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O falso homem de Deus que planejou o 4ssassinat0 brutal de Eloá, 16 anos, para punir a mãe

Pessoal, estão precisando de ajuda. A filha da ajuda. Eu trabalho com Maria sendo assaltado agora no final da tarde. Levaram o carro que nós compramos, levaram a filha dela, levaram as coisas da casa dela. Na superfície, ele parecia ser o tipo de cidadão exemplar, um pai carinhoso que colocava foto do filho no perfil do Instagram, namorado apaixonado, servidor público engajado, atuante na comunidade do bairro Ribeirão do Lipa, em Cuiabá. Frequentava a igreja como acólito, ajudava nas missas, postava versículos, orações e mensagens de fé nas redes sociais. Mas por trás dessa imagem perfeita se escondia um predador frio, um monstro capaz de planejar e executar a morte brutal de uma adolescente cheia de vida, sonhos e futuro. E é aqui que toda a fachada desmorona de vez.

O nome dela era Eloá Maria Alen Castro Souza. Quem a conhecia descrevia como uma menina doce, tranquila, observadora, de poucas palavras mas com presença acolhedora. Leal às amizades que cultivava. Estudava no Colégio Adventista do CPA, era dedicada e sonhava em ser médica veterinária. Em outubro de 2024 participou de uma reportagem sobre adestramento de cães na Arena Pantanal com sua cadelinha Loba, mistura de chow chow com pastor alemão. Era só uma adolescente tentando socializar sua pet e construir um futuro, mas cruzou o caminho de um homem com máscara de santo.

Esse homem era Benedito Anunciação de Santana, 40 anos, funcionário público estadual, gerente de transportes na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. Líder comunitário, sempre com sorriso, papo fácil, aperto de mão que conquistava confiança. Vestia o manto da religiosidade, mas tudo era encenação. A vida de Eloá se cruzou com a dele quando sua mãe, Suelen, funcionária pública, começou a se relacionar com ele. O relacionamento era recente – alguns dizem dois meses, outros quatro –, mas Benedito já tinha chaves da casa, acesso total à rotina da família. Intimidade demais para algo tão novo.

Tudo aconteceu na terça-feira, 22 de abril, por volta das 15h. Benedito foi buscar o filho Gustavo, que acabara de completar 18 anos, junto com dois amigos adolescentes de 16 e 17 anos. Embarcaram em um carro oficial da Secretaria – sim, um veículo do governo foi usado para o crime. Chegaram à casa de Suelen no bairro Morada de Ouro. Só Eloá estava em casa. Suelen e a amiga tinham saído para o trabalho e voltariam só à noite.

Benedito entrou, ficou 15 minutos dentro da casa e saiu. Na verdade, deixou os três jovens escondidos lá dentro. Ele mesmo instruiu o plano: o filho e os comparsas deveriam esperar. O adolescente de 17 anos contou depois nos detalhes frios: “Ele falou que ia dar uma olhada… A gente desceu do veículo e esperamos na garagem. Ele abriu a porta, ela viu e correu pro quarto. A gente foi atrás, ela ficou sem reação. Ele tocou na cara dela, depois no quarto a gente segurou e ele fez o serviço… de enforcar. Com um cabo de USB no pescoço.”

Enquanto isso, Benedito saiu, recebeu um “chamado de trabalho” e voltou mais tarde a pé, estacionando longe. Ficou mais 25 minutos passando novas instruções. O plano era matar Eloá, esperar Suelen chegar, simular assalto, roubar o que conseguissem e fugir. O alvo era as duas, mas ele mudou de ideia no meio do caminho: mataria apenas a filha para que a mãe sofresse a dor eterna de perder o filho. Crueldade calculada, perversa. Na cabeça dele, era punição suficiente.

Às 18h Suelen chegou com uma amiga e um bebê no colo. Notou a casa escura mas o ar-condicionado ligado. Foi rendida pelos três jovens encapuzados. Reconheceu Gustavo. Foi agredida com chutes e socos, amarrada e trancada em outro cômodo. Os criminosos fizeram a limpa: TV, notebook, documentos, lençol para enrolar o corpo. Carregaram o HB20 prata de Suelen com tudo roubado.

Benedito então surge como herói. “Meu Deus, o que aconteceu aqui? A mulher tá toda machucada. Bora pra UPA agora.” Gravou áudios, postou nas redes sociais pedindo ajuda para encontrar Eloá, fingindo desespero. Levou Suelen para a UPA, colado nela o tempo todo, ouvindo cada grito de dor, sabendo que a menina já estava morta. Um lobo em pele de cordeiro, ator que a Netflix perdeu.

A polícia de Cuiabá agiu com rapidez exemplar. Rastreou o carro pelas câmeras do Vigia Mais. Encontrou placas abandonadas perto de um poço na região entre Ribeirão do Lipa e Estrada do Guia. O corpo de Eloá estava lá, jogado com cuidado até certo ponto – tentaram descer com algo que rompeu, fraturando o pé post mortem. Corpo de bombeiros foi acionado. O planejamento era claro: local isolado, escolhido de antemão.

Em menos de 24 horas todos foram presos. O adolescente de 17 anos foi encontrado em uma kitnet com parte dos objetos roubados. Confessou tudo, entregou os comparsas. Gustavo foi preso na casa da avó e também abriu o jogo. Na cariação, o confronto foi explosivo. O garoto de 17 anos olhou para Benedito: “Foi o senhor mesmo, seu Benedito, que pediu pro seu filho me chamar.” Gustavo, com raiva e mágoa acumulada, explodiu: “Pai, o senhor é um sem-vergonha. Me abandonou quando eu era pequeno e agora que eu fiz 18 anos vai me abandonar de novo? Seja mais homem, pai!”

Aquela frase carregava anos de abandono, carência, busca desesperada por aprovação paterna. Gustavo cometeu o horror talvez em troca de afeto que nunca teve, mas nada justifica tirar a vida de uma inocente. Benedito continuou negando, mesmo com todas as provas. O quarto envolvido, de 16 anos, foi preso escondido na mata.

O caso ganhou contornos ainda mais sombrios quando veio à tona o histórico familiar. Em 2020, o irmão de Benedito, Alcino Anunciação de Santana, assassinou a ex-companheira Domingas Cecília após ela denunciá-lo por violência doméstica. Condenado a 25 anos. Violência contra mulheres parecia marca de família.

A motivação? Benedito teria visto mensagens de Suelen com o ex, surtou de ciúme, agrediu a namorada. Quando ela quis terminar, ele decidiu puni-la da pior forma. Eloá odiava Benedito, achava que ele tinha “jeito de malandro”, fazia sinais que pareciam de facção. A família toda não aprovava o relacionamento. A menina era reservada, comportada, sem namorados, segundo amiga próxima. Benedito ainda tentou jogar a culpa em Suelen em depoimento, alegando que ela queria “cura gay” para a filha, mas tudo soa como mais uma manobra desesperada.

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A Polícia Civil, com o delegado Guilherme Carvalho Bertoli, e o sistema de câmeras fizeram um trabalho impecável. Todos presos rapidamente. Benedito foi exonerado do cargo. O prefeito Abílio Brunini até acompanhou os primeiros momentos, mostrando como o caso mobilizou a cidade.

Esse crime revela a face mais podre da violência doméstica e da possessividade doentia. Um homem que se passava por religioso, líder comunitário, usou o próprio filho e adolescentes para executar uma vingança covarde. Matou Eloá não por ódio direto a ela, mas para destruir emocionalmente a mãe. Planejou tudo, usou carro oficial, simulou ajuda, postou pedidos de oração pela menina que mandou matar.

Eloá tinha 16 anos. Sonhos, uma cadelinha que amava, futuro brilhante pela frente. Foi estrangulada dentro de casa, enrolada em lençol, jogada em um poço como lixo. Suelen vive o pior pesadelo de qualquer mãe: perdeu a filha e ainda carrega a culpa de ter trazido o monstro para dentro de casa. Ninguém merece isso.

Que esse caso sirva de alerta urgente para todas as mulheres: cuidado com quem você deixa entrar na sua vida e na vida dos seus filhos. Ninguém chega com currículo de monstros. Observe sinais, escute o instinto, proteja. A polícia de Mato Grosso mostrou eficiência, que sirva de exemplo. O feminicídio não pode continuar virando manchete diária. Precisamos de justiça dura, de penas exemplares e de uma sociedade que não tolere mais essa caçada diária contra mulheres e meninas.

Eloá, que sua alma descanse em paz. Que sua história não seja esquecida e que gere mudanças reais. Para Suelen, força, mãe. Nenhuma palavra apaga a dor, mas que a justiça seja implacável com os responsáveis. Benedito, Gustavo e os demais precisam pagar por cada segundo de sofrimento que causaram.

Que Deus console essa família e que casos assim sejam cada vez mais raros. Mas enquanto a impunidade e a cultura de posse existirem, seguiremos em alerta. Deixe seu like, compartilhe e comente para que essa história chegue a mais pessoas. Eloá merece justiça e memória.