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PC Farias e Susana Marcolino: O Duplo H0m!cídi0 que Abalou o Brasil, a Queima de Arquivo que Ninguém Conseguiu Provar e o Mistério que Permanece Sem Culpad

Em uma casa de praia no litoral de Alagoas, dois corpos foram encontrados sobre uma cama na manhã de 23 de junho de 1996. O homem era Paulo César Farias, o famoso PC Farias, tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello. Ao lado dele, sua namorada Susana Marcolino, uma jovem de 28 anos. Os dois haviam sido atingidos por tiros no peito. A primeira versão oficial parecia simples e conveniente: Susana teria matado PC em um crime passional e depois tirado a própria vida. Caso encerrado. Tragédia íntima. Mas PC Farias não era um homem comum. Ele sabia demais. Conhecia segredos do poder, caminhos do dinheiro e nomes que muitos preferiam manter enterrados. Com o passar dos anos, a tese de homicídio seguido de suicídio desmoronou. Peritos contestaram a cena do crime, provas desapareceram, laudos entraram em conflito e, anos depois, a Justiça reconheceu que se tratava de um duplo homicídio. Mesmo assim, ninguém foi condenado.

Hoje vamos revisitar um dos casos mais enigmáticos e controversos da história recente do Brasil: o assassinato de PC Farias e Susana Marcolino, um crime atravessado por política, dinheiro, poder e um silêncio que dura décadas.

Para entender a morte de PC, é preciso voltar ao final dos anos 80. Paulo César Farias era um empresário alagoano que ganhou projeção nacional como tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Mello em 1989. O Brasil vivia um momento histórico: após décadas de ditadura, o país voltava a escolher diretamente seu presidente. Collor venceu e PC saiu dos bastidores para ocupar espaço no centro do poder. Mas o governo Collor logo enfrentou denúncias explosivas. Em 1992, Pedro Collor, irmão do presidente, acusou PC de comandar um enorme esquema de tráfico de influência e arrecadação irregular de dinheiro.

O escândalo abalou o país. O Congresso instalou uma CPI. PC Farias deixou de ser apenas um operador financeiro para se tornar o símbolo de um dos maiores escândalos políticos da redemocratização. Ele era visto como alguém que conhecia os bastidores do dinheiro, as conexões perigosas e os segredos que podiam derrubar governos. As denúncias cresceram rapidamente. A pressão popular, a mídia e o Congresso aumentaram. Em setembro de 1992, a Câmara autorizou o impeachment de Collor por 441 votos. Collor renunciou para tentar evitar a cassação, mas o Senado o declarou inelegível por oito anos.

Enquanto isso, PC afundava. Foi investigado, teve prisão decretada e fugiu do Brasil. Passou por Londres e foi preso em Bangkok, na Tailândia, em 1993. Extraditado, condenado e, após cumprir parte da pena, ganhou liberdade condicional no final de 1995. Sua liberdade durou pouco. Menos de seis meses depois, estava morto.

A casa de praia em Guaxuma, litoral norte de Maceió, deveria ser um lugar de descanso. Na madrugada de 23 de junho de 1996, virou cena de crime. PC, de 50 anos, e Susana, de 28, foram encontrados mortos na cama. A primeira narrativa oficial foi direta: crime passional. Susana teria matado o namorado por ciúme e depois se suicidado. Laudos iniciais, especialmente do legista Badan Palhares, reforçaram essa versão. Para o público, parecia uma tragédia amorosa comum. Mas detalhes inquietantes logo surgiram.

Funcionários e seguranças estavam na propriedade. PC era uma figura cercada de riscos e interesses. Como alguém entraria e cometeria o crime sem resistência? Por que a cena parecia tão arrumada para sustentar a tese passional? A ausência de resíduos de tiro nas mãos de Susana gerou as primeiras grandes dúvidas. Se ela tivesse disparado duas vezes — contra PC e contra si mesma —, vestígios seriam esperados. A posição dos corpos, o sangue, a dinâmica dos tiros e a arma também levantaram questionamentos.

O médico legista George Sanginetti foi um dos principais nomes a contestar a versão inicial. Para ele e outros peritos, não se tratava de homicídio seguido de suicídio, mas de duplo homicídio. A tese do crime passional começou a ruir. Provas importantes desapareceram ou foram comprometidas. O colchão onde os corpos foram encontrados foi queimado dias depois. A arma do crime gerou controvérsias. Em um caso comum, essas falhas já seriam graves. Em um caso envolvendo um dos maiores escândalos políticos do país, eram altamente suspeitas.

A expressão “queima de arquivo” acompanhou o caso desde o início. PC Farias era um “arquivo vivo”. Ele sabia como o dinheiro circulava durante a campanha e no governo Collor, conhecia nomes, operações e acordos. Sua morte, logo após sair da prisão, parecia conveniente demais para muitos. Seria possível que alguém quisesse silenciá-lo para sempre? A hipótese nunca foi comprovada judicialmente, mas também nunca saiu da conversa pública. Se Susana não atirou, quem atirou? E por quê?

Anos se passaram até o caso chegar ao Tribunal do Júri. Em maio de 2013, quase 17 anos depois das mortes, quatro ex-seguranças de PC — policiais militares responsáveis por sua proteção — foram julgados em Maceió. A acusação era de omissão: eles não teriam impedido o crime. O julgamento colocou frente a frente as duas grandes versões: crime passional versus duplo homicídio. Os jurados rejeitaram a tese de que Susana matou PC e depois se suicidou. Reconheceram que houve duplo homicídio, mas absolveram os quatro seguranças. O Ministério Público recorreu, mas o resultado se manteve. A Justiça de Alagoas encerrou o caso sem condenar ninguém.

PC Farias entrou para a história como o homem que sabia demais. Susana Marcolino, por muito tempo, foi apontada como a autora de um crime passional. Sua família sempre contestou essa versão. O júri de 2013 deu razão a eles ao rejeitar a tese do suicídio. Susana também foi vítima. Uma jovem de 28 anos morta em circunstâncias violentas, cujo nome foi usado por anos para encerrar um caso que envolvia muito mais do que um relacionamento conturbado.

O caso PC Farias permanece como um dos mistérios mais perturbadores do Brasil. Um duplo homicídio reconhecido pela Justiça, mas sem autores condenados. Provas perdidas, cena do crime comprometida, versões conflitantes e um silêncio que dura quase três décadas. Por que a tese passional foi abraçada tão rapidamente? Por que provas foram destruídas? Quem teria interesse na morte de PC? Como os assassinos entraram e saíram sem deixar rastros claros?

Essas perguntas continuam sem respostas definitivas. O caso expõe feridas profundas: o poder da influência política, a fragilidade das investigações quando interesses maiores estão em jogo e a dor das famílias que perdem entes queridos e ainda precisam lutar contra narrativas que os culpabilizam. PC morreu cercado de segredos. Susana morreu ao lado dele e carregou por anos o peso de uma acusação que o júri rejeitou.

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Na manhã de 23 de junho de 1996, o Brasil acordou com a notícia chocante. Primeiro, disseram que era ciúme. Depois vieram as dúvidas, os peritos contestando, as falhas na investigação e, anos depois, o reconhecimento de que se tratava de duplo homicídio. Mesmo assim, o caso foi encerrado sem punição. PC Farias e Susana Marcolino viraram símbolos de um Brasil onde poder, dinheiro e silêncio muitas vezes falam mais alto que a justiça.

E você, o que acha? Acredita que foi realmente um crime passional ou uma queima de arquivo que nunca foi provada? Susana foi vítima desde o início ou a narrativa inicial serviu para proteger alguém? O júri acertou ao reconhecer o duplo homicídio, mas falhou ao não apontar culpados? Comenta aqui embaixo sua opinião sincera, porque casos como esse ainda geram debates acalorados décadas depois.

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