de pressão), mas não são “máquinas de matar” por natureza. O problema surge de criação inadequada, falta de socialização ou estímulo territorial. No caso de Luna, ela provavelmente viu Gidalte como ameaça ao entrar e sair da casa com objeto na mão (a cadeira).

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Gidalte, recuperando-se em casa, diz que não guarda rancor. “Volto lá sim, mas agora olho o portão duas vezes. E dou um abraço na Luna, de longe.” A história dele virou exemplo de superação e compaixão em São João Batista — uma cidade pequena que, por alguns minutos, viveu o caos de um confronto primal entre homem e fera.

E você, o que faria no lugar dele? Fugiria? Lutaria? Ou salvaria o animal que quase o matou? Essa história real prova que, mesmo no pior momento, a humanidade pode prevalecer. Compartilhe se você acha que coragem e coração andam juntos.