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A Viúva Comprou um Escravo Gigante por 13 Centavos… Ninguém Entendeu Por Que Ela Sorria no Final

O martelo de madeira rústica do experiente leiloeiro pairava suspenso no ar úmido e terrivelmente denso da praça principal, sob o sol implacável e escaldante da cidade de Salvador. O ano marcava mil oitocentos e quarenta e sete, um tempo sombrio onde a imensa crueldade humana frequentemente se disfarçava sob a face fria e calculista do comércio diário. A grande multidão ali reunida, composta predominantemente por ricos fazendeiros de feições severas e poderosos senhores de engenho, prendia a respiração num silêncio absoluto, extremamente carregado de uma tensão e de uma expectativa quase palpáveis.

No exato centro do palanque de madeira tosca, já bastante castigada e escurecida pela implacável passagem do tempo, erguia-se a figura monumental e incrivelmente imponente do temido gigante. Ele possuía cerca de espantosos dois metros de altura, exibindo ombros tão largos e robustos que mais se assemelhavam a pesadas portas de um grande celeiro fortificado. Seus formidáveis músculos haviam sido dolorosamente forjados no calor inclemente do sol nordestino, moldados pelas pesadas correntes de ferro gélido e marcados pelos crueis chicotes invisíveis do sofrimento diário.

O medo imperava silenciosamente entre os presentes. Absolutamente ninguém na vasta multidão abastada demonstrava a menor coragem ou ousadia para apresentar uma oferta inicial por aquele formidável homem colossal. Consideravam-no indomável e perigoso demais para qualquer senzala comum. A voz do leiloeiro, áspera e habituada a leiloar almas, ecoou pela vasta praça anunciando o temido preço inicial do homem imenso: exorbitantes cinco mil réis.

O pesado silêncio que se seguiu imediatamente ao anúncio foi verdadeiramente ensurdecedor, quebrado apenas pelo sopro ocasional do vento quente que levantava o pó fino do chão de terra batida. Foi precisamente nesse momento de hesitação coletiva que ela surgiu graciosamente, emergindo com passos firmes das densas sombras projetadas pelos majestosos casarões coloniais ao redor da praça. Tratava-se de Dona Eulália, uma respeitável viúva de fazendeiro.

Ela exibia um rosto bastante magro, pálido e cansado, o qual mantinha parcialmente e cuidadosamente oculto sob a proteção de um pesado véu preto de profundo luto fechado. A sua voz fina, porém absolutamente firme e inabalável, cortou subitamente o burburinho ansioso que começava a formar-se entre os homens presentes. “Treze centavos”, pronunciou ela de forma clara e cristalina. Imediatamente, os olhares surpresos de todos os homens ao redor viraram-se na sua exata direção, afiados e cortantes como autênticas lâminas de facas.

Treze minúsculos centavos por um verdadeiro e inigualável colosso humano que, aos olhos daquela sociedade puramente mercantilista, valeria com facilidade extrema o preço equivalente a dez mulas fortes e jovens. O experiente leiloeiro piscou repetidas vezes, visivelmente confuso e desorientado com a imensa afronta daquele lance irrisório, contudo, a sua hesitação profissional durou pouquíssimo tempo. O pesado martelo de madeira desceu com um estrondo seco e definitivo. Vendido.

Dona Eulália permitiu-se esboçar um sorriso extremamente leve e contido. Os seus lábios pálidos e finos esticaram-se suavemente num arco profundo e enigmático, guardando a sete chaves um grande mistério íntimo que apenas a inexorável passagem do tempo seria capaz de revelar aos olhos do mundo. Por qual exato motivo aquela respeitável senhora fizera um negócio tão inusitado? Absolutamente ninguém conseguia compreender a mente singular daquela mulher.

O silencioso gigante foi, logo de seguida, lentamente arrastado por meio de cordas incrivelmente grossas e ásperas até à humilde e velha carroça de madeira pertencente à viúva. Ele mantinha a todo o instante os seus olhos escuros cabisbaixos, mantendo o imenso corpo incrivelmente imóvel e passivo, assemelhando-se profundamente a uma antiga e majestosa estátua esculpida no mais puro e duro basalto negro.

A poeira dourada e seca da movimentada praça levantou-se rapidamente com uma forte lufada de vento quente, engolindo quase por completo os murmúrios maldosos e as risadas contidas dos ricos homens engravatados. Para todos eles, aquela estranha aquisição não passava da mais pura loucura desesperada de uma solitária viúva endividada e completamente sem futuro naquelas vastas terras escravocratas.

A longa e cansativa viagem de regresso à propriedade finalmente começou. Dona Eulália guiava pessoalmente a modesta carroça pelas estradas sinuosas de terra intensamente vermelha, ladeadas por imensos e densos canaviais verdejantes e altos que pareciam sussurrar segredos muito antigos ao sabor do inconfundível vento salgado vindo da região do Recôncavo baiano. O gigante caminhava logo atrás.

Aquele homem enorme, que muito em breve passaria a ser chamado respeitosamente de Zé Alto pelos poucos e desgastados capatazes que ainda serviam fielmente à viúva, seguia a longa jornada a pé. Ele encontrava-se atado apenas por uma única, fina e inusitadamente leve corrente de ferro escuro, a qual fora estrategicamente presa ao rangente eixo da pesada roda de madeira da carroça em movimento.

Zé Alto em nenhum momento lutava contra a sua triste e limitante condição, tampouco abria a boca para reclamar do sol abrasador que lhe castigava as amplas costas desnudas e suadas. Os seus passos longos, largos e pesados faziam a terra seca tremer de leve a cada movimento, criando um ritmo constante, ininterrupto, cadenciado e quase perfeitamente hipnótico ao longo de toda a tortuosa estrada.

Após longas e exaustivas horas de caminhada sob o céu impiedoso, a famosa fazenda de Dona Eulália, amplamente conhecida por todos como o Engenho da Cruz, surgiu imponente, porém decadente, desenhada no vasto horizonte alaranjado do fim de tarde. O grande casarão, outrora motivo de imenso orgulho e símbolo de grande poder, pintado de um branco caiado agora desgastado, exibia as suas grandes varandas de madeira escura e bastante envelhecida pelo implacável tempo.

Ao fundo da extensa propriedade, via-se nitidamente a senzala silenciosa e melancólica, e ouvia-se claramente o som tristemente ritmado da velha moenda de cana rangendo ao longe, como um lamento. Contudo, a triste e crua realidade financeira era que aquele enorme engenho encontrava-se hoje completamente e irremediavelmente falido.

As volumosas dívidas acumulavam-se implacável e assustadoramente com o poderoso e temido banqueiro da cidade grande, uma situação desesperadora agravada drasticamente pela terrível e irreparável perda de quase toda a safra de açúcar durante a muito severa e prolongada seca que assolara cruelmente a região no fatídico ano anterior.

Os trabalhadores que ainda restavam na propriedade, um pequeno grupo assustado de cerca de quarenta almas profundamente cansadas e calejadas pelo trabalho, observavam a impressionante chegada do grande recém-chegado com os seus olhos muito arregalados e receosos, vislumbrando claramente na sua tremenda figura a presença de um ser detentor de uma força física quase sobrenatural e temível.

Naquela mesma noite silenciosa, banhada sob a luz pálida de uma maravilhosa lua cheia e redonda que tingia magicamente todos os vastos campos agrícolas de um bonito tom prateado e brilhante, Dona Eulália tomou uma atitude considerada altamente incomum. Ela levou pessoalmente o misterioso gigante até ao interior sombrio do antigo galpão escuro das pesadas ferramentas, caminhando vagarosamente e a sós com ele.

A velha e pesada porta de madeira maciça rangeu prolongada e tristemente ao ser fechada com firmeza, isolando os dois por completo do resto do mundo adormecido e curioso. “O Senhor é indubitavelmente e incrivelmente forte”, disse a respeitável Senhora de forma direta, utilizando uma voz bastante baixa, pausada e serena, absolutamente desprovida de qualquer emoção fingida ou falso afeto reconfortante.

Era uma afirmação feita com base na mais pura constatação factual e carregada de um tom profundamente respeitoso. Zé Alto ergueu o seu olhar profundo e enigmático pela primeiríssima vez desde que fora injustamente comprado na praça. Os seus olhos intensamente escuros pareciam tão fundos e indecifráveis como grandes poços sem fundo, guardando visivelmente memórias de dores caladas e indizíveis para a humanidade.

“Sim, minha Senhora”, respondeu ele de forma muito contida, com uma voz profundamente rouca e cavernosa, demonstrando perfeitamente a obediência e o imenso respeito exigidos pelas rígidas circunstâncias daquela tensa e inusitada interação. Dona Eulália começou a circular lentamente ao redor do imenso corpo dele com passos metódicos, medindo a sua estrutura com uma precisão matemática e friamente calculada.

Não era de modo algum apenas a mera força física avassaladora ou a impressionante beleza bruta e rústica que a sábia viúva buscava enxergar de forma atenta nele. Era algo incomensuravelmente muito mais profundo que isso, tratava-se de uma presença espiritual sólida, incrivelmente robusta e inabalável que parecia singularmente capaz de preencher os enormes vazios estruturais deixados pela ruína financeira de suas amadas terras.

“Amanhã de manhã, muito cedo, o Senhor carregará os pesadíssimos sacos de açúcar refinado da grande moenda completamente sozinho”, determinou a patroa com uma clareza absoluta na voz. Zé Alto apenas assentiu uma única vez, em obsequioso silêncio concordante, mas no fundo dos olhos astutos da viúva brilhava intensamente uma inteligência viva, aguçada e incrivelmente calculista perante as enormes adversidades do momento.

A sua endividada fazenda necessitava de forma absolutamente desesperada de um gigantesco e verdadeiro milagre divino ou, na total ausência deste improvável fenômeno, de um formidável e inteligente truque estratégico de sobrevivência. Os longos e quentes dias rapidamente transformaram-se em exaustivas semanas ininterruptas de profundo esforço. Zé Alto trabalhava de forma magistral e verdadeiramente incessante, desde a madrugada.

Ele executava a sua rotina sem jamais demonstrar o mínimo sinal humano de fraqueza ou cansaço muscular. Pesados e imensos sacos cheios de açúcar que três homens normais, saudáveis e robustos, mal conseguiam, com muito esforço, erguer uns poucos palmos do duro chão batido, ele rapidamente carregava sobre os seus imensos e largos ombros com a invejável leveza de pequeninas e insignificantes penas brancas de aves.

A antiga e cansada moenda de cana passou quase que por milagre a girar a um ritmo consideravelmente muito mais acelerado e eficiente, sendo vigorosamente impulsionada sem cessar pelo vigor descomunal e incansável do impressionante gigante solitário. Os invejosos capatazes daquela vasta fazenda começaram silenciosa e covardemente a cochixar entre si pelos cantos escuros, espantados e receosos com tamanho e assombroso desempenho.

“Aquela esperta viúva sabe rigorosamente e exatamente o que faz”, comentavam eles amargamente, escondidos pelas densas sombras noturnas da varanda e bebendo sua cachaça. No entanto, Dona Eulália permanecia impassível e ainda não sorria. Ela simplesmente passava quase todas as suas solitárias horas observando de forma atenta e silenciosa das altas e imponentes janelas de vidro do velho casarão restaurado parcialmente.

Do seu quarto, ela dedicava-se intensamente a traçar complexos, detalhados e salvadores planos financeiros em finos e frágeis papéis amarelados à fraca e bruxuleante luz de uma solitária vela de cera. Enquanto isso, o formidável e enorme gigante descansava em silêncio na modesta senzala, mantendo o seu corpo imenso dolorosamente dobrado num pequeno, estreito e altamente desconfortável catre de palha e tábuas finas de madeira velha.

Certa manhã chuvosa, densas e ameaçadoras nuvens muito escuras aglomeraram-se no firmamento, e fortíssimos trovões assustadores racharam o vasto céu azul de forma muito repentina. Uma assombrosa e violenta tempestade de fúria descomunal avançou rapidamente vinda diretamente do agitado mar, varrendo velozmente toda a extensa porção de terra local com uma implacável e incalculável violência e destruição avassaladoras.

O largo e caudaloso Rio das Pedras inchou de uma forma impressionante e extremamente veloz, transbordando violentamente as suas margens delimitadas e ameaçando destruir e devastar por completo todas as frágeis e já castigadas plantações remanescentes. Os aflitos trabalhadores corriam desesperados e em pânico total debaixo do forte e gélido aguaceiro tropical, numa tentativa fútil para conseguir reforçar os já muito frágeis e esburacados diques.

Munidos de nada além de muita terra molhada pesada e incontáveis sacos velhos vazios, eles temiam o pior. Exatamente no tenso e perigoso epicentro deste imenso e confuso caos pluvial, encontrava-se incólume a figura de Zé Alto, profunda e perigosamente imerso até à cintura na lama espessa, utilizando as suas enormes e velozes mãos calejadas para abrir vigorosamente e sem pausa enormes e fundamentais valas profundas na terra.

A sua verdadeira e heroica intenção era tentar, a qualquer custo, conseguir desviar desesperadamente toda a brutal fúria contida das turvas e velozes águas barrentas. Dona Eulália, montada com imensa coragem e bravura no seu assustado e escuro cavalo sob a avassaladora chuva torrencial e gélida, gritava plenos pulmões ordens muito precisas e urgentes, num esforço tremendo para coordenar a complexa salvação do seu negócio.

De repente, num forte e claro estrondo divino, um mortífero raio de luz ensurdecedor caiu assustadoramente e muito perto da linha de trabalho deles. Uma antiga, frondosa, imponente e majestosa árvore centenária da propriedade desabou subitamente com um enorme e tenebroso estrondo de destruição, esmagando tragicamente uma porção vital e insubstituível do único dique de proteção que os separava de um alagamento completo e ruinoso.

A imensa e volumosa água do rio invadiu veloz e violentamente a estreita e lamacenta área, provocando imediatos e pavorosos gritos de pânico generalizado e acabando por arrastar brutalmente vários dos corpos dos fracos trabalhadores rurais através da fortíssima, impetuosa e perigosíssima correnteza da enchente que se intensificara rapidamente.

Sem pensar em recuar ou hesitar por um exíguo e valioso segundo, Zé Alto mergulhou resoluto e heroicamente de cabeça diretamente nas revoltas, frias e escuras águas traiçoeiras do rio. Os seus musculosos e gigantescos braços poderosos envolveram rapidamente dois frágeis trabalhadores exaustos que já estavam perigosamente à deriva no rio.

Puxando-os com imenso esforço e técnica exemplar diretamente para as margens firmes e finalmente seguras, ele prontamente assegurou a vida daqueles homens simples. Posteriormente, logo em seguida, o formidável gigante voluntariamente retornou veloz e valentemente às profundezas barrentas e de lá bravamente salvou ainda mais outro colega. Aquela exibição era de fato a força incontida e indomável de um único e corajoso homem formidável lutando corpo a corpo, e com grande sucesso, de maneira heróica, valentemente contra a terrível fúria da própria natureza descontrolada.

Quando a intensa chuva de verão finalmente estagnou e parou de cair e o lindo céu logo clareou abundantemente as nuvens escuras, notou-se o milagre. O incomensurável e épico esforço hercúleo que aquele exausto guerreiro sozinho desempenhara havia miraculosamente salvado e perfeitamente protegido precisamente mais da enorme e preciosa metade de todas as vastas e preciosíssimas plantações do grande e endividado engenho baiano de cana-de-açúcar.

Dona Eulália então desmontou suavemente e com a máxima elegância e agilidade do seu ofegante cavalo ainda muito molhado pelo intenso temporal, aproximou-se corajosamente em passos determinados do grande e exausto gigante ensopado e, por um breve e indescritível instante emocional e muito verdadeiro, pela primeiríssima vez em toda a vida dele na fazenda, tocou levemente.

Ela colocou de forma gentil, respeitosa e repleta de franca gratidão a sua mão aristocrática no duro e musculoso braço negro daquele formidável homem corajoso. “O Senhor realizou e fez um excelente e valoroso trabalho vital hoje”, disse ela de forma admirada e com uma raríssima e tocante sinceridade comovente, sentida no peito, algo nunca ouvido.

Aos poucos as dívidas outrora sombrias, gigantes e temíveis perante o frio banqueiro foram paulatinamente controladas e liquidadas por inteiro através do enorme lucro proveniente do formidável esforço agrário do homem forte. Ele provara incontestavelmente, e de uma vez por todas, o gigantesco valor espiritual do respeito. Da profunda gratidão mútua, Dona Eulália não apenas conseguiu erguer a dignidade caída daquelas produtivas e outrora falidas fazendas agrícolas com extrema astúcia, mas também firmou, de maneira extraordinariamente definitiva, a libertação eterna das almas, garantindo um verdadeiro triunfo.

Diz a bela e cativante lenda local dos camponeses que o destemido gigante protetor e o amado irmão resgatado posteriormente e a brava viúva nunca sucumbiram novamente e deixaram sempre fincadas em cada canto profundo do forte terreno brasileiro as imensas raízes perpétuas do amor, das riquezas infinitas da libertação justa e de promessas muito bonitas firmadas sob o inebriante salgado mar.