
Eu não desejo que mulheres passem o que eu passei e não quero agora falar sobre isso porque na época eu fui muito julgada, muito condenada. Essas palavras, ditas pela modelo Renata Banhara anos atrás, resumem parte da turbulenta trajetória de Frank Aguiar, um dos maiores nomes do forró nos anos 90 que viu sua carreira desmoronar no auge, mergulhar em acusações graves, escândalos políticos e um longo período de esquecimento público. Hoje, aos 55 anos, o cantor vive recluso em uma mansão em São Bernardo do Campo, distante dos holofotes que um dia o consagraram como Rei do Forró, mas ainda sonhando com um retorno à política e aos palcos.
Nascido em 1970 em Itainópolis, no Piauí, Frank Aguiar é o caçula de uma família humilde com seis irmãos. Sua paixão pela música começou cedo. Aos 6 anos, ganhou do pai sua primeira sanfona e, mesmo sem imaginar, ali nascia o caminho que o levaria ao sucesso. Aos 15 anos, mudou-se para Teresina contra a vontade dos pais para estudar Licenciatura em Música na Universidade Federal do Piauí. Sem condições de pagar a mensalidade, convenceu o padre do colégio diocesano a deixá-lo estudar de graça prometendo tocar na missa todos os dias. Essa determinação marcaria sua vida.
Aos 22 anos, Frank tomou a decisão mais corajosa: mudou-se para São Paulo com apenas uma mochila e uma marmita feita pela avó, após três dias de ônibus. Na metrópole, estudou Direito e começou a tocar em bares e churrascarias. Muitos shows terminavam no prejuízo, mas ele persistia. Em 1993, gravou seu primeiro álbum, “Tudo por Amor”, que explodiu com hits como “Morango do Nordeste”, “Casado, também namora”, “Mulher Madura” e “Esperando na Janela”. O sucesso foi imediato. Frank emplacou turnês internacionais nos Estados Unidos, Japão, China e Europa, tornou-se presença constante no “Domingo Legal” e no “Domingão do Faustão”, ganhou seu próprio programa na RedeTV e chegou a ser indicado ao Grammy Latino em 2010. Vendeu cerca de 15 milhões de CDs e se consolidou como um dos maiores nomes do forró brasileiro, conhecido pelos gritos espontâneos no palco — o famoso “cãozinho dos teclados”.
No entanto, como nem tudo são flores, a carreira de Frank Aguiar logo enfrentou polêmicas que abalaram sua imagem. Uma das mais comentadas envolveu as irmãs Simone e Simaria, que atuaram como backing vocals dele por sete anos, desde os 12 e 14 anos, conhecidas como “as pirralhinhas”. Em 2019, Frank revelou que pagava apenas R$ 200 por show para cada uma, mesmo com agendas intensas de até 40 apresentações por mês. Anos depois, Simone contou em programa de televisão que foi demitida após pedir que um motorista amigo as levasse para casa. Frank ligou para a mãe delas às 5h da manhã comunicando a demissão. As irmãs seguiram carreira solo e conquistaram o Brasil, enquanto Frank afirmou que o ciclo simplesmente havia se encerrado e que ele servira apenas como “ponte” para elas.
A polêmica mais grave, porém, foi a acusação de agressão feita pela ex-esposa Renata Banhara. Casados entre 2003 e 2005, o casal teve um filho, Breno. Renata denunciou publicamente que sofreu violência doméstica, inclusive enquanto grávida, chegando a ter a perna quebrada. Ela contou que funcionários presenciavam as agressões, mas eram ameaçados de demissão caso falassem. Socorrida por uma amiga, Renata precisou tomar anti-inflamatórios sem saber da gravidez e ainda ficou com uma conta hospitalar de R$ 700, paga ao vivo pela apresentadora Astrid Fontinelli. Frank sempre negou as agressões, dizendo que nunca bateu nela e que as acusações prejudicaram gravemente sua carreira. Anos depois, Renata surpreendeu ao dizer que havia tido uma “amnésia ótima”, perdoado o ex-marido e que hoje eram “grandes amigos”, afirmando que ele era um bom pai.
A vida pessoal de Frank Aguiar também foi marcada por turbulências. Após o fim do casamento com Renata, ele se casou com Aline Rocha, com quem viveu quase 18 anos. A separação foi dolorosa e, segundo ele, contribuiu para um longo período de depressão e falta de inspiração. Em 2013, após um show no Acre, experimentou ayahuasca e teve uma forte experiência espiritual. “Foi como se eu tivesse feito 10 anos de terapia”, disse. A partir dali, começou um processo de despertar espiritual, passou a conduzir rituais de ayahuasca em casa e mudou seu nome para Luz Aguiar, afirmando que Frank era apenas um nome artístico.
Em 2006, Frank entrou na política e foi eleito deputado federal por São Paulo com mais de 140 mil votos. Renunciou ao mandato para assumir a vice-prefeitura de São Bernardo do Campo em 2007. Seu período na política foi marcado por controvérsias. Ele idealizou a “Mostra Nordeste Brasil” e recebeu R$ 2,5 milhões do Ministério do Turismo, mas o instituto responsável não prestou contas corretamente, gerando pedido de devolução de recursos. Frank se defendeu dizendo que o evento foi um sucesso e que o problema foi da instituição. Em 2014, às vésperas das eleições, seu nome foi envolvido em um inquérito sobre lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas através de um amigo chamado Jabá. Ele negou qualquer irregularidade, chamou o caso de “terrorismo eleitoral” e disse ser apenas vizinho do acusado. Tentou voltar à política em 2018 pelo Piauí, mas não obteve sucesso.
Depois de anos afastado, Frank Aguiar passou por uma profunda transformação. Cortou o cabelo, fez harmonização facial e declarou sentir-se rejuvenescido. Casou-se em 2018 com Caroline Santos, 21 anos mais nova, mas o casamento terminou de forma conturbada em 2023. Caroline chegou a passar 10 dias na UTI por uma doença rara, com Frank ao lado. Após a separação, ele culpou problemas de saúde mental da ex-mulher, enquanto ela preferiu não expor detalhes.
Atualmente, Frank Aguiar mora em uma mansão avaliada em R$ 3 milhões em São Bernardo do Campo. Desde 2024, apresenta o programa “Aqui Tem Nordeste” na TV Aparecida. Em dezembro de 2024, lançou um álbum acústico e, em outubro de 2025, anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo PSD para as eleições de 2026. Seus filhos trabalham com ele: Breno cuida da produção e será seu empresário, Ítalo, advogado, auxilia nos assuntos jurídicos, e Luma segue carreira de cantora.
Em entrevistas recentes, Frank tem falado abertamente sobre o fundo do poço que viveu por uma década. “Eu estava há 10 anos sem me inspirar para sequer escolher interpretações”, desabafou. Ele diz ter passado por um intenso despertar espiritual e hoje prega que “o menos é mais”. Revelou ter se relacionado com mais de 4.000 mulheres ao longo da vida, mas garante que agora vive um momento de gratidão e transformação. “Estou vivendo esse grande momento de uma mudança extraordinária”, afirmou.
A história de Frank Aguiar é um exemplo clássico de ascensão meteórica seguida de queda dura. Do menino pobre do Piauí que conquistou o Brasil com sua sanfona e carisma ao artista acusado de violência, envolvido em escândalos políticos e que chegou a se declarar no fundo do poço. Hoje, ele tenta reconstruir a imagem através da espiritualidade, da televisão religiosa e de um possível retorno à política.
Seus fãs mais antigos ainda cantam hits como “Morango do Nordeste” com nostalgia, enquanto uma nova geração o conhece mais pelos escândalos do que pela música. Frank insiste que aprendeu com os erros e que a vida lhe deu novas chances. Se conseguirá voltar ao topo ou se permanecerá como uma figura do passado do forró brasileiro, só o tempo dirá. O que não se pode negar é que sua trajetória, cheia de altos e baixos, paixões, controvérsias e redenção espiritual, reflete as contradições de um artista que marcou uma época, mas pagou caro por seus erros e escolhas.
Aos 55 anos, Frank Aguiar segue em busca de paz interior e de um novo capítulo. Seja como Luz Aguiar, o dirigente espiritual, ou como o eterno Rei do Forró, ele continua escrevendo sua história, agora com mais reflexão e menos holofotes. O Brasil, que um dia dançou ao som de seus sucessos, observa com curiosidade o que virá a seguir.