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MÁSCARAS DA COROA: O BRILHO DO ÚLTIMO SEGUNDO

No mundo reluzente das luzes de palco e dos sorrisos que beiram a perfeição, a inveja é como um veneno silencioso, aguardando o momento exato para sufocar qualquer beleza genuína. Virgínia, uma mulher de beleza cortante, mas com o coração transbordando tramoias, estava diante do espelho. Seus olhos queimavam com o fogo da insatisfação. Para ela, o título de “A Mulher Mais Bela da Nação” não era apenas um troféu; era sua única razão de existir. No entanto, em seu caminho, Eugênia Gouveia surgia como um espectro incômodo — uma rival que não possuía apenas um rosto angelical, mas uma alma pura que encantava jurados e jornalistas como se carregasse uma luz própria.

A totalidade dos fatos sombrios teve início nos dias que antecederam a grande final. Em um quarto luxuoso, impregnado com o perfume caro das elites, Virgínia atirou sua escova de prata contra a penteadeira ao ler as manchetes matinais. “Eugênia: A Favorita Absoluta à Coroa”.

— Não é o momento para fazer escândalos, minha querida — disse Graça, a futura sogra de Virgínia, aproximando-se com a elegância calculada de uma raposa velha. — Necessitamos ensaiar você. Cada movimento seu naquele tablado, cada balanço de quadril, possui uma relevância imensa. Não desperdice sua energia destruindo móveis.

— A senhora não compreende! — ríspida, Virgínia rebateu prontamente. — A imprensa inteira já se encontra comentando que Eugênia será vitoriosa. Os avaliadores dificilmente direcionarão o olhar para minha pessoa se ela entrar naquela passarela brilhando daquele jeito. Eu não aceito ser sombra de uma caipira!

Graça alterou sua expressão facial. Seus olhos se estreitaram, exibindo um olhar fixo e perigoso. Um sorriso de canto de boca surgiu.

— Aguarde… a minha pessoa acabou de ter uma brilhante ideia — garantiu Graça. — Uma jogada que Eugênia jamais terá a chance de reverter.

Pausando seu teatro dramático de fúria, Virgínia chegou perto, a respiração curta pela ansiedade.

— Qual seria a ideia, Graça? Diga-me agora!

— Siga minha pessoa amada — rebateu a sogra. — Eu esclareço para ti durante o trajeto. Até as paredes deste hotel possuem ouvidos.

Ambas desceram ao suntuoso hall do estabelecimento, onde as luzes de cristal refletiam a frieza de suas intenções. Graça parou e indicou um trabalhador que organizava pastas no balcão de serviço.

— Enxerga aquele jovem bonito logo acolá? O rapaz atua como controlador dos pavimentos. O homem possui a chave principal, a chave mestra que destranca qualquer aposento deste edifício. Inclusive o dela.

Virgínia esbugalhou as pupilas. O coração saltou no peito.

— A senhora não deseja que a minha pessoa realize o que estou imaginando, correto? Eu represento a prometida do seu herdeiro! Se eu for flagrada…

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Graça rebateu com desprezo:

— A tua pessoa deseja ou não almeja ganhar essa competição? O sucesso exige sacrifícios que mentes pequenas não suportam. E permaneça sossegada, amada. A minha pessoa não irá relatar absolutamente nada ao Mirinho. Este será o nosso segredo de vitória.

Instantes mais tarde, Virgínia iniciou a execução da tática. Com passos calculados e o charme de uma sereia fatal, ela se aproximou do controlador. Graça vigiava a totalidade das ações à distância, festejando mentalmente no momento em que o jovem passou a dar atenção exclusiva para Virgínia. A moça começou a dizer algo próximo à orelha do jovem, que, hipnotizado pela beleza estonteante da miss, sequer notou que a mulher estava inserindo a palma da mão no compartimento de sua vestimenta. Com um movimento ágil de batedora de carteiras, Virgínia apanhou a chave principal.

No instante em que Graça enxergou que a jovem mimada possuía a chave nas palmas, a mulher chegou perto de modo sutil e, sem produzir qualquer ruído, guardou o objeto. Imediatamente na sequência, a dupla de malfeitoras comemorou em um canto isolado.

— Eu anseio de verdade que tal tática opere — sussurrou Virgínia. — Visto que eu precisarei inventar uma excelente justificativa para evitar esse controlador depois.

— Considera inclusive positivo que tu te encontres com o homem posteriormente — riu Graça. — Funcionará como a tua justificativa de “humildade”. Mas agora, o foco central trata-se de que lograremos êxito em remover Eugênia Gouveia da competição.

— Eu dificilmente consigo aguardar para enxergar a expressão dessa menina ao notar que a sua peça de roupa se transformou em retalhos! — exclamou Virgínia, com um veneno escorrendo em cada palavra.

Aproveitando o momento em que Eugênia estava em um compromisso oficial, a dupla adentrou o aposento da rival. No centro do quarto, sobre um boneco de costura, estava o traje de gala. Era uma obra-prima: seda pura, bordados à mão que pareciam constelações de luz.

Prontamente, a face de Virgínia ganhou um brilho de cobiça.

— Senhor dos céus! Isto encontra-se esplêndido. Mentalize a minha pessoa caminhando na passarela vestindo isto!

— De jeito nenhum! Perdeu o juízo? — Graça rebateu. — Caso te flagrem com este traje, desqualificam-te no mesmo instante. Viemos para destruir, não para herdar!

Virgínia removeu um instrumento de corte da região da cintura. Um sorriso perverso deformou seu rosto.

— Eu possuo ciência, querida sogra. Este traje tem a chance de ser impecável, contudo, a minha peça representará a única que reluzirá naquela pista hoje.

Vupt! O som da seda rasgando foi música para os ouvidos de Virgínia. Ela iniciou o corte desenfreado do traje de Eugênia, enquanto dava risadas de um modo demoníaco. Graça, embora amedrontada pela fúria da nora, resolveu auxiliar e iniciou a destruição do material usando as suas legítimas palmas, puxando fios e pedrarias.

Não muito tempo em seguida, a sorte começou a virar. Lúcia, a talentosa estilista e melhor amiga de Eugênia, caminhava pelo corredor quando surpreendeu Graça e Virgínia partindo do aposento de modo furtivo.

Lúcia adquiriu suspeitas imediatas. Ao notar a numeração da porta, seu coração gelou.

— Trata-se do local onde a Eugênia se encontra alocada. Nossa, este caso se encontra demasiadamente esquisito.

Sem perder tempo, Lúcia relatou a cena para sua genitora, Vera, e para sua tia, Teresa. Vera observou estupefata:

— Isto está possuindo o aroma de uma fraude.

— Eu previamente notei que Virgínia se sente ameaçada — completou Teresa. — Lúcia, alerte sua companheira agora! Vai saber o que aquelas víboras fizeram.

Lúcia correu. Ao bater no acesso do aposento de Eugênia e entrar, deparou-se com o caos. Eugênia estava de joelhos, derramando muitas lágrimas, fitando os fragmentos de tecido dispersos pelo chão.

— Aproxime-se… enxergue utilizando as suas visões particulares, Lúcia — soluçou Eugênia com uma entonação engasgada.

— Qual evento se passou neste local? — Lúcia indagou, embora já soubesse a resposta.

Eustáquio, o pai de Eugênia, entrou logo em seguida, agitado:

— A minha pessoa não possui conhecimento! Alcançamos o recinto e deparamo-nos com esta condição de destruição.

Eugênia entrou em uma crise de nervosismo profunda. Lúcia, utilizando uma entonação tranquila, abraçou a amiga.

— Tranquilize-se, puxe o ar. Tal fato não prosseguirá desta forma. O nosso grupo irá averiguar o que ocorreu.

— Ainda que descubramos a autoria — disse Eustáquio, tenso — jamais lograremos confeccionar um traje inédito até o começo do evento. O tempo acabou.

— Eu não dou crédito a tal fato — Eugênia chorava. — A minha pessoa acabará eliminada antes de pisar no tablado.

— Negativo! Não acabará! — Lúcia atestou com uma determinação de ferro. — Eu irei produzir um traje inédito em seu favor agora mesmo!

Estupefata, Eugênia indagou:

— Como é? Restam algumas horas apenas. Trata-se de algo praticamente inviável!

— A minha pessoa possui sabedoria sobre um método de nós e drapeados que reduz o período e torna o traje imensamente mais belo e singular — assegurou Lúcia. — Deposite sua fé em mim. Eu irei tornar a tua aparência semelhante a uma moça da realeza.

Deslumbrado com a obstinação da jovem, Eustáquio saiu para investigar o crime enquanto Lúcia, Vera e Teresa iniciavam um autêntico mutirão de trabalho. Elas selecionaram os tecidos de maior qualidade que restavam, coletaram as dimensões de Eugênia e Lúcia começou a moldar a seda diretamente no corpo da amiga, sem agulhas ou máquinas, apenas com o talento puro de suas mãos.

Enquanto o relógio corria, Virgínia realizava sua derradeira medição de traje, transbordando segurança.

— Por que essa mudança de atitude, filha? — perguntou Marta, sua mãe. — Antes você estava em pânico com a Eugênia.

— Trata-se apenas de segurança, genitora — Virgínia sorriu. — Uma coisa avisa a minha pessoa que este triunfo já me pertence. Eugênia Gouveia não passa de uma lembrança ranhosa.

Horas depois, a casa de espetáculos lotou-se. O ar estava eletrizante. No espaço reservado, Graça e Virgínia fofocavam.

— Eu não enxerguei a Eugênia até o momento — comentou Graça.

— É evidente que a moça não irá surgir! — Virgínia gargalhou. — A senhora acredita que ela caminharia na passarela vestindo trapos? Em nenhuma hipótese.

O animador subiu ao tablado e proclamou o começo da competição. As concorrentes foram convocadas. Virgínia foi a última. Ao subir na pista, o público se ergueu para bater palmas. Ela fez posições para as capturas de imagem como uma profissional, fitando as outras garotas com um olhar que dizia: “Eu já venci”.

O animador retornou:

— E neste momento, a concorrente de Minas Gerais, Eugênia Gouveia!

Prontamente, Virgínia removeu o riso da face. Seu coração parou.

— Como assim? A moça alcançou o local?

Eugênia elevou-se ao tablado. No momento em que a claridade dos refletores a atingiu, ela parecia reluzir como uma deusa mítica. A reação inicial do público foi um silêncio de choque, seguido por uma ovação ensurdecedora. O traje, construído com nós artísticos e drapeados de seda fluida, era uma obra de vanguarda, imensamente superior ao anterior.

Virgínia enxergou Eugênia cruzando o seu lado e sua expressão se paralisa.

— É inviável! — sussurrou Virgínia, tremendo de ódio. — Em qual local que a moça adquiriu tal traje? Isto só pode ser um sonho ruim!

O público prosseguiu com os aplausos. Virgínia buscou suporte visual em seus parentes, mas terminou enxergando Lúcia, que a fitava com um olhar de justiça. Ao encerrarem o desfile, Virgínia partiu com pressa para os bastidores, emitindo um berro de rancor.

— Tranquilidade! — ela tentava se convencer. — Nem tudo está perdido, eu ainda sou a favorita!

Durante isso, Eustáquio alcançou o local e relatou a Lúcia:

— Eu comuniquei-me com o administrador. O sujeito logrou a admissão de culpa do controlador de pavimentos. Ele confessou tudo.

Lúcia levantou o rosto. Ela não precisava de mais nada. Sabia exatamente quem era a infratora.

Momentos depois, as concorrentes regressaram para a proclamação da ganhadora suprema. O animador expôs as três melhores: Amazonas, Rio Grande do Norte (Virgínia) e Minas Gerais (Eugênia). Uma melodia de tensão ecoou.

— A mulher mais bela da nação trata-se de… Eugênia Gouveia!

O público urrou de alegria. Virgínia sentiu seus membros inferiores perderem a firmeza. Ela quase caiu, buscando suporte na concorrente ao lado. Eugênia iniciou suas palavras de vitória e, em seguida, a gratidão:

— A minha pessoa não possuiria a capacidade de caminhar aqui, caso não fosse por uma criadora de moda dotada de imenso talento, a minha companheira Lúcia dos Santos!

Lúcia foi convocada ao tablado sob aplausos. Ao segurar o amplificador vocal, ela não se calou:

— Este traje é singular porque foi produzido diretamente na anatomia de Eugênia. Contudo, ele não precisaria existir se não ocorresse um boicote covarde. A responsabilidade recaiu sobre Virgínia Almeida Borges! Ela iludiu o funcionário, roubou a chave e arruinou o traje original de Eugênia.

O público demonstrou choque. Virgínia notou seu peito pulsar de modo tão intenso que podia escutar o som. Sua boca secou. Ela tentou correr, mas seus membros não obedeciam. Um imenso tumulto teve início. O público passou a urrar frases de rancor direcionadas a ela.

A malfeitora viu sua imagem ser lançada no esgoto perante os repórteres da nação inteira. Diógenes, seu pai, adentrou o tablado para removê-la dali antes que o povo a invadisse. No ambiente isolado dos bastidores, o castigo foi amargo. Virgínia tomou ciência de que restou sem o título, sem a honra e sem o futuro. Sua existência parecia ter se encerrado naquela noite de glória alheia.

Lúcia e Eugênia, unidas pela amizade e pelo talento, provaram que nenhum corte de tesoura é capaz de destruir o que é costurado com a alma.