
5 Casos que assombraram o Brasil
O prefeito de Santo André, Celso Daniel, do partido PT, foi sequestrado na noite passada na zona sul de São Paulo. Durante toda a noite, políticos do Partido dos Trabalhadores realizaram uma vigília aqui em frente à Prefeitura, aguardando informações e um possível contato dos sequestradores. Na noite de sexta-feira, 18 de janeiro de 2002, o prefeito de Santo André, Celso Daniel, jantou no restaurante Rubaiá, no bairro dos Jardins, em São Paulo.
Do outro lado da mesa estava um amigo de longa data, o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido entre seus amigos mais próximos como Sombra. Celso Daniel era engenheiro, ex-deputado federal, um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores) e era o nome cotado para ser o coordenador do plano de governo e Ministro da Fazenda de Lula, que naquele ano concorreria à presidência da República mais uma vez.
Ele era o homem mais poderoso do partido na região do ABC paulista. Ele havia sido eleito prefeito de Santo André três vezes, a última delas com mais de 70% dos votos. Após duas horas naquele jantar, Celso e Sombra saíram no carro de Sombra, um Mitsubishi Pajero blindado. Eles estavam dirigindo pela zona sul de São Paulo quando três carros começaram a perseguir o veículo.
A perseguição durou cerca de 3 km. Os criminosos fecharam o veículo na rua Antônio Bezerra. Seis homens armados saíram e começaram a atirar contra o carro. A blindagem resistiu bem, mas então as portas se abriram. E aqui está um detalhe que será muito importante mais tarde. Em um carro blindado, o acesso externo não é fácil, pelo menos não quando o motorista ou quem está dentro do carro não quer que a porta seja acessada.
Afinal, um carro blindado é uma espécie de cápsula protetora. As portas só podem ser abertas por dentro. E isso gerou muita controvérsia no caso. Os criminosos tiraram Celso Daniel do banco do passageiro quando conseguiram abrir as portas. E Sombra foi liberado ali mesmo, ileso.
Dois dias depois, na manhã de domingo, o corpo de Celso Daniel foi encontrado por moradores em uma estrada de terra em Juquitiba, no interior de São Paulo. Ele tinha oito ferimentos de bala no corpo, marcas de queimaduras nas costas feitas com o cano de um revólver e escoriações na boca, braço e coxa. Os braços e pernas estavam contraídos, o que os peritos chamariam mais tarde de espasmo cadavérico, um sinal de que a vítima havia sofrido intensamente antes de morrer.
O legista Carlos, responsável pela autópsia, forneceu várias capturas de tela e descreveu a sequência dos eventos. Ele disse que o primeiro golpe foi na cabeça, provavelmente no momento do sequestro. Após horas de tortura, queimaduras e tiros disparados à queima-roupa, tão perto que os fragmentos da bala ficaram alojados em sua pele.
Um tiro no peito, um no ombro, um no antebraço enquanto estava em posição de defesa e, finalmente, já no chão, em posição fetal. Dois tiros no rosto e dois nas costas. O fotógrafo, com 21 anos de experiência e mais de 20.000 autópsias, pronunciou uma frase que se tornou icônica.
“A morte é uma ocorrência excepcional em casos de sequestro relâmpago. Nunca examinei um caso envolvendo um ritual de tortura com a crueldade e a força desproporcional que encontrei no corpo de Celso Daniel.” Rodovia Régis Bittencourt. Acompanhamos a polícia no caminho para o município de Juquitiba. Há relatos de que um corpo com as características do prefeito foi encontrado.
Chegamos ao local, havia muitos policiais e curiosos. Na estrada de terra cercada por matas jazia o corpo, executado com vários ferimentos de bala, pelo menos sete nas costas, peito e nuca. A investigação policial foi concluída em apenas 2 meses. A conclusão: crime comum. Os criminosos, membros de uma gangue de uma comunidade chamada Pantanal, na zona sul de São Paulo, supostamente sequestraram Celso Daniel por acaso após perderem seu alvo original. Seis foram presos e condenados.
Caso encerrado, certo? Mas não. A partir desse momento, várias pessoas ligadas ao caso começaram a morrer em circunstâncias consideradas suspeitas. Ao todo, há relatos de cerca de sete mortes suspeitas. Dionísio Severo era um criminoso especializado em sequestros com uma longa ficha na polícia de São Paulo.
O Ministério Público o identificou como figura-chave na operação que resultou na morte de Celso Daniel. Segundo os investigadores, esse Dionísio era o elo entre a gangue que executou o sequestro e quem encomendou o serviço. Detalhe: dois dias antes do crime, Dionísio fugiu da prisão de helicóptero em uma operação cinematográfica onde cúmplices apontaram uma arma para a cabeça do piloto e o forçaram a pousar dentro do pátio da prisão.
Quando foi recapturado meses depois em Alagoas, prometeu aos investigadores que contaria tudo o que sabia sobre quem ordenou o sequestro do prefeito antes de cumprir essa promessa. No entanto, foi assassinado com dezenas de facadas dentro da prisão. As manchetes dos jornais eram sobre uma fuga cinematográfica e tudo mais, porque tudo correu bem para eles que fugiram, e para mim, que ainda estou vivo aqui, porque parece que um dos caras que eu tirei tinha oito mortes nas costas, mas eu não me importei.
Imagine, Celso Daniel morreu aqui, e um resgate aconteceu ali. Então essa foi uma fuga que eu fiz, essa foi uma história diferente. Mais tarde, pela mídia, descobri essa conexão. E no telefone que esse Dionísio usava na prisão, descobriram ligações frequentes para um policial da divisão de narcóticos chamado Otávio Mercier.
Otávio, quando questionado pela corregedoria, diz que não sabia de nada. Pouco depois, foi morto a tiros dentro de sua casa. Sérgio Orelha, que escondeu Dionísio após a fuga, foi encontrado carbonizado no porta-malas de um carro. Irã Morais Redua, o primeiro agente funerário a chegar em Juquitiba, foi morto com dois tiros enquanto colocava compras no porta-malas do seu carro.
Antônio Palácio de Oliveira, o garçom que atendeu Celso Daniel e Sombra no Rubaiá naquele dia, também era um garçom frequente da dupla, que às vezes sentava à mesa com seus amigos. Ele foi perseguido por dois homens em uma motocicleta, agredido, perdeu o controle e bateu em um poste.
A polícia registrou como roubo, mas nada foi levado dele. E aqui está o detalhe: Antônio tinha documentos falsos e um depósito de 60 mil em sua conta, cuja origem nunca foi identificada. Paulo Henrique Brito, a única testemunha que disse ter visto o garçom morrer, foi assassinado no mesmo local 20 dias depois com um tiro nas costas.
O próprio legista, Carlos Del Monte Prints, morreu pouco depois. Ele havia dado a entrevista para Jô Soares e disse que tinha sido proibido de falar publicamente sobre o caso e rebaixado de seu cargo por defender a versão de tortura de tudo o que aconteceu. Ele morreu algum tempo depois daquela entrevista.
Mortes, suspeitas, tudo de pessoas que sabiam, ouviram algo sobre o caso Celso Daniel, mas nada foi confirmado, ok? Para tudo havia uma explicação oficial que não ligava os casos. Não viu que eu estava gravando? A cadeira estava bem aqui na frente, mas você vê esses livros aqui? Eles caíram do nada, cara.
Veja o que eu estava dizendo sobre as mortes suspeitas. Eu fiz um ranking. O prefeito de Santo André, que na época participava da elaboração do programa de governo do futuro presidente Lula, foi torturado e morto. Depois dele, outras sete pessoas ligadas ao caso foram assassinadas ou morreram em circunstâncias misteriosas. Você deve estar se perguntando sobre o Sombra, certo? Afinal, ele foi liberado ali mesmo na hora do sequestro.
Bem, a análise forense revelou detalhes que não batiam com sua versão dos fatos, ok? Ele disse que o pneu furou durante a perseguição e o carro teve uma falha elétrica. A investigação forense mostrou, no entanto, que o pneu foi furado enquanto o carro já estava parado e que o veículo estava funcionando normalmente, apesar dos tiros disparados.
Sobre as suas alegações de que o carro tinha um problema na transmissão, examinamos a transmissão para ver se havia um problema. Nenhum problema foi encontrado. A transmissão do carro está funcionando normalmente. Em outras palavras, o que foi dito não condiz muito com o que você está vendo aqui. Sim, a versão que ele deu não condiz com o que está sendo encontrado aqui no carro, certo? E a questão é, em um carro blindado que ainda está funcionando, por que parar e por que abrir as portas que estavam trancadas? Sombra teria mudado sua história várias vezes.
“Aquele cara da Rede [ininteligível] está me destruindo, meu amigo. Ele está dizendo que tudo o que eu disse é mentira, que o carro está funcionando, que a porta não destrava, que eu sou o prefeito principal. Cara, precisamos bolar um plano.” Por quê? Porque as empresas agem em conjunto com as empresas que, junto com a Mitsubishi, por razões óbvias de mercado, se uniram para dizer que é muito lindo, porque a transmissão está funcionando.
A análise pericial mostrou que a transmissão está funcionando. A família de Celso Daniel nunca aceitou a versão de que foi um crime comum, ok? O irmão João Francisco Daniel afirmou que Celso tinha um dossiê com provas de enriquecimento ilícito envolvendo figuras sombrias e outros membros do esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André.
Segundo o Ministério Público, Santo André era um dos principais pontos para a arrecadação irregular de fundos, alimentando assim as campanhas do partido. Em 2005, o caso foi reaberto e designado à delegada Elizabeth Sato. Ela supostamente produziu um relatório de cerca de cinco páginas e não realizou investigações básicas, como obter registros telefônicos dos envolvidos, e manteve sua conclusão anterior de que se tratava de um crime comum.
Um detalhe que a família questionou publicamente. Elizabeth Sato era tia do marido da filha de Lula, ligando o crime ao esquema de propina que operava na prefeitura. Sombra chegou a ser denunciado para ir a júri popular, mas nunca chegou ao banco dos réus, 3 meses antes da primeira audiência. Sombra foi condenado em outro caso há 15 anos por liderar um esquema de cobrança de propina de empresas de transporte contratadas pelo governo municipal.
O juiz afirmou que o esquema de propina era conhecido dentro do PT (Partido dos Trabalhadores), mas essa afirmação foi considerada controversa, pois foi tratada como interpretação do juiz e não como um fato definitivo e estabelecido. Portanto, o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, acusado de ligações com o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do partido PT, morreu aqui em São Paulo.
O crime ocorreu em 2002. No ano passado, Sombra foi condenado a 15 anos de prisão por corrupção e recorria em liberdade. Celso Daniel foi sequestrado, torturado por horas e executado com oito tiros. A versão oficial diz que foi um crime comum, sem planejamento, cometido por uma gangue que errou o alvo.
Sete testemunhas morreram mais tarde em circunstâncias suspeitas. O homem que estava jantando com Celso na noite do sequestro foi liberado sem um arranhão. Ele mudou sua história várias vezes, foi acusado de ser mandante e morreu antes do julgamento. E o dossiê que Celso supostamente guardava sobre o esquema de corrupção em Santo André nunca foi encontrado pela polícia, mas documentos foram retirados de seu apartamento antes que os investigadores chegassem.
Até hoje, o mandante do assassinato de Celso Daniel não foi julgado definitivamente. Apesar da versão oficial, persistem fortes suspeitas de crime político, talvez um acobertamento. Isso pode até ser o que diz a versão oficial. Para um crime comum, as consequências, circunstâncias, coincidências e eventos casuais foram bastante incomuns.
E tudo o que resta do caso até hoje é uma enorme sombra.