
A tensão na Granja Comary já começou antes mesmo do primeiro treino oficial. Neymar chegou de helicóptero, sorriso no rosto, mas a lesão no tornozelo esquerdo que ele arrastou do jogo contra o Curitiba está deixando a CBF em estado de alerta máximo. O que era para ser uma concentração tranquila virou um verdadeiro quebra-cabeça médico. Enquanto o Brasil se prepara para a Copa do Mundo, dois dos jornalistas mais respeitados do país, Eric Faria e Petkovic, não pouparam palavras e mandaram a real ao vivo: a situação de Neymar é mais delicada do que o Santos está admitindo publicamente.
Tudo começou com o relatório oficial do Santos após o jogo contra o Curitiba. O clube informou à CBF que Neymar tinha apenas “um pequeno edema de 2 mm” e que estava liberado para treinar normalmente, inclusive com carga intensa na Seleção. O médico do Santos, UGE, foi taxativo: “Não é nada que tire alguém de um grande jogo, muito menos de uma Copa do Mundo”. Mas Eric Faria foi direto: “Eu não consigo imaginar o Dr. Rodrigo Lasmar não saber exatamente o que está acontecendo com Neymar”. Petkovic completou: “Se o Santos estiver sendo desonesto, isso vai cair muito mal para o clube. Mas a verdade só vamos ter a partir de hoje, quando a CBF fizer os próprios exames”.
O grande problema, segundo os dois jornalistas, é a falta de transparência. Santos disse que Neymar estava apto a jogar na terça-feira, mas acabou não sendo relacionado. Agora, com o amistoso contra o Panamá marcado para domingo, a pressão aumenta. “Se ele estiver bem, domingo marca duas semanas desde a lesão. Mas se houver qualquer risco, o correto é não arriscar”, afirmou Petkovic. Eric Faria foi ainda mais incisivo: “O que importa não é o jogo de domingo. O que importa é ter Neymar na melhor versão possível em 17 dias, quando o Brasil estreia na Copa. Seja para jogar 30 minutos, 60 minutos ou a partida inteira. Esse é o trabalho da CBF agora”.
Os dois concordam em um ponto crucial: Rodrigo Lasmar, chefe do departamento médico da Seleção, tem um histórico muito próximo com Neymar. Ele acompanhou as cirurgias no joelho, a lesão no dedo antes da Copa da Rússia e o problema recente contra o Uruguai. “Não é possível que Lasmar só esteja descobrindo hoje o que realmente aconteceu”, disse Eric. Petkovic completou: “Existe um código de ética muito rígido entre os médicos. O Santos não mandaria o jogador para a Seleção expondo a CBF em duas horas. Mas 10 dias já se passaram. Se era só um edema pequeno, o tratamento já deveria estar avançado”.
A grande dúvida que paira no ar é: Neymar vai jogar contra o Panamá? Para Eric Faria, a resposta é clara: “Se houver qualquer risco de agravamento, não. Ele ficou 10 dias sem jogar. Colocá-lo agora só para agradar a torcida no Maracanã seria irresponsável”. Petkovic reforça: “O foco tem que ser a Copa. Temos outros 25 jogadores para rodar contra o Panamá e o Egito. Neymar foi convocado para ser o gênio, não para ser testado em amistoso. Deixe o gênio livre”.
E aqui entra o paralelo mais interessante feito pelos dois: Neymar na Seleção de Ancelotti pode ser exatamente como Messi na Argentina. “Messi tem a posição dele e o resto do time se preocupa em cobrir os espaços. Neymar terá a posição dele. O resto tem que se adaptar ao gênio”, disse Petkovic. Eric Faria concordou: “Ancelotti já declarou que vê Neymar como centroavante, quase um falso 9. Ele não precisa ficar caindo para buscar bola como faz no Santos. Quanto mais perto da área, mais perigoso ele fica. O drible imprevisível, a genialidade… tudo isso explode quando ele está próximo do gol”.
A discussão sobre o time ideal também esquentou. Petkovic imagina um Brasil com Alisson, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Casemiro, Bruno Guimarães, Vini Jr., Rafinha e Matheus Cunha. “Wesley deve ser titular na lateral direita, como foi contra a França”, completou. Eric Faria pondera: “Se Neymar for titular, Rafinha e Luiz Henrique brigam por uma vaga. Vini não sai de jeito nenhum. Matheus Cunha também não”. Os dois concordam que Ancelotti tem apenas 14 dias para montar o quebra-cabeça. “Ele passou um ano inteiro fazendo amistosos sem Neymar. Agora começa o trabalho de verdade”, resumiu Petkovic.
Enquanto isso, a torcida vive um misto de ansiedade e esperança. Neymar postou stories sorrindo, mas ninguém sabe ao certo o que os exames de hoje vão revelar. Se o edema for realmente pequeno e o tratamento estiver evoluindo bem, ele pode até ser relacionado para o Panamá — mas com minutos controlados. Se houver qualquer sinal de agravamento, a CBF deve poupá-lo completamente. “O importante não é domingo. É o dia 17 de junho, quando o Brasil entra em campo pela Copa”, repetem Eric e Petkovic.
O clima na Granja Comary é de expectativa máxima. Ancelotti ainda não teve Neymar em campo. O primeiro treino foi apenas um aquecimento leve, com a imprensa afastada. Amanhã o trabalho deve ser mais intenso e as imagens devem vazar. Até lá, o Brasil inteiro prende a respiração. Neymar é o grande diferencial. Ele é o jogador que pode decidir um jogo em um lance de genialidade. Mas também é o jogador mais frágil fisicamente da equipe.

Eric Faria e Petkovic não estão fazendo terrorismo. Eles estão cobrando transparência. Porque o Brasil não pode se dar ao luxo de perder Neymar logo no início da Copa. A lesão assusta, os números preocupam, mas a esperança ainda é maior. Se Lasmar confirmar que o quadro é controlado, Neymar pode chegar à estreia como o grande protagonista que o país tanto espera.
O relógio corre. Faltam 17 dias para o jogo de estreia. Cada minuto de tratamento, cada exame, cada decisão médica agora vale ouro. A CBF sabe disso. Ancelotti sabe disso. E Neymar, mais do que ninguém, sabe que esta pode ser sua última grande chance de brilhar em uma Copa do Mundo com a camisa amarela.
O que vai acontecer nos próximos dias pode definir o destino do Brasil no Mundial. A lesão de Neymar não é só uma notícia. É o assunto que domina o país inteiro. E Eric Faria e Petkovic acabaram de jogar a real na mesa, sem enrolação.