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ANCELOTTI TÁ PENSANDO EM MUDANÇA GRANDE!!

O segundo tempo do Brasil contra o Panamá foi claramente superior ao primeiro, e isso não passou despercebido nem para Carlo Ancelotti. Após as mudanças no intervalo, a seleção brasileira mostrou outro rosto, criou mais chances e converteu melhor as oportunidades. Na coletiva, o técnico italiano foi sincero: “Com certeza eu posso pensar em mudanças depois do que aconteceu no segundo tempo, porque o Brasil jogou muito melhor, criou muito mais e fez o dobro de gols”. Essa declaração abriu espaço para um debate necessário sobre o que realmente convenceu ou decepcionou nesses amistosos de preparação para a Copa do Mundo de 2026.

Amistosos sempre carregam limitações. Outro dia, a Argentina enfrentou a Mauritânia em uma Data FIFA e, da mesma forma, a Alemanha enfrentou a Finlândia, um time limitado tecnicamente. Não é diferente com o Brasil. O Panamá, mesmo sendo uma seleção modesta, apresentou resistência no primeiro tempo e chegou a ser melhor que o Brasil em alguns momentos. Já os Estados Unidos, por exemplo, tiveram dificuldades contra o Senegal, mas conseguiram reagir. O importante para a Seleção Brasileira, neste momento, é observar a evolução coletiva. Com quase duas semanas até a estreia, o time ainda tem tempo de crescer.

O que mais chamou atenção foi o desempenho de alguns jogadores que entraram no segundo tempo. Danilo, especialmente, reforçou sua candidatura a uma vaga de titular. Versátil, rápido, com boa saída de bola, chegada à frente e inteligência tática, ele consegue atuar em várias funções do meio-campo. Já foi volante, segundo volante, meia e até se aproxima da área com perigo. Para muitos analistas, Danilo é o jogador mais completo do meio-campo brasileiro atualmente. Não seria surpresa vê-lo formando trio com Paquetá e Bruno Guimarães, dando mais equilíbrio ao time em jogos contra seleções que dominam a posse de bola, como a Espanha.

Paquetá também entrou bem e mostrou o que pode oferecer. Com visão de jogo, capacidade de criar espaços onde aparentemente não existem e boa técnica, ele pode ser o terceiro homem de meio-campo que o Brasil precisa. A combinação entre Paquetá e Danilo no segundo tempo funcionou, circulando a bola com rapidez e inteligência. Essa dupla pode ser a solução para momentos em que o time precisa de mais controle no meio.

O primeiro tempo, por outro lado, deixou dúvidas. Apesar de Vinicius Júnior ter chamado a responsabilidade, marcado gol e dado assistência, o time como um todo esteve abaixo do esperado. Rafinha, especialmente, teve uma atuação ruim. Acostumado a jogar aberto pelo lado no Barcelona, ele foi deslocado para uma função mais centralizada ao lado de Vinicius, com menos obrigações defensivas. Não se adaptou. O Panamá explorou espaços e criou perigo, mostrando que o 4-2-4 utilizado por Ancelotti ainda precisa de ajustes na recomposição.

Essa é uma das grandes questões táticas que Ancelotti enfrenta. O sistema com quatro atacantes exige que meias e pontas recuem com precisão quando o time perde a bola. No primeiro tempo, isso não aconteceu de forma eficiente, deixando buracos na estrutura. No segundo tempo, com mais jogadores de meio-campo, o time ficou mais equilibrado. Danilo e Paquetá ajudaram a fechar linhas e a dar suporte tanto na defesa quanto no ataque. Ancelotti já admitiu que o segundo tempo gerou “dúvidas positivas” e que isso é bom para o processo.

O técnico italiano ainda não tem um time titular definido. Lesões atrapalharam a sequência de trabalho. Militão, Estêvão, Rodrigo e outros ficaram fora em diferentes momentos. Marquinhos e Gabriel Magalhães não jogaram contra o Panamá por causa da final da Champions League. Nas laterais, Ancelotti testou Wesley e Beraldo. No gol, revezou Alisson, Ederson e Bento. Essa instabilidade torna natural que ele faça observações até a estreia contra o Marrocos.

Danilo aparece como uma das grandes revelações dessa reta final de preparação. Convocado mais recentemente, ele aproveitou as oportunidades. Fez gol, deu assistência indireta e mostrou personalidade. Sua capacidade de jogar em diferentes funções permite que Ancelotti pense em um meio-campo mais povoado sem perder poder ofensivo. Paquetá, que nem estava na última convocação antes desta, também se garantiu. Ele cria jogadas onde não há espaço, característica que lembra jogadores como Odegaard, e pode se tornar titular durante a Copa.

Casemiro segue como peça importante e capitão, mas Bruno Guimarães, apesar de admirado por Ancelotti, pode sentir a concorrência de Danilo. O meio-campo brasileiro vive um momento de transição. O técnico sabe que contra equipes mais fortes será necessário mais equilíbrio. Abrir mão de um dos quatro atacantes para reforçar o meio pode ser a principal mudança conceitual que Ancelotti está considerando.

Rafinha segue sendo um caso à parte. Seu talento é inegável, mas a adaptação à função proposta por Ancelotti não foi boa. O treinador pode inverter posições, colocando Rafinha mais aberto pela esquerda, como faz no Barcelona, e deixando Mateus Cunha mais solto por dentro. Essa inversão já é cogitada internamente. O importante é que o jogador encontre o posicionamento ideal, pois contra o Panamá, em um jogo teoricamente fácil, ele esteve muito abaixo do nível que apresenta no clube.

Ancelotti demonstrou humildade na coletiva ao reconhecer que o segundo tempo trouxe novas perspectivas. Ele valorizou a atitude dos reservas, mas também fez a ressalva de que o Panamá já estava cansado e modificado. Essa sinceridade ajuda a construir confiança no grupo. O técnico não chega com um time fechado. Diferente de outros ciclos, ele precisa montar a equipe em cima de lesões e convocações de última hora.

O Brasil ainda vai evoluir bastante até a estreia. Os treinamentos nos Estados Unidos serão fundamentais. Contra o Egito, Ancelotti deve fazer uma ou duas mudanças para observar o comportamento do time com Danilo ou Paquetá entre os titulares. Marquinhos e Gabriel Magalhães voltam à zaga, o que já altera a estrutura defensiva. O objetivo é chegar mais equilibrado para enfrentar Marrocos, um adversário que vem crescendo e promete complicar.

O que fica claro é que o processo está em andamento. Não dá para se empolgar demais com o segundo tempo contra o Panamá, assim como não se deve dramatizar o primeiro tempo. Amistosos servem exatamente para testes. O importante é que o Brasil mostrou capacidade de reação, que alguns jogadores aproveitaram as oportunidades e que Ancelotti está aberto a ajustes táticos.

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Danilo surge como o grande nome dessa fase. Sua onipresença no meio-campo, capacidade de chegar à frente e versatilidade podem mudar o desenho da equipe. Paquetá complementa bem esse perfil. Juntos, eles dão ao time mais opções de construção e proteção. Se Ancelotti optar por um meio-campo mais robusto, o Brasil pode se tornar uma equipe mais difícil de ser batida, mesmo que precise abrir mão de um atacante.

A torcida brasileira, como sempre, espera o melhor. A chegada da seleção aos Estados Unidos e o ambiente positivo nos treinos ajudam a construir expectativa. Ancelotti tem nas mãos um grupo talentoso, mas ainda em formação. As dúvidas que surgiram após o jogo contra o Panamá são positivas, como ele mesmo disse. Elas mostram que o técnico está atento e disposto a evoluir.

O caminho até a Copa ainda é longo, mas os sinais do segundo tempo contra o Panamá foram animadores. Com ajustes táticos, reposicionamento de peças-chave como Rafinha e consolidação de jogadores como Danilo e Paquetá, o Brasil pode chegar à estreia com uma cara mais definida. O importante é manter a evolução coletiva e aprender com os erros do primeiro tempo.

Ancelotti tem demonstrado que conhece o futebol brasileiro e que está disposto a adaptar suas ideias à realidade da seleção. Essa flexibilidade pode ser o diferencial em uma Copa aberta, sem favoritos claros. O segundo tempo contra o Panamá deixou claro que o potencial existe. Agora é transformar esse potencial em consistência.