Santo André, São Paulo, 13 de outubro de 2008. Uma data que todos imaginavam ser o início da tragédia da família Pimentel. E em breve vocês entenderão por que Pimentel está entre aspas aqui nesta tela. O que se sabia na época era que uma garota de 15 anos estava em um pequeno apartamento no Jardim Santo André, fazendo seus trabalhos escolares com algumas amigas.
Até que seu ex-namorado, Lindenberg Fernandes Alves, de 22 anos, entrou no apartamento armado e fez Eloá e sua melhor amiga, Nayara, de reféns. Todo o Brasil assistiu a tudo ao vivo. Mais de 100 horas do sequestro foram transmitidas pela televisão. O caso ficou conhecido mundialmente, e o desfecho, infelizmente, foi o pior possível.
Mas o que a maioria de nós não sabia, nem na época e nem por muitos anos depois, é que antes desse crime, houve outros crimes brutais envolvendo essa família. Uma história que permaneceu enterrada por mais de 15 anos e que também deixou outras vítimas, e em particular, uma vítima que, assim como Eloá, também merece ter sua voz ouvida. E é isso que vou fazer hoje, ok pessoal? Para quem é novo no canal e ainda não me conhece, vou me apresentar. Eu sou Mirla Prado.
As pessoas mais informais aqui no canal me chamam de Mirlinha, e eu adoro isso. Então sintam-se em casa. Ok pessoal, antes de chegar à história, preciso fazer alguns esclarecimentos muito importantes para vocês. A história de hoje usa o famoso caso de Eloá como ponto de partida, mas não é o foco principal da história de hoje.
O foco de hoje é na história por trás da história de Eloá, o que ficou escondido por anos e que nem vocês, nem eu, nem quase ninguém sabia. Agora vamos à história, e é exatamente isso que vamos fazer agora.
Antes de nos aprofundarmos nos casos centrais de hoje, precisamos dar uma visão geral do caso Eloá, porque nem todos estão familiarizados com ele. A maioria das pessoas conhece, mas não todos, certo? O nome dela era Eloá Cristina, entre aspas, Pimentel. Ela nasceu em 5 de maio de 1993, em Maceió, Alagoas. Ela era uma garota estudiosa e religiosa.
Lindenberg, o algoz nesta parte da história, entrou na vida dela pela porta dos fundos. Ele fez amizade com o irmão dela primeiro e, quando a família percebeu, os dois já estavam namorando. E na época, pessoal, Eloá tinha apenas 12 anos, isso mesmo. E Lindenberg 19. E já podemos ver que a história começa errada aí, certo? A princípio, Lindenberg parecia um jovem respeitável, mas aos poucos foi mostrando sua verdadeira face: ciumento, controlador e extremamente possessivo.
Então, duas semanas antes do sequestro, ele pegou Eloá no ponto de ônibus e a agrediu. Ela chegou em casa chorando, sem o material escolar, e a família foi falar com ele, mas ele negou tudo. Mas Eloá já tinha se decidido e terminou o relacionamento. E foi aí que tudo desmoronou, pessoal, porque em 13 de outubro de 2008, Lindenberg invadiu o apartamento da família, como eu disse no início do vídeo, enquanto ela estudava com três amigas.
Ele deixou duas amigas irem, e ela, Eloá, e sua melhor amiga, Nayara, ficaram lá. E o que veio a seguir foi algo que o Brasil nunca tinha visto antes, e que ainda hoje é estudado como um exemplo do que a mídia não deve fazer. Câmeras de toda a imprensa nacional chegaram rapidamente ao local e nunca mais saíram.
Então eles começaram as transmissões ao vivo, vários canais de televisão, e todo o Brasil começou a assistir àquele sequestro ao vivo pela televisão, como se fosse um verdadeiro reality show de terror. Em contrapartida, Lindenberg também começou a assistir a tudo o que acontecia na televisão de dentro do próprio apartamento. E assim ele passou a saber cada movimento que a polícia fazia em tempo real e começou a entender que era ele quem estava no comando.
Então, pessoal, houve um ponto muito importante nessa jornada. Um famoso apresentador de TV conseguiu o número de telefone do apartamento de Eloá e ligou ao vivo durante o programa, colocando o sequestrador no ar e também Eloá. E foi assim que a polícia perdeu a comunicação com o sequestrador. Especialistas ainda dizem hoje que essa interferência comprometeu qualquer chance de negociação que a polícia tinha até aquele momento.
Para piorar a situação, Nayara foi libertada no segundo dia. Sim, pessoal, 24 horas já haviam se passado desde o sequestro, e é aqui que entra outro erro crasso. E a polícia reconhece isso. Após ser libertada, Nayara foi enviada de volta ao apartamento e, de acordo com informações da época, para ajudar nas negociações. Uma vítima foi enviada de volta à cena do crime para ajudar nas negociações sem nenhum tipo de treinamento para isso.
Vejam o quão absurdo é este caso. Mas a verdade é que os absurdos deste caso estão apenas começando, e vocês verão o porquê, no final dessa história, coisas realmente chocantes serão reveladas. Por amizade a Eloá, Nayara obedeceu e voltou ao apartamento, acabando sendo feita refém novamente.
E foi assim que as negociações se arrastaram por dias. Então, em 17 de outubro, após mais de 100 horas, a polícia percebeu que não estava chegando a lugar nenhum e decidiu invadir o apartamento. Eles arrombaram a porta com explosivos e Lindenberg atirou nas duas pessoas que estavam à sua frente. Nayara ainda conseguiu sair andando com um ferimento de bala no rosto. Eloá foi carregada nos braços de um policial, completamente inconsciente.
Ela havia levado dois tiros, um na cabeça e outro na virilha. E ela acabou falecendo na noite de 18 de outubro de 2008, com apenas 15 anos. Enquanto isso, poucas horas após perder a filha, Ana Cristina autorizou a doação de seus órgãos, e sete pessoas acabaram sobrevivendo por causa desse belo gesto.
Diante disso, o Brasil aplaudiu, e Ana Cristina virou um símbolo. Enquanto isso, Lindenberg foi preso em flagrante, julgado em 2012 e condenado a 98 anos de prisão por 12 crimes, mas a pena foi reduzida para 39 anos. Porque vocês já sabem que cumprir 98 anos no Brasil simplesmente não acontece. E até hoje ele continua preso em Tremembé, aquela famosa prisão para celebridades criminosas.
E esse, pessoal, é o tipo de crime que o Brasil conhece. Mas há algumas histórias por trás desse crime, em particular, que eu preciso contar a vocês de agora em diante. Como vocês já sabem, a cobertura do caso Eloá foi massiva, contribuindo para o seu desfecho trágico. Mas toda essa atenção da mídia também levou a outra consequência, algo que ninguém esperava e que, por outro lado, podemos chamar de o emaranhado desses pais, ok? “Positivo”, entre aspas, porque sabemos que foi necessária a morte de uma bela jovem e toda aquela tragédia para que um fugitivo muito perigoso fosse revelado e para que a justiça fosse feita contra ele, mas não em todos os seus crimes.
E é por isso que estou aqui hoje, para dar visibilidade a uma vítima que não teve justiça. Isso porque toda a visibilidade que o caso trouxe revelou segredos e crimes que estavam escondidos há mais de 15 anos.
E tudo começou com uma simples cena. Vejam isso. Durante a cobertura do sequestro, as câmeras de todas as emissoras de TV estavam lá, e uma delas capturou um homem do lado de fora do prédio em péssimo estado. Ele foi atendido por uma ambulância, e toda a cena era uma confusão completa. Do outro lado do país, mais precisamente em Alagoas, um investigador da Polícia Civil assistia à cobertura e, ao ver o homem sendo atendido pela ambulância, parou, olhou novamente incrédulo para a cena que estava presenciando, e notou algo bastante peculiar naquele rosto. Ele tinha um nariz pequeno, segundo ele. Sim, ele foi aos arquivos da delegacia e procurou a foto de uma pessoa que era procurada há mais de 15 anos para poder comparar com o homem que tinha visto na ambulância.
E não teve jeito, pessoal, era a mesma pessoa. Esse homem era conhecido por seus vizinhos em Santo André e por todos na região como Seu Aldo. Aldo José da Silva Pimentel, para ser mais preciso. Ele trabalhava como segurança durante a noite. Era um homem muito educado e reservado, que não causava problemas a ninguém. A vizinhança o adorava e não tinha absolutamente nenhuma suspeita sobre ele.
Mas Aldo era, na verdade, um personagem fictício, como dizemos hoje em dia. Esse nome era falso, sua identidade era falsa, seu CPF era falso, tudo sobre aquele homem era falso. E não era só o dele, ok pessoal? De toda a família, incluindo o de Eloá. Mas deixem-me explicar a vocês agora por que essa mudança de nome ocorreu. Porque não foi assim:
“Ah, eu não gosto do meu nome, vou adotar um novo nome, um nome mais bonito.”
Não foi isso que aconteceu, ok pessoal? O motivo era muito mais sinistro e francamente criminoso. Porque em 1993, esse homem precisava desaparecer do mapa em Alagoas. E quando ele desapareceu, não estava sozinho. Levou com ele Ana Cristina, a mãe de Eloá, que estava grávida dela, e Ronixon, filho de Ana Cristina do seu primeiro casamento na época, que tinha apenas 7 anos.
Eles ficaram lá por um tempo e, após o nascimento de Eloá, dirigiram pelo Brasil, de Maceió a Santo André, em São Paulo. E quando chegaram lá, assumiram essa nova identidade. O pai de Eloá adotou o nome Aldo, certo? E a mãe dela, Ana Cristina, bem como seu irmão e Eloá, simplesmente mudaram seu sobrenome para Pimentel, porque a verdade é que ele era quem a polícia procurava.
E quando Eloá nasceu, ela já foi registrada com o nome inventado, porque Pimentel Silva, pessoal, nunca foi o verdadeiro sobrenome de Eloá, muito menos o de sua família. E há outro detalhe muito importante neste caso que realmente me tocou. O pai biológico de Ronixon, o irmão de Eloá, permaneceu em Maceió sem saber o paradeiro de seu filho durante todo esse tempo, porque Ana Cristina simplesmente desapareceu com o menino.
Ela sequestrou o próprio filho porque o pai tinha o direito de ter acesso a ele, e o filho tinha o direito de ter acesso ao pai. Nem o pai nem a mãe podem levar um filho sem o consentimento do outro. Mas enquanto isso, esse pai continuou depositando o pagamento da pensão alimentícia todos os meses, exatamente como o tribunal havia ordenado.
Todos os meses o dinheiro era depositado em sua conta bancária, mas havia um porém. Esse dinheiro nunca foi sacado por anos. Ele simplesmente ficou lá naquela conta. E vocês sabem por quê, pessoal? Porque se aquele dinheiro fosse sacado, deixaria um rastro de onde a família estava, e assim, eles possivelmente seriam localizados, já que eram fugitivos da lei.
Ou melhor, o pai de Eloá era um fugitivo, e o resto da família o seguiu. Agora que todos vocês sabem sobre a fuga, as mudanças de nome e que toda a família viveu por anos sob um nome falso, vamos falar sobre quem era Aldo, aquele homem bom. O verdadeiro nome de Aldo era, na verdade, Everaldo Pereira dos Santos. Ele era cabo da Polícia Militar de Alagoas, um homem que vestia farda e cujo dever era proteger a população.
Mas ele usou o poder de sua farda de uma forma diferente, porque ele era membro de uma milícia. Sim, pessoal, naquela época não falávamos tanto sobre milícias, mas elas já existiam. E Everaldo fazia parte de uma das organizações criminosas mais violentas que Alagoas já viu, um grupo que ficou conhecido como a Gangue Fardada.
E esse nome diz tudo, certo, pessoal? A Gangue Fardada era composta por policiais militares, policiais civis e ex-policiais. Pessoas que deveriam estar do lado da lei, mas que de fato usavam a lei a seu favor para cometer crimes, e crimes muito graves. Eles eram assassinos de aluguel.
Eles cometiam assaltos, sequestros, assassinatos por encomenda, roubos de carros — em suma, tudo de ruim que vocês possam imaginar. E tudo isso, pessoal, também era a serviço de políticos, donos de usinas, pessoas poderosas que queriam se livrar de alguém, mas eles também faziam “serviços”, por assim dizer, ok? Menores. E vocês entenderão o porquê em breve. Na verdade, havia uma tabela de preços, pessoal, uma tabela de preços que mostrava quanto cada pessoa custava.
Por exemplo, um deputado estadual ou um líder político importante na época custava R$ 50.000, um prefeito custava R$ 15.000, e um vereador R$ 15.000. Pessoas comuns como vocês e eu, sem importância política na sociedade, eram eliminadas por qualquer ninharia, como R$ 50 ou R$ 100. Isso mesmo. E isso, pessoal, não é ficção, ok? Tudo isso foi revelado em depoimentos judiciais.
A quadrilha tinha pelo menos 50 membros, entre militares e ex-militares, e os líderes eram um ex-coronel da Polícia Militar chamado Manuel Cavalcante e um ex-delegado da Polícia Civil chamado Antônio Carlos Camilo. E Everaldo era um dos membros daquela organização. Mas os crimes atribuídos a ele, pessoal, eram crimes graves.
Em 1990, só para vocês saberem, ele era suspeito de participar do assassinato de um homem chamado Celso José Dias. Em 1991, ele participou de outro crime, um dos crimes mais chocantes da história de Alagoas: o assassinato do delegado Ricardo Lessa e de seu motorista, Antenor Carlota da Silva. Porque para esses milicianos, qualquer um que cruzasse o caminho deles era um problema e tinha que ser eliminado.
E foi exatamente isso que eles fizeram, pessoal. O delegado Ricardo Lessa, ele também era irmão do ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa. E o motivo pelo qual ele foi morto foi porque estava investigando crimes ligados precisamente à Gangue Fardada. E quando sua sentença de morte foi decretada, foi porque ele estava chegando muito perto da milícia.
E o crime aconteceu da seguinte forma. O delegado e seu motorista foram mortos a tiros enquanto dirigiam pelo bairro da Serraria, em Maceió. E logo Everaldo se tornou suspeito e foi indiciado. Em 1993, antes de seu julgamento, ele desapareceu. Ele levou Ana Cristina, que já estava grávida de Eloá, e o filho dela.
E por um tempo eles ficaram lá, depois partiram para Santo André, como eu contei antes. E foi assim que ele se tornou o bondoso Seu Aldo, o segurança respeitado que a vizinhança adorava. E isso, pessoal, é a prova daquela velha filosofia que já conhecemos. Não se pode julgar um livro pela capa. Além disso, um psicólogo muito renomado que admiro também disse algo muito importante. Seu nome é Carl Jung.
Jung diz que nós temos uma sombra. Segundo ele, esse é o lado obscuro que todo ser humano carrega dentro de si, e que a sociedade não vê justamente porque aquela pessoa escolheu não mostrá-lo. Resumindo, pessoal, é o que eu sempre digo aos meus amigos e a todos. Nós só conhecemos verdadeiramente as pessoas pelo que elas querem nos mostrar.
E o caso de hoje ilustra perfeitamente isso. E vale a pena mencionar porque provavelmente estamos cercados por muitas pessoas assim. Até mesmo do nosso lado, poderia haver alguém assim agora mesmo, certo? Pode haver alguém assim bem ao seu lado. É por isso, pessoal, que é muito importante sabermos ler nas entrelinhas e não apenas acreditar no que as pessoas querem nos mostrar. Isso se aplica às nossas vidas também.
Mas enfim, vamos continuar porque os crimes de Everaldo não param por aí. E a história que eu realmente quero contar a vocês virá a seguir, não para dizer que o caso do delegado, do motorista e do outro jovem não seja relevante, porque todos eles são, pessoal. Mas a verdade é que eles tiveram desfechos diferentes, e é isso que me revolta.
E essa história que está entalada na minha garganta, é uma história que aconteceu antes da fuga. Envolve uma mulher, um feminicídio, uma mulher que teve a infelicidade de descobrir quem Everaldo realmente era. O nome dessa mulher era Marta Lúcia. Marta Lúcia, neste caso Alves Vieira, não era apenas uma mulher qualquer na vida de Everaldo, ok pessoal? Ela era a esposa dele, ou neste caso, sua ex-esposa, quando tudo aconteceu.
Eles ficaram juntos por 5 anos e no começo, vocês sabem como era, certo? Ele era o Aldo, sabe? A dupla personalidade que ele tem, o cara legal. Ele era o Aldo, tipo Ruth e Raquel. Mas, segundo as irmãs dela, com o tempo ele mostrou quem realmente era, que ele não era um cara tão legal assim. E essa mudança coincidiu exatamente com o período em que ele se juntou à Gangue Fardada.
E Marta descobriu as coisas aos poucos, uma a uma. Primeiro, ela descobriu que o marido estava envolvido em crimes depois que ele passou a fazer parte desse esquadrão da morte. E como se tudo isso não bastasse — descobrir que você é casada, não com um homem bom como pensava, mas com um criminoso altamente perigoso —, ela também descobriu outra coisa: que Everaldo tinha uma amante.
E vocês provavelmente podem adivinhar quem era essa amante, certo? Era Ana Cristina, a mãe de Eloá. E para complicar ainda mais a situação trágica de Marta, ela descobriu que Ana Cristina estava grávida do filho do seu marido. E aquela criança não era ninguém menos que Eloá. Pessoal, conseguem imaginar o choque que essa mulher deve ter sofrido com tantas revelações pesadas? Acho que raramente ouvi falar de uma esposa que descobriu tantas coisas terríveis sobre o marido de uma só vez, mas ela, diferente de muitas mulheres, decidiu fazer a coisa certa, pedir a separação, porque não o queria mais. Não queria mais nada com ele. Aquele não era o homem com quem ela havia se casado.
Mas ele, por outro lado, não aceitava um não como resposta, pessoal. Ele queria continuar com ambas. Ele não queria a separação. Ele queria estar com as duas e achava que Marta tinha que aceitar, assim como Cristina já havia aceitado. Mas Marta disse não, que queria o divórcio e não tinha jeito.
Foi aí que Everaldo começou a ficar assustado. Ele não tinha medo de perder a Marta, ok pessoal? Ele começou a temer o que ela sabia, porque ela sabia demais, e temia que ela o denunciasse. Então, a partir daquele momento, ela se tornou um perigo para ele, mas mesmo assim, Marta conseguiu se separar dele e Everaldo começou a pagar pensão alimentícia.
E aqui preciso fazer um breve parêntese para vocês. Pesquisei muito para saber se eles tinham filhos juntos e por que essa pensão estava sendo paga, mas não encontrei nada a respeito. Então, parece que essa pensão era na verdade para ela, talvez porque ele era um policial militar, certo? E essa é provavelmente a justificativa.
Além disso, segundo as investigações que ocorreriam mais tarde, um dos motivos pelos quais Everaldo queria se livrar de Marta era justamente para evitar continuar pagando a pensão. Não era apenas o medo de que ela o denunciasse, mas também porque ele não queria mais pagar pensão a ela.
Então, pessoal, no dia 1º de abril de 1993, Marta saiu de casa para encontrar Everaldo na Praça Teodoro, sob o pretexto de que ele iria lhe pagar a pensão, mas depois disso ela desapareceu. E estamos falando aqui que o último contato que ela teve foi com um assassino de aluguel altamente perigoso de uma milícia. E não tem como não levantarmos uma grande bandeira vermelha sobre isso.
Ei pessoal! Apenas 15 dias depois, o corpo de Marta foi encontrado em um canavial no município de Pilar, a 35 km de Maceió. E o que a polícia encontrou lá foi realmente difícil de engolir. Ela tinha sinais claros de estrangulamento no pescoço. O rosto estava carbonizado. Segundo o depoimento de suas irmãs, a polícia disse que o corpo dela havia sido cortado horizontalmente, como se alguém a tivesse serrado ao meio.
Quando sua família, suas irmãs, principalmente Claudilene e Rita de Cássia, descobriram o que havia acontecido, elas não tiveram dúvida alguma sobre quem havia feito aquilo. Sem mencionar que ele foi a última pessoa a ver Marta. Mas, pessoal, elas tiveram que ficar caladas por anos. E vocês provavelmente imaginam o porquê. Por medo.
E tem um outro ponto muito, muito forte nessa história. O pai de Marta, quando soube o que aconteceu com a filha, não suportou a notícia. Teve um derrame e faleceu dois anos depois. E o que uma das irmãs de Marta disse depois, durante o que aconteceu com Eloá, é algo tão poderoso que não podemos deixar de refletir sobre isso. E eu vou contar a vocês. Ela disse o seguinte:
“A dor que o Everaldo está sentindo pela morte da filha Eloá talvez seja pior que a nossa, porque pelo menos nós não vimos a morte da minha irmã acontecer. Ele, por outro lado, viu a própria filha morrer.”
E isso, pessoal, é algo que nos faz refletir, porque, segundo ela, é algo muito pesado de se carregar.
Sem mencionar que não consigo deixar de pensar se esse homem chegou a refletir se havia, se há, um mínimo de humanidade dentro dele. E aqueles que acreditam em carma entenderão o que estou falando, porque fico muito triste em pensar que a pessoa mais inocente dessa história pode ter pago pelo carma do pai.
Infelizmente, quem acabou pagando pelos crimes do pai foi a pequena Eloá. Mas enfim, essa história não termina aqui, pessoal. Ela tem muito mais, tem muitas camadas, ok? Fiquem comigo até o fim, porque vocês precisam ouvir tudo. Enquanto o Brasil inteiro assistia ao sequestro de Eloá e aquele investigador reconhecia Everaldo e não ficava parado, a polícia… A Polícia Civil de Alagoas imediatamente foi atrás do fugitivo, e assim que as buscas começaram, ele desapareceu novamente. Ele nem sequer foi ao velório da filha. E isso, para mim sinceramente, mostra que não havia remorso ali, porque a sobrevivência dele — sobrevivência porque ele não morreria, mas sim sua liberdade — valia ainda mais do que se despedir da própria filha.
Então, de acordo com o que ele mesmo confirmou após ser preso — porque ele será preso, sim, mas com algumas ressalvas —, ele fugiu de carro de Santo André, passou por vários estados brasileiros e chegou até a Bolívia. E de acordo com o delegado-geral em Maceió na época, José Edson Freitas, todos os passos de Everaldo estavam sendo seguidos e monitorados, inclusive quando ele deixou o país.
A polícia sabia que ele havia ido para a Bolívia e continuou monitorando-o. Mas eu não entendo por que não o prenderam, por que não pediram sua extradição. E o que estou dizendo é o que foi noticiado pela mídia. O fato é… Pessoal, Everaldo era um ex-policial. Ele sabia como funcionava uma investigação, sabia como não deixar rastros, tanto que ficou desaparecido por muito tempo, certo? E conseguiu fugir da polícia por mais um ano.
Até dezembro de 2009, quando Everaldo cometeu um erro. Voltou ao Brasil e voltou a Maceió para se esconder na casa de uma cunhada que, segundo minhas pesquisas, era alguém do lado da família dele. Talvez a esposa de um irmão, não do lado de Ana Cristina, ok? Essa casa ficava no bairro Tabuleiro do Martins, na periferia de Maceió.
E de acordo com o delegado de polícia, ele estava lá há cerca de 10 dias e pretendia passar as festas de fim de ano lá, ironicamente, com sua família, como se nada tivesse acontecido. Mas a polícia finalmente não deixou a festa continuar. Foram até a casa, cercaram-na e, quando Everaldo percebeu o que estava acontecendo, tentou escapar novamente pulando o muro.
E então, pessoal, após 15 anos como fugitivo, 16 na prisão. Então, que caso, né? Em 28 de dezembro de 2009, Everaldo Pereira dos Santos foi finalmente preso e levado à sede da Polícia Civil, onde prestou seu primeiro depoimento. E vocês sabem o que ele disse quando chegou lá, pessoal? Que temia ser morto como “queima de arquivo”, porque vocês sabem, né? Ele sabia de muitas coisas, não só sobre a milícia, mas sobre pessoas poderosas, incluindo crimes que nunca foram solucionados.
Um ano após a morte de Eloá, Ana Cristina deu uma entrevista à revista IstoÉ e disse algumas coisas muito perturbadoras. Ela falou sobre o luto, ok? Sobre insônia, sobre antidepressivos, sobre fé. Falou sobre o luto de qualquer mãe que passou pelo que ela passou, o que ela estava vivenciando. E quando o repórter perguntou sobre o marido dela naquela época, que já havia sido indiciado e era procurado pela polícia, Ana Cristina respondeu:
“Tenho certeza de que um dia ele poderá cantar um hino de vitória, porque ele é inocente.”
“Toda essa história contra ele é uma grande mentira.”
Ah não, pessoal. Ouvindo isso, não posso deixar de questionar se isso é resultado de um amor cego ou de outra coisa, porque ela sabia dos crimes dele e sabia do que ele era capaz. Mas vou dar a ela o benefício da dúvida e vamos passar para o julgamento. Vamos falar sobre o julgamento que ocorreu em novembro de 2009.
Mas só para vocês terem um contexto, esse julgamento aconteceu enquanto Everaldo ainda estava foragido, quando ainda não havia sido capturado pela Polícia de Alagoas. A justiça de Alagoas não quis esperar mais e decidiu julgar Everaldo à revelia, que é quando o réu não está presente. E junto com ele, outro miliciano também foi julgado, o ex-cabo Cícero Felizardo, o “Cição”, outro membro da mesma quadrilha, que também estava foragido.
Esse julgamento durou 9 horas e o resultado foi uma sentença de 33 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato do delegado Ricardo Lessa e de seu motorista Antenor da Silva. Os crimes que foram cometidos lá em 1991, quase 20 anos antes. Além da prisão, Everaldo e Cição também foram condenados a pagar R$ 800.000 em indenização por danos morais e materiais às famílias das vítimas.
E é aqui que preciso parar, porque esse é o ponto central dessa história para mim, porque essa informação me revolta de uma forma que poucos casos me revoltaram neste canal. E não me revolta porque ele foi julgado e condenado a perder sua liberdade e pagar uma multa por algo que é justo.
O que me revolta é o que provavelmente vai revoltar vocês também, e que foi até um dos motivos pelos quais decidi trazer esse caso: Everaldo, ele foi sim julgado, se vocês repararam, e condenado, mas apenas pelo que aconteceu com a vida de um delegado importante, irmão de um político importante, e de seu, uh, como posso dizer, seu motorista, porque ele estava bem ali do lado dele. Porque o motorista também era uma pessoa humilde, e Antenor recebeu justiça apenas porque estava com uma… Uma pessoa poderosa.
Se ele não estivesse, provavelmente também não teria recebido. E há outra coisa que me revolta muito nesta história. É o julgamento de Marta, porque ele era o principal suspeito. Esse julgamento simplesmente nunca aconteceu. Não sei. Não houve provas suficientes para o Ministério Público apresentar acusações, embora ele fosse a última pessoa a ver Marta, embora ela soubesse demais sobre ele, sobre a pensão e tudo o mais.
Ou talvez porque ela era uma mulher pobre, sem poder, sem influência, que foi encontrada em um canavial da forma mais brutal possível. A sensação que tenho, pessoal, é que a vida de Marta não importava para o sistema de justiça como as vidas de pessoas poderosas. A vida dela era apenas mais uma. Sem mencionar que se Everaldo fosse realmente culpado da morte de Marta, se ele tivesse cometido apenas esse crime, ele nunca teria sido julgado e preso por nada.
Ele nunca teria pagado por nenhum crime, simplesmente porque o sistema de justiça fez vista grossa para a vida dessa mulher. E esse caso, de fato, me lembra muito de outro caso que contei há muito pouco tempo aqui no canal, que é o caso de Samuel Klein, o dono fundador das Casas Bahia, onde a mídia e o sistema de justiça fizeram vista grossa para tudo o que ele fez por muitos anos, que foram crimes terríveis, tanto que ele é considerado um inimigo do Brasil.
Então, para quem não viu esse caso, eu recomendo; vou deixá-lo nos cards finais. Assistam, pessoal, assistam e compartilhem. Vou até dar uma atualização sobre esse caso, ok? Porque Samuel nunca foi julgado simplesmente porque suas vítimas, que contavam às centenas, eram crianças pobres. Isso mesmo, pessoal. E só para aliviar o clima, preciso dizer a vocês que houve uma atualização recentemente, apenas uma semana após esta gravação: seu filho, Saul Klein, que cometeu os mesmos crimes que o pai, e que também não havia sido acusado na justiça criminal até agora, acaba de ser indiciado pelo Ministério Público pelos crimes que cometeu.
Então, se vocês ficaram muito interessados no caso Epstein, também deveriam se interessar pelo caso de Samuel Klein, porque suas vítimas eram crianças brasileiras, e nós também… Vocês precisam se indignar por elas. Mas voltando a Everaldo, após ser preso em 2009, ele cumpriu pena em regime fechado até 2014.
Sim, isso mesmo, 2014. Apenas 5 anos depois, após demonstrar bom comportamento, ele passou para o regime semiaberto, e isso é uma piada para mim. E adivinhem? Depois de tudo isso, Ana Cristina esperou por ele e continuou com ele. Enquanto isso, Marta continua sem justiça. Já que estamos falando de julgamentos, preciso responder a uma pergunta que tenho certeza que todos estão fazendo.
Ana Cristina enfrentou alguma acusação? Afinal, ela usou uma identidade falsa por anos, sem contar que também deu nomes falsos aos próprios filhos, certo? E o que se sabe, pessoal, é que o Ministério Público de Alagoas cogitou indiciá-la por acobertar a fuga de Everaldo e também por falsidade ideológica.
No entanto, o processo nunca avançou. Então, Ana Cristina nunca foi formalmente indiciada, nunca. Ela não foi a julgamento e nunca foi condenada, obviamente, por nenhum crime. Mas a história não termina aí. Ok, pessoal? Porque em 2025, a amada Netflix lançou um documentário sobre o caso Eloá. Everaldo, pessoal, foi convidado a participar deste documentário e aceitou.
O nome do documentário da Netflix é “Caso Eloá, refém ao vivo”. Ele está disponível na Netflix para quem quiser assistir. No documentário, Everaldo participou, certo? Ah, isso é difícil de engolir para mim. Ele relembrou como era sua relação com Lindenberg durante o período em que o jovem namorava Eloá e disse que gostava de Lindenberg e tudo o mais.
Até que percebeu que Lindenberg não era uma boa pessoa para sua filha. E há mais um detalhe que realmente preciso mencionar aqui: no livro “Tremembé” do jornalista Ulisses Campbell, que inclusive inspirou a série do Prime Video, Ulisses revela que Lindenberg ainda tem medo de Everaldo até hoje.
Em suas saídas da prisão, ele muda sua aparência, se disfarça para parecer diferente porque tem medo de Everaldo. E deveria ter, certo? E o último ponto que me indigna nessa história é saber que o maior serviço de streaming do mundo deu espaço para um assassino cruel de várias pessoas.
Deu espaço para ele falar. Para mim, não importa se ele era o pai de Eloá. Havia outras pessoas que poderiam ter falado sobre Eloá. Na minha visão, isso foi uma afronta às famílias das vítimas de Everaldo. Eloá, ela sim merecia um documentário. Ela sim merecia ter sua voz ouvida e não ser esquecida.
Até mesmo para ajudar outras garotas que passam pela mesma situação que ela passou nas mãos de potenciais feminicidas. Ok, mas Marta também merecia ter sua voz ouvida, ela também merecia justiça. Quem não merecia o que aconteceu aqui era Everaldo. Ele não merecia o microfone. Ele não merecia a visibilidade que a Netflix deu a ele. E é isso, pessoal.
Vou parar por aqui completamente indignada. Acho que vocês conseguem sentir minha indignação com esse caso, especialmente com o que fizeram com Marta e também com as outras vítimas. Mas minha missão é… Repassar essa informação me faz sentir que cumpri meu dever, porque essa história merece ser conhecida em todo o Brasil. Esse outro lado da história merece ser conhecido.
E que a Marta saiba que hoje mais pessoas conhecem a história dela. E para terminar, preciso fazer uma pergunta muito importante para vocês. Primeiro, uma afirmação, ok? Segundo a lei do carma, tudo na vida volta, certo? Então me digam uma coisa, na mente de vocês, isso assusta ou conforta? É isso, pessoal.
Vou parar por aqui. Cuidem-se. Esse foi o fato sinistro de hoje. Recebam um grande beijo e até o próximo fato sinistro. Tchau.