
Todos que me mandaram mensagens encorajadoras muito bonitas. Eva Vilma morreu há 5 anos e seu filho finalmente quebra o silêncio. Ela morreu às 22h08 de um sábado, 15 de maio de 2021, num quarto da UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, sozinha com os monitores, com os médicos e com o silêncio pesado de quem já não tem mais luta a dar. Eva Vilma Reifel Buckup Zaratini, 87 anos, uma das maiores atrizes que o Brasil já produziu. Um nome que qualquer brasileiro de qualquer geração reconhece, seja pelas gêmeas Rut e Raquel de “Mulheres de Areia”, seja pela vilã altiva de “A Indomada”, seja por Din em “A Viagem”, seja por qualquer um dos 40 personagens inesquecíveis que ela construiu ao longo de quase sete décadas na televisão, no teatro e no cinema.
Foi embora em oito dias. Oito dias do diagnóstico à morte. Oito dias entre descobrir que tinha câncer no ovário e parar de respirar. Oito dias que precisam ser contados com todo o peso que têm, porque nenhuma reportagem, nenhum post, nenhum obituário apressado conseguiu capturar completamente o que foi aquela despedida. E agora, cinco anos depois, o filho John Herbert Júnior finalmente falou com uma honestidade que vai tocar o coração de qualquer pessoa que já perdeu alguém. Ele revelou detalhes sobre a relação com a mãe que não aparecem em nenhuma biografia, o que foi crescer filho de Eva Vilma, tudo que esse privilégio teve de incrível e tudo que teve de doloroso. Fica até o final, porque tem uma parte dessa história que vai te deixar em silêncio por um longo momento.
São Paulo, 14 de dezembro de 1933. Nasce Eva Vilma Reifel numa cidade que ainda se encontrava. Pai Oto Reifel Júnior, alemão da Floresta Negra, metalúrgico que chegou ao Brasil em 1929. Mãe Luísa Carp, argentina filha de judeus ucranianos que fugiram das perseguições. Da mistura improvável desses mundos distantes nasceu Eva, com sangue de quatro continentes nas veias, uma presença que a câmera percebia antes mesmo de qualquer diretor. Com 14 anos já era bailarina clássica de verdade. Chegou a ser aprovada para o “Holiday on Ice”, mas os pais não deixaram. Em 1952, aos 19 anos, estreou no teatro na peça “Uma Mulher e Três Palhaços”, ao lado de John Herbert, o homem que seria o amor da vida dela, pai dos filhos e parceiro de uma era.
Casaram em 1955. Começava uma das histórias mais fascinantes da televisão brasileira. “Alô, Doçura!” foi ao ar durante quase 10 anos, ao vivo, sem gravação, sem reprise, com toda a pressão e a magia do direto. Eva aprendeu televisão ali, enquanto era esposa, mãe e construía uma carreira que mudaria o país. Nasceram Vivian e John Herbert Júnior. A filha seguiu pelas artes, o filho se tornou músico. O casamento durou 21 anos, até 1976. Duas décadas de arte, filhos, projetos juntos e o desgaste que separa casais mesmo quando o amor foi grande.
John Herbert Júnior, décadas depois, foi honesto sobre o que foi crescer com uma mãe como Eva Vilma. No Dia das Mães de 2021, seis dias antes da morte dela, ele publicou uma homenagem que parou quem leu. Disse que a mãe não o acordava para a escola, não fazia café da manhã, não preparava almoço, de vez em quando jantava junto. Enquanto isso, ela construía uma das maiores carreiras da televisão brasileira. Não era reclamação. Era verdade adulta, madura, sem amargura. Era reconhecer que ser filho de uma artista extraordinária traz privilégios culturais enormes, acesso à arte, conversas profundas, mas também ausências que uma criança sente e que um adulto entende como preço da grandeza.
Em 15 de abril de 2021, Eva foi internada com problemas cardíacos e renais. Estava consciente, respirando sozinha, estudando roteiro para o filme “As Aparecidas”. Uma atriz de 87 anos, na UTI, ainda pensando em trabalho. Era o oxigênio dela. Em 8 de maio veio o diagnóstico devastador: câncer de ovário disseminado, encontrado por acaso durante os exames. O câncer silencioso, que em 80% dos casos é descoberto tarde demais. O tempo ficou curto. Oito dias depois, em 15 de maio, às 22h08, Eva Vilma partiu por insuficiência respiratória.
John Herbert Júnior carregou aquele luto de filho. Nos anos seguintes, homenageou a mãe em datas marcadas. No segundo aniversário, foto simples sobre a ausência. No terceiro, vídeo do show “Casos e Canções”. No quarto, o momento de “A Cigarra e a Formiga”. E no quinto ano, em 2026, veio a palavra completa. Ele falou sobre as noites em que a mãe chegava tarde dos ensaios, fins de semana de espetáculos fora, o vazio de uma casa onde os pais eram artistas com agendas intensas. Falou do amor imenso que existia dentro daquelas ausências, da maturidade de conseguir segurar admiração e saudade ao mesmo tempo, sem precisar escolher.
O show “Casos e Canções”, iniciado em 2020, foi um presente. Ele ao violão, ela cantando com aquela leveza de quem incorporou a música na vida. Era reparação, tempo de qualidade, mãe e filho simplesmente estando juntos, sem pressa. John disse que aqueles momentos foram um presente que não esperava, que a vida oferece chances de recuperar o que o tempo levou. Eva perdeu os dois maridos antes: John Herbert em 2011 e Carlos Zara em 2002. Sobreviveu aos amores, aos filhos, aos netos Miguel, Mateus, Gabriela, Francisco e Vitório. E morreu como viveu: com a arte pulsando.
Eva Vilma deixa 40 novelas, 26 minisséries, 37 peças, mais de 20 filmes, 68 anos de carreira. Deixa a Indomada, as gêmeas de “Mulheres de Areia”, Din de “A Viagem” e tantos outros personagens que marcaram gerações. Mas o que John Herbert Júnior revelou foi a mulher por trás dos papéis: complexa, dedicada até o fim, humana em suas ausências e grandiosa em sua entrega à arte.
A saudade é o amor que fica. Cinco palavras que resumem tudo. Eva Vilma não foi embora completamente. Continua reverberando nas reprises, nas memórias, nos filhos que carregam sua herança. John, ao romper o silêncio cinco anos depois, deu ao Brasil um retrato honesto de uma das maiores atrizes que já tivemos: não perfeita, mas inteira, apaixonada e inesquecível.
Você acompanhou a carreira de Eva Vilma? Qual personagem marcou mais você? O que achou da homenagem sincera do filho? Deixa nos comentários. Se essa história te emocionou, curta, compartilhe e se inscreva para mais relatos profundos como esse. A arte de Eva Vilma vive. E o amor de um filho que entendeu a mãe na complexidade toda também.