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A Sinhá que mandou o escravo tirar a roupa apenas para servir o café da manhã na cama.

“Olha, eu preciso te contar o que fiz, porque se eu guardar isso só para mim, sinto que vou explodir. Eu sou Fátima, a mulher que governa cada centímetro desta fazenda com punho de ferro, a dona de tudo o que os olhos podem ver. Todos aqui me veem como uma mulher de ferro, fria e intocável, mas eles não fazem ideia do fogo que queima sob estes caros vestidos de seda.”

“Naquela manhã, o calor estava insuportável. E a minha solidão era ainda maior do que o sol lá fora. Foi quando tomei a decisão mais perigosa da minha vida. Chamei o escravo mais forte da lida e ordenei que me servisse o café da manhã, mas com uma condição que ninguém jamais ousaria imaginar. Eu queria provar o proibido e exigi que ele entrasse em meus aposentos completamente nu, apenas para satisfazer minha curiosidade e meu desejo de ver até onde meu poder poderia chegar.”

“Olha, preciso abrir meu coração e te contar o que aconteceu naquela manhã, porque o silêncio daquelas paredes de pedra começou a me sufocar de uma maneira que eu não conseguia mais suportar. É assim que sou, Fátima, para o mundo exterior. Sou a única dona de cada hectare desta terra. A mulher que comanda centenas de almas com um simples aceno de mão e que nunca baixou a cabeça para nenhum homem nesta província.”

“Mas quando o sol começa a espreitar pelas frestas das venezianas de jacarandá no meu quarto, a realidade é outra. Acordei cercada por lençóis do mais puro linho. O tipo de luxo que só o dinheiro e o poder podem comprar. Mas o que eu senti foi um vazio tão profundo que nenhuma fortuna no mundo parecia capaz de preenchê-lo.”

“Meu marido faleceu há anos, e com ele se foi qualquer vestígio de calor daquela enorme cama. Lá estava eu, uma mulher no auge da minha vida, minha pele ainda firme e desejos pulsando sob minha camisola de seda, mas tratada por todos como uma peça de mármore, linda, porém fria e intocável.”

“Naquela manhã, o calor já estava começando a pesar antes mesmo das oito da manhã. O ar estava parado, pesado com o cheiro de terra úmida e flor de laranjeira. Mas o que me chamou a atenção foi um cheiro diferente vindo do pátio da lida, um cheiro de suor, de esforço, de vida bruta. Levantei-me devagar, sentindo a seda deslizar pelas minhas pernas, e caminhei até a varanda.”

“De lá, observei os homens começarem o trabalho duro, e foi quando meus olhos encontraram os dele. O nome dele era Chico, mas para todos ali ele era apenas o escravo que cuidava dos cavalos mais difíceis. Ele era imponente, uma verdadeira montanha de músculos esculpidos pelo trabalho sob o sol impiedoso. Sua pele brilhava, coberta por uma fina camada de suor que refletia a luz da manhã, como se ele fosse feito de bronze.”

“Ele não tinha a postura curvada dos outros. Havia algo selvagem e indomável na maneira como ele se movia, uma força que parecia vibrar a cada passo. Senti um puxão no baixo ventre que me fez perder o fôlego por um segundo. Um pensamento ousado, quase proibido, começou a tomar forma em minha mente.”

“Por que eu, a dona de tudo isso, tinha que viver sob as regras de uma sociedade que queria que eu fosse santa e solitária? Decidi naquele exato momento que, pela primeira vez na minha vida, faria o que quisesse, não importasse o custo. Eu queria sentir o perigo. Queria experimentar o que era proibido para uma mulher da minha posição.”

“Voltei para dentro do quarto, com o coração batendo forte contra as costelas. Minha mão tremeu levemente ao puxar a corda do sino para chamar minha criada de confiança. Quando ela entrou, de cabeça baixa e silenciosa, dei a ordem que mudaria o destino daquela casa para sempre. Minha voz saiu firme, carregada com a autoridade de quem não aceita questionamentos, mas por dentro eu era puro fogo.”

“Diga ao Chico para sair da lida agora mesmo. Dei a ordem sem tirar os olhos do espelho de moldura dourada que refletia minha própria sede. Diga para ele se banhar no rio e vir imediatamente aos meus aposentos. Ele vai me trazer o café da manhã pessoalmente hoje. A criada olhou para mim, assustada, notando que algo estava diferente no meu olhar, mas eu não tinha terminado.”

“E diga a ele, sem rodeios, que ele deve entrar aqui sem uma única peça de roupa. Quero que me sirva exatamente como a natureza pretendia. Vá. Ela saiu tropeçando, e eu fiquei sentada na beira da cama, sentindo o suor escorrer entre meus seios. O vazio que senti ao acordar tinha sido substituído por uma antecipação tão intensa que eu quase podia ouvir o sangue correndo pelas minhas veias.”

“Escolhi o homem mais forte, mais rude e mais imponente daquela fazenda para uma tarefa que ninguém jamais sonhara. Hoje, Fátima não seria apenas a dona da terra. Ela seria aquela que possuiria o prazer proibido que este homem carregava em cada fibra de seu ser. Olha, não consegui dormir um minuto sequer depois que a ordem foi dada.”

“Voltei para a varanda, escondida atrás das trepadeiras de jasmim, para observar o pátio uma última vez antes que aquela porta se abrisse. O sol já estava alto, castigando a terra, e o brilho que vinha lá de baixo era quase ofuscante, mas nada brilhava mais do que a pele dele. Bento estava lá. Ele tinha acabado de receber a mensagem e, por um momento, parou tudo o que estava fazendo.”

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“Eu o vi largar a ferramenta e olhar em direção à mansão, em direção à minha janela. Mesmo à distância, senti o impacto daquele olhar. Ele não abaixou a cabeça como os outros faziam por medo. Ele parecia estar tentando ver através das paredes, tentando entender o que Fátima queria com ele àquela hora.”

“Ele era o verdadeiro predador daquela fazenda, mesmo sendo o cativo. Seus ombros eram tão largos que pareciam carregar o peso de toda a minha herança sem o menor esforço. Toda vez que ele se movia, os músculos de suas costas ficavam visíveis sob sua pele escura, criando um jogo de sombras que me deixava tonta. Sua pele, ungida pelo suor e pelo óleo de seu trabalho, refletia o sol dourado de uma maneira que nenhuma das minhas joias guardadas no cofre poderia igualar.”

“Eu sou dona de tudo isso. Sou dona da terra, do gado, das colheitas e, por direito de lei, eu era dona dele também. Mas observando-o dali, percebi que meu poder era uma ilusão comparado à força da natureza que ele representava. Senti uma fome que não era de comida, uma sede que nem o café mais caro da província seria capaz de saciar.”

“Tomei a decisão final enquanto o via caminhar em direção ao rio para se banhar, como eu havia instruído. Meu santuário, aquele quarto onde ninguém entrava sem minha permissão, onde o perfume de incenso e lavanda escondia o cheiro da minha solidão, estava prestes a ser invadido pela presença mais brutal e masculina que eu já ousara desejar.”

“Eu não queria um servo, eu queria o predador. Queria que ele entrasse ali com toda aquela presença imponente, sem as restrições das roupas, para que eu pudesse finalmente ver como era ter controle absoluto sobre algo tão indomável. Meu coração batia forte no peito enquanto eu fechava as cortinas da varanda, deixando o quarto na penumbra.”

“O cenário estava montado. Deitei-me novamente, ajustando a seda da camisola que insistia em realçar meu desejo. E esperei. Eu sabia que, a partir do momento em que Bento entrasse por aquela porta completamente nu, Fátima nunca mais seria a mesma mulher. Eu estava prestes a abrir as portas do meu santuário para o perigo, e o pensamento de ser devorada por aquele olhar me fazia tremer de uma maneira que o poder nunca poderia.”

“Olha, eu nunca vou esquecer a expressão no rosto da minha criada, Rosa, quando dei a ordem. Eu estava sentada à penteadeira, fingindo retocar o penteado, mas minhas mãos tremiam tanto que o pente de marfim quase escorregou entre meus dedos. Chamei-a com um sussurro firme, daqueles que não permitem qualquer suspiro de protesto.”

“Enquanto ela se aproximava, encarei intensamente seu reflexo no espelho e disse, palavra por palavra, o que eu queria. Ordenei que o café fosse servido no meu quarto, mas que não seria ela a trazê-lo; seria Bento, e essa era sua exigência. Bem, a exigência foi o que fez o sangue sumir do rosto daquela pobre mulher.”

“Eu disse: ‘Rosa, diga a ele que deve se banhar no rio e vir imediatamente, mas que deve entrar aqui sem nada, sem camisa, sem calças, sem um trapo sequer cobrindo sua pele. Quero que ele me sirva o café completamente nu, exatamente como veio ao mundo’. Rosa deu um passo atrás, com os olhos arregalados e as mãos tremendo tanto que precisou agarrar as bordas da minha mesa de cabeceira.”

“Ela tentou balbuciar algo, talvez um aviso sobre o escândalo, talvez um lembrete dos costumes que a fazenda deveria manter, mas eu a cortei com um olhar gélido. Eu não queria conselhos, queria obediência. Eu queria ver se meu poder era grande o suficiente para dobrar a vontade de um homem como Bento e forçá-lo a se expor a mim daquela maneira.”

“‘Vá’, eu disse. E ela saiu do quarto quase tropeçando nos próprios pés, em estado de absoluto terror. Fiquei sentada ali na penumbra, ouvindo o som de seus passos desaparecendo pelo corredor de madeira. Eu sabia que naquele momento, a notícia da minha loucura ou capricho estava descendo as escadas, atravessando o pátio e chegando à senzala e ao pasto dos cavalos.”

“Eu podia imaginar Bento ouvindo aquela ordem, seu choque, a surpresa de ser convocado pela patroa de tudo para uma tarefa tão íntima e humilhante, porém tão carregada de eletricidade proibida. Eu queria que ele soubesse que eu estava no comando, mas, no fundo, sabia que minha exigência de que ele viesse sem nada para esconder era, na verdade, minha própria maneira de me despir diante dele.”

“Eu estava removendo as máscaras da mulher poderosa para revelar a mulher faminta que vivia sob aquelas sedas. Meu comando inesperado era o primeiro passo em um caminho sem volta. Agora o tempo parecia ter parado. Cada minuto que passava, enquanto eu esperava pelo som da porta se abrindo, parecia uma eternidade. Eu estava queimando.”

“Por curiosidade, imaginando a reação dele, meu corpo não conseguia mais esconder o quanto a ideia de vê-lo nu, vulnerável e ao mesmo tempo imponente, me deixava completamente dominada. O tempo naquele quarto parecia se arrastar. Cada segundo se alongava, e o silêncio era tão profundo que eu podia ouvir o tique-taque do relógio de parede na sala de jantar, como se ele estivesse contando os batimentos do meu próprio coração.”

“Fiquei deitada, com a cabeça enterrada nos travesseiros de renda, tentando manter a postura de quem está apenas esperando o café da manhã. Mas a verdade é que eu era um feixe de nervos sob a camisola de seda — a que escolhi justamente por ser quase transparente contra a luz — meu corpo não conseguia mais fingir. Sentia uma pulsação constante, uma ansiedade que se transformava em um calor úmido entre minhas coxas.”

“Passei a mão sobre o lençol, sentindo o linho frio, tentando me acalmar, mas a ideia do que estava prestes a cruzar aquela porta me incendiava. Foi então que ouvi o primeiro rangido na madeira. Vindo do corredor. Não eram os passos leves e rápidos de Rosa ou das outras criadas. Eram passos pesados, lentos, carregados de uma presença que fazia a estrutura da mansão vibrar.”

“Tump, tump, tump. Cada batida daquele pé descalço no assoalho de madeira ecoava dentro do meu peito, como se ele estivesse caminhando diretamente sobre a minha alma. Fechei os olhos por um momento, tentando controlar minha respiração, que já estava curta, rasa, traindo meu estado. Eu sabia que ele estava vindo. Podia imaginar Bento atravessando os corredores escuros da casa grande, passando pelas portas fechadas dos outros quartos, sendo o único homem, e um homem completamente nu, a ousar caminhar ali àquela hora.”

“A audácia da minha própria ordem me causou um calafrio de prazer. Eu estava desafiando tudo — moralidade, religião, a lei — tudo por causa daquele som, daquela aproximação iminente. Os passos pararam exatamente diante da minha porta. O silêncio que se seguiu foi torturante. Permaneci imóvel, com os olhos fixos na maçaneta de bronze, sentindo o suor escorrer lentamente pelo meu rosto.”

“Meu pescoço, desaparecendo no decote da minha camisola. Eu sabia que ele estava parado ali do outro lado da madeira, segurando a bandeja, esperando o momento de entrar e mudar minha vida para sempre. Eu era assim, Fátima, a dona de toda aquela fazenda, mas naquele momento, esperando por ele, eu me sentia a pessoa mais vulnerável e sedenta do mundo.”

“A maçaneta de bronze girou com uma lentidão que pareceu durar uma eternidade, e o rangido suave da porta se abrindo foi o sinal de que meu mundo, como eu o conhecia, acabara de desmoronar. O silêncio que se seguiu foi absoluto, denso o suficiente para que eu pudesse ouvir o som do meu próprio pulso martelando nos meus ouvidos. E então, ele entrou.”

“Permaneci deitada, mas meus olhos estavam fixos na figura cruzando o umbral do meu quarto. Bento deu dois passos à frente e parou, mantendo a cabeça erguida, segurando a pesada bandeja de prata com uma firmeza impressionante. Ele estava exatamente como eu ordenei, completamente nu, sem trapos, sem restrições, sem nada para esconder a força bruta que a natureza lhe dera. Aquilo me atingiu.”

“O impacto visual foi um soco no estômago. Sua estatura era ainda mais avassaladora do que eu poderia ter imaginado ao observá-lo de longe na varanda. De perto, sob a luz filtrada pelas cortinas, sua pele parecia ébano polido, ainda levemente úmida pelo banho no rio, o que fazia cada fibra muscular brilhar com um vigor perigoso.”

“Seus ombros eram largos, criando uma silhueta que dominava todo o espaço do meu santuário. Examinei cada detalhe com meus olhos, sentindo um calor insuportável subir pelo meu corpo. Seu peito era largo, seus braços eram grossos como troncos de jacarandá. E sua barriga era firme, marcada pelo esforço da lida. Mas o que realmente me tirou o fôlego foi a naturalidade com que ele carregava aquela nudez. Não havia vergonha nele.”

“Havia uma dignidade selvagem que me fazia sentir, pela primeira vez na minha vida, que eu não estava no controle da situação, apesar de estar no comando. Ele permaneceu ali imóvel como uma estátua de bronze, a bandeja de prata contrastando violentamente com a cor profunda de sua pele. Sua presença preencheu o ar com um perfume de homem, de rio, e de uma masculinidade tão crua que fazia a seda da minha camisola parecer um fardo contra minha pele já arrepiada.”

“Eu, como Fátima, estava diante da obra-prima da minha própria audácia, e o desejo que me consumia era tão real que temi que ele pudesse ouvir o grito silencioso do meu corpo. Olha, naquele momento, a distância entre a porta e minha cama parecia um abismo que eu mesma cavara, e agora eu estava caindo nele sem qualquer resistência. Meus olhos, sempre altivos e controladores, perderam completamente o caminho.”

“Tentei focar na bandeja, na cafeteira ou nas frutas, mas meu olhar era atraído como um ímã para a imensidão daquela pele escura que parecia absorver toda a luz do quarto. Fiz um esforço sobre-humano para manter a pose de patroa, para me lembrar de que eu era Fátima e que ele era apenas mais uma posse da fazenda.”

“Mas como eu poderia manter a autoridade quando cada músculo tenso daquele homem gritava uma força que eu jamais poderia possuir? A visão dele… parado ali naquela nudez absoluta e imponente me tirou o fôlego de um jeito que nem o espartilho mais apertado jamais poderia. Senti um nó na garganta. O ar parecia ter ficado mais denso, carregado com o magnetismo que emanava dele.”

“Eu precisava que ele se movesse, precisava que ele quebrasse a inércia que me sufocava. ‘Aproxime-se’, eu disse, mas minha voz, aquela que costumava dar ordens que faziam a fazenda inteira tremer, saiu como um sopro, quase desaparecendo no ar. Era um sussurro carregado de uma vulnerabilidade que eu nunca permiti que ninguém visse.”

“Ouvi ele dar o primeiro passo, e o som de seu pé tocando o carpete perto da minha cama foi como um trovão na minha cabeça. Ele estava vindo. O choque da realidade de que eu havia colocado um homem daquele porte, sem qualquer proteção, dentro do meu espaço mais íntimo começou a me fazer tremer sob a seda. Olha, o momento em que ele finalmente parou ao lado da minha cama foi quando percebi que não havia volta.”

“Bento inclinou o corpo lentamente, com uma precisão quase coreografada. Ele colocou a bandeja de prata sobre o colchão, bem ao lado do meu quadril. O peso da bandeja fez a cama afundar levemente, e com aquele movimento, seu calor parecia saltar da sua pele escura diretamente para a minha. O vapor que subia do café recém-coado começou a se misturar com o aroma que emanava de seu corpo.”

“Não era um cheiro comum; era um aroma masculino, selvagem, uma mistura de rio, terra molhada e a essência crua de um homem que passa o dia sob o sol. Esse perfume invadiu meu quarto, expulsando o delicado perfume de lavanda que eu sempre usava, e se alojou em meus pulmões. Nunca imaginei que o olfato pudesse ser algo tão pecaminoso.”

“Senti o calor radiante que emanava da sua nudez próxima. Era como se ele fosse uma lareira acesa no meio do verão, e eu fosse a cera derretendo diante dele. Meus olhos estavam fixos em seu abdômen, observando sua pele subir e descer com uma respiração calma, contrastando com meu peito que subia e descia freneticamente sob a camisola.”

“A presença dele ali, despido de tudo, menos de sua dignidade e força, transformou o ar no quarto. O café estava lá, quente, mas o calor que verdadeiramente me queimava vinha da proximidade daqueles músculos tensos. Eu estava paralisada, dividida entre o desejo de me afastar daquele calor avassalador e a vontade incontrolável de queimar nele completamente.”

“Eu, Fátima, estava sendo consumida por um fogo que eu mesma acendera. E o cheiro daquele homem era o combustível que eu precisava para a minha própria conflagração pessoal. Olha, o ar no quarto estava tão espesso que eu sentia que poderia cortá-lo com uma faca. Eu precisava de contato, de uma prova de que tudo aquilo era real e não apenas um delírio da minha mente febril.”

“Com os dedos trêmulos, alcancei a xícara de porcelana na bandeja, mas não fiz esforço algum para ser cuidadosa. Propositadamente, deixei as pontas dos meus dedos roçarem a pele nas costas de sua mão. O choque elétrico foi imediato, uma descarga que percorreu meu braço e disparou direto para o meu abdômen, fazendo-me arquear as costas contra o colchão.”

“A pele dele era quente, firme e levemente áspera, exatamente como eu imaginara que seria o toque de um homem que domina a terra com as mãos. Eu esperava que ele recuasse, pedisse desculpas ou baixasse a cabeça em submissão, mas o oposto aconteceu. Bento não moveu um centímetro. Em vez disso, ele inclinou o rosto levemente e fixou seus olhos nos meus.”

“Ele me encarou com uma ousadia que eu nunca vira em ninguém naquela fazenda. Não havia medo ali. Havia um desafio silencioso, uma chama escura que parecia ler cada um dos meus pensamentos proibidos. Aquele olhar me desafiava a ir mais longe, a arrancar o véu de decência que ainda nos separava. Segurei a xícara, mas minha atenção estava inteiramente naquele toque que ainda ardia em minha pele e naqueles olhos que me despiam de toda a minha autoridade.”

“Eu, Fátima, a patroa de tudo, percebi naquele momento que meu poder de mandar não era nada comparado à coragem que ele tinha de me olhar como igual, mesmo estando ali, completamente nu e vulnerável. Olha, o poder é uma coisa perigosa quando misturado ao desejo. Coloquei a xícara de volta na bandeja sem nem dar um gole e respirei fundo, sentindo seu perfume sobrepujar meu juízo.”

“Eu precisava retomar o controle, ou pelo menos fingir que ainda o tinha. Com um gesto lento e autoritário da mão, apontei para o centro do quarto. ‘Gire lentamente, Bento’, ordenei. Minha voz estava agora um pouco mais firme, mas ainda carregada de uma rouquidão que não consegui esconder. ‘Quero ver se você tomou um banho apropriado, se está apresentável o suficiente para servir a sua senhora’.”

“Ele obedeceu com uma calma que beirava a insolência, deu um passo para trás e começou a girar seu corpo monumental diante de mim. Analisei-o centímetro por centímetro, de cima a baixo, como se estivesse em um mercado, avaliando uma mercadoria cara que eu acabara de adquirir. Meus olhos percorreram a curva poderosa de seus ombros, a linha profunda de sua espinha que desaparecia na base de suas costas e suas pernas sólidas que pareciam colunas de mármore escuro.”

“Mas por dentro, a máscara de frieza estava derretendo. Enquanto meus olhos conduziam aquela inspeção técnica, meu coração gritava outra coisa. Eu não via mercadoria; eu via um homem transbordando de uma força que me atraía como um abismo. Cada músculo que se movia sob aquela pele de ébano me dava uma vontade louca, quase incontrolável, de abandonar a cama, rasgar minha seda e me perder naquele abraço que parecia capaz de me quebrar e me salvar ao mesmo tempo.”

“Eu era a dona da fazenda, mas diante daquela perfeição crua, eu me sentia pequena. A inspeção era apenas uma desculpa para continuar olhando, para memorizar cada detalhe daquele corpo que agora assombrava meus sonhos mais profundos. Ele terminou o giro e parou novamente à minha frente, seu peito subindo e descendo lentamente, esperando meu próximo comando. Olha, o silêncio que se seguiu à minha inspeção foi tão pesado que senti o peso do ar sobre meus ombros.”

“Permaneci sentada na beira da cama, a seda da minha camisola roçando minha pele arrepiada, encarando aquele homem que parecia uma força da natureza confinada entre quatro paredes. Eu precisava lembrá-lo, e talvez a mim mesma, da gravidade do que estava acontecendo. ‘Você tem noção do risco que estamos correndo, Bento?’, perguntei, minha voz um sussurro, carregada de uma apreensão que não consegui mais mascarar.”

“‘Se alguém abrir esta porta, se alguém apenas suspeitar do que Fátima está fazendo aqui dentro com você, nada neste mundo poderá nos salvar.’ Eu esperava que ele baixasse os olhos, que tremesse ao ouvir falar de perigo, ou que implorasse por misericórdia. Mas Bento fez o oposto. Ele deu um passo à frente, fechando a distância entre sua nudez e meu corpo trêmulo até que eu pudesse sentir o calor emanando de seu peito.”

“Ele se inclinou levemente, e o que ouvi foi um sussurro rouco que fez cada pelo do meu corpo se eriçar. ‘O risco é o que alimenta o fogo, sinhá’, disse ele, sua voz como um trovão distante. ‘A senhora manda na terra, manda no gado e manda no meu cansaço, mas o seu poder termina precisamente onde o meu desejo começa. E aqui dentro, neste quarto, suas leis não têm poder contra o que o meu sangue está gritando’.”

“Aquelas palavras me atingiram como um golpe. Ele estava me desafiando abertamente, mostrando que a autoridade que eu exercia lá fora não se estendia sob aqueles lençóis. A tensão no quarto tornou-se subitamente insuportável. Era como se o oxigênio tivesse sido consumido pela eletricidade que saltava entre nós. Eu era a dona dele.”

“Mas naquele momento, sob o peso de seu olhar e daquela confissão audaciosa, percebi que estava perdendo o controle de tudo. Olha, o café que esfriava na bandeja de prata já não tinha importância alguma. O aroma da bebida tinha sido completamente abafado pelo cheiro de vida e desejo que emanava daquele homem. Eu não queria mais o sabor dos grãos; eu queria o sabor daquela audácia.”

“Minhas mãos, que antes tentavam segurar a xícara com dignidade, agora estavam espalhadas sobre o colchão, sentindo o tecido do lençol queimar sob meu toque. ‘Sente-se’, ordenei, apontando para a beira da cama, ali mesmo ao alcance do braço. ‘Sente-se e não ouse tirar os olhos de mim.’ Ele obedeceu. Seu movimento foi lento, quase um desafio.”

“E quando o peso de seu corpo monumental afundou na beira do meu colchão, senti minha própria postura vacilar. O impacto visual daquela presença crua, toda aquela pele de ébano e músculos tensos, contrastando violentamente com a delicadeza do meu quarto de seda e renda, era a imagem mais pecaminosa que eu já tinha visto. Era o pecado mais bonito que eu já cometera.”

“Eu, que sempre estive cercada por louças finas, móveis importados e pessoas que se curvavam diante de mim, nunca tinha experimentado nada tão real e tão perigoso. Ter aquele homem, livre de qualquer restrição, sentado no meu lugar mais sagrado, era como colocar um leão em uma jaula de vidro. Eu sabia que a qualquer momento tudo poderia desmoronar, mas a visão dele ali, tão perto que eu podia sentir o calor de sua pele sem nem tocá-lo, me dava um êxtase que nenhuma fortuna poderia proporcionar. Eu estava fascinada pela”

“maneira como ele ocupava o espaço, pela forma como a luz das velas, que ainda estavam acesas, brincava com os contornos de suas coxas e abdômen. Ele não era apenas um homem me servindo. Ele era a prova viva de que minha liberdade começava exatamente onde minha moral terminava. E naquele momento eu estava disposta a queimar todo o meu passado para continuar desfrutando daquela visão proibida.”

“Olha, o silêncio daquelas paredes de pedra parecia gritar meu nome. Um lembrete constante de que qualquer deslize poderia acabar com a minha reputação e com a vida de Bento. Mas, presa entre o medo paralisante de ser descoberta e a luxúria avassaladora de finalmente ter o que eu queria diante de mim, a balança pendeu para o lado do abismo.”

“Eu não era mais a juíza, eu era a ré, entregue à própria sorte. Estendi a mão, sentindo a tentação daquela nudez monumental. Quando meus dedos finalmente se fecharam em torno de seu braço, senti a firmeza de um carvalho. A pele de Bento era como fogo sob meu toque. Inclinei-me para a frente, deixando seu perfume, aquele cheiro de rio e de homem bruto, me envolver completamente.”

“As paredes do quarto, decoradas com retratos de ancestrais que me olhavam com desaprovação, pareciam se fechar sobre nós, guardando o segredo mais sombrio da fazenda Ouro Negro. ‘Você faz ideia do que está fazendo comigo?’, sussurrei contra a pele de seu ombro, sentindo seus músculos se tensarem contra meus lábios. Eu, como Fátima, que sempre acreditei ser dona de cada alma e de cada centímetro de terra naquela região, descobri a verdade mais amarga e deliciosa de todas.”

“Eu não era a patroa absoluta. Naquele quarto na penumbra, cercada pelo luxo que o dinheiro podia comprar, percebi que a verdadeira dona da fazenda era agora escrava de um desejo que não conhecia leis nem correntes. A descarga de adrenalina de saber que qualquer passo no corredor poderia significar o meu fim só alimentava o fogo.”

“Entreguei-me ao momento com uma urgência faminta, sentindo que cada segundo ali valia mais do que todos os meus anos de vida e solidão. Eu estava nos braços do proibido, e o peso daquela presença física me fez sentir, pela primeira vez, que o poder de mandar era insignificante comparado à glória de ser possuída por uma vontade tão indomável.”

“Olha, o som da porta fechando foi quase imperceptível, um clique suave que soou como um trovão no silêncio mortal do meu quarto. Ele se retirou com a mesma dignidade selvagem com que entrara, sem olhar para trás, deixando para trás um rastro de eletricidade que ainda fazia os pelos dos meus braços se arrepiarem. Bento saiu tão silenciosamente quanto uma sombra, mas sua presença permaneceu ali, gravada em cada centímetro de seda e em cada fresta daquela madeira antiga.”

“Fiquei ali, imóvel, sentada na beira da cama, com os olhos fixos na porta que agora nos separava. O quarto pareceu subitamente imenso e frio, apesar do sol já começar a castigar as janelas. O café na bandeja de prata estava completamente gelado, uma mancha escura e esquecida junto ao luxo dos meus travesseiros. Mas o cheiro, ah, o cheiro dele ainda estava por toda parte.”

“Aquele perfume de rio, de pele quente e masculinidade crua, perdurava no ar, recusando-se a ir embora, como se o quarto inteiro tivesse sido marcado por sua nudez. Senti uma sensação de queimação. Não era apenas minha pele, mas minha alma que ardia com um desejo que eu não conseguia mais controlar. Meus dedos ainda guardavam a memória da firmeza daqueles músculos, e meu corpo inteiro pulsava, reclamando da ausência daquele calor avassalador que quase me consumiu.”

“Eu, como Fátima, a mulher que todos achavam ser feita de pedra, estava ali tremendo e vulnerável, sentindo o peso do escândalo que eu mesma orquestrei. Eu sabia que as paredes tinham ouvidos e que os olhares das criadas seriam inquisidores quando eu saísse, mas nada daquilo importava mais. Enquanto eu ajustava minha camisola de seda, sentindo o vazio que ele deixou para trás, uma certeza absoluta se instalou em meu peito.”

“Aquilo não era o fim, era apenas o começo de uma rotina perigosa. Eu não conseguia mais imaginar minhas manhãs sem aquele confronto, sem aquela visão monumental que desafiava meu poder. Amanhã o café precisaria ser servido da mesma maneira. Eu sabia que estava caminhando na beira de um precipício, mas o gosto daquele pecado era doce demais para abrir mão.”

“Sou dona da fazenda, mas agora eu sabia quem era o dono do meu despertar.”