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FALOU que só namorava BAND1D0 e acabou ASSIM

“Para me pegar, você precisa de pelo menos três passagens. E se você quiser namorar comigo, namorar sério mesmo, você tem que ter pelo menos uma acusação de homicídio, 1.33 de tráfico de drogas, entendeu? Você tem que andar com a Bíblia todos os dias, você só tem que falar durante o jingle, entendeu? Meu pequeno malandro, coisas desse tipo.”

“Se você vier falar comigo normalmente ou com outros tipos de conversa, não vai funcionar, sabe, é impossível.”

“Eu não consigo, amiga, eu não consigo namorar ele se ele não disser que vai arrancar minha cabeça, se ele não me colocar fogo, se ele não quiser me dar um aperto de mão quando estiver com ciúmes, se ele não disser que vai arrancar minha cabeça, se ele não me colocar fogo, se ele não quiser me dar um aperto de mão quando estiver com ciúmes, gente.”

Porto Alegre foi classificada entre as 50 cidades mais violentas do mundo em rankings internacionais. Ao longo das últimas décadas, a capital do Rio Grande do Sul viu suas taxas de homicídio dispararem, impulsionadas em grande parte por disputas territoriais entre facções criminosas. Refletindo esse cenário, o Presídio Central de Porto Alegre foi oficialmente classificado como uma das piores prisões do Brasil, tornando-se um dos principais centros do crime organizado no estado.

E é nessa cidade que começa a história de Paola. Em maio de 2018, uma jovem de 18 anos foi sequestrada, levada para uma área de mata em Porto Alegre, forçada a assistir à escavação de sua própria cova por horas e, então, executada. O crime, neste caso, foi filmado. O vídeo de 11 segundos foi enviado ao cliente como prova de que o serviço havia sido concluído.

Esse mentor estava na prisão; ele ordenou tudo isso de dentro de uma cela na cadeia pública da capital do Rio Grande do Sul. O nome dela era Paola Avale Correa. Paola, pessoal, nasceu em Porto Alegre e cresceu em uma família sem envolvimento com o crime. Em 2017, com apenas 17 anos, começou a se associar com pessoas que sua família rapidamente identificou como problemáticas.

A mãe a avisou várias vezes. Paola ignorou. Foi durante esse período que ela conheceu Nathan Cirangelo, um homem com uma posição de liderança no tráfico de drogas na região do Bom Jesus, que já estava em prisão preventiva desde 2016 por tráfico de drogas. Mesmo sabendo disso, ela manteve o relacionamento.

Ao completar 18 anos, ela começou a visitá-lo oficialmente na prisão. A partir de então, a vida de Paola começou a desmoronar, pouco a pouco. Ela abandonou a escola, saiu da casa da família, largou o emprego e tornou-se financeiramente dependente de recursos ligados ao próprio grupo de Nathan. Ela vivia em algumas propriedades mantidas pela organização criminosa.

Ela obedecia às regras e horários impostos por aquele ambiente. Interagia diariamente com pessoas que usavam a pressão psicológica como ferramenta de controle. E Nathan, mesmo atrás das grades, gerenciava tudo isso com precisão. Onde ela dormia, com quem ela falava, como ela se comportava. Embora supostamente estivessem em um relacionamento com o indivíduo, a relação foi se deteriorando gradualmente.

As brigas aconteciam mesmo com as grades no meio. Durante uma das visitas, Paola foi agredida fisicamente dentro da prisão e precisou da intervenção de agentes penitenciários para conter a situação. A vítima conheceu o traficante online. A primeira vez que ela viu o namorado foi aqui na prisão em dezembro passado.

A última vez que se encontraram foi no dia 9 de maio, quando o casal discutiu e Paola decidiu terminar o relacionamento. A partir de então, ela não teve mais paz. Nas redes sociais, ela começou a deixar rastros do que estava passando. Postagens com tom de desabafo, mensagens que expressavam medo e arrependimento. Em uma delas, ele chegou a brincar que estava estudando o crime na faculdade.

Ela era alguém que via a armadilha em que estava, mas não conseguia sair. No dia 9 de maio de 2018, após mais uma visita à prisão, Paola tomou uma decisão. Ela terminou com Nathan. Para qualquer pessoa comum, o fim de um relacionamento era algo, mas para Nathan, era completamente diferente. Na lógica do mundo do crime em que ele operava, ser deixado por uma mulher era uma humilhação pública, uma perda de autoridade.

E havia um agravante adicional circulando dentro de grupos ligados à facção: rumores de que Paola estava mantendo contato com alguém de uma organização rival. Esse tipo de boato, esse ambiente, não precisa ser verdade para ter consequências graves.

“Minha ex postando uma foto minha no grupo do leão, rs, idiota, nem um ex-marido para chamar de um verdadeiro idiota, hein? Que tipo de ex é esse, hein? Ele está postando sua foto só porque você não o queria mais porque ele te bateu e você sofreu terrivelmente nas mãos dele, né? Vá em frente, otário, coloque aí. Diga para eles colocarem tudo no Facebook. Eu gosto de causar impacto, você acha que eu fico chateada? Eventualmente todo mundo esquece, e você, pedaço de m**** estúpido, foi você, Guampa.”

Nathan então começou a arquitetar um plano de execução de dentro da prisão. O principal contato em campo era Bruno Cardoso Oliveira, responsável pelo planejamento operacional e pelo contato com os envolvidos. A divisão de tarefas era detalhada. Quem procuraria Paola? Quem estaria dirigindo o veículo? Quem emprestaria um imóvel para escondê-la temporariamente? E quem seria o responsável pela gravação do vídeo?

Pessoal, o crime foi agendado para domingo, 13 de maio de 2018. Ironicamente, Dia das Mães. Nos dias que antecederam a data, Paola havia combinado com a irmã de encontrar a mãe para almoçar. Mas a madrugada daquele domingo foi terrível. Ela recebeu telefonemas de ameaça contínuos.

Ela ficou tão desesperada que ligou para o 190 duas vezes pedindo ajuda. De acordo com a investigação, as chamadas não foram atendidas. Às 4 da manhã, ela fez uma última postagem nas redes sociais, expondo as ameaças que estava recebendo. Às 8 horas da manhã, ela foi ao local onde Nathan havia dito para ela esperar.

Dois membros do grupo chegaram. Ela entrou em um carro. Paola foi levada para uma propriedade na Vila Tamanca, no bairro Lomba do Pinheiro, que serviria como local temporário de cativeiro. Lá ela foi dominada e amarrada. Ela foi forçada a falar com Nathan ao telefone. Algumas pessoas dizem que esse telefonema foi como um tribunal do crime, onde ela teve que dar explicações, e nesse caso, ela não recuou e não admitiu as acusações.

A ação serviu para aplicar pressão e dar as ordens finais. Depois disso, ela foi levada para o matagal próximo, onde a cova já estava sendo preparada. O que se seguiu é uma das cenas mais perturbadoras deste caso. Paola, pessoalmente, foi mantida no local, imobilizada, assistindo à escavação de seu próprio sepultamento por aproximadamente 2 horas, sem qualquer possibilidade de reação e sem saída.

Por volta das 17h30, o grupo decidiu encerrar o dia. A câmera foi ligada. Vinícius Mateus da Silva foi identificado como quem disparou os tiros. Thaí Cristina dos Santos foi quem filmou o vídeo de 11 segundos, que foi enviado diretamente a Nathan como prova de que a ordem havia sido cumprida. Depois, começou a circular em grupos de aplicativos de mensagens ligados ao próprio submundo do crime.

A família percebeu que as coisas tinham dado errado quando Paola não apareceu para o almoço de Dia das Mães e parou de responder a qualquer mensagem. Nathan expressou possíveis atos de traição, o que ele considerava inaceitável, e a partir daquele momento ordenou a execução da vítima. Naquela mesma manhã, Paola encontrou-se com dois homens em frente à escola, a pedido de Nathan.

Eles levaram a jovem para uma casa perto de onde a cova havia sido cavada. A execução aconteceu no final da tarde. O vídeo foi gravado como prova para Nathan. Paula foi dada como desaparecida na segunda-feira seguinte por familiares que tentaram contatá-la por telefone, mas não conseguiram. O vídeo vazou na internet um dia depois, na terça-feira.

Assim que a polícia teve acesso às imagens e reconheceu Paola como a jovem que aparecia no vídeo, entrou em contato com a família, que confirmou sua identidade. A jovem e o namorado teriam discutido na semana passada. Começamos então a pesquisar nas redes sociais e a realizar outras diligências que nos levaram a descobrir que ela havia feito uma postagem durante a madrugada de domingo, indicando que houve um desentendimento com o atual namorado.

O namorado dessa jovem é um rapaz que se encontra atualmente encarcerado na cadeia pública de Porto Alegre. Ele estava preso preventivamente por crimes relacionados a drogas e recebia visitas rotineiras dessa mulher que posteriormente faleceu. Também há outras linhas de investigação que estão sendo conduzidas em sigilo.

Acredita-se que pelo menos três pessoas estejam envolvidas no assassinato. O atirador, quem filmou e quem supostamente cavou o corpo foram identificados. O corpo foi encontrado quatro dias após o desaparecimento no mesmo matagal na Vila Tamanca, Lomba do Pinheiro, identificado pelas roupas que Paola usava nas imagens.

A investigação avançou rapidamente. Em 10 dias, a Polícia Civil consolidou a autoria e a participação de cada indivíduo. Um adolescente que também fazia parte do grupo foi processado na justiça da infância e juventude e recebeu medida socioeducativa de internação sem possibilidade de atividades externas.

Em agosto de 2018, os adultos foram denunciados e o caso seguiu para o Tribunal do Júri, realizado na quarta vara do júri de Porto Alegre, unidade especializada em feminicídios. Em março de 2023, quase 5 anos após o crime, os seis réus adultos foram a julgamento ao longo de dois dias. No julgamento da última terça-feira, três pessoas foram condenadas.

As sentenças foram de 28 anos para Vinícius Mateus da Silva, 8 anos e 10 meses para Paulo Henrique Silveira Merlo, e 16 anos e 2 meses para Carlos Cleomar Rodrigues da Silva. Nathan, o mentor do crime, recebeu uma sentença de 36 anos de prisão em regime fechado. Bruno Cardoso Oliveira, responsável por planejar e coordenar os outros, foi condenado a 31 anos de prisão.

Vinícius Mateus da Silva, identificado como atirador e participante do sequestro, recebeu uma sentença de 28 anos. Carlos Cleomir Rodrigues da Silva, também envolvido no caso do rapto, foi sentenciado a 16 anos e 2 meses. Taís Cristina dos Santos, que forneceu o imóvel, indicou o local final e filmou a execução, recebeu uma sentença de 9 anos de prisão.

Paulo Henrique Silveira Merlo, responsável por cavar a cova, foi sentenciado a 8 anos e 10 meses. Pessoal, o que este caso deixa para trás vai além dos números das sentenças. Paola não seguiu carreira no crime. Ela era uma jovem que se aproximou de um mundo que ela não reconhecia como seres humanos, apenas como propriedade.

A irmã de Paola fez questão de falar publicamente após o julgamento. A mensagem foi direta. O envolvimento com pessoas do submundo do crime tem um custo que os jovens frequentemente subestimam. A sensação de estar no controle é uma ilusão. Quando a situação sai do controle, como aconteceu no caso de Paola, não há volta.