
A polícia ouve gritos vindos da casa de um casal de idosos e faz uma descoberta comovente a seguir.
Quando nos reunimos com nossas famílias, parentes e amigos durante a celebração do Ano Novo, é difícil pensar em todos os idosos que se sentem sozinhos nesta época do ano. Quando ligamos a televisão, só vemos filmes festivos que frequentemente mostram grandes famílias reunidas em torno de mesas fartas de comida. Mas nos esquecemos de que a realidade nem sempre é assim e que há muitas pessoas sozinhas enquanto todos os outros celebram — uma solidão que pode ter consequências desastrosas se não for combatida.
Michelle e Joel Betty eram um casal de idosos italianos que viviam em completa solidão num pequeno apartamento em Roma. Embora estivessem isolados do mundo há muito tempo, raramente saindo de casa, exceto para comprar comida e ir ao médico, a vida deles nem sempre fora assim. Havia um passado feliz para o casal Betty. Michelle e Joel se conheceram quando tinham apenas 20 anos, dois estudantes de arte entusiasmados que queriam viver a vida ao máximo. Assim que se conheceram, souberam que estavam apaixonados e que o amor deles não seria passageiro. Amavam-se tanto que nem esperaram terminar a faculdade para dizer “sim” em segredo, numa cerimônia totalmente clandestina numa pequena capela nos arredores da cidade.
Após se formarem, tornaram-se artistas itinerantes que vendiam suas obras pelo mundo todo: França, Itália, Espanha, Estados Unidos. Não havia país que resistisse ao seu charme, nem festa à qual não comparecessem. Durante o dia, pintavam seus quadros e participavam de importantes feiras de arte para divulgar seu trabalho, e à noite, celebravam seus sucessos ou fracassos nas melhores boates de cada cidade. É difícil imaginar que esse jovem casal, tão cheio de vida e amor, pudesse um dia definhar e acabar deitado num sofá assistindo à TV, sem nada para conversar e sem ninguém para esperar. É difícil de acreditar, mas é a verdade.
É claro que os Bettys nunca tiveram filhos, nem desejavam tê-los. Seu estilo de vida era totalmente incompatível com a paternidade; uma criança não seria nada mais do que um obstáculo em seu caminho para o sucesso e a diversão que tanto desfrutavam juntos. “Nós nunca seremos pais, concordamos, certo? Só você e eu; não precisamos de mais ninguém para nos fazer felizes, meu amor”, Michelle sempre dizia à esposa quando tinham dúvidas sobre o futuro.
E por muitos anos, a drástica decisão do casamento foi a correta, e eles desfrutaram de muitas alegrias que jamais teriam podido desfrutar se tivessem constituído família. Contudo, o tempo passa para todos, e aquela energia e vigor de que tanto gostavam de se gabar não eram eternos e acabaram desaparecendo, assim como todos os seus sonhos. Com o passar dos anos, a saúde começou a declinar, e os excessos cometidos ao longo da vida começaram a cobrar seu preço.
Michelle, em particular, foi a primeira a sofrer um grande revés quando ele contraiu diabetes tipo 2 e foi diagnosticado com Parkinson. Isso deixou o casal devastado, e eles foram forçados a presumir que seus melhores momentos haviam chegado ao fim. Os amigos que pensavam ter não passavam de meros companheiros de festa, e todos os seus possíveis parentes próximos — que eles haviam se esforçado para alienar e decepcionar em inúmeras ocasiões ao não comparecerem a reuniões familiares, festas de aniversário, funerais ou casamentos — nem sequer se lembravam deles.
Joel, aos 82 anos, foi diagnosticado precocemente com a doença de Alzheimer, o que acabou condenando os Bettys a levar uma vida completamente diferente da que tinham antes e representou o início de uma profunda depressão para ambos. Era uma tristeza à qual não estavam acostumados e contra a qual não sabiam lutar, deixando-se consumir por ela e transformando-os em duas pessoas diferentes, isoladas do mundo e fechadas em si mesmas.
E com esse triste panorama, chegamos ao momento em que nossa história se desenrola e ao evento que traria esses dois de volta à vida e chocaria metade do mundo. Como explicamos no início, os Bettys moravam em um pequeno apartamento em Roma, em um dos bairros mais pobres da cidade. Quando tudo aconteceu, eram as festas de Ano Novo, e o casal de idosos estava, como de costume, sentado no sofá assistindo à televisão. Por horas, eles assistiram a filmes familiares seguidos das notícias mais sombrias no noticiário local. Essa mistura de tristeza e alegria acabaria por despedaçar os corações do casal de idosos e provocaria uma reação totalmente inesperada que atrairia a atenção de todos.
Os Bettys, cuja saúde mental havia se deteriorado muito nos últimos anos, estavam tão angustiados pela solidão, acentuada pelas histórias comoventes que acabavam de ver no noticiário, que não conseguiam fazer nada além de chorar. Choravam inconsolavelmente, e seus gritos podiam ser ouvidos por toda parte. Pensando que estivessem feridos, os vizinhos imediatamente chamaram a polícia romana, e os policiais foram investigar. No entanto, quando a polícia chegou ao lar de idosos e descobriu o que estava acontecendo, ficou sem palavras. Mas seria justamente o que esses policiais de bom coração fariam em seguida que acabaria por conquistar o coração de todos e levar a questão da solidão na terceira idade a um novo patamar.
Especialistas médicos alertam que a solidão mal administrada, especialmente em idosos e pessoas com saúde debilitada, pode ter consequências drásticas. Estatísticas indicam que um em cada 17 americanos com mais de 65 anos sofrerá de alguma forma de depressão na terceira idade e não buscará ajuda para tratá-la. O caso dos Bettys foi semelhante. Quando policiais de Roman atenderam a um chamado de vizinhos alarmados com gritos altos vindos do apartamento do casal de idosos, esperavam encontrar ferimentos físicos, mas, em vez disso, encontraram Michelle, de 85 anos, e Joel, de 84, chorando de dor emocional em frente à televisão em sua casa.
“Você está bem? Por que está chorando? Você se machucou?”, perguntaram os agentes apressadamente ao verem o idoso naquele estado.
A imagem era desoladora. A casa estava em péssimas condições; era óbvio que não era limpa há semanas e exalava um estranho cheiro de ovos podres. O casal sentia-se desesperadamente sozinho, e sua dor havia sido intensificada pelas notícias angustiantes que acabavam de ver na TV sobre maus-tratos infantis e desastres naturais com milhares de vítimas em alguns países do mundo. Eles não tinham nenhum problema de saúde no momento, mas seus corações choravam de tristeza — tanta que não conseguiam conter o choro para expressar suas emoções. Estavam tristes por haver tanta dor e sofrimento no mundo, uma tristeza acentuada pela depressão e demência que os afligiam.
O casal ficou assustado ao ver os policiais. Eles pararam de gritar e levantaram as mãos, pensando que a polícia tinha vindo para prendê-los. Logo perceberam que não era o caso e puderam se acalmar e explicar o que estava acontecendo.
“Relaxe, estamos aqui para ajudar. Não faremos nada de mal a vocês. Podem abaixar as mãos, por favor. Vocês estão seguros. Só queremos saber por que estão gritando e o que está causando dor”, disse um dos agentes apressadamente, muito preocupado com a reação dos idosos.
Michelle, a mais velha e aquela que ainda conservava um resquício de lucidez mental, convidou os agentes a sentarem-se ao lado deles e explicou, com considerável dificuldade, o motivo de estarem chorando tanto.
“A verdade é que nos sentimos profundamente sozinhos. Costumávamos ser a alma das festas; nós dois velhinhos dançávamos até o amanhecer. Mas veja só como acabamos. Nossa única companhia é o carteiro e os vizinhos da frente. Mas agora, nas festas de Ano Novo, não há ninguém aqui. Todos voltam para suas famílias para comemorar, mas nós não temos ninguém”, explicou o velho, muito triste.
Os agentes ouviram atentamente o simpático casal e, em vez de deixarem o apartamento, decidiram fazer algo para aquecer seus corações solitários. Depois de ouvirem sua triste história e perceberem que os idosos estavam completamente sozinhos e vivendo em condições terríveis, a polícia vasculhou os armários modestos do casal e conseguiu encontrar um pacote de macarrão, um pedaço de manteiga e queijo parmesão — o suficiente para preparar uma refeição saborosa que os ajudasse a se sentir melhor e a aliviar a solidão.
Enquanto um dos agentes cozinhava, o outro ficou com o casal de idosos conversando com eles. Os agentes perceberam que o casal estava muito magro e, vendo apenas algumas uvas velhas sobre a mesa da cozinha, decidiram chamar uma ambulância para verificar o estado de saúde deles. Meia hora depois, os dois policiais e o casal de idosos saboreavam um delicioso prato de espaguete gratinado com queijo parmesão. Ao sentir o inconfundível aroma da comida italiana, Joel não conseguiu conter as lágrimas, mas desta vez eram lágrimas de alegria.
Os agentes acompanharam o casal Betty por pelo menos duas horas. Depois, quando eles terminaram de comer e tiveram certeza de que estavam mais calmos, os policiais os deixaram descansar e prometeram retornar para prestar mais auxílio. Segundo o departamento de polícia, que publicou um comunicado em sua página no Facebook um dia depois, os policiais que ajudaram o casal de idosos esperavam que seu gesto de solidariedade pudesse, de alguma forma, ajudar a restaurar as forças e o conforto do casal e, ao mesmo tempo, tornar mais visível a tristeza que os idosos enfrentam diariamente sem que ninguém saiba.
Na publicação, os agentes descreveram sua experiência com o casal e explicaram tudo o que aconteceu depois que perceberam o verdadeiro motivo pelo qual eles não paravam de gritar.
“Não houve choro, e Michelle não foram vítimas de golpes, e nenhum ladrão entrou na casa. Não havia ninguém para salvar; o casal de idosos chorava de tristeza. A solidão que sentiam era tão grande que era impossível para eles se esconderem e permanecerem em silêncio. Meu parceiro de patrulha e eu decidimos fazer-lhes companhia e oferecemos-lhes uma refeição quente, algo que provavelmente não experimentavam há muito tempo. Ninguém merece passar seus últimos dias neste mundo assim. Demos a eles o que todos nós precisamos: amor e compaixão”, escreveu a polícia no Facebook.
A publicação viralizou rapidamente, com inúmeros comentários elogiando os policiais por sua atuação. Um dos comentaristas escreveu: “Um gesto de bondade como esse fará aquele pobre casal de idosos sorrir por muito tempo. Nessa idade, a memória funciona de forma diferente; lembramos mais, sentimos mais. O que aqueles policiais fizeram jamais será apagado de seus corações.”
Outra pessoa escreveu: “A solidão e o desespero deles foram amenizados por dois anjos da noite vestidos de azul. Obrigada pela humanidade, pelo amor e pela consideração. Ninguém deveria ter que passar os anos dourados da vida sozinho e infeliz.”
Após a notícia se espalhar e viralizar nas redes sociais, a família Betty recebeu ajuda do estado e foi admitida em um centro de convivência para idosos, onde nunca mais ficariam sozinhas e receberiam os cuidados necessários. Suas lágrimas se transformaram em paz e tranquilidade, tudo graças à generosidade desses dois policiais. O mundo precisa de mais histórias como essa.