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Neto e a crítica dura após Brasil 6 x 2 Panamá: “Com dois no meio estamos mortos”

Após a vitória por 6 a 2 do Brasil contra o Panamá no Maracanã, o craque Neto, em sua habitual análise sem filtro no programa Os Donos da Bola, não poupou críticas ao esquema tático utilizado por Carlo Ancelotti, especialmente no primeiro tempo. Para o ex-jogador, o time brasileiro ficou exposto demais com apenas dois volantes e quatro atacantes, tornando a equipe vulnerável mesmo diante de um adversário tecnicamente limitado.

Neto foi direto: “Nós estamos mortos com dois no meio. Tanto que o primeiro tempo não foi o tempo que a seleção rendeu mais”. Segundo ele, a equipe só melhorou após as alterações no intervalo, quando Ancelotti reforçou o meio-campo e deu mais equilíbrio ao time. O segundo tempo mostrou um Brasil mais solto, com maior intensidade e facilidade para chegar ao ataque, algo que Neto atribuiu ao cansaço do Panamá, mas também à entrada de jogadores mais motivados.

Dois nomes foram especialmente elogiados por Neto: Danilo e Igor Thiago. Danilo, que vive grande momento no Botafogo, foi apontado como o grande destaque da partida. “O Danilo tá jogando muita bola”, disse Neto, defendendo que o meia deve ganhar espaço definitivo na equipe. Versátil, com capacidade de marcar, sair jogando e chegar à frente, Danilo representa exatamente o tipo de jogador que o meio-campo brasileiro precisa para enfrentar seleções mais fortes. Igor Thiago, autor de um belo gol, também recebeu elogios. Neto acredita que Ancelotti precisa encontrar um lugar para o centroavante, que vem fazendo gols consistentes na Europa.

O comentarista também fez uma cobrança dura sobre Vinicius Júnior. “Vocês sabem quantos anos ele tem na seleção? Desde 2019. São nove anos. Sabe quantos gols ele tem? Nove. Um por ano”, provocou Neto. Para ele, parte da torcida cobra demais alguns jogadores e poupa outros, mesmo quando o desempenho não justifica. “Se fosse o Zico, Ronaldo Fenômeno ou Ronaldinho, teria sido 5 a 0 com quatro gols de cada”, comparou.

Neto deixou claro que sua análise vai além do jogo amistoso contra o Panamá. Ele já projeta os desafios reais da Copa do Mundo de 2026. “O importante não é o jogo de ontem. É como eu vou encarar as quartas de final. Como eu encaro um time europeu ou asiático, como o Japão”. Para ele, o Brasil deve passar com tranquilidade pela fase de grupos — goleada contra o Haiti, vitória sobre Marrocos e empate ou vitória contra o outro adversário —, mas o perigo real começa no mata-mata.

“Vai passar nas oitavas, pode ficar tranquilo, pode comprar a camisa”, ironizou Neto, lembrando que o formato atual da Copa, com 32 equipes classificadas e possibilidade de vaga até para terceiros colocados, facilita a vida dos favoritos na primeira fase. O problema, segundo ele, são as quartas de final, onde o Brasil provavelmente encontrará seleções mais organizadas e fisicamente fortes.

A principal tese defendida por Neto é a necessidade de mudar o esquema tático. “Se a seleção quiser ganhar a Copa, precisa fazer um meio-campo mais forte. Botar mais um volante e deixar os caras da frente se virarem”. Ele acredita que quatro atacantes deixam o time exposto demais, especialmente quando o Panamá — uma seleção fraca — conseguiu criar oportunidades e até empatar momentaneamente. “Ontem passamos dificuldade contra um time muito limitado. Isso é preocupante”, avaliou.

Outro ponto criticado foi a atuação de Alex Sandro na lateral esquerda. Neto foi categórico: “Alex Sandro não pode ser o lateral esquerdo do Brasil na Copa do Mundo”. Segundo ele, o jogador foi mal no primeiro tempo, tomou bolas nas costas e sofreu com as investidas panamenhas pelo seu lado. A lateral esquerda segue como um dos principais problemas estruturais da seleção.

Durante o debate, houve também discussão sobre o segundo gol de Casemiro, que muitos consideraram impedido. Neto e parte da equipe analisaram as imagens e, embora o VAR tenha validado, o ex-jogador questionou a marcação. “Não dá impedimento nesse gol é uma vergonha para a arbitragem”, disse, lembrando ainda polêmicas recentes do árbitro Felipe Fernandes em jogos do Palmeiras.

Neto também comparou o meio-campo do Brasil com o do Paris Saint-Germain, bicampeão europeu, destacando a força de jogadores como Fabián Ruiz, João Neves e Vitinha. Para ele, o Brasil precisa de algo semelhante: mais presença, mais força física e melhor transição defensiva.

O tom de Neto, como sempre, foi apaixonado e sem meias palavras. Ele reconheceu a vitória e a goleada no segundo tempo, mas alertou que amistosos contra equipes fracas servem pouco para iludir. O que vale é a capacidade de evoluir e se ajustar para os desafios verdadeiros. “O futebol é uma coisa que vai além do que o torcedor pensa”, resumiu.

Para o ex-jogador, Ancelotti tem material humano de qualidade, mas precisa tomar decisões difíceis. Priorizar Danilo, encontrar espaço para Igor Thiago, reposicionar Rafinha e, principalmente, reforçar o meio-campo são pontos que ele considera essenciais. A manutenção de quatro atacantes puros pode custar caro contra seleções europeias mais organizadas.

A vitória por 6 a 2 trouxe números positivos, mas também expôs fragilidades. O primeiro tempo foi morno e perigoso. O segundo tempo, com mais jogadores de meio-campo, mostrou um time mais equilibrado. Essa diferença não passou despercebida por Neto nem por boa parte da imprensa. Ancelotti já admitiu publicamente que o segundo tempo gerou “dúvidas positivas” e que ele pode repensar algumas ideias.

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O Brasil segue sua preparação nos Estados Unidos. Os próximos amistosos servirão como laboratório para o técnico italiano definir o que realmente funcionará na Copa. Enquanto a torcida sonha com o hexa, vozes como a de Neto servem como alerta: é preciso equilibrar o talento ofensivo com solidez defensiva e presença no meio-campo.

Neto termina suas análises sempre com sinceridade corintiana. Ele torce para o Brasil, mas não deixa de apontar os problemas. Para ele, o caminho do título passa necessariamente por um meio-campo mais robusto. “Botar mais um volante e deixar os da frente se virarem”. Essa pode ser a chave tática que Ancelotti precisa encontrar nas próximas semanas.

A Seleção Brasileira tem talento de sobra. Tem Vinicius Júnior, tem Rodrygo, tem jovens promessas e tem experiência. O que ainda falta definir é o equilíbrio ideal. Neto, com sua experiência de campo e sua visão afiada, acredita que o momento é de ajuste. A goleada contra o Panamá foi bonita, mas o verdadeiro teste virá mais adiante, quando o nível dos adversários subir.

Enquanto isso, a torcida continua apaixonada, enchendo o Maracanã e sonhando alto. O Brasil goleou, o segundo tempo empolgou, mas as vozes críticas como a de Neto lembram que, para ser campeão do mundo, é preciso muito mais do que vencer o Panamá por 6 a 2.