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ESCRAVA VIR*EM CONSUMADA 3 VEZES em uma noite! A vingança foi surpreendente

ESCRAVA VIR*EM CONSUMADA 3 VEZES em uma noite! A vingança foi surpreendente

Engenho Santa Cruz do Agreste, Pernambuco, 1847. O peso do coronel Batista de Albuquerque Melo sufocava Efigénia contra o colchão de penas. Era a terceira vez naquela mesma noite, e ela contava os segundos em silêncio, esforçando-se para não perder a razão. A primeira vez rasgara-lhe o corpo como vidro moído; a segunda, pouco depois, fora uma tortura de dor e sangue. Agora, na terceira, o cheiro nauseabundo a aguardente e suor azedo emanava do homem que, na sua arrogância, a tratava como um objeto que acabara de adquirir.

— Quieta, rapariga — murmurava ele, com a voz pastosa pela embriaguez. — Quanto mais te debates, mais o meu prazer aumenta.

Efigénia virou o rosto para o lado, recusando-se a dar-lhe o prazer de a ver sofrer. Foi nesse momento que o seu olhar recaiu sobre o criado-mudo. Ali, sob a luz vacilante de uma lamparina, repousava uma faca de cortar fumo. A lâmina curva brilhava, refletindo sombras que dançavam nas paredes cobertas de papel francês. Ela fixou o olhar naquele metal, como um náufrago que avista a última tábua de salvação antes de se afundar no mar.

O Engenho Santa Cruz do Agreste estendia-se por léguas intermináveis de canaviais. Sob o sol inclemente do sertão, mais de duzentas almas escravizadas despertavam antes do amanhecer. Moíam cana até as mãos sangrarem e cortavam lenha sob o chicote dos feitores. Morriam jovens, consumidas pelo peso de uma vida que, para o Coronel Batista, não passava de uma entrada nos seus livros de contabilidade. Ele governava aquelas terras como um monarca absoluto, herdeiro de gerações que lucravam com o tráfico humano.

Efigénia nascera quinze anos antes, filha de Conceição, a parteira mais respeitada da senzala. Conceição conhecia as ervas que estancavam o sangue e as rezas que acalmavam a alma. Efigénia crescera a observar, aprendendo que a vida na senzala era brutal e breve. Tinha a pele lisa como jambo maduro e olhos grandes que pareciam ver muito além do que lhe era permitido. Curvas perigosas começavam a desenhar-se no seu corpo, atraindo atenções que ela bem sabia serem o prelúdio da desgraça.

Seis meses antes daquela noite, a esposa do Coronel, Dona Eulália, falecera de febre amarela. Com a sua partida, desapareceu a única barreira, ainda que ténue, entre as mulheres escravizadas e a cobiça do senhor. O Coronel passou a rondar, a tocar, a chamar com desculpas falsas. Joana, de dezassete anos, fora a primeira; voltou com o vestido rasgado e o olhar morto, enforcando-se duas semanas depois. Seguiram-se Luzia, Maria das Dores e Benedita. Conceição tratava as feridas das meninas em silêncio, guardando o ódio como uma brasa escondida debaixo de cinzas.

Efigénia sabia que o seu momento chegaria. A mãe avisava-a: — Se ele te chamar, não resistas. Sobrevive. Amanhã pensaremos em fugir.

Mas Efigénia, enquanto amassava as folhas medicinais, já tinha traçado outro destino na sua mente.

Os antagonistas eram três: o Coronel, o capataz Chico Brasa — conhecido por marcar a ferro quente as escravizadas — e Joaquim Corrente, o executor que abafava os gritos.

Naquela noite abafada de setembro, Efigénia e Conceição decidiram partir. A fuga foi difícil, atravessando a mata cerrada. Quando os cães de caça começaram a ladrar, a mãe, exausta e ferida, insistiu para que a filha continuasse sozinha.

— Vai, filha. Se for para morrer, que não seja de joelhos. Conta que a tua avó morreu livre.

Efigénia correu. Correu até os pulmões arderem, atravessando rios e florestas. Quando finalmente parou na segurança da mata, não era mais a rapariga de quinze anos que temia o feitor. Tinha nascido uma guerreira.

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O assassinato do Coronel Batista caiu como uma bomba. Quando encontraram o corpo, os seus homens de confiança, Chico Brasa e Joaquim Corrente, ficaram paralisados perante a prova deixada sobre o criado-mudo: ao lado da faca ensanguentada, repousava o diário do Coronel, onde ele registara, com uma meticulosidade perversa, todos os seus crimes contra as mulheres da fazenda.

A caçada foi implacável, mas a lenda de Efigénia já se espalhara pelas senzalas como um sussurro de esperança. O seu rasto perdeu-se no rio, e muitos deram-na como morta. Mas a verdade era outra.

O dinheiro que ela retirara do quarto do Coronel serviu para comprar o seu caminho até um quilombo remoto no sertão da Bahia. Lá, ela tornou-se uma líder. Ensinou outras mulheres a lutar, a usar a faca não apenas para servir, mas para se defenderem. Organizou ataques a engenhos, libertando centenas de pessoas. Efigénia nunca mais foi vítima.

Esta história, contada pelo eco dos séculos, não celebra heróis, mas presta homenagem à resistência humana. Helena, a esposa do Coronel (que também sofreu o seu próprio calvário de solidão), e Efigénia, a escravizada que desafiou o destino, são partes de um sistema cruel que a todos corrompia.

Hoje, recordamos este relato não para chocar, mas para compreender que, mesmo sob o jugo da tirania mais absoluta, o espírito humano pode recusar-se a ser quebrado. Efigénia ensinou-nos que a liberdade, por vezes, exige um preço altíssimo, mas que o valor de um ser humano nunca pode ser medido por cadeias, por chicotes ou por papéis assinados.

Cada um de nós guarda dentro de si a sua própria força, o seu próprio quilombo, o seu lugar de paz. Espero que esta história, embora antiga, sirva como um lembrete: nunca subestimem a resiliência de quem aprendeu a lutar pela própria alma. Que possamos construir um mundo onde a dignidade seja um direito de nascimento, e não uma conquista escrita a sangue.

A vida é curta demais para se viver acorrentado, seja por ferros ou por medos. Que a memória de Efigénia nos inspire a valorizar cada centímetro da nossa liberdade e a respeitar o caminho, as dores e a força daqueles que caminharam antes de nós. Até ao próximo relato.