
O VÍDEO VIRAL QUE CHOCOU A INTERNET
Em algum momento de julho de 2025, uma coisa muito estranha começou a acontecer na internet. Vídeos apareceram primeiro num pequeno grupo no Telegram com apenas 11 membros. Esse grupo se chamava Preview. Depois ele foi se espalhando em grupos fechados do Telegram em língua chinesa. Até que ele foi parar em sites gore, aqueles sites especializados em conteúdo chocante que a maioria de nós nunca vai acessar e honestamente nem devia.
E quando a internet viu o que continha nesses vídeos, esta entrou em colapso, porque não era ficção, não era efeito especial, não era mais daqueles conteúdos perturbadores que às vezes vaza por aí, mas que fica aquela dúvida se é real ou não. Na verdade, era um assassinato gravado, editado e organizado em partes e colocado à venda. Tudo como se a vida humana fosse um mero produto.
E o que ainda era mais perturbador é que o homem por trás daquelas câmeras não era um serial killer escondido. Era alguém que a gente nunca imaginaria. Alguém que acordava todo dia, tomava café, ia trabalhar, cumprimentava os vizinhos, alguém completamente normal, ou pelo menos era assim que ele parecia. Antes da gente mergulhar de cabeça nessa história, eu preciso apresentar alguém muito importante nela para vocês. O nome dele é Negun Chuyan Dat. Então eu vou chamá-lo aqui como ele era mais conhecido, como DAT, tá?
Ele nasceu em 10 de março de 1989 numa pequena aldeia na província de Yunganer, no norte do Vietnã. Essa região era uma região simples, interiorana, daquelas que a maioria das pessoas de fora do país nunca vai ouvir falar na vida, a não ser quando esse tipo de coisa acontece. A infância dele não foi nada fácil. O pai dele faleceu ainda quando ele era jovem e a mãe dele tinha problemas de saúde mental grave e não conseguia cuidar dele da forma que precisava.
Então o DAT foi crescendo, dependendo de parentes, se virando como dava e construindo a vida com que ele tinha. Sabe aquele tipo de criança que aprende cedo, que não pode contar com absolutamente ninguém? Pois é, esse era o dat. Em algum momento da vida adulta, ele foi parar em Hanoi, a capital do Vietnã. E aí vocês imaginam, gente, sair daquele lugarzinho pequeno onde todo mundo se conhece, onde, querendo ou não, ele tinha uma certa segurança para de repente ele se vê no meio de uma cidade de quase 8 milhões de pessoas.
Todo mundo correndo para lá e para cá para cuidar das suas vidas, todo mundo ocupado, ninguém com tempo para nada, ninguém realmente vendo ninguém, como na maioria das grandes cidades do mundo. E aí vocês já imaginam, era muita coisa para uma pessoa, ainda mais uma pessoa que vinha de um histórico familiar tão conturbado, uma pessoa que já vinha de uma solidão tão profunda. Mas ele foi e foi lá que, digamos que ele encontrou o seu lugar.
Ele trabalhava como feirante no mercado, tá? Ali da cidade, no bairro onde ele morava. Ele vendia frutos do mar, acordava cedo todo dia, montava sua banca, atendia seus clientes, era muito simpático com todos. E no final do dia ele voltava para casa. Todo dia era a mesma coisa. Era uma rotina simples, bem discreta, que praticamente ninguém notava. Para quem cruzava com ele ali no mercado, ele era só mais um.
Só mais um homem de 30 e poucos anos quieto, que vendia o seu peixe e depois sumia no mundo. E a verdade é que ninguém prestava muita atenção nele, não. E é exatamente por isso que eu vou contar mais à frente algo tão perturbador sobre o DAT, algo que só viria à tona meses depois, após a internet começar a investigar aqueles vídeos que apareceram lá no início do vídeo.
Mas isso é coisa para mais para frente, tá bom? Em julho de 2025, alguns vídeos começaram a vazar na internet, como eu falei lá no início do vídeo. Porque assim, gente, a maioria das pessoas que viram o vídeo ficaram sim chocados. Mesmo quem já tinha alguma curiosidade por esse tipo de conteúdo, que às vezes acessava sites gore por pesquisa, né, por interesse, ver aquilo de verdade era realmente completamente diferente do que quando você tá procurando coisas que você fica na dúvida se é real ou não.
Então sim, esse vídeo abalou até as pessoas que se diziam mais indiferentes a esse tipo de conteúdo, mas é claro que também existiam aqueles que achavam o máximo esse tipo de conteúdo, aqueles que são realmente sádicos e que procuram por aquilo. E foi justamente esse tipo de público que fez com que o material circulasse cada vez mais na internet, principalmente porque o vídeo não era um vídeo só, ele era uma coleção de vídeos, gente.
Ao todo eram 11 vídeos, tá? Nove imagens organizados todos em pacotes divididos em partes, como se fossem capítulos de uma série. E tem um detalhe muito perturbador sobre tudo isso. Essa divisão, ela não era por acaso. Ela foi feita de propósito para criar expectativa, para fazer a gente, a gente querer assistir mais enquanto assistia o primeiro vídeo. Por quê? Porque o primeiro vídeo, ele foi um vídeo, como eu posso dizer para vocês, ele foi um vídeo isca.
Sabe como é que funciona em novela e série ou então numa chamada de filme, num trailer, quando você coloca assim as cenas e faz querer o público querer saber o que que vai vir depois? Pois é, esse primeiro vídeo era mais ou menos isso e este em específico ficou conhecido como o ensaio. Nele a gente vê dois homens num ambiente que parece um escritório. Dá para ver armário e cinza com plantas de plástico em cima, um ventilador de teto.
E no centro da cena tem uma tábua rústica de madeira, daquela de cortar carne posicionada bem no chão. Um dos homens veste uma camisa de estrada e o outro usa um agasalho esportivo com três listras, que muita gente acreditou ser um agasalho da marca Adidas. Sem falar que ele também usa uma máscara do grupo Anônimus, que é aquela mesma máscara que foi utilizada no filme V de vingança, que virou símbolo de movimento hacker.
O homem de camisa de estrada, vocês podem perceber que ele encosta a cabeça na tábua de madeira e fica olhando diretamente pra câmera. E isso é muito bizarro, porque parece sim que ele tá encarando a gente. Enquanto isso, o homem mascarado pega um cutelo grande, levanta no ar e faz o movimento como se ele fosse golpear o pescoço do outro. Mas quando a lâmina chega perto, ele simplesmente para.
Eles repetem esses movimentos algumas vezes, como se tivessem simplesmente ensaiando. E no final do vídeo, os dois se abraçam. Esse detalhe gerou uma enorme expectativa para quem tava assistindo do que que viria depois disso. Porque todos se perguntavam como é que uma cena que parecia caminhar para um ato de violência terminaria em um abraço. E isso gerou um gancho que fazia as pessoas quererem descobrir o que que acontecia no próximo arquivo, no próximo vídeo.
E quem caía nessa curiosidade automaticamente pagava para assistir o próximo vídeo. E aí eu digo, gente, esse era exatamente o vídeo que quase ninguém queria ver, quase ninguém, porque a gente sabe que tem quem queira ver esse tipo de coisa. A câmera agora ela se posiciona de cima para baixo. O mesmo homem da camisa listrada agora, ele tá deitado no chão, no banheiro, sobre uma lona de plástico estendida, claramente colocada ali para conter o que estava prestes a acontecer.
Mas dessa vez vocês podem reparar que o homem que tava com a máscara dos anônimos, ele mudou de máscara para uma máscara cirúrgica descartável, aquele mesmo tipo de máscara que a gente usava na época da pandemia. E o que acontece, gente, a partir daqui eu preciso realmente descrever com muito cuidado. Não pode ser explícito. O homem que tá deitado, ele digamos que começa a se satisfazer até que ele chega no clímax.
E nesse momento o homem mascarado entra no enquadramento com seu cutelo e dá três golpes. O primeiro foi mais forte, mas não foi o suficiente para dar fim a tudo. Então ele vai pro segundo e depois pro terceiro. E sabe o que é mais bizarro de tudo isso? É que tudo isso foi filmado em ângulos diferentes, o que mostrava que existiam várias câmeras posicionadas em espaços diferentes para justamente pegar esses ângulos diferentes para poder depois editar e botar o vídeo na internet.
O terceiro vídeo, gente, já é um vídeo, ai, eu não sei nem como descrever para vocês. Nesse terceiro vídeo, ele aparece separando o homem, sua vítima, com calma, em partes e ele tinha uma calma realmente que era impressionante. As partes foram colocadas em baldes e depois levadas para uma panela industrial de aço inox. E juntamente com essas partes eram colocados ingredientes, temperos e tudo aquilo lembrava na verdade um ensopado tradicional vietnamita com vegetais, ervas medicinais, enfim, coisas que eles geralmente comiam.
E foi então que apareceu uma imagem que ficou registrada na cabeça de todo mundo que viu aquele material. A cabeça do homem que se foi, foi colocada num prato para servir e antes de colocar na panela, o criminoso a segurou. É isso mesmo. Na frente de um espelho e fez uma selfie. E aí que ele cometeu um grande erro, porque nessa foto dava para ver detalhes físicos importantes dele, com uma cicatriz em cima da sua sobrancelha esquerda e uma marca de nascência perto da sua axila direita.
Sem falar que em um de seus bíceps no esquerdo, no caso, tinha os números 1, 3 9. Agora deixa eu explicar algo que é muito importante nessa história, tá? Porque assim, esses vídeos eles não eram gravados só para deleite de pessoas sádicas, não, tá? Eles tinham um objetivo, eles eram snuff movies. O que que é o snuff movie, gente? Vou explicar para vocês, tá? Um snuff movie geralmente é algo que as pessoas elas não acreditam que exista de verdade, mas eles existem.
E esse caso de hoje é a prova disso, porque é nada mais nada menos do que um vídeo que registra um homicídio real com a intenção de ser distribuído para outras pessoas assistirem. E tá muito longe de ser uma ficção e de ser um vídeo com efeitos especiais. É um vídeo real mesmo gravado. E durante muito tempo ele foi visto apenas com uma lenda urbana. Tipo aquelas histórias que todo mundo ouvia falar, mas ninguém tinha prova.
Mas aos poucos foram surgindo vídeos que provavam que esses vídeos realmente não eram uma lenda urbana. Alguns casos vieram quebrando aos poucos essa lenda. O primeiro que eu vou mencionar aqui para vocês foi de Armin Meiwes, um alemão que em 2000 ele conheceu pela internet um homem chamado Bernd Brandes e os dois combinaram de forma consensual que o Armin tiraria a vida do Brandes e o comeria.
Esse vídeo também foi gravado, só que ele nunca foi comercializado. Também existiram outros vídeos, obviamente, que correram na deep web, que, enfim, que nesse mundo vocês sabem que tem muito dessa coisa. Mas o caso do vídeo de hoje, realmente foi o caso que abriu pro mundo que isso era de fato real e que o Snuff ele na verdade tinha como conceito original não só gravar a morte, mas também vender, lucrar com isso.
E por tudo isso, o caso que eu tô contando para vocês hoje, ele ficou conhecido como o açougueiro do Vietnã. Porque diferente dos outros vídeos que circulam na internet, esse caso não foi postado por impulso. Na verdade, ele foi produzido com a intenção de ser colocado na internet e ser vendido. Só para vocês terem noção, gente, o pacote básico custava $100. O pacote em alta definição custava $600.
E ainda existia um pacote personalizado que custava $5.000. É isso mesmo. $5.000, gente, é absurdo demais o nível de sadismo, né? Esse material, ele era vendido não só na deep web, como ele vazou, né, também no Telegram, mas ele também era vendido num site chamado Baidu Tieba, que é basicamente uma espécie de Reddit chinês, uma plataforma de fóruns que existe na internet aberta, ou seja, não precisa chegar na Deep Web para você comprar esse tipo de coisa.
E para mim, o mais perturbador de tudo isso é que para existir oferta é porque existe demanda, existe alguém disposto a pagar. E esse ponto agora que eu vou falar para vocês é um ponto muito delicado, porque ele vai tocar em áreas que vocês realmente não imaginam e são muito sensíveis. Por quê, gente? Porque é costume a gente pensar que quem consome esse tipo de coisa é alguém visivelmente perturbado, alguém que a gente conseguiria assim, digamos que identificar só de olhar, uma pessoa que vive isolada, que tem um comportamento estranho, que claramente foge do convívio social, ou seja, uma pessoa fora dos padrões da sociedade.
Mas não é bem assim não, viu? Porque as pesquisas mostram que o consumo desse tipo de conteúdo violento na internet, ele é maior feito por um perfil de gente que a gente não espera. São pessoas comuns, pessoas que têm emprego, que tem família, que vão à igreja. É, é isso mesmo. Pode ser o seu vizinho, pode ser o seu amigo, pode ser qualquer pessoa que você nem imagina.
E eu digo mais, isso não necessariamente é uma doença, tá? Na verdade, isso faz parte da própria psicologia humana. O problema começa com essa tal curiosidade mórbida que alguns de nós temos e aos poucos as coisas vão naturalmente subindo de patamar. E foi exatamente isso que a internet criou, porque quando aqueles vídeos começaram a circular, eles não ficaram presos apenas nos círculos fechados da Dark Web.
Eles vazaram e pessoas comuns começaram a comprar e ter curiosidade de assistir aquilo. Então, o que que me assusta mais é que não só o fato de que existe pessoas que estão dispostas a assistir, a consumir esse tipo de vídeo, mas também existem pessoas que estão dispostas a financiar esse tipo de produção, provando que esse é um mercado como qualquer um outro, um mercado bem sinistro, mas é um mercado.
Mas felizmente no meio de tudo isso, também teve gente que não ficou só assistindo e se deleitando com aquilo. Teve gente que ficou incomodada e teve gente que quis descobrir quem era aquele homem por trás dos vídeos. E foi assim que um grupo de pessoas decidiu investigar. E o que eu vou começar a falar a partir de agora é uma das partes mais impressionantes para mim nessa história, porque assim, a polícia até então ela não tinha nem se movido sobre tudo aquilo que tava acontecendo.
Não existia nenhuma investigação oficial em andamento, nenhum comunicado, enfim, as autoridades estavam completamente inertes. Então, diante da inércia, um grupo no Facebook chamado OSINT e também um outro chamado Cyber Investigation Vietnam, começou a reunir pessoas dispostas a analisar aquele material frame por frame e detalhar cada detalhe que eles conseguiam ver naquelas imagens.
E foi exatamente isso que eles começaram a fazer. Eles começaram a ver detalhes óbvios primeiro nos vídeos, tipo como o sotaque dos homens, por exemplo, que era claramente vietnamita, o que ajudava a delimitar a área onde aquilo possivelmente aconteceu, que possivelmente teria sido no Vietnã. Depois eles passaram a analisar o modelo do cutelo utilizado no vídeo, que era um utensílio comum, mas que tinha características mais frequentes utilizadas em partes determinadas do país.
Em seguida, eles passaram a analisar o azulejo do banheiro onde tudo aconteceu, que aquele azulejo ele era de padrão de fabricação de uma região ali também do Vietnã. Depois eles foram para uma garrafa de água mineral da marca que era distribuída na mesma região e assim eles iam aos poucos fechando o cerco, porque cada detalhe que eles achavam no vídeo, eles iam afunilando ainda mais a sua busca e aos poucos eles foram chegando cada vez mais perto da região onde aquilo provavelmente aconteceu.
O trabalho, gente, foi tão minucioso que eles chegaram a produzir um documento com 88 páginas, 88 páginas de detalhes que eles acharam no vídeo. E tudo sendo feito por pessoas comuns, sem ajuda da polícia, sem acesso a ferramentas forenses, a mandado judicial, só com observação e muita paciência. E aí teve um momento que mudou absolutamente tudo. Um detalhe que no começo passou sim despercebido e que acabou sendo o verdadeiro ponto de virada nessa história.
Naquela selfie que ele tirou, vocês lembram que eu falei que ele tirou na frente do espelho que apareceram algumas coisas do assassino, apareceu aquela tatuagem com aquelas numerações. Alguém do grupo então decidiu cruzar essa tatuagem com perfis de redes sociais vietnamitas e pá, encontrou. Tinha um homem ali com a mesma tatuagem no braço e mais do que isso, com a mesma cicatriz, aquela cicatrizinha em cima da sobrancelha esquerda.
Não tinha como, gente, depois disso não tinha como não dizer que aquele não era um homem que eles procuravam. Só que tinha uma coisa acontecendo paralelamente a tudo isso. Enquanto esses grupos faziam toda essa busca, tinha um youtuber que tava junto e tava ao mesmo tempo também divulgando no seu canal cada detalhe do que era encontrado nessa investigação.
Porque assim, gente, esse youtuber que acompanhava as investigações que não eram oficiais, o nome dele era Kitu Mo, ele começou a publicar vídeos mostrando as pistas que o grupo ia encontrando. Ele explicava o método, mostrava cada detalhe pro público e os seguidores dele iam acompanhando todas as investigações conforme as coisas iam evoluindo.
Só que assim, quando você publica algo dessa forma, obviamente você tá publicando para pessoas normais, como vocês que estão assistindo aqui esse vídeo, mas também você pode estar publicando pro assassino. Então o assassino poderia estar acompanhando cada detalhe daquela investigação. E foi aí que tudo mudou. Porque quando Kito estava prestes a revelar publicamente quem era o suspeito, ele recebeu uma mensagem, uma mensagem anônima.
Essa era uma ameaça direta, assim, o conteúdo realmente nunca foi divulgado, mas foi o suficiente para ele de repente parar com tudo. Ele parou com tudo imediatamente, mas antes ele publicou um vídeo dizendo que tava encerrando sua cobertura do caso, que não iria mais falar sobre aquilo, que havia motivos pessoais que o impediam de continuar.
Mas antes de sumir, ele fez uma coisa. Ele deixou uma imagem no vídeo, uma imagem borrada, propositalmente editada para não ser legível de imediato. Era o print de uma conversa com informações sobre o suspeito. Ele não revelou o nome e muito menos o rosto, mas o que ele deixou ficou claro que ele tava querendo dizer o seguinte: “Eu sei quem você é”.
E agora, né? Todo mundo tinha aquela pista e a internet pegou aquela imagem e foi em frente, porque as ameaças funcionavam apenas com um indivíduo, né? Ele ficou com medo por ele, pela família dele, mas dificilmente uma ameaça ia funcionar contra uma legião de pessoas na internet. E sabe o que que veio a público depois? Que ao contrário do que todo mundo tava pensando, o assassino ele não tava só acompanhando pelo YouTube, não.
Ele tava, na verdade, gente, infiltrado no próprio grupo de investigação, o grupo que tava caçando ele. Ele tava lá dentro entre eles, sem que eles nem imaginassem, vendo tudo de perto, cada evolução que eles faziam na investigação. E com todo o burburinho que tudo isso gerou na mídia, inclusive com a desistência do youtuber de cobrir o caso, a mídia vietnamita automaticamente também começou a cobrir, porque aquilo ali realmente já tinha alcançado algo muito maior.
Então, a pressão pública fez com que a polícia deixasse de ficar parada e em 25 de novembro de 2025 as autoridades iniciaram formalmente as investigações. Três dias depois, no dia 28, foram até um prédio onde as gravações tinham sido feitas e isolaram o local, o prédio onde tudo tinha acontecido. Eles já sabiam onde isso tinha acontecido.
E no dia 29, o suspeito foi preso. Já no dia 3 de dezembro a polícia convocou uma coletiva de imprensa para falar a identidade do assassino. O nome dele era Doan Van Sang. E quando esse nome veio ao público, a reação das pessoas foi de incredulidade total, porque o Doan ele não era um serial killer vivendo nas sombras. Não, ele não era um homem solitário, ele não era um homem aparentemente perturbado, sem emprego, sem família, e muito menos aquele tipo de pessoa que você cruza na rua e sente um arrepio.
Não, ele era um homem normal. Ele tinha 57 anos, era vice-chefe de equipe de fiscalização de mercado número quatro em Lang Son, a cidade ali que ficava na fronteira do norte do Vietnã com a China. Lembra que as pesquisas chegavam cada vez mais perto dessa área da fronteira com a China? Pois é. Ou seja, gente, resumindo, ele era um homem normal, um funcionário público acima de qualquer suspeita.
O Doan, ele era casado, pai de dois filhos. Para muita gente ao redor dele, ele era aquela pessoa que realmente ninguém nunca colocaria ele naquele tipo de situação, mas tinha um detalhe sobre ele que para as outras culturas era realmente algo, digamos que sinistro, ele tinha um hobby, o que ninguém ali achava estranho, porque na cultura dele era normal. Ele gostava de abater e processar animais com as próprias mãos.
E é aqui que é importante dizer que dentro da cultura vietnamita, principalmente nas regiões mais tradicionais, mais isoladas, isso é visto como algo muito comum. Só que assim como o Dahmer, aquilo pode sim ter despertado algo a mais nele. Ou talvez, na verdade, aquilo ali só era o começo da realização dos desejos dele.
O Doan operava múltiplas contas na Dark Web e foi nesse ambiente que, por volta de 2020, ele conheceu a vítima. Os dois passaram 5 anos, gente, trocando mensagens que a polícia mais tarde as descreveu como muito perturbadoras, muito realmente distorcidas. Foram 5 anos que eles foram construindo uma relação e foram planejando para que isso acontecesse.
E vocês lembram que eu falei para vocês que ele tava dentro do grupo? Quando tudo começou a chegar muito perto dele, teve um detalhe que depois foi revelado pela polícia. Ele colocou lá no grupo a seguinte frase: “Eu sou o executor, quem pode me pegar?” Para ele, aquilo era um verdadeiro jogo. E mesmo sabendo que estavam chegando cada vez mais perto dele, ao invés de ele sumir, apagar os rastros e tentar fugir, ele não.
Ele fez foi provocá-los ainda mais. Mas deixa eu contar mais um detalhe para vocês. Tudo isso aconteceu em um prédio público onde o Doan trabalhava. Ele aproveitou um momento de feriado, tá? Onde o prédio tava vazio, completamente vazio, para fazer tudo aquilo. E a polícia, em busca de provas, ela chegou a levar um caminhão de vácuo, de fossa séptica para procurar o que restava ali, de repente, se ele jogou alguma coisa no esgoto ou coisas mais, né?
E foi aí que aconteceu uma coisa bem mórbida, porque foi só nesse momento que os moradores do bairro foram entender o que já vinha os incomodando durante um tempo. Porque no começo do ano, gente, aqueles moradores na comunidade local ali, eles começaram a se incomodar com um cheiro muito forte, estranho que vinha daquele prédio.
Sem falar que a área estava infestada de moscas e os cachorros da vizinhança de vez em quando apareciam com resíduos de ossos, só que ninguém nunca imaginava que eram ossos humanos. Agora bora voltar um pouquinho à história lá pro comecinho. Vocês lembram quando eu apresentei para vocês o DAT? Eu falei para vocês que ele era um homem simples, nascido numa aldeia pequena, criado por parentes, enfim, que tinha uma mãe com problemas mentais e tudo mais.
O DAT cresceu carregando um peso que a maioria das pessoas ao redor dele nunca enxergou. Quando o pai dele morreu e a mãe dele teve a situação lá da saúde mental e ele simplesmente teve que viver tão pequeno por conta própria, aquilo tudo começou a se tornar um peso muito grande para ele. E quando adulto, ele se mudou e começou a viver uma vida de aparência que por fora parecia que estava tudo bem, mas por dentro não tava.
O DAT frequentava fóruns extremos na Deep Web, aqueles espaços onde pessoas com pensamentos sombrios se encontravam e se reconheciam. E ali eles deixavam fluir o que tinha de pior dentro das suas cabecinhas. E era nesses espaços que ele falava abertamente sobre o desejo que ele carregava desde 2020, eu acho, 2021, de ser decapitado. E não era, gente, uma fantasia passageira.
Era algo que ele documentou, que ele discutia, que ele buscava ativamente por alguém que tivesse disposto a fazer isso por ele. Em mensagens encontradas pela investigação, o DAT deixou o registro como ele se sentia por dentro. Ele dizia que se sentia prisioneiro dentro do próprio destino. E isso, gente, é um retrato de uma pessoa em sofrimento profundo, com problemas psicológicos gravíssimos.
Porque o que foi relatado pela polícia que tudo que ele escrevia era algo realmente muito pesado e que com toda certeza do mundo ele precisava de ajuda, mas infelizmente ele não encontrou ajuda em lugar nenhum. E foi nesses fóruns que ele cruzou com o caminho do Doan e durante 5 anos eles ficaram trocando as mensagens mais absurdas do mundo e construindo todo aquele plano juntos.
E o Doan vendo que o DAT era uma pessoa que tava abandonado pelo sistema, que não tinha família, não tinha ninguém mais, viu naquele homem a oportunidade que ele tinha para realizar os seus desejos mais sórdidos. E exatamente por isso que saúde mental importa e importa muito, porque de alguma forma se alguém tivesse estendido a mão para ele ou tivesse parado para ouvi-lo em algum momento, toda essa história poderia ter sido diferente.
Como vocês sabem, o caso é super recente. O Doan ele foi indiciado por homicídio doloso e agora ele aguarda julgamento. A pena prevista pro que ele fez vai desde a prisão perpétua até a pena de morte. E assim que saiu o resultado do julgamento, eu vou fixá-lo no primeiro comentário aqui desse vídeo. E é isso, pessoal. Esse foi o fato mega sinistro de hoje, que expôs o lado mais sombrio da humanidade que muitos de nós nem imaginávamos que existe. Eu fico por aqui. Não esqueçam de deixar seu like, porque esse vídeo foi muito difícil de gravar porque tá muito calor, tá bom? Eh, é isso. Fica aqui meu muito obrigada e até o próximo fatos sinistros.