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40 anos depois, o que sobrou dos jurados famosos do Cassino do Chacrinha?

40 anos depois, o que sobrou dos jurados famosos do Cassino do Chacrinha?

Carlos Imperial, Rogéria, Pedro de Lara, Paulo Silvino, Araci de Almeida, Russo, Elke Maravilha, Gracinha Copacabana, Índia Potira… Eles brilharam no programa mais famoso do Brasil, julgaram calouros, viraram ícones. Hoje? Esquecidos, doentes, na miséria ou já enterrados.

Um morreu pobre e deprimido depois de ser demitido da Globo. Outra vive sozinha com cachorros num quartinho. Vários lutaram contra câncer e faliram. A fama passou… e deixou quase ninguém pra trás.

O que realmente aconteceu com as estrelas do velho guerreiro?

Artigo completo em português brasileiro:

Quarenta anos após o fim do lendário Cassino do Chacrinha, o programa que reunia música, humor, calouros e jurados polêmicos continua vivo na memória de milhões de brasileiros. Mas enquanto o Velho Guerreiro virou lenda eterna, muitos dos jurados que dividiam o palco com ele tiveram destinos bem diferentes do glamour da época. Alguns morreram esquecidos, outros lutaram contra doenças graves, pobreza e depressão. Este especial reconta a trajetória de dez nomes que fizeram sucesso absoluto nos anos 70 e 80 e mostra como estão (ou como terminaram) hoje.

Carlos Imperial – O jurado polêmico que morreu aos 56 anos

Carlos Imperial tinha cerca de 35 anos quando se tornou jurado fixo no programa de Chacrinha na Globo. Ficou até 1976 e acompanhou o apresentador em outras emissoras. Conhecido por armar brigas falsas com os colegas e até com o próprio Chacrinha para aumentar o ibope, Imperial também foi colunista, apresentador do Clube do Rock nos anos 60 e vereador no Rio. Descobriu talentos como Roberto Carlos e Tim Maia, mas viveu cercado de polêmicas: relacionamento com uma menor 42 anos mais jovem, conflitos com a censura militar e até prisão por atentado ao pudor. Diagnosticado com miastenia grave após complicações de uma lipoaspiração, morreu em novembro de 1992, aos 56 anos.

Rogéria – A travesti mais famosa da TV brasileira

Aos 39 anos, a atriz e cantora Rogéria virou jurada fixa até 1985. Já famosa desde os anos 60 por filmes e novelas, ela se declarava “a travesti da família brasileira” com espontaneidade marcante. Continuou trabalhando em novelas e séries na Globo, lançou biografia em 2016 e faria participação em A Força do Querer. Internada com infecção generalizada em 2017, piorou e morreu em setembro daquele ano, aos 74 anos, vítima de choque séptico.

Pedro de Lara – O rabugento que brigava com Malandro

Entre 1969 e 1972, com 44 anos, Pedro de Lara foi jurado do Buzina do Chacrinha e depois brilhou em outros programas como Show de Calouros (Silvio Santos) e Ratinho. Ator, humorista e compositor, ficou famoso pela rabugice cômica e rivalidade com Sérgio Malandro. Participou de filmes, programas de humor e lançou livros. Diagnosticado com câncer de próstata em 2001, lutou seis anos e faleceu em setembro de 2007, aos 82 anos.

Paulo Silvino – Do jurado ao apresentador substituto

Aos 49 anos, Paulo Silvino foi jurado e, nos últimos meses de vida de Chacrinha em 1988, assumiu a apresentação do programa. Ícone do humor, brilhou em Zorra Total, Escolinha do Professor Raimundo (como o porteiro Severino) e filmes como Até que a Sorte nos Separe. Morreu em 2017, aos 78 anos, vítima de câncer no estômago.

João Cléber – O apresentador que ainda está na ativa

Com apenas 28 anos, João Cléber foi jurado entre 1985 e 1988 e chegou a apresentar o programa nos últimos tempos. Depois passou pelo Fantástico, comandou Eu Vi na TV e Infiel (RedeTV), morou em Portugal fugindo da violência e participou do reality A Fazenda. Aos 68 anos, continua na RedeTV apresentando programas polêmicos sobre relacionamentos.

Araci de Almeida – A sambista rabugenta

Aos 53 anos, a grande sambista Araci de Almeida foi jurada até 1972. Após o declínio da era do rádio com a chegada da bossa nova, encontrou novo fôlego na TV. Amiga de Silvio Santos, que pagou seus tratamentos, adoeceu em 1988 com edema pulmonar, entrou em coma e morreu em julho daquele ano, aos 73 anos.

Russo – O assistente fiel que morreu esquecido

Aos 34 anos, Russo foi convidado por Chacrinha e virou figura indispensável como animador, assistente e parceiro de brincadeiras até 1988. Trabalhou em Domingão do Faustão, Planeta Xuxa, Caldeirão e com Os Trapalhões. Demitido da Globo em 2014 por problemas de saúde (cirurgia cardíaca e AVC), entrou em depressão e morreu em 2017, aos 85 anos, por falência múltipla de órgãos.

Elke Maravilha – A exótica que morreu endividada

Aos 29 anos, a alemã (que dizia ter nascido na União Soviética) Elke Maravilha foi jurada de 1974 a 1988. Modelo, atriz e figura extravagante, fez teatro, cinema e TV. Gastou muito com produção e doações, acumulou dívidas e precisou vender seu acervo. Morreu em 2016, aos 71 anos, por falência múltipla de órgãos após reação ruim a medicamentos.

Gracinha Copacabana – Da chacrete ao anonimato com cachorros

Entre 20 e 30 anos, Gracinha dançou como chacrete de 1979 a 1988. Após a morte de Chacrinha, ficou perdida, gastou o dinheiro com a família e se afastou dos parentes. Em 2023, reportagem da Record mostrou sua realidade: vivia com vários cachorros, trabalhava num pet shop e sobrevivia com dificuldade. Aos cerca de 70 anos, segue discreta e longe dos holofotes.

Índia Potira – A chacrete mais cobiçada que viveu altos e baixos

Em 1969, Glória Maria (Índia Potira) se tornou uma das chacretes mais desejadas. Deixou o programa em 1979, enfrentou problemas financeiros, envolveu-se com um traficante, foi presa por quatro anos por associação ao tráfico e admitiu ter usado drogas e dormido com homens por dinheiro. Lutou contra câncer de mama, fez pequena participação em Amor à Vida e morreu em julho de 2023, aos 76 anos.

O fim do Cassino do Chacrinha marcou o encerramento de uma era dourada da televisão brasileira. Muitos jurados e chacretes, que viveram o auge da fama, terminaram esquecidos pela indústria. Alguns tiveram mortes precoces, outros lutaram contra doenças, depressão e pobreza. Suas histórias servem de alerta sobre a efemeridade da fama na TV.

Hoje, quando revisitamos os vídeos antigos, vemos não apenas entretenimento, mas pessoas reais que, como qualquer um, enfrentaram alegrias, crises e o peso do tempo. O legado de Chacrinha continua vivo, mas o destino de seus jurados mostra o lado humano e muitas vezes cruel da vida artística.

Qual dessas histórias mais te emocionou ou surpreendeu? Lembra de algum jurado ou chacrete que não citamos? Comente abaixo sua opinião. Acompanhe nosso portal para mais reportagens sobre ícones da TV brasileira, bastidores da fama e o antes e depois de celebridades que marcaram época.