
No Maracanã lotado com mais de 72 mil torcedores, o Brasil massacrou o Panamá por 6 a 0 em um amistoso que começou como um pesadelo e terminou em festa. Mas por trás da goleada histórica, o que realmente está dominando as conversas nas redes e nos programas de TV é o que Felipe Melo e Denilson soltaram em alto e bom som: o primeiro tempo foi preocupante, os reservas mudaram completamente o jogo e Neymar segue no centro de uma polêmica que pode definir o rumo da Seleção rumo à Copa de 2026.
Felipe Melo não poupou palavras. “O primeiro tempo me preocupou até a segunda página”, disparou o ex-volante, com aquela sinceridade que só quem já vestiu a amarelinha sabe ter. Ele destacou que, apesar de o Brasil ter aberto o placar rapidamente com um gol de Vini Jr., o time perdeu o controle do meio-campo. Rafinha, escalado como falso 9, sofria: recebia de costas, perdia bolas em duelos aéreos e permitia que o Panamá crescesse e dominasse espaços perigosos. “Era como se estivéssemos dormindo. Contra Panamá, tudo bem. Mas imagina contra Marrocos, França ou Espanha? Seria trágico”, alertou Felipe Melo, deixando claro que Ancelotti precisa acordar antes que seja tarde.
Denilson, outro ídolo que não mede palavras, completou o raciocínio com precisão cirúrgica. Segundo ele, a virada veio exatamente quando o técnico italiano mexeu no time. A entrada de Mateus Cunha no lugar de Rafinha foi o turning point. “Mateus Cunha fez o que Rafinha não conseguia: segurava a bola no peito, protegia, dava combate e abria espaço para os meias chegarem”, explicou Denilson. E não parou por aí. Igor Thiago, que entrou no segundo tempo, foi outro nome exaltado. “Ele entrega algo que nenhum outro centroavante entrega: segurar a bola. Você joga na direção dele, ele domina com o peito e os meias chegam como um trem”, disse o comentarista, apontando que o garoto do Brentford mudou o ritmo do jogo sozinho.
O que mais chamou atenção foi a análise tática impiedosa. Felipe Melo e Denilson concordaram que o 4-2-4 testado por Ancelotti no primeiro tempo é arriscado demais para uma Copa do Mundo. “Quando a bola é perdida na primeira ou segunda linha, o contra-ataque explode nas costas da defesa. Você corre para trás e sofre”, alertou Felipe Melo. Denilson foi além: “Eu prefiro um 4-3-3 ou até um 4-1-2-3 com Casemiro na frente da zaga, dois box-to-box e três atacantes na frente. Assim o meio fica sólido e os atacantes não precisam voltar tanto para marcar”. Os dois citaram Danilo e Paquetá como os grandes destaques da segunda etapa: “Pulmão, qualidade e marcação. Eles dominaram o meio, triangulavam e jogaram o futebol bonito que a torcida brasileira ama”.
Paulo Nunes, outro convidado do debate, reforçou o coro. Para ele, Neymar é “um grande nome, idolatrado dentro e fora de campo”. Mesmo sem entrar em campo, o craque foi ovacionado pela torcida antes mesmo do apito inicial. “Esse carinho é importante. Mostra que o torcedor quer ele na Copa, mesmo não estando no auge físico. Neymar ainda tem aquele algo a mais que decide jogos”, declarou Nunes. Felipe Melo concordou na hora: “Se Neymar melhorar — e ele vai melhorar —, ele joga. Rafinha pode sobrar, Mateus Cunha assume o lugar e Neymar entra como titular”. Denilson, porém, foi mais cauteloso: “Não acho que ele começa a Copa como titular por causa da condição física atual. Mas vai estar disponível desde o primeiro jogo e pode decidir tudo”.
O debate esquentou quando o assunto chegou aos reservas que brilharam. Felipe Melo foi direto: “Os caras que entraram no segundo tempo mudaram o cenário. Endrick, Danilo, Igor Thiago, Ryan… eles precisam entender que, mesmo começando no banco, podem ser decisivos. Eu vivi isso em Copas: você quer ser titular, mas tem que contribuir para o objetivo final”. Denilson completou: “Hoje, se o Brasil não virasse o jogo, ia ser vaiado. Felizmente os reservas responderam e mostraram serviço”. O único nome que, segundo os comentaristas, tem chance real de virar titular é Danilo Santos, que pode brigar pela vaga de Bruno Guimarães dependendo da formação escolhida.

O Maracanã virou um caldeirão. Quando Vini Jr. abriu o placar com um chute maravilhoso, a torcida explodiu. Depois veio o segundo gol ainda no primeiro tempo, mas o Panamá cresceu e o Brasil recuou. No intervalo, a tensão era palpável. Ancelotti, do banco, via tudo e, segundo os analistas, deve ter passado a noite em claro. A segunda etapa foi outra Seleção: pressão alta constante, meio-campo dominado, triangulações perfeitas e gols saindo em sequência. 6 a 0 no placar final, mas a lição foi clara: o time ainda precisa de ajustes finos para enfrentar seleções de elite.
E Neymar? O astro foi o grande ausente em campo, mas o protagonista fora dele. A torcida cantou o nome dele durante todo o jogo. Felipe Melo lembrou que o carinho do torcedor carrega um peso enorme: “Ele sente o amor e a responsabilidade de dar aquele algo extra que o Brasil precisa há tempos”. Denilson comparou a situação de Neymar com a de Lamine Yamal na Espanha: “Yamal é titular absoluto e deve voltar para o segundo jogo da fase de grupos. Neymar ainda não jogou um minuto sequer com Ancelotti, mas a camisa 10 pesa. Se ele estiver 100%, entra de cara”.
A goleada serviu de laboratório perfeito para Carlo Ancelotti. O italiano convocou cinco meias e nove atacantes, sinalizando que quer fogo no ataque, mas o amistoso mostrou que sem equilíbrio no meio o time sofre. “Ancelotti é um camaleão, adapta-se ao adversário. Lembra a Argentina de Scaloni na última Copa? Perderam para a Arábia Saudita e mudaram tudo: formação, time, estratégia. O Brasil pode fazer o mesmo”, analisou Denilson.
Enquanto isso, a torcida divide-se nas redes. Uns gritam “Neymar titular já!”, outros pedem cautela: “Lesão é lesão, vamos com calma”. O fato é que o Brasil, mesmo goleando o Panamá, saiu do Maracanã com mais perguntas do que respostas. Felipe Melo resumiu o sentimento geral: “Contra times fracos podemos nos dar ao luxo de errar. Na Copa, não. Um erro custa eliminação precoce”. Denilson fechou com chave de ouro: “O segundo tempo mostrou o que o Brasil pode ser. Agora é Ancelotti decidir: mantém o 4-2-4 arriscado ou reforça o meio e coloca Neymar para decidir?”
O hexa de 2026 se aproxima. Estados Unidos, Canadá e México serão o palco. França, Inglaterra, Argentina e Espanha aparecem como favoritas nas casas de apostas. O Brasil? Sempre respeitado, mas ainda com dúvidas. Depois do que Felipe Melo e Denilson falaram, uma coisa ficou clara: o time tem potencial de sobra, mas precisa de ajustes urgentes. Os reservas mostraram que podem virar jogos. Neymar mostrou que ainda é amado e pode ser o diferencial. E Ancelotti tem nas mãos a chance de transformar uma Seleção em campeã.
O torcedor brasileiro sai do Maracanã com o coração cheio pela goleada, mas a cabeça fervendo com as declarações. Será que Ancelotti vai mudar a formação? Neymar vai começar a Copa? Os reservas vão ganhar espaço? As respostas virão nos próximos amistosos e, principalmente, na Copa do Mundo. Por enquanto, o que não falta é debate, paixão e esperança. O Brasil goleou o Panamá, mas a verdadeira batalha ainda está por vir. E o país inteiro já está de olho.