
Uma contadora de 35 anos é morta por assaltantes dentro de casa. O marido sobrevive. A versão inicial é chocante.
Dois homens invadiram a residência, fizeram o casal refém, mataram a mulher e fugiram. Tudo parecia um latrocínio, mas então surge uma pergunta que mudaria completamente o rumo das investigações.
Por que eles pouparam só o marido? A partir daquele momento, a polícia começou a enxergar algo que ninguém havia percebido. Enquanto a família chorava a morte de Caiane Bezerra, os investigadores começavam a desconfiar que o assalto talvez não passasse de uma encenação. Mais tarde, imagens de câmeras de segurança e o GPS de um carro revelariam uma verdade muito mais sombria e uma traição impensável. Eu sou Adriano Oliveira e essa é uma história que parece ficção, mas aconteceu de verdade.
Depois de 3 anos, o julgamento tão aguardado pela família da vítima, o desfecho da justiça para um crime planejado e uma traição macabra. 26 de agosto de 2023, município de Aquirá, região metropolitana de Fortaleza, era sábado, mais um dia normal para a contadora Caiane Bezerra. E o marido haviam ido passear no shopping. Nada indicava que na volta para casa a noite terminaria de forma trágica e brutal.
Uma câmera de segurança registra o momento em que um carro estaciona na esquina da casa da contadora por volta de 911 da noite. A hora do vídeo está errada. A imagem mostra o marido Leonardo Chaves, de 41 anos, regando uma planta na frente de casa com o portão aberto. Ele é abordado por dois bandidos que entram na residência, onde o mantém refém por cerca de 45 minutos. Caiane estava no quarto onde foi atacada com um pedaço de madeira e asfixiada. Os criminosos fogem no carro da contadora, levando objetos roubados da casa. O laudo oficial revelou que a vítima morreu por esganadura. Leonardo, por sua vez, foi encontrado ferido em um quarto nos fundos da casa, mas por sorte sobreviveu. Ele teria começado a gritar e pedir socorro aos vizinhos cerca de 35 minutos depois. A essa altura, os assaltantes já estavam longe.
>> Foi um patrocínio em que a vítima foi escolhida de forma aleatória, eh eh por por estar aguando as plantas na rua. E por conta disso foi escolhido como como sendo um alvo.
>> É, tudo levava a crer que se tratava de um latrocínio, roubo seguido de morte e que as vítimas tinham sido escolhidas de forma aleatória. Mas a verdade estava longe disso.
Leonardo deu detalhes do que tinha acontecido. Disse que foi forçado a deitar de bruços na sala enquanto ouvia a esposa no quarto tentando acalmar um dos assaltantes. Depois ouviu um som de luta, pancadas na parede, um pedido por senha de telefone, por dinheiro, um grito abafado e depois o silêncio. Em seguida, teria sido agredido e imobilizado pelos criminosos, que o amarraram com uma corda de varal, deixando-o trancado no quarto dos fundos da casa. Para a polícia, o caso estava aparentemente resolvido, mas só aparentemente, porque a história contada por Leonardo, poupado pelos bandidos, não convenceu aos investigadores e nem a família. Um perito olhou a porta, testou e viu que com um chute ela seria facilmente aberta. Leonardo era um homem forte. Por que que ele não tentou escapar de lá? As mãos estavam amarradas, mas os pés não. Um dos carros usados pelos assaltantes foi alugado para o crime e tinha GPS. Três dias depois, a polícia conseguiu rastrear o veículo e chegar até dois suspeitos, Adriano Andrade Ribeiro, motorista de aplicativo, e um menor de idade. Com a prisão e apreensão dos suspeitos, o caso deu uma revira volta. Não era apenas um assalto aleatório, era um crime encomendado.
>> No momento que a gente toma o depoimento dos executores, a gente percebe de uma uma facilitação e um excesso de informações com relação à residência, o que não é comum. E a gente começou a buscar também informações de onde estava o marido da vítima momentos antes do crime. Ali a gente descobriu que tudo que estava sendo passado tratava-se de uma faça, de um teatro que provavelmente foi feito pelo marido da Virg.
>> As imagens do circuito de segurança de um shopping próximo da residência do casal foram fundamentais para a polícia concluir que a história do assalto contada por Leonardo não era bem assim.
Cerca de uma hora antes do crime, os dois presos, Adriano e o adolescente, são flagrados pelas câmeras do shopping.
Eles entram em uma sorveteria. No local já estava o marido de Caiane. As imagens mostram que ele chegou cerca de 20 minutos antes. Momentos depois da chegada da dupla, Leonardo passa em frente à sorveteria, logo é seguido pelos dois homens até o estacionamento.
Os três ficam conversando por cerca de 11 minutos, combinando os detalhes do crime. Confrontados com as imagens, os dois suspeitos confessaram o crime e disseram que agiram a mando de Leonardo.
Os criminosos cobraram cerca de R$.
Pagos pelo marido da vítima. No acordo, eles poderiam levar o que quisessem da residência e ainda receberiam parte do seguro de vida de Caiane, que era a verdadeira motivação de Leonardo para matar a esposa.
A contadora tinha um seguro de vida de R$ 60.000 no nome dela e Leonardo era o beneficiário. Além disso, o casal tinha alguns bens. Tudo ficaria para Leonardo com a morte da mulher. Nas investigações, os policiais descobriram que os criminosos não estavam armados e que até o pedaço de pau usado para atacar Caiane foi fornecido pelo marido dentro da residência. Além disso, o pretexto de regar as plantas era para poder deixar o portão aberto e facilitar a entrada dos comparsas. O adolescente contou à polícia que Leonardo ajudou os dois a colocar os itens roubados no carro de Caiane. A casa tinha câmeras de segurança do lado de dentro, mas naquele dia elas haviam sido desligadas por Leonardo. O viúvo foi preso na casa da sogra duas semanas depois. Na época, parentes de Caiane contaram que ela já havia tentado se separar dele após conflitos por causa dos gastos excessivos do marido, com coisas consideradas supérfluas pela esposa.
Caiane era natural de Fortaleza, a mais velha de quatro irmãos, muito estudiosa e protetora. A primeira graduação foi como professora. tinha o sonho de atuar na área de educação, mas também queria ser modelo. Segundo parêntes, ela era vaidosa e gostava muito de se arrumar.
Conheceu Leonardo em 2010 em um concurso de idiomas onde dava aulas de espanhol e ele coordenava o curso. Foram dois anos de namoro e noivado até o casamento.
Depois de casada, decidiu mudar de profissão e virou contadora. Pouco antes de morrer, ela estava finalizando um mestrado no Uruguai e tinha uma viagem marcada para defender a tese. O casamento já durava 13 anos. Leonardo era considerado um homem tranquilo, professor concursado, mas nem tudo era o que parecia ser.
No último dia 3 de junho de 2026, Leonardo foi condenado a 41 anos de prisão e Adriano, o executor, há 37 anos. Ambos os denunciados foram sentenciados pelos crimes de homicídio, corrupção de menor, furto e fraude processual. A justiça negou aos dois o direito de recorrer em liberdade. O menor foi apreendido em uma casa de detenção. As defesas dos réus dizem que vão recorrer.