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O MISTÉRIO DE CLODOVIL: ASS@SSINAT0 POLÍTICO E TERROR SOBRENATURAL NA MANSÃO ASSOMBRADA!

A fumaça espessa da neblina de Ubatuba parece se misturar com os segredos sombrios dos corredores de Brasília quando evocamos o nome de Clodovil Hernandes. Em 17 de março de 2009, o Brasil assistia atônito ao anúncio oficial de que o famoso estilista, apresentador e então deputado federal havia falecido aos 71 anos. A causa mortis, rapidamente declarada e carimbada pelas autoridades médicas e burocráticas, foi um acidente vascular cerebral hemorrágico, uma fatalidade biológica de um corpo já castigado por hipertensão severa e batalhas anteriores contra o câncer. O roteiro parecia perfeitamente desenhado para um desfecho natural, o fechamento das cortinas para uma das mentes mais brilhantes, polêmicas e afiadas que o país já conhecera. No entanto, o que se escondeu debaixo desse atestado de óbito apressado é uma narrativa tão perturbadora, cheia de falhas, intrigas de poder, cenas de crime não solucionadas e, mais aterrorizante ainda, desdobramentos espirituais que fariam qualquer cético duvidar de suas próprias convicções. O que realmente aconteceu na madrugada fria do Distrito Federal? Por que um homem que estava prestes a implodir a República com denúncias gravíssimas tombou de forma tão brutal em seu próprio quarto, com marcas no corpo que desafiam a gravidade e a lógica médica? E por que, tantos anos depois, sua imponente mansão de 5.000 metros quadrados no litoral paulista pulsa com uma energia tão densa e hostil, atraindo curiosos, caçadores de fantasmas e almas perdidas para um verdadeiro umbral na Terra?

Para entendermos a magnitude desta conspiração, precisamos voltar nossos olhos não para o glamour das passarelas, mas para os porões escuros da política nacional, um terreno onde Clodovil se aventurou com a mesma irreverência e audácia que marcaram sua vida na televisão. Ele havia sido um dos deputados mais votados do Brasil, carregando consigo a esperança de eleitores que viam em sua língua sem freios a arma perfeita contra a corrupção institucionalizada. Clodovil não era um político de carreira; ele era um outsider, um corpo estranho dentro de um sistema desenhado para a manutenção de privilégios. E ele odiava esse sistema. Conservador, irredutível e absurdamente vaidoso, ele se recusava a participar dos acordos de bastidores, das emendas escusas e das negociações silenciosas que ocorriam nos jantares de Brasília. Poucos dias antes de sua morte fatídica, relatos fortíssimos, sussurrados pelos corredores do Congresso e confidenciados a assessores de extrema confiança, indicavam que o deputado havia descoberto um esquema monumental de desvio de verbas e corrupção operando debaixo de seu próprio nariz, dentro do seu gabinete. Homens em quem ele deveria confiar estavam supostamente traindo sua gestão e enchendo os bolsos com dinheiro público. A reação de Clodovil foi visceral. Ele prometeu expor tudo. Ele ameaçou levar os nomes, as contas e os métodos para a tribuna da Câmara dos Deputados. Ele estava prestes a jogar gasolina no “feijão de ouro” da velha política, um de seus projetos mais controversos visava, inclusive, a redução drástica do número de parlamentares no país, atacando diretamente a fonte de renda e poder de dezenas de caciques políticos. Ele era uma bomba-relógio com a contagem regressiva ativada, e alguém, nas sombras do poder, precisava cortar o fio vermelho antes que a explosão destruísse carreiras poderosas.

A cronologia daquela noite em Brasília é um quebra-cabeça cujas peças parecem ter sido forçadas a se encaixar por mãos criminosas. Na véspera de ser encontrado inconsciente, o ambiente no apartamento de Clodovil não era de um homem prestes a sucumbir a um mal súbito inevitável. Segundo o testemunho perturbador de Renata, uma pessoa que acompanhou os últimos momentos de consciência do deputado, uma visita misteriosa chegou ao local por volta das seis horas da manhã. O porteiro interfonou, anunciando a chegada dessa figura não identificada que se tornaria, possivelmente, o último ser humano a olhar nos olhos de Clodovil enquanto ele ainda estava de pé. Após essa visita fantasma, a rotina pareceu seguir. Renata e seu ex-marido levaram o deputado até o quarto, onde ele se despediu com um trivial e agora sombrio “Vai com Deus”. O silêncio tomou conta do apartamento, um silêncio que seria quebrado apenas às sete da manhã do dia seguinte, de forma traumática e irreversível. O ex-marido de Renata, ao entrar no quarto para buscar a cadelinha de estimação de Clodovil, a pequena Castanhola, deparou-se com uma cena que gela o sangue. Clodovil estava no chão. A primeira impressão, confusa e inocente, foi de que ele estava dormindo no carpete, algo que contrariava todos os hábitos refinados do estilista. Mas a realidade era infinitamente mais macabra. Ao se aproximar, Renata não viu um homem adormecido. Viu um corpo caído em uma posição antinatural, cercado por indícios claros de luta ou, no mínimo, de uma queda violentíssima que a versão oficial de “desmaio por AVC” jamais conseguiu explicar satisfatoriamente.

O cenário do quarto era um testemunho mudo de violência. O banquinho que ficava ao lado de sua cama, onde repousava o telefone, estava caído e fora de lugar, como se ele tivesse tentado desesperadamente alcançar ajuda ou como se tivesse sido arremessado durante um embate. Pior do que isso, debaixo da mesinha de cabeceira, o tapete claro ostentava uma mancha de sangue. E na cabeça do deputado, no lado direito da testa, repousava um hematoma colossal. Não era um simples galo de quem escorrega, era uma contusão profunda, um traumatismo craniano expressivo. Especialistas e pessoas próximas, incluindo o também estilista e amigo Ronaldo Ésper, levantaram imediatamente a questão que a polícia se recusou a investigar: como um homem cai de uma cama extremamente baixa, de cerca de 40 centímetros de altura, em cima de um carpete grosso e espesso, e sofre um trauma capaz de rachar o crânio daquela forma? A física básica contesta a versão oficial. A força necessária para causar tal lesão exigiria uma alavanca, um impulso ou, na pior das hipóteses, a força contundente de um objeto empunhado por terceiros. No entanto, a máquina estatal de Brasília moveu-se com uma velocidade assustadora para abafar qualquer questionamento. A polícia simplesmente não aprofundou as investigações. O boletim de ocorrência original, envolto em boatos terríveis, teria desaparecido dos arquivos. E o golpe de misericórdia contra a verdade: a autópsia foi sumariamente negada. Um assessor, agindo sob procuração e poderes questionáveis em um momento tão crítico, não permitiu que o corpo passasse pela necropsia detalhada que o Instituto Médico Legal deveria obrigatoriamente realizar em casos de morte não assistida com sinais de trauma. O atestado de óbito foi emitido a jato, a causa foi selada como AVC hemorrágico, e o corpo foi rapidamente preparado para o sepultamento. O homem que falava demais havia sido silenciado de forma permanente.

Mas se os vivos conspiram para esconder a verdade debaixo de atestados de papel e terra de cemitério, o mundo espiritual recusa-se a ser amordaçado. A morte de Clodovil Hernandes não foi o fim de sua jornada; para muitos, foi o gatilho de um pesadelo sobrenatural que se arrasta há mais de uma década. Desde o momento em que a primeira pá de terra cobriu seu caixão no Cemitério do Morumbi, em São Paulo, ao lado de sua amada mãe adotiva, Dona Isabel, uma energia densa e insuportável começou a emanar de tudo o que estava ligado ao seu nome. Para a parapsicologia e para as doutrinas espiritualistas, a forma como uma pessoa morre dita as regras de sua transição. Mortes violentas, permeadas por injustiça, ódio, medo e assuntos terrenos pendentes, criam âncoras poderosas. Clodovil desencarnou no ápice de sua revolta contra o sistema, possivelmente vítima de um assassinato brutal disfarçado de fatalidade, deixando para trás fortunas, inimizades, e, principalmente, sua verdadeira paixão material: a mansão cinematográfica em Ubatuba. Essa propriedade, que antes era o símbolo máximo de seu requinte, bom gosto e isolamento aristocrático, transformou-se em um dos locais mais assombrados do Brasil, um monumento ao abandono e ao terror que desafia investigadores do paranormal de todo o mundo.

A mansão em Ubatuba, encravada em meio à exuberância e à umidade sufocante da Mata Atlântica, foi construída para ser um palácio, mas tornou-se uma prisão espiritual. Composta por vinte cômodos, passagens intrincadas, banheiros a céu aberto, dezenas de espelhos e uma vista deslumbrante para o mar, o local reflete hoje a degradação de uma alma que não consegue partir. Após sua morte, a casa foi entregue ao abandono jurídico e físico. O mato engoliu os jardins meticulosamente planejados, as paredes começaram a chorar umidade, os tetos desabaram, e os móveis luxuosos apodreceram. Mas o que mais aterroriza os visitantes, exploradores urbanos e antigos caseiros não é a ruína material, e sim a atividade poltergeist ininterrupta. Relatos aterrorizantes descrevem passos pesados ecoando nos corredores vazios de madrugada. Vozes abafadas, algumas em tom de comando e arrogância — características tão presentes na personalidade do estilista em vida —, são captadas por equipamentos de áudio durante investigações paranormais. Vultos escuros deslizam entre as colunas da vasta sala de estar, e uma sensação paralisante de estar sendo observado por olhos hostis consome qualquer um que ultrapasse os portões enferrujados. A energia de indignação de Clodovil parece ter impregnado as paredes, transformando a casa em uma extensão de seu próprio tormento no plano astral.

No epicentro dessa teia de assombrações em Ubatuba, ergue-se a estrutura mais carregada emocionalmente de toda a propriedade: a pequena capela dedicada a Dona Isabel. A relação de Clodovil com sua mãe adotiva beirava a veneração obsessiva. Ele a amava com uma intensidade que frequentemente esbarrava na codependência e no medo paralisante de perdê-la, tanto nesta vida quanto na outra. Ele mesmo chegou a declarar em vida que seu único e verdadeiro pavor era desencarnar e, ao chegar no astral, perder-se em algum desvio e nunca mais sentir o cheiro de sua mãe. Esse cordão umbilical metafísico era tão forte que a capela foi construída como um portal de conexão entre os dois. No entanto, funcionários relatam fenômenos bizarros nas imediações dessa edificação. O próprio Clodovil, antes de morrer, confidenciou que seu porteiro havia visto o fantasma de Dona Isabel na porta da capela, fato que o encheu de terror e respeito. Após a morte do estilista, a capela tornou-se o ponto de maior distúrbio eletromagnético da propriedade. Luzes inexplicáveis piscam no matagal ao redor, a temperatura cai drasticamente ao cruzar a porta do recinto, e o pranto fantasmagórico de um homem angustiado já foi escutado misturando-se ao som das ondas do mar batendo nas pedras. Seria Clodovil chorando por ter se perdido de sua mãe no além? Seria o peso das supostas brigas e da agressividade que marcaram os momentos de tensão entre eles cobrando seu preço no tribunal do carma? A tristeza que emana desse local é tão espessa que pode ser cortada com uma faca, rivalizando apenas com a melancolia asfixiante que paira sobre o seu jazigo no cemitério paulistano, onde muitos relatam vertigens e uma vontade incontrolável de chorar ao se aproximarem da lápide.

O clímax desse terror sobrenatural, contudo, revelou-se anos mais tarde na forma de uma suposta carta psicografada, um documento arrepiante que, se verdadeiro, descreve com precisão cirúrgica os horrores do Umbral e o desespero do espírito de Clodovil Hernandes. A mensagem recebida por um médium pinta um quadro dantesco do despertar do deputado após o suposto AVC fatal. Na carta, o autor relata não a paz celestial reservada aos justos, mas a escuridão caótica de uma alma que se recusou a soltar suas posses terrenas. O relato narra o momento exato em que o coração físico parou, mas o “coração da alma” continuou batendo em um descompasso de pânico e ódio. O espírito conta como se viu acorrentado ao próprio cadáver, observando o caos em seu quarto, tentando gritar ordens, tentando controlar a própria morte da mesma forma ditatorial com que controlava seus funcionários em vida. A dor física do ferimento na cabeça teria sido eclipsada pela dor espiritual de ter as ilusões arrancadas de forma tão violenta. A psicografia vai além, tocando no ponto mais aterrorizante: a mansão de Ubatuba. O espírito de Clodovil teria confessado que sua energia de revolta e apego serviu como um ímã gigantesco, puxando a sua consciência diretamente para a propriedade no litoral.

Neste relato que faz gelar a espinha, ele admite que, em seu desespero por não querer que intrusos tomassem posse do que era seu, utilizou-se de habilidades de manipulação energética para sabotar qualquer tentativa de venda ou leilão da casa. Ele assombrou compradores, arruinou negociações, causou acidentes e fez com que a majestosa mansão definhasse sob sua influência obscura. Porém, a tragédia de sua arrogância espiritual teve um preço altíssimo. Ao transformar a casa em uma fortaleza de ódio e ressentimento, ele involuntariamente abriu um portal. A propriedade começou a atrair falanges de espíritos amargurados, entidades das sombras, suicidas e almas perdidas que vagavam pela costa de São Paulo. A casa de Clodovil transformou-se em uma sucursal do próprio inferno, um bolsão umbralino de alta densidade onde ele, antes o rei da alta-costura, tornou-se apenas mais um prisioneiro chorando no escuro, cercado por demônios que se alimentavam de sua fúria e frustração. A carta termina com uma confissão de profunda tristeza e arrependimento, descrevendo o momento em que a vaidade cai por terra e ele se vê, nu de suas posses, implorando pela misericórdia dos céus e pela intercessão daquela única força capaz de resgatá-lo das trevas: o espírito de sua mãe.

Se a carta psicografada é um documento real da espiritualidade ou o fruto do imaginário coletivo alimentado por uma tragédia mal resolvida, a verdade inescapável é que a morte de Clodovil Hernandes é um abismo escuro para onde o Brasil tenta não olhar. A impunidade política de Brasília misturou-se ao mistério além-túmulo de forma indelével. O assassinato, acobertado pela burocracia estatal e pela pressa de enterrar um homem que sabia demais, gerou uma perturbação no tecido da realidade. O sangue derramado no tapete claro de seu apartamento clamou por uma justiça que os tribunais dos homens se acovardaram em buscar. Em resposta a essa covardia terrena, o universo respondeu com o terror em Ubatuba. Enquanto a justiça não for feita, enquanto o verdadeiro relatório do que aconteceu naquela madrugada de 17 de março não vier à luz, e enquanto os responsáveis pelo golpe fatal continuarem brindando com o dinheiro sujo da corrupção nos restaurantes luxuosos do Distrito Federal, a alma de Clodovil Hernandes não terá paz. E a sua mansão, devorada pelo mato e pelas sombras, continuará existindo como um monumento macabro e aterrorizante, sussurrando para quem tiver coragem de escutar que nem todo o poder do mundo pode proteger um assassino da fúria implacável de um fantasma em busca de vingança.