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Milionário M@ta Amante em Iate em Angra — Ela Gravou Vídeos e Exigiu R$ 4 Milhões

Laura embarcou no iate de luxo numa sexta-feira e nunca mais voltou viva a terra firme. A noite de 15 de março de 2015 estava quente em Angra dos Reis. O mar calmo refletia as luzes da Marina Porto Bracuí enquanto a embarcação de 20 metros de comprimento se preparava para zarpar. Laura, de 38 anos, uma advogada tributarista com escritório próprio em São Paulo, embarcou carregando uma mala de fim de semana e a certeza de que sairia com 4 milhões de reais.

Ela conhecia Otávio há quase dois anos. Sabia onde ele escondia cada centavo dos 120 milhões de reais que a Receita Federal desconhecia. Ela tinha cópias de contratos, números de contas em paraísos fiscais e gravações comprometedoras. Laura acreditava que esse conhecimento era a sua proteção, mas, na realidade, era a sua sentença. Às 22h daquela sexta-feira, o seu celular foi desligado. A última localização registrada indicava coordenadas no meio da Baía da Ilha Grande. Ninguém na marina a viu desembarcar no sábado, ninguém a viu no domingo. Na segunda-feira, quando o iate voltou sozinho ao cais, Otávio disse às autoridades: “A Laura saiu na manhã anterior em um barco auxiliar.”

As câmeras de segurança da marina contaram uma história diferente, ou melhor, não contaram história nenhuma. Não havia registro de Laura deixando a embarcação por nenhum meio. O barco auxiliar permaneceu preso ao iate durante todo o fim de semana. Duas semanas depois, mergulhadores da Marinha localizaram um corpo a 15 metros de profundidade, preso entre rochas subaquáticas a 800 metros da costa. A identificação foi rápida.

Laura ainda usava o relógio de ouro que havia comprado para si mesma após fechar seu maior negócio. O laudo do Instituto Médico Legal indicou a causa da morte como asfixia mecânica. Havia marcas claras de estrangulamento em seu pescoço. O corpo também apresentava escoriações consistentes com contenção forçada nos pulsos. Não havia água nos pulmões.

Laura estava morta antes de entrar no mar. No celular recuperado com o corpo, os peritos encontraram uma mensagem de texto que nunca havia sido enviada. Estava salva nos rascunhos. Datada de 15 de março às 21h47. A destinatária era a irmã de Laura. O conteúdo continha apenas 11 palavras que mudariam o curso da investigação.

O que aconteceu nas últimas horas de vida daquela advogada? Por que uma mulher inteligente aceitaria o convite de um homem que ela mesma estava chantageando? Laura nasceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em 1977. Filha de um contador e de uma professora do ensino fundamental, cresceu vendo o pai debruçado sobre planilhas e declarações de imposto de renda.

Aos 17 anos, ela já ajudava no escritório da família. Aos 22 anos, formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo. Especializou-se em direito tributário e construiu uma reputação sólida entre empresários que precisavam de soluções discretas para problemas fiscais complexos. Em 2013, Laura abriu seu próprio escritório na Avenida Paulista.

Tinha seis funcionários e uma seleta base de clientes. Ela cobrava honorários altos porque entregava resultados. Seus colegas a descreviam como meticulosa, reservada e totalmente profissional. Ela nunca misturava sua vida pessoal com o trabalho, até conhecer Otávio. Otávio tinha 54 anos quando contratou Laura para cuidar de seu divórcio. Empresário do setor de mineração, acumulou sua fortuna explorando jazidas de nióbio no interior de Minas Gerais.

Oficialmente, seu patrimônio líquido declarado era de R$ 40 milhões. Extraoficialmente, como Laura descobriria nas semanas seguintes, esse valor era apenas a ponta do iceberg. O divórcio de Otávio foi litigioso. A esposa, Márcia, exigia a divisão igualitária dos bens. Otávio precisava de uma advogada que soubesse onde esconder ativos sem deixar rastros.

Laura era essa advogada. Através de meses de trabalho colaborativo, reuniões em hotéis e jantares que se prolongavam além do necessário, o relacionamento profissional cruzou fronteiras. Laura tinha acesso irrestrito às finanças de Otávio. Ela sabia de cada empresa de fachada no Panamá, de cada conta numerada na Suíça, de cada transferência disfarçada de consultoria internacional.

Quando o divórcio foi finalizado em setembro de 2014, Márcia recebeu 8 milhões de reais e a mansão em Campos do Jordão. Otávio manteve o resto intocado graças ao trabalho de Laura. O caso amoroso continuou por mais três meses após o divórcio. Otávio prometeu deixar tudo para trás e recomeçar com Laura.

Em dezembro, sem aviso prévio, ele voltou para Márcia. Ele alegou que precisava preservar sua imagem perante seus sócios e a sociedade mineira. Laura foi descartada como um problema resolvido. Ela não aceitou. Nos meses seguintes, Laura reuniu todos os documentos que possuía sobre a vida financeira de Otávio. Ela tinha e-mails, contratos, extratos bancários e gravações de conversas.

O material era suficiente não apenas para destruir a sua reputação, mas também para garantir uma condenação por evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Em fevereiro de 2015, Laura apresentou seu ultimato. Ela queria mais 4 milhões de reais em troca de silêncio absoluto. A resposta de Otávio veio uma semana após o ultimato.

Ele ligou para Laura às 19h de uma quarta-feira e sugeriu um encontro pessoalmente. Ele disse: “Não vou discutir valores por telefone.” Ele ofereceu um fim de semana no iate em Angra dos Reis, onde poderiam conversar em particular e chegar a um acordo civilizado. Laura hesitou inicialmente, comentando com a sua irmã mais nova, Fernanda: “Não confio totalmente nessa proposta.”

Fernanda tentou dissuadi-la, argumentando: “É perigoso se encontrar sozinha com alguém que você está chantageando.” Laura respondeu: “Eu tomei precauções”, mas não especificou quais eram. Na quinta-feira, 12 de março, Laura sacou R$ 15.000 em dinheiro de sua conta corrente. Ela comprou um celular pré-pago em uma loja de eletrônicos no Shopping Eldorado.

Registros bancários e de cartão de crédito mostram que ela também comprou um pen drive de 64 GB em uma papelaria próxima. A polícia nunca encontrou esses itens. Na manhã de sexta-feira, Laura saiu de seu apartamento no Itaim Bibi às 10h. Um vizinho do andar de cima a viu entrando no elevador com uma mala azul de rodinhas. Laura parecia calma.

Ela vestia roupas leves de verão e óculos escuros. Ela disse: “Vou passar o fim de semana no litoral.” A viagem para Angra dos Reis leva aproximadamente 4 horas saindo de São Paulo. Registros de pedágio mostram que o carro de Laura passou pela praça de pedágio de Paraty às 14h32. Ela chegou à Marina Porto Bracuí às 15h e estacionou no segundo subsolo da garagem coberta.

Câmeras de segurança capturaram Laura caminhando em direção ao cais às 15h23. Ela carregava a mala azul na mão esquerda e uma bolsa de praia no ombro direito. Parecia estar checando o celular enquanto caminhava. Esta é a última imagem dela viva. O iate de Otávio, chamado “Maré Alta”, estava atracado no píer 7.

Tinha capacidade para 12 pessoas, três cabines e uma tripulação de até quatro funcionários. Naquele fim de semana em particular, não havia tripulação a bordo. Otávio dispensou a todos, alegando: “Quero total privacidade para uma reunião de negócios.” Testemunhas no cais viram Laura embarcar sozinha às 15h40. Otávio já estava a bordo.

O iate zarpou às 16h e desapareceu no horizonte em direção à Baía da Ilha Grande. Quando Fernanda percebeu que não conseguia entrar em contato com a irmã, já era noite de domingo. Ela ligou para o celular de Laura dezenas de vezes. Todas as ligações iam para a caixa postal. Na segunda-feira de manhã, Fernanda registrou um boletim de ocorrência na delegacia do Itaim Bibi, relatando o desaparecimento.

A polícia inicialmente tratou o caso com ceticismo. Laura era adulta, solteira e havia viajado voluntariamente. Desaparecimentos de adultos raramente recebem atenção imediata. Foi só quando Fernanda mencionou o nome de Otávio e seu relacionamento com a irmã que os investigadores começaram a prestar atenção.

Otávio foi localizado na tarde de segunda-feira em seu apartamento em Belo Horizonte. Ele atendeu os policiais com aparente surpresa ao saber que Laura estava desaparecida. Ele confirmou que ela havia embarcado no iate na sexta-feira, mas garantiu que ela havia partido no sábado de manhã. Ele disse: “A Laura pediu para ser deixada em uma praia próxima porque queria encontrar um amigo que estava hospedado em um hotel na região.”

A versão de Otávio levantou a primeira pista falsa na investigação. A polícia passou dois dias checando hotéis na região de Angra dos Reis em busca desse suposto amigo. Nenhum dos estabelecimentos tinha hóspedes com qualquer conexão conhecida com Laura. O amigo simplesmente não existia. Enquanto isso, Otávio contratou um dos escritórios de advocacia criminal mais renomados do Rio de Janeiro.

Seus advogados o orientaram a não fazer mais declarações sem representação legal. A cooperação inicial deu lugar a um silêncio calculado. A investigação encontrou outro obstáculo. As câmeras de segurança da Marina Porto Bracuí haviam apresentado problemas técnicos justamente no fim de semana em questão.

O sistema de gravação sofreu um mau funcionamento que corrompeu os arquivos de sábado e domingo. Técnicos da empresa de segurança não conseguiram recuperar as imagens. A polícia suspeitou de sabotagem, mas não conseguiu provar. Os primeiros dias de investigação produziram mais perguntas do que respostas. Onde estava o celular de Laura? Por que Otávio havia dispensado toda a tripulação? Quem era o suposto amigo que Laura ia encontrar? E por que um empresário com 120 milhões de reais precisaria resolver pessoalmente um problema que poderia delegar a intermediários?

O delegado encarregado do caso, Marcos, tinha 23 anos de experiência na Polícia Civil, já havia investigado crimes passionais envolvendo fortunas e rapidamente percebeu que a história de Otávio não batia. O corpo de Laura foi encontrado em 29 de março de 2015. Mergulhadores da capitania dos portos realizavam um exercício de treinamento quando localizaram restos mortais presos entre formações rochosas a 800 metros da costa e 15 metros de profundidade.

O estado de decomposição dificultou a identificação visual. A confirmação veio por meio de registros odontológicos e de um exame de DNA solicitado pela família. O laudo da autópsia do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro foi conclusivo quanto à causa da morte. Asfixia mecânica por estrangulamento; as marcas no pescoço indicavam pressão manual, e não o uso de uma corda ou instrumento.

O médico legista também documentou escoriações nos pulsos consistentes com contenção forçada. Laura havia sido imobilizada antes de morrer. Não havia água em seus pulmões, o que significava que ela já estava morta quando entrou no mar. O corpo foi jogado na água para dificultar sua localização.

O peso de uma corrente de âncora ainda estava preso ao tornozelo direito de Laura quando os mergulhadores a encontraram. A corrente havia se soltado parcialmente de um lastro de chumbo, permitindo que o corpo flutuasse até ficar preso contra as pedras. Se a amarração tivesse resistido, Laura provavelmente nunca teria sido encontrada. A descoberta do corpo transformou o caso de pessoa desaparecida em uma investigação de homicídio.

Otávio foi convocado para dar um novo depoimento, agora como suspeito. Seus advogados estiveram presentes durante toda a sessão e aconselharam seu cliente a permanecer em silêncio sobre detalhes específicos do fim de semana. A equipe de perícia retornou ao iate “Maré Alta” com um mandado de busca. A embarcação havia sido lavada e encerada após retornar a Angra.

Mesmo assim, os peritos encontraram vestígios de sangue em frestas no chão da cabine principal. O sangue pertencia a Laura. Fernanda autorizou a polícia a acessar os dados do celular de sua irmã. O aparelho foi recuperado junto ao corpo, protegido por uma capa à prova d’água. Apesar de estar submerso por duas semanas, o cartão de memória permaneceu intacto.

O conteúdo daquele cartão mudaria completamente a investigação. Se você está acompanhando este caso, inscreva-se no canal e deixe um like para não perder os próximos detalhes desta investigação. O celular de Laura continha centenas de arquivos organizados em pastas com datas e códigos.

Havia cópias digitalizadas de contratos, extratos bancários, e-mails e planilhas. Cada documento estava relacionado às atividades financeiras de Otávio. A advogada havia compilado um dossiê abrangente sobre a evasão fiscal do empresário, mas a informação mais relevante estava em uma pasta chamada “Seguro”. Ali, Laura guardava vídeos gravados durante encontros íntimos com Otávio.

Havia 17 arquivos nos quais ambos apareciam em hotéis e no próprio iate. Em alguns vídeos, Otávio fez comentários sobre suas empresas offshore e o dinheiro que escondia das autoridades fiscais. Essas gravações serviram como material para chantagem e como prova de crimes fiscais simultaneamente. No aplicativo de mensagens, os peritos recuperaram conversas entre Laura e Otávio.

O histórico revelou uma deterioração progressiva do relacionamento. Mensagens inicialmente carinhosas deram lugar a exigências e ameaças veladas. Em uma troca de mensagens em fevereiro, Laura escreveu: “Eu preciso de segurança financeira depois de tudo o que fiz por você.” Otávio respondeu: “Nós vamos resolver isso pessoalmente.” A mensagem mais importante, no entanto, estava nos rascunhos.

Às 21h47 de 15 de março, Laura começou a digitar uma mensagem para sua irmã. O texto dizia: “Se me acontecer alguma coisa, foi ele, o Otávio, guarde isso com você.” A mensagem nunca foi enviada. Algo interrompeu Laura antes que ela pudesse pressionar o botão de enviar. A polícia estimou que a morte ocorreu logo em seguida, ainda na noite de sexta-feira.

Com base nas evidências, o delegado Marcos solicitou que o Ministério Público emitisse um mandado de prisão preventiva para Otávio. O promotor encarregado concordou que havia provas suficientes de autoria e materialidade. Em 3 de abril de 2015, Otávio foi preso em sua residência em Belo Horizonte. A defesa apresentou um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, alegando falta de provas diretas.

O pedido foi negado por unanimidade. O juiz relator destacou em sua decisão que as circunstâncias do caso apontavam fortemente para a culpa do empresário. Otávio permaneceu em prisão preventiva enquanto a investigação era finalizada. O Ministério Público tinha um prazo para apresentar as acusações formais.

A investigação ganhou novo fôlego quando a Receita Federal abriu seu próprio processo contra Otávio. Os documentos encontrados no celular de Laura foram compartilhados com os auditores fiscais. O dossiê revelou um esquema de sonegação fiscal que havia movimentado mais de R$ 80 milhões ao longo de 10 anos. As empresas de fachada no Panamá estavam registradas em nomes de laranjas, mas contratos assinados por Otávio deixavam seu envolvimento claro.

Contas na Suíça recebiam transferências mensais disfarçadas de pagamentos por serviços de consultoria inexistentes. A Receita Federal calculou que Otávio devia mais de R$ 30 milhões em impostos não pagos. Este novo desdobramento fortaleceu o argumento do Ministério Público. A promotora Silvia argumentou que Otávio tinha um motivo claro para eliminar Laura.

Não se tratava apenas de uma ex-amante inconveniente. Laura possuía provas que poderiam destruir seu patrimônio e mandá-lo para a prisão por crimes fiscais. Os advogados de defesa tentaram desacreditar as provas. Eles alegaram que os vídeos e documentos haviam sido obtidos ilegalmente por Laura e não poderiam ser usados no processo criminal.

O juiz encarregado rejeitou a moção preliminar. O tribunal decidiu que as provas eram admissíveis porque não haviam sido produzidas pelo Estado, mas pela própria vítima para proteção pessoal. A família de Laura acompanhou cada desdobramento do caso. Fernanda se tornou uma porta-voz informal, dando entrevistas à imprensa e exigindo justiça rápida.

Os pais da vítima, que são idosos, preferiram ficar fora dos holofotes. A reconstrução dos últimos movimentos de Laura exigiu semanas de trabalho forense. A análise de dados de torres de celular confirmou que seu aparelho havia sido desligado enquanto o iate ainda estava perto da costa. A última comunicação com as antenas ocorreu às 22h03, quando a embarcação navegava a aproximadamente 3 milhas náuticas da Marina.

O Ministério Público reuniu depoimentos dos funcionários de Otávio. Um marinheiro que trabalhava no iate há 6 anos afirmou: “O chefe nunca havia dispensado toda a tripulação antes. Ele sempre mantinha pelo menos um piloto a bordo.” A exceção ocorreu precisamente no fim de semana em que Laura desapareceu. Otávio era conhecido no mundo dos negócios como um negociador implacável.

Ele construiu sua fortuna comprando jazidas minerais de pequenos proprietários por preços abaixo do mercado. Ele usava táticas de pressão e intimidação para garantir acordos favoráveis. Antigos parceiros o descreveram como alguém incapaz de aceitar a derrota. A investigação revelou que essa não era a primeira vez que Otávio enfrentava problemas com mulheres.

Uma ex-namorada havia registrado um boletim de ocorrência contra ele em 2009 por ameaças. O caso foi arquivado depois que a mulher retirou a queixa. Outra ex-funcionária processou sua empresa por assédio em 2011. O processo foi resolvido por meio de um acordo financeiro e uma cláusula de confidencialidade. O perfil psicológico traçado pela polícia apontava para um homem acostumado a resolver problemas com dinheiro ou intimidação.

Quando Laura exigiu mais 4 milhões de reais, Otávio provavelmente calculou que seria mais econômico eliminá-la do que pagar. Afinal, o pagamento não garantiria um silêncio permanente. Um chantagista sempre poderia voltar pedindo mais. A promotora Silvia apresentou acusações por homicídio qualificado.

As circunstâncias agravantes foram motivo torpe e meio que dificultou a defesa da vítima. Otávio supostamente matou Laura para evitar exposição criminal e financeira, aproveitando-se de seu isolamento no iate em alto mar. O julgamento foi marcado para outubro de 2016. Otávio permaneceu em prisão preventiva durante todo o período.

Suas tentativas de obter liberdade provisória mediante pagamento de fiança foram repetidamente negadas. O juiz considerou que havia risco de fuga, dada a riqueza e as conexões internacionais do réu. A defesa preparou uma estratégia baseada na ausência de testemunhas diretas do crime. Ninguém viu Otávio matar Laura.

Não houve confissão. As evidências eram circunstanciais. Embora numerosas, os advogados argumentariam que Laura poderia ter caído acidentalmente do iate e se afogado. As marcas de estrangulamento seriam provavelmente o resultado de uma tentativa fracassada de ressuscitação. O Ministério Público considerou esse argumento absurdo.

Laura havia sido estrangulada até a morte, amarrada com uma corrente de âncora e jogada no mar. Nenhum acidente poderia explicar esse conjunto de fatos. O julgamento de Otávio ocorreu na segunda vara criminal de Angra dos Reis em 17 de outubro de 2016. O júri foi composto por sete cidadãos selecionados entre moradores da região.

O processo durou 3 dias de intenso debate. A promotora Silvia apresentou as provas em ordem cronológica. Começou com o relacionamento entre Otávio e Laura. Passou pela chantagem e terminou com a descoberta do corpo. Ela mostrou ao júri os vídeos encontrados no celular de Laura com suas partes íntimas desfocadas. Ela reproduziu a mensagem não enviada, mostrou fotos do corpo e o laudo pericial.

Os funcionários de Otávio testemunharam que o chefe havia agido de forma estranha naquele fim de semana. O zelador da marina afirmou que Otávio voltou sozinho na segunda-feira e parecia nervoso. Ele lavou pessoalmente o convés do iate, uma tarefa que sempre delegava à tripulação. Um mecânico notou que estava faltando uma seção da corrente da âncora, que foi substituída por uma nova alguns dias depois.

A defesa tentou lançar dúvidas sobre a cronologia do crime. Argumentou que Laura poderia ter deixado o iate no sábado, como Otávio havia afirmado. Ela poderia ter encontrado outra pessoa na região e sido morta por um estranho. A corrente da âncora poderia ter sido perdida em um incidente anterior e não relatado. Peritos do Instituto Médico Legal foram convocados para explicar suas conclusões.

Eles confirmaram que as marcas no pescoço de Laura eram inconsistentes com afogamento ou uma queda acidental. A pressão havia sido aplicada pela frente, por mãos humanas, por tempo suficiente para causar a morte. A vítima havia tentado se defender, como evidenciado por fibras de pele masculina sob suas unhas.

O DNA coletado das unhas de Laura foi comparado com uma amostra de Otávio. O resultado foi positivo. O material genético encontrado no corpo da vítima pertencia ao réu. Após 15 horas de deliberação distribuídas em dois dias, o juiz retornou com um veredicto. Por cinco votos a dois, Otávio foi considerado culpado de homicídio qualificado. A juíza presidente então procedeu a determinar a sentença.

Se você acompanhou este caso até aqui, inscreva-se no canal e deixe um like para não perder como essa história termina. A juíza Beatriz proferiu sua sentença em 18 de outubro de 2016. Ela considerou as circunstâncias do crime, os antecedentes do réu e os fatores agravantes reconhecidos pelo júri. Otávio foi condenado a 23 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, por homicídio qualificado.

A pena ficou abaixo da máxima porque Otávio era réu primário e tinha endereço fixo. A juíza destacou em sua fundamentação que o crime havia sido friamente planejado. Otávio atraiu Laura para um local isolado, dispensou testemunhas e executou o assassinato usando um método calculado para ocultar o corpo.

Apenas falhas na amarração impediram que Laura desaparecesse para sempre. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, alegando irregularidades processuais e questionando a admissibilidade das provas obtidas do celular. Em março de 2018, a Segunda Câmara Criminal negou o recurso por unanimidade. Os juízes consideraram as provas lícitas e que o júri havia tomado sua decisão de forma independente, com base em evidências robustas.

Um novo recurso foi apresentado ao Superior Tribunal de Justiça. Em dezembro de 2019, a Quinta Turma também negou o recurso. O juiz relator enfatizou que uma revisão de questões factuais não era apropriada em uma instância superior. A condenação transitou em julgado em janeiro de 2020. Otávio cumpre pena na penitenciária Evaristo de Moraes, em São Gonçalo.

Ele terá direito à progressão para o regime semiaberto após cumprir 2/5 de sua pena, desde que demonstre bom comportamento. Segundo cálculos, isso ocorreria por volta de 2025. A Receita Federal concluiu um procedimento administrativo separado contra Otávio. Ele foi autuado por evasão fiscal no valor de R$ 4 milhões, incluindo impostos devidos, juros e multas.

Bens em seu nome foram bloqueados para garantir o pagamento. A fortuna que ele tentou proteger ao matar Laura agora pertence parcialmente ao Estado. O iate “Maré Alta” foi vendido em leilão judicial por R$ 1.200.000. O apartamento de Otávio em Belo Horizonte foi leiloado por 3 milhões. As empresas offshore tiveram seus ativos repatriados à força. O corpo de Laura foi enterrado em Ribeirão Preto, sua cidade natal.

Fernanda visitou o túmulo todas as semanas nos primeiros anos após o crime. Laura acreditava que conhecer os segredos de Otávio lhe dava poder sobre ele. Ela subestimou o que os homens fazem para proteger o que consideram seu.