Imagine esta cena. Um casal decide acolher uma garota, uma adolescente vulnerável que chega com uma história de partir o coração. Ela foi abandonada, abusada e não tem mais ninguém neste mundo. Este casal faz o que qualquer pessoa boa faria. Eles a acolhem, dão comida e carinho, e até preparam um quarto só para ela.
O tempo passa e o casal começa a pensar em adotar a garota permanentemente. Mas havia algo muito errado com essa criança, não apenas uma, mas várias coisas bizarras. O corpo era adulto demais. Suas reações não condiziam com a suposta idade. E quando finalmente se deram conta, já era tarde demais. Porque aquela garota de 12 anos não tem 12, não tem 13 e não tem 18 anos.
Ela tem 37 anos. Sim, querida. Você provavelmente reconheceu essa história de um filme mais antigo, um clássico moderno do terror, A Órfã, um filme de 2009. Mas essa história é recente, real e que surpreendentemente imita esse filme. E isso realmente aconteceu aqui no Brasil. E não foi apenas uma vez.
A Órfã viajou por sete estados diferentes ao longo de quase uma década. Sim, querido, a história da órfã brasileira é real, e vocês me pediram muito para falar sobre esse caso. Até a Jana Rosa me mandou uma DM pedindo para eu investigar. E aqui está a investigação sobre a história completa da nossa amada órfã brasileira. Primeiro ato, a garota de 12 anos de Joinville.
Vamos começar com o capítulo mais recente, que foi exatamente o que fez o Brasil inteiro tomar conhecimento desse caso. Nós vamos para Joinville, em Santa Catarina, mais especificamente para Pirabeiraba. Tudo começa dentro de uma igreja evangélica. A suposta garota aparece lá e diz que tem 18 anos, que sabe sobre confeitaria, e que está apenas procurando um emprego. Oh, querida.
Acontece que, com o tempo, a história dela muda. Em vez de 18, ela começa a dizer que tem 12 anos. Gente, vamos lembrar que este é um caso que precisa ser levado a sério. É um crime que aconteceu, mas vai ser difícil para mim não rir, ok? Porque é assim mesmo, é meio absurdo, sabe? É meio absurdo.
Essa história vai além do que o nosso entendimento pode tolerar em relação às pessoas que foram vítimas dela. Tenha em mente que psicopatas têm um poder de persuasão muito forte, e eu acredito que essa mulher pode realmente convencer qualquer um de qualquer coisa. Estamos rindo porque já sabemos a verdade, mas às vezes, quando você está perto dessa pessoa, pode acabar acreditando nas histórias dela, mesmo que ache que sabe tudo, né?
“Ah, eu nunca pensei que seria tão ingênuo. Fui um tolo.”
Na volta, ela chegou lá querendo um emprego, dizendo ter 18 anos. Então a história pulou 12 anos. Ela disse que se chamava Gabriele, que era autista e que havia fugido do Paraná porque estava sofrendo abusos terríveis e que seu pai a forçava a tomar hormônios desde pequena. Um detalhe muito bem pensado dentro do esquema, porque o hormônio serve como desculpa
para explicar algo que qualquer um notaria. O corpo dela é de uma mulher adulta, não de uma criança de 12 anos. Então, teoricamente, qualquer pessoa com um corpo adulto pode dizer que tomou hormônios, que na verdade é uma criança — cabe aos outros querer acreditar ou não, certo? Mas como ela estava numa igreja, o pastor sentiu pena dela e a recomendou a um casal da comunidade para meio que cuidar dela, sabe? E esse casal abriu as portas de sua casa.
A partir daí, começou uma farsa que durou um ano e dois meses. Gente, para provar que tinha 12 anos, Gabriele fazia uma voz fina:
“Oi, mãe da tia Renata, como a senhora está?”
Ela usava chupeta, bebia na mamadeira e até dormia com aqueles cobertores de bebê no rosto. Ai meu Deus.
“Isso porque vou fazer 15 anos logo.”
Ah, essas imagens são intensas, tá? As imagens são fortes, são pesadas, gente. Ai meu Deus do céu. Além de toda essa performance que ela tinha que manter, ela também fingia ataques de pânico no meio da noite e pedia para a família embalá-la para dormir, né?
“Ai, mamãe, estou com medo, mamãe.”
E o casal acreditou em tudo.
Eles deram comida, roupas, um quarto para ela e um detalhe surreal. A família chegou ao ponto de pagar Mounjaro para ela. O quê? É o personagem que ela criou, para quem ela tinha a idade limite para começar a tomar o Mounjaro. Se ela tivesse 11 anos, ainda não poderia por recomendações médicas, mas acho que a partir dos 12 já pode.
Então, sabe, eles pagaram e beijaram? Ah, já estou ficando louca. A história nem começou, gente. A história vai muito mais fundo. Enfim, e o engraçado é que ninguém da casa desconfiou dela, mas como ela passava tanto tempo lá, ela realmente conseguiu entrar na cabeça de todo mundo.
Sempre que a família falava em matricular a garota na escola, Gabriele ficava desesperada. Ela dizia que se o nome dela aparecesse em qualquer registro escolar, o pai, que é a pessoa que mais a maltratava, descobriria e viria atrás dela. Vocês entendem aonde ela queria chegar com isso, né? Sem escola, nenhum professor ou colega, nenhum outro adulto de fora colocaria os olhos nela e suspeitaria da realidade e de toda a sua farsa, certo? Tudo estava perfeito até então.
O golpe estava funcionando. Mas o ponto fraco foi justamente uma parente intrometida que descobriu tudo. Tinha uma tia nessa família que não morava com eles e só via Gabriele de vez em quando. Essa tia nunca engoliu essa história. Essa tia era a verdadeira Lorelay Fox. Então ela fez o que qualquer um de nós faria hoje.
Ela foi pesquisar na internet e foi aí que tudo desmoronou. Não demorou muito para ela encontrar uma reportagem de outro estado. Era um caso do Rio de Janeiro de alguns anos atrás. A mesma garota e a mesma história de uma criança autista que supostamente fugia de abusos.
Ela juntou tudo o que pôde, expôs a situação para a família, que então foi à polícia. A polícia investigou, cruzou informações e lá estava, era ela. Em 2 de junho de 2026, policiais invadiram a casa da família em Joinville e prenderam a garota em flagrante. E diante dos policiais, sem ter para onde correr, ela confessou tudo.
O verdadeiro nome dessa mulher é Amanda Maria Souza de Oliveira e ela tem 37 anos. Mas esperem, pessoal, porque é aqui que a história ganha mais uma camada. Quando a polícia puxou a ficha de Amanda, eles descobriram que essa não era a primeira vez que isso acontecia. Já conhecemos a história do Rio de Janeiro, certo? Mas tem outra, e mais outra, e outra.
Essa mulher, que agora chamamos de Amanda, vinha aplicando exatamente o mesmo golpe, fingindo ser uma criança, em sete estados brasileiros diferentes: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Santa Catarina e Ceará. Sim, querida, ela saiu em turnê. Você quer ser mais fabulosa que isso? É uma turnê nacional para a criança prodígio.
Então não é como se ela tivesse pirado de repente e começado a inventar essa história. É um truque que ela vem fazendo há anos, e sempre funcionou; ela tinha que fingir ser uma criança. Mas aí fica a pergunta: Como alguém conseguiu fazer isso? Como uma mulher adulta pode enganar um médico, o conselho tutelar, a igreja e uma família? E ainda por cima, ela convence a todos de que tem 12 anos.
Agora vamos entender. Segundo ato, o modus operandi de Amanda. Parece uma grande farsa, mas foi tudo muito bem planejado. Em todos os estados por onde passou, Amanda criou essencialmente a mesma persona: uma criança autista de 11, 12 ou 13 anos que havia fugido de casa por causa de abusos. E aqui preciso trazer um detalhe muito importante.
Tudo o que vou contar agora é a história que ela mesma contava às vítimas. Nada disso foi confirmado pela polícia, mas os relatos indicam isso. Segundo essa história, Amanda supostamente nasceu no Ceará e foi forçada pelo próprio pai a vender seu corpo quando ainda era criança. Segundo ela, seu pai era uma espécie de feiticeiro que liderava rituais e a forçava a tomar hormônios para alterar seu corpo.
Qual é o problema, gente? Ela inventou que o cara é um bruxo, sabe? Para dizer, olha, ele era mau, ele é um bruxo. Sendo que sabemos que, dentro das famílias, as pessoas que abusam e tudo mais são pessoas comuns que estão por aí vivendo em sociedade. Não é nenhum bruxo de chapéu pontudo voando numa vassoura com um caldeirão gigante.
Mas voltando ao ponto, por que ela inventou uma história tão macabra? Porque uma história dessa magnitude, pessoal, acaba afetando qualquer um, toca profundamente as pessoas. Quem ousaria duvidar de uma criança que diz ter passado por algo tão horrível, certo? E, ao fazer isso, ela já estava quebrando as objeções das pessoas. Outro detalhe: nada disso foi improvisado.
Quando a polícia apreendeu o celular de Amanda, eles encontraram o histórico de buscas dela, e adivinha o que ela estava pesquisando? “Como um autista se comporta?” “Google, como fazer desenhos que imitem os desenhos de uma criança vítima de abuso.” Os desenhos perfeitos para comover os frequentadores da igreja. A inteligência artificial precisa ter limites também, né? Ela aprendeu a fazer desenhos que ilustravam coisas que ela havia sofrido.
Ela aprendeu a agir como uma criança autista, tudo com base no que o Google dizia, no que a IA dizia. Chat GPT, tenho certeza de que aquela garota estava cheia de informações, ou melhor, ela estudou tudo cuidadosamente sobre como agir e como se parecer com uma criança de verdade. Gente, mas o problema não é o comportamento, com licença. Ela podia atuar, podia falar, podia ter sua vozinha e carregar seu cheirinho e desenhar daquele jeito.
Ai, isso me fez sentir mal. Mas a cara de mulher velha, a cara de velha dela, gente… mas enfim, ela criou toda essa persona frágil e, justamente a partir disso, escolhia seus alvos, que eram sempre igrejas, projetos sociais, ONGs de acolhimento, lugares onde as pessoas já teriam um olhar mais empático para a história de uma criança que sofreu muito e cujo corpo foi visivelmente alterado por causa dos abusos.
Então ela alterou o corpo, os hormoninhos que tomava, mas ela queria tomar um pouquinho de Mounjaro. Ela queria, né, gente? Gente, isso é, olha, vou te contar, ai meu Deus, essa é a pura essência do Brasil, pessoal. Como uma história dessas pode existir? No fim das contas, ela acabava parando nessas igrejas e ONGs, não por coincidência, mas justamente porque, como eu disse, eram os lugares onde as pessoas estavam mais abertas a um estranho, sem muito questionamento, a alguém sofrendo e, principalmente, a crianças.
Ela mirou na bondade das pessoas e abusou dessa bondade da pior maneira possível. Foi um esforço amoroso, porque o instituto conseguiu doações de geladeiras e fogões, envolveu doadores, pessoas doando roupas, comida, dinheiro, nosso tempo, nossas emoções. E então ela vem com uma história de sensibilidade, hormônios, violência e bruxaria.
“E ela diz que se sente acolhida e compreendida, ela me via como se eu fosse o ventre da mãe dela.”
E então ela dizia:
“Ah, titia, eu gosto de mamadeira. Nós comprávamos a mamadeira.”
Agora preciso comentar sobre uma parte mais delicada dessa história. Vou deixar um aviso de gatilho aqui para automutilação. Para dar mais credibilidade à história dos abusos físicos, Amanda ia a qualquer hospital com agulhas dentro do próprio corpo.
E ela não fez isso apenas uma vez. Em mais de um hospital, os médicos encontraram dezenas de agulhas espalhadas por seu corpo. Tem também a história das agulhas. Isso é verdade. Mas ela vomitava a agulha, e não venha com essa besteira de que ela colocava a agulha na boca, de jeito nenhum. Ela estava vomitando.
“Ela fez isso na minha frente, fez na frente da Vivi, e é uma coisa muito bizarra.”
Não vou entrar em detalhes sobre essa história aqui porque é muito grave, mas ela fazia essa coisa de se machucar intencionalmente. E é aí que essa coisa da agulha também se conecta com a história de ela ter um pai bruxo, para amplificar, para potencializar o ponto de vista das pessoas.
“Nossa, deve ser algum tipo de trabalho que ele fez, ele usou o corpo dela como algum tipo de sacrifício, sei lá o quê, enfim.”
Mas os extremos aos quais ela chegou para convencer os outros só mostram o quão doente ela é e como está disposta a fazer qualquer coisa para enganá-los. O personagem, os tópicos de pesquisa, as agulhas — tudo fazia parte do seu kit de golpes.
Gente, juntando tudo isso, as pessoas caíam porque todo mundo ficava assustado. Ela não ia mentir sobre o pai ser um bruxo, especialmente porque a garota está cuspindo a agulha. É ou não é? Número três, o rastro de golpes de Amanda. A lista é bem longa. Primeiro, vamos começar por Minas Gerais.
O registro mais antigo dela é de 2018, em uma pequena cidade chamada Bom Despacho. Lá, um boletim de ocorrência aparece com o nome de Ana Carolyne com Y. Mesmo naquela época, o golpe era exatamente o mesmo: bater nas portas de instituições e programas sociais, fingindo ser uma jovem em situação de vulnerabilidade. Mas quando a polícia checou os registros dessa Ana Carolyne, descobriu que ela era, na verdade, a Amanda que conhecemos, e que ela já tinha antecedentes criminais em Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, ela
conseguiu viver por quase 3 anos dentro de uma instituição de caridade, uma ONG que abriga mulheres em situação de vulnerabilidade. Sim, gente, por três longos anos. Algum tempo depois, ela foi para o Rio Grande do Sul. Em 2021, em Porto Alegre, ela entrou em um abrigo para crianças e adolescentes, alegando ter 11 anos.
Até a própria equipe técnica do abrigo começou a suspeitar de que havia algo errado e solicitaram uma análise pericial. Eles confirmaram o que era óbvio. Aquela garota era uma mulher adulta de cerca de 30 anos ou mais. Também em 2021, em uma cidade vizinha chamada Cachoeirinha, ela reapareceu como Gabriele, com 11 anos. E desta vez a polícia foi mais fundo.
Ela foi colocada em prisão preventiva por estelionato e passou 6 meses na cadeia. E quando ela saiu em 2022, o que vocês acham que ela fez? Sim, pessoal, ela começou a aplicar o mesmo golpe novamente. Um policial do Rio Grande do Sul, que investigou o caso, disse algo que resume perfeitamente toda essa história. Ele disse que Amanda é capaz de usar o sistema a seu favor em suas ações criminosas.
Em última análise, ela explorou a empatia e o acolhimento do sistema para cometer os crimes. Ela aprendeu que, fingindo ser uma criança vítima de abuso, ela ativa toda uma rede de proteção — abrigos, hospitais, conselhos tutelares — tudo o que existe justamente para cuidar dos vulneráveis. Depois de dar esse golpe no Rio Grande do Sul, ela foi para Goiás e, claro, aplicou o mesmo golpe de novo.
Uma criança de 12 anos precisando de um lar, carregando um histórico de abusos. O Conselho Tutelar a encaminhou para o hospital, e foi durante um exame de imagem que as assustadoras agulhas reapareceram. A polícia investigou, fez conexões e descobriu que era mais um golpe de Amanda.
“Gente, mas por que ela pode andar livremente? Por que não a prenderam desde o começo? Como assim, gente? Como é que as impressões digitais dela não estão na internet para as pessoas, sabe? Ai meu Deus, eu também não entendo. O sistema é tão frágil, tão falho, que qualquer um que chegue dizendo qualquer coisa pode estar lá, pode, sabe, tirar vantagem disso.”
Muito estranho. Finalmente, mais uma vez, lá em Goiás, outro golpe, a pegaram em flagrante e dessa vez ela foi até condenada por falsidade ideológica, que é quando alguém tenta se passar por outra pessoa, né? Em quase todos os lugares, em algum momento, isso foi descoberto. Médicos viram, conselhos tutelares viram, a polícia os prendeu, e às vezes até a justiça os condenou.
E por que ela nunca parou? Por dois motivos. Primeiro, porque a pena para esse tipo de crime é muito baixa. Então, ou ela fazia um acordo, cumpria uma pena curta de prisão, ou simplesmente desaparecia antes de ser julgada. Segundo, para recomeçar várias e várias vezes, ela só precisava mudar de estado. Numa cidade nova, com um nome novo, ninguém conhecia a sua história.
Mas é isso que eu estou dizendo, a gente vê na televisão, não parece que eles vão descobrir tudo através de uma impressão digital, uma gravação de vídeo, reconhecimento facial, ou sei lá o quê. Nossa, parece que todo mundo pode fazer o que quiser. É como aquelas histórias de serial killers dos anos 80 e 90.
Sabe, sem deixar rastros, mesmo que continuassem espalhando terror por cidade após cidade, parece que a polícia não se comunicava, que não havia registro de nada, porque naquela época realmente não existia. Mas hoje, com o advento da internet, como isso é possível? Mas em meio a todas essas viagens, tem uma que eu preciso contar com mais detalhes, porque foi no Rio de Janeiro que Amanda conheceu duas mulheres que abriram o coração para ela.
E são essas duas mulheres que contam com muita tristeza o que restou depois que Amanda se aproveitou da boa vontade delas da pior forma possível. Vamos ao quarto ato. As duas mães. Nós vamos para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 2023. Havia um projeto social lá chamado Instituto Mãos que Abençoam com Amor, incentivado por uma mulher chamada Viviane Henriques.
E foi através das redes sociais desse projeto que Amanda chegou, dessa vez usando o nome Maria Eduarda, que todo mundo passou a chamar de Dudinha. Nossa, é uma história de partir o coração, mas enfim, né? A história era mais uma vez a mesma de sempre, só que contada em detalhes minuciosos. A garota autista de 12 anos, que havia fugido do Ceará e sido explorada pelo próprio pai, um bruxo. Viviane, e também uma amiga dela, Renata Magalhães, ficaram muito comovidas com a história da Duda.
As duas chegaram a alugar uma casa para ela e começaram a providenciar tudo: comida, roupas, móveis, tudo o que ela precisava. Elas a sustentaram financeiramente, pessoal. E é Renata quem entra na parte mais dolorosa dessa história. Porque Renata não acolheu Duda apenas com dinheiro, ela a acolheu com o coração. Ela começou a ver naquela garota a filha que nunca teve.
Renata resumiu o golpe em uma frase que dói muito.
“Eu dei carinho, cuidado e comida. Não tinha como suspeitar de nada.”
Gente, eu entendo que essas pessoas são vítimas, porque a Duda, a Dudinha, né, a Amanda, a golpista, ela é uma psicopata extremamente astuta, e eu não vou dizer louca, porque eles sabem o que estão fazendo, tá? A gente precisa parar de chamar golpistas, criminosos e psicopatas de loucos, ok? Eles são pessoas bem conscientes dos erros que cometem.
É por isso que eles escondem os próprios erros, né? Eles têm consciência de que o que estão fazendo é crime, mas conseguem ter um olhar muito afiado para pessoas que estão extremamente vulneráveis psicologicamente. Eles sabem como acessar essa vulnerabilidade e usá-la de uma forma que pessoas comuns não conseguem, sabe? Nós nunca conseguiríamos convencer essas pessoas a fazer tudo isso por nós, mas um psicopata consegue.
Eu sei que parece absurdo, mas essa é uma história que se repete o tempo todo, não é? Mas, ah, eu quero que você veja com seus próprios olhos para ter certeza. Renata gravou um vídeo de Duda em 2023, e nesse vídeo, a garota fala sobre sua nova mãe. Meu Deus.
“Oi, mãe da tia Renata, como a senhora está? Eu só queria dizer que você é linda, especial para mim, para Jesus, e que eu te amo.”
“Você está no meu coração e nas minhas orações. Bom, eu vim aqui só para dizer isso e dizer que você é linda, que você é uma princesa de Jesus. Eu amei a senhora. Eu achei a senhora muito fofa, igual uma princesa. E eu só passei para dizer isso. Tá bom, linda.”
“Eu já te amo, sabe? Você já tem um lugar no meu coração.”
O primeiro é meio assustador, não é? Ela acena com a cabeça assim e diz:
“Você é linda, especial para mim, para Jesus.”
E aquele olho cheio de rugas e bolsas sob os olhos. A roupa do Mickey, gente. Ela está vestindo uma roupa do Mickey Mouse. Olha que loucura. Ela sabe que as crianças amam princesas, então ela fica comparando-as com princesas e também fala de Jesus porque é tudo uma comunidade religiosa, né? Ela entra pela religião.
Gente, olhem essa imagem. Meu Deus do céu. Olhem essa imagem. Olhem. A cara de homem velho, a cara de velha com um lacinho. Jesus de Nazaré, como isso é possível? Meu Deus, como isso é possível? Resumindo, Renata se emocionava assistindo àqueles vídeos. Ela conta que Duda precisava de atenção o tempo todo, que tinha crises quando ficava longe dela, e que até dormia com ela para tentar acalmar a filha durante essas crises.
“Eu comecei a ter medo dela por causa do comportamento agressivo. Ela ficou agressiva a partir do momento em que não respondi quando ela me pediu para ir à casa, em primeiro lugar. Às vezes, naquele momento, eu não podia ir. A Vivi é quem ficava com ela. Ela nunca ficava sozinha, era sempre a Vivi ou eu.”
“Mas ela começou a exigir mais da minha presença e a excluir a Viviane, até que começou a ser violenta e agressiva comigo.”
Mas a Duda só tinha esse tipo de crise quando estava com a Renata ou a Viviane, que observava de fora. O comportamento estava mudando. Quando finalmente juntaram as peças e levaram Amanda para a delegacia, ela foi presa.
“A garota, no momento em que viu a policial, quis fugir. A policial entrou no jogo dela e disse: ‘Não, calma, você vai ser adotada. A Renata é minha amiga, ela gosta muito de mim, ela quer fazer a sua documentação, nós vamos investigar tudo na delegacia’.”
Nossa, o filme é realmente incrível, não é? A Órfã, talvez isso seja um spoiler, mas é uma criança que depois descobrimos que é uma adulta, e tem alguém lá que é completamente enganado por ela, mas outra pessoa desconfia, alguém que é
mais distante e tal, e consegue enxergar através da história. Mas pelo menos a Órfã do filme era uma atriz super jovem, né? E ela era realmente bem pequena e texturizada, você sabe como é para uma criança ter pele texturizada, né? E não uma bruxa velha assim, gente, uma [ __ ] tentando se passar por adolescente, tentando se passar por novinha, é a mesma coisa.
Eu queria dizer que sou uma novinha. Finalmente, levaram Amanda para a delegacia. Ela acabou fazendo um acordo com a justiça e foi solta. Dois anos depois, ela já estava em Joinville, onde toda a nossa história começou. No fim das contas, a Renata não perdeu apenas dinheiro. Em uma entrevista, ela disse que a Amanda arruinou a sua saúde mental e a sua vida financeira também, tá? Ela passou semanas sem dormir, e talvez a coisa mais cruel de todas tenha sido que ela passou a ter medo de confiar nas pessoas novamente.
Uma mulher que dedicou sua vida a ajudar os outros. Ela saiu daquela experiência apavorada de estender a mão para a próxima pessoa. Mas então eu acredito que essas pessoas que acabam passando por essa situação com a Amanda, é porque elas na verdade querem muito ter uma família, ter filhos, e talvez não tenham, ou talvez tenham e queiram, bom, expandir a família, eu não sei.
Mas eu acho, sei lá, que eles poderiam considerar adotar crianças de verdade, né? Não, não, eu não entendo, gente, eu simplesmente não consigo entender. Tipo, você quer adotar uma criança assim, e eu entendo que você também quer ajudar alguém que está numa situação muito vulnerável e problemática. Então, pessoal, acompanhamos essa mulher por sete estados com seis nomes diferentes, todos eles bem cafonas. Estava faltando.
O nome dela é Valentina, gente. Tenho certeza de que é o próximo golpe que ela vai dar, porque não vai demorar muito para ela aplicar golpes de novo, ok? O nome dela será Valentina. Gente, como ela pôde… Ah, foi Gabriele, foi Suzane, foi sei lá quais eram os nomes dela. Duda, Maria Eduarda.
Gente, Valentina, anota aí, tá Amanda? Amanda… mas a pergunta que todo mundo está fazendo é, certo? Se tudo o que ela disse foi inventado, quem é realmente essa mulher chamada Amanda? Qual é a verdadeira história da vida dela? E a resposta, por incrível que pareça, é que até agora ninguém sabe a verdade.
Pense nisso, tudo o que ela disse sobre sua vida fazia parte do golpe. O Ceará, o bruxo, os abusos, os hormônios, tudo fazia parte de um golpe. Quando a polícia tentou montar a verdadeira biografia de sua vida, acabou encontrando, na verdade, um vazio gigantesco.
“No início da adolescência, comecei a fazer tratamento e cheguei a ser internada, sabe? Pode me dizer? Comecei, e acredito que ainda haja algum registro para provar, no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) na cidade de Horizonte, no Ceará, e também fiz tratamento no Hospital de Saúde Mental em Messejana.”
A única coisa que pode ser confirmada é que ela é mesmo do Ceará. O resto, a cidade onde nasceu, quem é a sua verdadeira família, como foi a sua infância, o que já faz muito tempo, né? Ninguém sabe de nada disso, pelo menos não até eu gravar este vídeo, ok? Mas tem um detalhe, um único detalhe que apareceu e muda completamente a forma como olhamos para toda essa história.
De acordo com um dos relatos, cerca de 16 anos atrás, ainda no Ceará, Amanda denunciou a própria família, e adivinha do que ela acusou os pais? De que ela estava sendo abusada e de que estavam colocando agulhas no corpo dela. Então, temos duas interpretações para essa história: a de que ela poderia estar inventando tudo e era completamente louca, e a de que no passado tudo começou com uma verdade que ela contou, de que ela realmente havia passado por essas tragédias familiares, de que isso havia se tornado um trauma para ela, e de que ela havia usado a própria história na vida adulta para realizar esses
golpes, sem precisar inventar muita coisa, na verdade, contando a própria história. Será que era tudo uma grande confusão? A minha opinião pessoal, gente, é que o primeiro registro dela já era uma mentira, ok? Eu acredito que ela está mentindo desde o começo, porque, como eu disse, ela revisita muito aquele lugar de sofrimento, e eu não acho que ela use isso, não acho que realmente doa nela.
Eu acho que é uma criação onde ela está, na verdade, se protegendo de todos os golpes que ela quer criar. Então, a pergunta que fica é: o que vai acontecer agora? Por enquanto, Amanda continua presa. Ela foi pega em flagrante no dia 2 de junho em Joinville, e a justiça converteu a prisão em prisão preventiva.
Ou seja, ela permanecerá presa enquanto o caso ainda estiver sob investigação. Finalmente alguém prendeu essa mulher de verdade, senão ela teria fugido, já estaria em outra casa ganhando seu mimozinho. A polícia já concluiu o inquérito e a indiciou por dois crimes: estelionato e falsidade ideológica.
Agora cabe ao Ministério Público decidir se apresenta ou não uma denúncia formal. Mas a defesa de Amanda pediu uma coisa específica: uma avaliação de saúde mental. E a justiça autorizou. Eles vão avaliar se ela estava totalmente ciente do que estava fazendo ou se há algum distúrbio que afete a sua responsabilidade pelos próprios atos.
Gente, ela estava pesquisando no Google ou estava tentando enganar as pessoas? Gente, vocês acham que ela vai dizer:
“Ah, não, eu sou louca.”
“Eu sou um pouco louca.”
“Ela é um pouco louca.”
Você não precisa procurar no Google como parecer louco. Nossa. Ah, bom, vamos tentar jogar essa carta com ela. Mas também é bom lembrar que, quando uma pessoa alega que não está em seu juízo perfeito, quando a defesa tenta argumentar que ela tem problemas mentais, isso não significa que a pessoa será solta na rua.
Ela irá para algum outro tipo de instituição; existe outra forma de ela ficar detida, entende? Então, isso não quer dizer que ela vai ser solta, libertada, só porque viram que ela tem algum tipo de problema mental. Ela acaba indo para um lugar onde vai ser tratada, ou pelo menos é o que parece.
No momento em que essa investigação foi concluída, o laudo pericial ainda não havia sido divulgado. Ok pessoal, eu tenho outra pergunta. Ela criou toda essa ideia de querer viver em uma instituição, de inventar uma vida paralela para ser acolhida por pessoas vulneráveis. Porque ela tinha medo de trabalhar, sabe, porque a vida num orfanato ou lar de acolhimento não é uma vida ideal, não é uma vida divertida, não é uma vida feliz.
É um lugar onde as pessoas querem passar o tempo se precisarem, mas elas anseiam por algo melhor, né? Encontrar um emprego, independência, ou o que seja. Aquela velha não queria trabalhar, gente. Manda um currículo, minha filha, o que ela vai colocar nesse currículo, né? Ela poderia atuar num teatro, porque interpretar um personagem é o que ela sabe fazer de melhor.
Eu também acho ótimo ela estar virando influenciadora, né? As pessoas adoram esses influenciadores trash. O que essa mulher está pensando? Ou qual trauma ela realmente passou para ter tanto medo de entregar um currículo? A pergunta permanece, e é isso que precisamos descobrir com os laudos médicos dela. O trauma não pode ter sido um pai bruxo que enfiava agulhas na boca das pessoas, não.
Deve ter sido um chefe que queria que ela acordasse às 7 da manhã ou pegasse transporte público lotado, né? Nós sabemos que isso enlouquece qualquer um. Se houver alguma atualização, eu também compartilharei com vocês, porque este é realmente um dos casos mais surpreendentes, talvez, dos últimos anos, hein? Vai estar na minha lista de casos do mês e provavelmente do ano.
Meu nome é Lorelay Fox, e eu vou ficando por aqui.
“Mamãe, mamãe, mamãe, mamãe. Você é uma princesa de Jesus.”
O que significa “princesa de Jesus”, minha filha? Essa frase não significa absolutamente nada.
“Ai Vitor, eu estou tão incrédula, sabe?”