
Enquanto o Brasil ainda comemorava a convocação de Neymar para a Copa do Mundo 2026, uma ligação privada mudou completamente o destino do maior craque brasileiro da atualidade. Na última quinta-feira, antes mesmo da lista oficial ser divulgada, Carlo Ancelotti pegou o telefone e ligou diretamente para Neymar Júnior. Ao lado do diretor Rodrigo Caetano, o técnico italiano foi claro, direto e sem rodeios: “Você não será o capitão da seleção, não é titular garantido no momento e quero que reduza drasticamente sua presença nas redes sociais”. O recado foi cirúrgico. Neymar, que lutou meses para voltar a vestir a amarelinha, ouviu tudo em silêncio e respondeu com a humildade que poucos esperavam: “Estou disposto a tudo. Quero ser útil para o grupo, não importam as circunstâncias”.
A conversa, revelada com exclusividade pelo portal GE, mostra um Neymar diferente do astro vaidoso que muitos criticavam. O homem que já foi rei do Paris Saint-Germain e do Al-Hilal, que passou anos cercado de holofotes e polêmicas, aceitou ser apenas mais um no elenco de Ancelotti. Sem capitania. Sem status de titular absoluto. E, principalmente, com ordem expressa para sumir das redes sociais até a Copa. Para o técnico italiano, o excesso de exposição digital pode atrapalhar o foco e a preparação física. Neymar entendeu o recado e, segundo fontes próximas, já começou a cumprir à risca. O que era para ser uma simples ligação de cortesia virou o momento que selou a volta do craque ao Mundial.
Mas o impacto dessa decisão não para na Seleção. Segundo o jornalista Diogo Dantas, do jornal O Globo, Neymar não vai disputar mais nenhum jogo pelo Santos até a Copa do Mundo. Zero. Nada. Os próximos compromissos do Peixe contra San Lorenzo, Grêmio e Deportivo Cuenca serão sem o camisa 10. O próximo jogo que Neymar realmente se prepara é o amistoso da Seleção contra o Panamá, no dia 31 de maio. A explicação é simples e dramática: depois de toda a luta para voltar ao auge físico, o risco de uma nova lesão é alto demais. Imaginem o cenário: Neymar se esforça meses, é convocado, e depois perde a Copa por causa de um carrinho desnecessário em um jogo do Brasileirão? Nem ele nem sua equipe querem correr esse risco.

A torcida santista, claro, está dividida. De um lado, quem entende que é um momento excepcional e que o craque merece proteção. Do outro, quem paga o salário dele e se sente abandonado. “Santos paga, Santos sofre”, gritam alguns nas redes. Mas Neymar, aos 34 anos, sabe que esta pode ser sua última Copa. E ele não vai arriscar. O Peixe, que vive momento delicado na temporada, terá que se virar sem seu principal nome em três jogos decisivos. É um baque enorme para o time que sonhava usar o astro como vitrine para atrair torcida e patrocinadores.
Enquanto isso, nos bastidores do Santos, a diretoria já age rápido. Segundo o jornalista Lucas Musetti, o clube vai liberar três jogadores no meio do ano para aliviar a folha salarial: o zagueiro Zé Ivaldo, o lateral-direito Mike e o meia Zé Rafael. Os três ocupam espaço e salários altos, mas não vêm correspondendo dentro de campo. Mike, especialmente, virou alvo de vaias constantes após a derrota para o Coritiba. Zé Rafael, que chegou cheio de expectativa após passagem pelo Palmeiras, nunca recuperou o nível após cirurgia nas costas. A saída deles abre espaço para contratações e, principalmente, para respirar financeiramente.
O caso de Neymar não é isolado. Danilo, do Botafogo, também está fora até a Copa. Ele já tem 12 jogos no Brasileirão e, se jogar o 13º, perde o direito de transferência nacional. Dois gigantes — Palmeiras e Flamengo — e alguns europeus estão de olho. Botafogo, sabendo disso, decidiu poupá-lo contra o Corinthians com a desculpa oficial de “não estar bem mentalmente”. Na prática, é estratégia para preservar o futuro do jogador.
Do outro lado do Atlântico, a história de Neymar ganha contornos ainda mais emocionantes. Ancelotti já definiu seus capitães: Casemiro, Marquinhos e Alisson. Neymar não entra nessa briga. O italiano foi honesto: “Ainda não vi Neymar treinando. Se ele merecer, será titular”. Ou seja, a bola está com o próprio craque. Nos treinos da Seleção antes da Copa, cada passe, cada movimento e cada atitude vão ser observados com lupa. Neymar, que aceitou o recado sem reclamar, tem agora a chance de calar os críticos que duvidavam de sua forma física e de sua cabeça.
Essa ligação de Ancelotti mostra maturidade de ambos. O técnico, que já conquistou tudo na Europa, não quer estrelismo. Quer um grupo coeso. Neymar, que já viveu de tudo — glórias, lesões, polêmicas, críticas pesadas —, entendeu que, para realizar o sonho final da Copa, precisa baixar a cabeça e trabalhar. Menos stories, menos lives, menos holofotes. Mais campo.
Enquanto isso, o Santos vive o drama de quem tem um diamante em casa mas não pode usar. A torcida do Peixe, que sonhava ver Neymar brilhando até o fim do ano, terá que se contentar com os jogos sem ele. O clube, que paga salário alto, agora torce para que o craque volte inteiro da Copa e ainda consiga ajudar na reta final da temporada. Mas, no fundo, todos sabem: Neymar prioriza a amarelinha. E ninguém pode condená-lo por isso.
A história de Neymar em 2026 é de superação. De um jogador que quase foi dado como acabado, que ouviu que “nunca mais voltaria”, que foi criticado por festa, por lesão, por vida fora de campo… e que agora, com 34 anos, está de volta à Copa do Mundo. Não como capitão. Não como estrela absoluta. Mas como um homem disposto a tudo pelo Brasil. Ancelotti ligou e mudou o jogo. Neymar aceitou e mudou o próprio destino.
O Peixe fica órfão por enquanto. A Seleção ganha um guerreiro. E o futebol brasileiro assiste, boquiaberto, a mais um capítulo da saga de Neymar Júnior. O craque que nunca para de surpreender.