
A Copa do Mundo 2026 já mostra seus primeiros grandes destaques e o contraste com a situação de Neymar Júnior na Seleção Brasileira fica cada vez mais evidente. Enquanto Lionel Messi, aos 38 anos (quase 39), fez um hat-trick impressionante pela Argentina contra a Argélia, Mbappé brilhou com dois gols pela França contra o forte Senegal (atual campeã africana) e Haaland marcou duas vezes na goleada da Noruega, o principal nome brasileiro ainda luta para recuperar ritmo e condição física. Mauro César Pereira, Flávio Prado e outros jornalistas debateram o tema com franqueza, destacando que o Brasil tem problemas muito mais urgentes do que a recuperação lenta de Neymar.
Mauro César Pereira foi direto: “Neymar já foi o grande astro, mas acho que não é mais. Ele nem deveria estar lá.” Para o jornalista, a permanência de Neymar na delegação serve mais como cortina de fumaça do que como solução real. Enquanto o mundo assiste craques em plena forma decidindo jogos, o Brasil discute um jogador que não toca na bola há quase um mês. “Isso tudo só serve para não falar dos problemas reais da Seleção”, completou.
O contraste de idades e desempenho é gritante. Messi, mesmo mais velho, chegou voando e assumiu responsabilidade, marcando gols de alta dificuldade que mostram liderança e qualidade técnica. Mbappé, em um jogo duríssimo contra o Senegal, foi decisivo com velocidade e finalizações precisas. Haaland, estreante em Copas, já balançou as redes duas vezes. Neymar, com 34 anos, ainda tenta recuperar ritmo após lesão na panturrilha e um longo histórico de problemas físicos, especialmente após a grave lesão no joelho em 2023.
Flávio Prado reconheceu a fragilidade atual de Neymar. “Ele tem uma condição física muito frágil há um tempo, principalmente depois da lesão no joelho.” Para ele, nunca foi realista imaginar Neymar como titular absoluto voando em todos os jogos. A Seleção deve se organizar independentemente do craque, que seria uma opção extra para momentos específicos, como quando o time precisar de um gol ou de inspiração em jogos difíceis.
A convocação de Neymar gerou muita polêmica. Parte dos jornalistas, como Mauro, sempre considerou um erro. Outros, como Flávio Prado, defendiam a ideia por ser uma competição curta, com 26 jogadores, onde um talento diferenciado pode ser útil mesmo em minutos limitados. “Eu prefiro apostar no talento acima da média e na experiência dele do que em um jovem que ainda pode não render”, explicou Flávio. A comparação com o caso de Suárez no Uruguai foi citada: mesmo com problemas físicos, o jogador foi levado por seu impacto potencial.
A informação atual é que Neymar dificilmente jogará contra a Escócia. O planejamento é preservá-lo para a fase de mata-mata, quando (se o Brasil se classificar) ele poderia ter mais ritmo. Mas isso gera outra preocupação: Neymar entraria na segunda fase sem ter disputado jogos da Copa, sem tirar o peso da estreia e sem ritmo de competição, enquanto adversários já estarão mais entrosados e com confiança elevada.
Ancelotti tem desafios maiores do que gerenciar Neymar. A Seleção ainda não encontrou um time ideal. Problemas defensivos, falta de pressão eficiente, dificuldades na transição e dependência excessiva de individualidades precisam ser resolvidos com urgência. O jogo contra o Haiti, que exige vitória convincente, será um teste importante para ajustar o funcionamento coletivo.
Danilo, em coletiva, elogiou Hendrick e reforçou a importância de dar espaço aos jovens. O capitão destacou a qualidade do atacante, sua potência e estrela, pedindo paciência e apoio para que ele ganhe protagonismo. Hendrick tem impressionado nos treinos com chutes potentes e gols, parando atividades em alguns momentos.
A Seleção busca equilíbrio. Não adianta ter ataque veloz se a defesa seguir exposta, como visto contra o Marrocos. Casemiro e Rafinha também foram criticados por atuações abaixo do esperado em jogos anteriores. Ancelotti precisa decidir se insiste em nomes experientes ou dá mais espaço à juventude com Hendrick, Ryan e outros.
O ambiente no CT mistura otimismo com realismo. Neymar treinando com chuteiras gera esperança para parte da torcida, mas os jornalistas pedem cautela. Sua presença à beira do campo contra o Haiti já motiva, mas o foco deve ser o coletivo. A Copa está apenas no início e grandes decisões ainda virão.
Messi mostrou que idade não é obstáculo quando o talento e a preparação são mantidos. Mbappé e Haaland representam o novo padrão de força física e decisão. Neymar, mesmo com talento histórico à altura dos dois, paga caro pelo histórico de lesões e desgaste. O planejamento cauteloso da comissão técnica é compreensível, mas gera risco de ele chegar à fase decisiva sem ritmo.
Flávio Prado comparou a fase atual da Copa a um “trailer” ou pré-temporada. Os jogos realmente importantes começam nas oitavas de final. Até lá, o Brasil tem tempo para ajustar o time, definir papéis e, quem sabe, contar com Neymar em condições melhores. Mas a pressão por resultados contra o Haiti é grande.
A torcida brasileira vive entre esperança e cobrança. Alguns acreditam no milagre de Neymar brilhando novamente, outros pedem foco no coletivo e na nova geração. Ancelotti tem a difícil missão de conciliar tudo isso e montar uma equipe competitiva.
O debate continua acalorado. O contraste com os craques que já brilham serve como alerta: a Seleção precisa resolver seus problemas estruturais com urgência. Neymar é parte da história, mas não a solução única. O futuro da campanha depende de equilíbrio tático, intensidade coletiva e decisões corajosas do treinador.
Enquanto Messi, Mbappé e Haaland lideram seus times com atuações decisivas, o Brasil busca encontrar seu caminho. A preparação segue, Neymar evolui devagar e a nação espera que o hexa seja construído com inteligência, trabalho e talento coletivo. O jogo contra o Haiti será o primeiro grande passo nessa jornada.