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FLAVIA BARROS FOI M0RTA PELO NAMORADO 15 DIAS DEPOIS DE SER PEDIDA EM CASAMENTO (ELE JÁ ERA CASADO)

Flávia Barros foi morta pelo namorado 15 dias depois de ser pedida em casamento

Diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil, de um dos principais marcos da cidade de São Paulo, e com transmissões feitas a partir dos nossos estúdios Naveia Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e pergunto: que crime é este? Olá, sejam todos bem-vindos. Por favor, não esqueçam de se inscrever, curtir, compartilhar e ativar as notificações.

Marquem nas redes sociais, marquem todo mundo nas redes sociais. Se puderem, tornem-se membros. Se não puderem, não tem problema nenhum. Então, vocês virão comigo até o final deste encontro que vou ter com a prima de Flávia Barros, uma mulher que impactou o Brasil em março de 2026, quando perdeu a vida para o homem que ela pensava ser a possibilidade do seu grande amor.

Um relacionamento muito curto entre ela e o autor de tudo isso, Thiago Sóes Miranda de Matos. Bem, foi um relacionamento de 4 meses com alguns pontos turbulentos, sobre os quais Luana, sua prima, vai me contar tudo, mas é um alerta que todos nós devemos atender. O amor é calmo, o amor é bom, o amor não exige urgência de você.

E aqui entenderemos o quanto tudo estava em turbulência sem que Flávia percebesse. Uma mulher extremamente talentosa, uma mulher madura, já com 38 anos, com a vida profissional muito bem estabelecida, uma mulher muito bonita, uma mulher cujas fotos no Instagram você via e achava que era perfeita.

E entenderemos o quanto isso pode ter atraído seu “algo”. Bem-vinda ao canal. Obrigado. Aqui você ouvirá agora a voz de Flávia, certo? Eu sempre digo que aqueles que partiram serão silenciados se aqueles que ficam não falarem por eles. Portanto, é sempre muito importante que a família se manifeste, e fale muito, sempre falando por respeito à sua memória e em busca de justiça.

Luana, eu queria voltar com você para um momento antes daquele 21 de março de 2026, tão perto de casa. Estou gravando com você agora, entre abril e maio. Então, ao mesmo tempo, é assim: se você fechar os olhos, ontem você estava com ela, e hoje você não está mais. Então eu queria voltar um pouco antes daquele 21 de março, Flávia Barros, uma mulher de 38 anos, ela já tinha uma história.

Eu queria conhecer sua prima primeiro. Se você me ajudar a me apresentar, você me ajuda, e ajuda aqueles que estão assistindo, e infelizmente tenho que colocar o verbo no passado. Quem era Flávia? Então, Beto, uh, peço desculpas antecipadamente, não é fácil. Não, eu não consigo imaginar. E você, por favor, não peça desculpas. Este é um lugar seguro para você, é o seu espaço.

Bem, seria estranho se você não se emocionasse. Ainda é muito difícil falar sobre ela. Sempre tento focar em todos os bons momentos que podemos vivenciar, certo? Flávia e eu éramos como irmãs, não é? Pelo fato de eu morar no interior, certo? Nossas mães sempre foram muito próximas, sempre fomos muito apegadas, a ponto de quando saíamos, uma de nós chorava e a outra, como ela e eu, tenho muitas lembranças disso, eu chorava e ela entrava no carro se esticando, chorando para ficar.

E então, depois de um tempo, quando a mãe dela precisou se mudar para outra cidade por motivos de trabalho, ela foi para Paulo Afonso, certo? E nós ficamos aqui no interior, naquela época, onde? Na época da Dé, certo? E então nos encontrávamos durante as férias, feriados, sempre que eu tinha oportunidade eu ia, ela vinha até chegar a uma certa idade e disse que queria morar com minha tia, que é minha mãe.

Acredito que tudo isso seja por causa da nossa conexão, que sempre foi muito forte, não consigo explicar, é muito além de tudo isso. E então a mãe dela permitiu; naquela época minha mãe já morava aqui na cidade de Piranhas, e ela veio morar conosco. Então, era assim a irmã que eu nunca tive, certo? Eu tenho dois irmãos, e então tinha ela.

Ajude-me a entender uma coisa. Onde Flávia nasceu? Flávia nasceu em Santa Brígida, Bahia. É que quando tudo acontece assim, ela é considerada uma nativa da Bahia, uma nativa de Alagoas, e alguns até disseram que ela era nativa de Alagoas. Originalmente de Sergipe. Então você estava meio incerta geograficamente de onde ela tinha vindo.

Com o interior muito perto, certo? A área rural onde nossos avós moravam ficava perto de Santa Brígida, certo? Então, quando tanto a mãe dela quanto a minha mãe se juntaram e tiveram filhos, essa cidade de Santa Brígida era como o lugar onde eles iam ao mercado, ao supermercado. Entendi.

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A grande cidade de outras cidades é o centro de outras cidades, ok? Não é tão grande, é muito pequena. Às vezes elas são perto uma da outra. E para aquela época, digamos que sim. Entendo, certo? E assim ela nasceu em Santa Brígida, mas voltou para o interior de Sergipe. Piranhas de verdade, né? Piranhas fica em Alagoas. Ah, é Piranhas em Alagoas.

Vê? É por isso que Alagoas está incluído também. E isso. Piranhas, perto de Canindé, que fica em Sergipe, marca a fronteira entre os estados. Então, em 10 minutos você está em Alagoas, e em pouco tempo você já está em Sergipe. Entendi. E então ela acabou morando com você em Piranhas. Quanto tempo? Até quando? Tem muito mais de 10 anos, muito mais de 10 anos desde que ela começou a trabalhar, certo? Já entramos na vida adulta, porque éramos adolescentes, sabe, pré-adolescentes na época, muito jovens. Lá estava ela, trabalhando. E então, naquele

intervalo, eu me tornei mãe muito jovem, aos 18 anos, e foi ela quem me acompanhou durante todo o processo, tanto a gravidez quanto o parto, todo o processo. Ela até brincava que minha filha era filha dela. Você só alugou a barriga. Porque a semelhança entre as duas parece muito forte, certo? Eu também dizia que não tinha, não tinha como porque ela estava comigo o tempo todo, até no parque ela estava no hospital e ela era a madrinha, ela era, não porque ela vai continuar sendo

nascida. Ah sim, o amor sempre permanece. E sim. E então depois de um tempo, ela foi para Paulo Afonso e começou a trabalhar, certo? E foi aí que ela teve um relacionamento anterior. Só para entender por que ela vai para Paulo Afonso? Trabalho. Sim, é o trabalho que a leva embora. Isso. O que ela fazia para viver? Então, aqui ela trabalhava em um instituto, o Instituto Federal, o IF.

Ela era funcionária. E então, depois de um tempo, ela foi para Paulo Afonso, não por causa do instrutor, mas por causa de sonhos, porque ela queria algo mais. Ele entende? E então acredito que o pensamento dela era justamente que Piranhas não teria, não ofereceria os voos, os sonhos tão altos, tão altos que ela queria, certo? E então oportunidades surgiram para outros, em outras áreas, quando ela decidiu ir para Paulo Afonso.

Inicialmente, quando ela saiu, ela até ficou com outra prima nossa que também morava lá na época, por motivos de trabalho. Ah, ela tinha família lá, então era um porto seguro para ela, ok? Isso. E então ela ficou com ela por um tempo até se estabilizar, se organizar e ir para o seu próprio lugar. E o que ela fazia? O que ela estava fazendo lá? E então ela se torna, porque eu vi que ela é empresária, que trabalha na indústria de crédito.

O que ela estava fazendo lá? Isso. Ela trabalhava aqui, então era meio que… bom, era uma empresa afiliada ao Instituto Federal, mas não era um processo seletivo competitivo, era um contrato. E ela sempre teve esse desejo de trabalhar por conta própria. Então ela começou com vendas, e além do que você pode imaginar, ela foi atrás do seu sonho muito legal.

Ela queria ser uma lutadora. Isso. Ela sempre quis fazer seu próprio caminho na vida, então não havia obstáculos em seu caminho. Não difícil. Ela dizia: “Eu quero fazer isso, eu farei isso, e terei sucesso, eu terei sucesso”. Então, ela sempre foi muito determinada, sempre se esforçando para fazer tudo o que sonhava, tudo o que desejava, certo? Hoje tento ver dessa forma, tento, sabe? É uma forma de conforto, imaginar que ela trabalhou tanto para alcançar tanto para si mesma, para viver, né? Porque ela realmente gostava de viajar, e se surgisse um problema, ok?

Foco, tentar resolver, depois sair da situação, viajar, tirar alguns dias de folga, é como se sua mente ficasse limpa. Então era isso. E a alegria é inexplicável. Ah, é tão verdade que muitas pessoas que não a reconheciam antes de vê-la no Instagram e nas redes sociais percebem o quão bonita, vibrante e sempre sorridente ela era.

E era isso que ela era. Não, não tinha nenhum. Eu sempre dizia, quando ela estava aqui ou quando eu estava lá, “Nossa, que menina agitada, ela não deixa ninguém dormir, ela já está de pé, acorda já ligada, sabe, ela acordava assim, vamos minha filha, vamos cuidar das coisas e depois tem isso.”

E mulher, pelo amor de Deus, deixa o dia amanhecer. Sempre muito alegre. Bem, ela tinha uma maneira muito particular de lidar com dificuldades e problemas, não é? E essa era a maneira dela de lidar com a vida, acho que com todos os desafios, todas as dificuldades que ela enfrentou, ela aprendeu. E como era essa vida paralela? Porque nós somos como pequenas caixas, certo? Ocupamos uma, depois ocupamos outra.

Às vezes, às vezes queremos ocupar todas ao mesmo tempo, às vezes é mais difícil. Pelo que você está me dizendo, ela era uma mulher trabalhadora, sonhadora, que vai em busca de si mesma. Ela estava na terapia, sabe? Então, uma mulher que estava na terapia, que sabia a importância da mente, sabia a importância do corpo físico, porque você vê que ela era uma mulher que precisava do corpo físico para trabalhar, então ela cuidava de si mesma, ela era entusiasmada com a vida, entusiasmada com o dia, ela tinha um propósito financeiro para alcançar, para se destacar na sociedade.

Como era a parte amorosa dela? Então, Beto, uh, ela também teve um relacionamento anterior em Paulo Afonso, ok? Eles moraram juntos por um longo tempo, certo? Então, digamos que é normal, do ponto de vista estético, certo? Todo casal tem desentendimentos; ninguém é perfeito, certo? E isso é normal. Mas assim, muito fácil de viajar.

Eu até hospedei eles na minha casa inúmeras vezes, eu costumava ir muito lá no Natal, tentando reunir todos, família, amigos, todos juntos. Então, ela realmente gostava disso, de poder ter um momento para estar junto com todos, e eles aproveitavam esses feriados para ter todos juntos. Entendi. Mas ela também era muito assim, não deu certo, não está funcionando para mim.

Adeus. E a vida segue, sabe? Muito, muito determinada, sabe, de não recuar? Cabeça erguida e continuar. Às vezes, até hoje, eu me questiono, e digo: “Nossa, por que isso aconteceu com ela? Como ela pôde se deixar entrar em uma situação tão abusiva, um relacionamento assim?” Ela não teve os anteriores, porque não estou questionando nem julgando ela moralmente.

É porque às vezes existe um conforto até no ruim; você desenvolve uma conexão e continua se encaixando no mesmo tipo de pessoa, porque é por isso que perguntei se ela estava na terapia e tudo isso, porque o desconfortável às vezes se torna familiar. Então ela não tinha um histórico de relacionamentos abusivos, não.

Até ela, eu costumava dizer que ela era muito assim, sabe? Absolutamente correta, muito sensata. E ela dizia: “Não quero nada que eu não mereça”. Perfeito. Eu estou muito além disso. Ela falava muito. Estou muito além disso. Eu olho para mim, eu trabalho nisso. Então, isso está muito bem resolvido. Ela sabia o seu próprio valor. Exatamente.

E isso para alguém entrar na vida dela, eles tinham que valorizá-la tanto quanto ela se valorizava, porque ela sabia disso. A mulher que ela era. Isso. Isso é muito interessante porque desvia completamente do perfil dos casos que eu cuido. Pronto. E é aí que eu questiono, certo? Dada a sua personalidade, o que aconteceu para colocá-la nessa situação? Bem, estou tentando descobrir por que existe algo chamado vitimologia no crime, que, como Rosângelo Monteiro sempre diz, não é sobre julgar, é apenas sobre entender a história.

Eu realmente gostaria de saber a história dele, quantas vezes ele pode ter repetido o que fez com sua prima, e quão desafiadora sua prima foi para ele, já que ela poderia ser até diferente das outras. Quero entrar em como eles se conheceram e tudo mais. Há quanto tempo ela estava solteira? Há mais de um ano. E ela teve apenas esse relacionamento, ou teve outros namorados nesse intervalo, e apenas aquele relacionamento sério? Não, eles tiveram outros, mas relacionamentos, né? Namorar era normal, mas nada que ela tinha experimentado

antes era parecido. E então, não com o Thiago, mas com o anterior, ela tinha se casado e estava até morando junto, eles estavam namorando. Há quanto tempo dura essa última história dela? Seis, entre 6 e 7 anos, quase. Ou seja, uma mulher que cria raízes. Certo? Ela queria criar a história.

Ela estava solteira há um ano, a julgar pelas fotos e vídeos que vi no Instagram dela. Ela parecia ótima, mas o Instagram é assim, ninguém posta fotos ruins, certo? Então, não dá para julgar pelo que é mostrado no Instagram, porque é apenas uma vitrine. Ela não tem isso, não é 8D, certo? Falta profundidade. Como ela estava este ano? Ela estava bem, ela era ela mesma, porque ela estava se aproximando dos 40 e há algo sobre a idade às vezes, onde exigimos certas coisas de nós mesmos, não sei por que, como se a virada da

década tivesse que ser completa em alguns outros aspectos, não sei por que fazemos isso conosco, mas fazemos. Como ela estava neste último ano? Ela estava pensativa, ela estava ansiosa, ela estava deixando a vida seguir seu curso? Não. Então, Beto, uh uh, ela realmente aspirava ao nível profissional, sempre visando mais, certo? Além da empresa que ela tinha em Paulo Afonso, onde trabalhava, este ano ela conseguiu estabelecer uma parceria com um escritório em Aracaju.

Ela já tinha outro ponto de venda. Eu estava trabalhando em parceria lá, e então eu ficava perguntando a ela sobre isso, sabe? Às vezes sinto falta dela, minha irmã. Estou trabalhando tanto, você não tem ideia, estou correndo como uma louca. Então, por um mês ela passava uma semana, 10 dias em Aracaju por causa do escritório lá, e os dias restantes em Paulo Afonso, certo? Então, era muito corrido.

Então eu vim para a faculdade, ela estava no quarto semestre da faculdade de direito, certo? Então acabou sendo muita coisa para absorver. Ela sempre dizia: “Eu saio de casa às 6 da manhã e volto às 11 da noite, certo? Ir dormir”. Essa coisa, eu sei que horas eu saio, mas nunca sei realmente que horas vou voltar. Exatamente.

Então era muito sobre isso, era sobre realizar sonhos profissionais, e ela tinha muitos, como casar, ter filhos, ter sua própria casa, certo? Então, era muito, e ela achava que através do trabalho, sabe, ela seria capaz de alcançar seus objetivos através do trabalho, certo? Tanto que ela não era de recuar, porque existem mulheres que são submissas, que dependem de homens, que vivem lá nas sombras e são jogadas nessa situação, certo? Isso.

Sabemos que isso acontece muito, e não era como ela. É, e ela tinha outro trabalho também, ela estava começando a se tornar blogueira, sabe? Ela estava com ela, ela tinha esse desejo, ela estava com essa coisa que é muito trabalho, sabe? As pessoas acham que é impossível, mas é muito trabalho. Ela também tinha esse desejo de ser influenciadora.

E isso. Ela costumava brincar sobre isso porque postava algo e via que tinha muitas curtidas, compartilhamentos, e assim por diante. Ela era mais do tipo esportista, certo? Sim, mas eu também estava olhando mais para esse tipo de trajetória de carreira, especialmente por causa do que o trabalho dela exigia, sabe? Até o trabalho de vídeo, dos posts.

Ela falando na frente das câmeras. Então, ela estava trabalhando nisso também. Como o Thiago entra na vida dela e na sua? Como ela conta para você como ela te conheceu, e como você descobre quando ela te conheceu, Beto? Tudo aconteceu em um período muito curto de tempo, certo? Então, hoje digo felizmente que não tive o desprazer de conhecê-lo pessoalmente, apenas por videochamadas, certo? Talvez se eu soubesse, estaria muito pior.

E ele a conheceu em uma palestra na faculdade. Eu sei, mas vou pedir para você me dizer qual palestra era essa? Feminicídio. Ele estava dando uma palestra na universidade onde ela estudava direito, para falar sobre feminicídio. Isso. Eu até tenho uma, não sei se posso compartilhar com você, tenho uma foto dessa palestra, ele na frente e ela sentada no canto com a mão no queixo, assistindo à palestra.

Meu Deus. Então, olha, uh, eu já disse em outra entrevista com seu advogado, ele não tinha um lobo em pele de cordeiro, ele era um feminicida na pele de um bom homem. Isso. E é bem interessante que, assim, eles se conheceram e então, incrivelmente, ela não queria. Foi um movimento muito insistente. Normal, absolutamente normal.

Foi bastante insistente da parte dele, não foi? E hoje posso imaginar e tentar entender que acho que ele não, como posso dizer, como se não acompanhasse a evolução dela, como se não aceitasse ela ser empoderada e independente. Todas essas questões eram tipo, eu a quero, mas essa mulher não se encaixa, ela não é o que eu quero, então vou tentar moldá-la.

Não há desafio hoje para essa esfera machista, Red Pill, porque eles não querem mulheres que queiram ser submissas; eles querem pegar mulheres que não entenderam seu lugar e trazê-las para o seu nível. E ela se tornou um grande desafio para ele. Exatamente. Um desafio. Um desafio. Então, até então, eles estavam se conhecendo, você sabe, em certos momentos, certo? Houve até um episódio — eu não estava presente, repito, a irmã dela estava — onde eles foram para a fazenda, que fica em Sergipe, aqui no interior de Canindé, que pertencia à mãe dela, e enquanto bebiam, ele se estressou com ela e deu um tiro para o alto. Não sei se você já estava ciente disso. Não, não. Então, em um momento de estresse, ele deu um tiro para o alto, e ela, junto com outras pessoas no local, foi para um lugar para passar um domingo. E você sabe o motivo do estresse tentando entender o que a conexão era? Não sei te dizer o motivo porque não entrei em detalhes sobre isso; para mim, o disparo não era absurdo, mas é também porque ele estava se escondendo. Ainda vamos descobrir novos segredos sobre ele, e ela o conhece. Quando ela fala com você sobre ele pela primeira vez, como ela fala dele? Então, ela não falava com esse entusiasmo. Faltava o entusiasmo para falar. É que estamos nos conhecendo, estamos nos conhecendo calmamente, certo? Então tudo é muito assim, mas o que ela dizia é que, apesar desses comportamentos, ele é muito do tipo que vai e vem.

Sim. Ele teve um daqueles momentos estressantes, tipo assim, de dar um tiro para o alto, e ela ficava tipo, “Eu não quero, eu não quero, eu não quero”. E então ele chega com flores, com bilhetes, com chocolates. Perdoe-me. Eu sei que sou imperfeito, mas eu quero. Você é a mulher da minha vida, quero me casar com você, vou te dar filhos com essa história muito fofa, certo? E então, depois de um episódio como esse, passariam alguns dias e ele ligaria insistentemente e tentaria entrar em contato novamente.

Você mencionou sonhos, talvez sobre ela. Ela realmente queria ter filhos e ser casada. Sim, sim. Era um desejo, sim. Então, ou ela de alguma forma fala com ele sobre isso, ou ele descobre, e ele usa o sonho dela. Sim, sim, sim. E isso. Isso. Nós conversávamos, batíamos papo porque é sobre isso que um relacionamento trata, certo? Então você tem sonhos, e ele prometeu isso a ela — filhos, casamento.

Ela sabia que ele tinha filhos? Ela mencionou para você? Não, não. Nem do relacionamento. Ninguém sabe. Sobre o relacionamento. Eu imaginei. Mas então, o advogado me disse que ela sabia sobre ter filhos. Não. Então, Beto, não vou te dar 100% de garantia. Ela nunca falou comigo sobre ter filhos. Com você, zero. Não. E você fez perguntas a ele ou alertou? Fez algum sentido para você? Você entrou no Instagram dele? Algo assim? Não, não, eu nunca, nunca entrei no Instagram porque, bem, ela sempre foi muito privada, ok? Ok. Ela sempre foi muito reservada. Então, antes de falar sobre alguém com quem estava saindo, ela esperava um certo tempo, sabe, para se sentir confiante, se sentir confortável o suficiente para compartilhar.

Então o que eu sabia era que ele não era de Paulo Afonso, mas que ele estava lá por motivos de trabalho, que ele trabalhava no presídio, que tínhamos amigos em comum, certo? E foi nesse momento que ele a conheceu e começou essa insistência, e ele começou a frequentar a casa dela, e nos momentos em que ele estava sendo bom, ele recebia muito cuidado, muito amor, muito mimo.

Ele estaria atirando a qualquer momento agora. Sim, ele estaria atirando em breve. Então, era um perfil que ele já vinha mostrando, que já vinha dando dicas, certo? E então eu me pergunto, eu disse: “Nossa, será que ela estava sofrendo algum tipo de ameaça? O que ele estava colocando na cabeça dela para fazê-la ficar naquele relacionamento?” Ela foi ameaçada de não ter seu sonho, porque esse tipo de homem, contra sonhos, diz que vai te dar o que você quer, e se você fizer qualquer coisa, viu? Você não merece o que quer.

Porque eu sou o homem que deveria casar com você e te dar filhos, olha como você me trata. Ele subverte sua mente. E as pessoas, esses tipos de pessoas subvertem a mente de qualquer um. Ninguém aqui é imune. Nem mesmo sua prima, que é praticamente sua irmã, que você achava que tinha todo um exército interno, uma mulher que vai à terapia, uma mulher de sucesso, uma mulher que cuida de si mesma, que se olha no espelho, gosta de si mesma e conhece seu valor, ele consegue subverter as pessoas, não, eu acho que o caso da sua prima é icônico porque ela é a que nunca passaria por isso. É isso, exatamente. E ela, de fato, mostra que todos nós somos.” Vulnerável. Todos podem se tornar desesperados por causa de um fantasma. Então, é uma questão de olhar para si mesmo e entender que você é vulnerável. E por isso, nos conectamos ainda mais. Ah, sobre aquele dia em que ele atirou na fazenda, ela te contou ou não? Você só descobriu depois de tudo? Depois, porque ela, como eu disse, além de ser reservada, era muito de não preocupar ninguém, de não querer preocupar ninguém,

certo? Especialmente porque ela sabia que eu acho que ela imaginava, certo? Se ela tivesse me contado aquilo, não sei, nem quero imaginar. Nem quero imaginar se eu estivesse lá na época. Claro. Você me contou sobre ele no início de fevereiro. Ah, o Ano Novo passou, novembro. Vocês conversam o tempo todo, imagino.

Mas ela não tinha me contado nada sobre ele, não. Não. Então ela veio me contar em fevereiro que estava conhecendo ele desde tal novembro. É verdade. Desde novembro. Mas ela estava conhecendo ele e que ela até queria vir aqui com ele para minha casa. Então eu disse: “Tudo bem”. Então ela sempre brincava que me chamava de Maria e eu a chamava de… Ela também dizia: “Maria, você já arrumou meu quarto?”. “O dia que eu chegar aí, não sei o que”. Eu disse: “Venha, mulher, venha”. E foi aí que não deu certo e ela acabou não vindo com ele e não deu certo. Ela não foi com ele. Por quê? Porque a irmã dela ia fazer uma cirurgia. Ah, ok. Não porque eles tinham brigado, não. Não. Ela ia fazer uma cirurgia e a cirurgia estava agendada.

Acredite ou não, hoje eu entendo. Eu disse: “Acho que Deus tem tudo, certo?” Porque ele teria vindo para minha casa, eu o teria recebido, ele teria passado o fim de semana comigo, certo? “E eu estaria muito pior hoje”. Entendo. Você disse que teve uma videochamada com ele. Sim, sim.

E então a cirurgia da minha irmã estava agendada para o fim de semana, e então eles cancelaram. Uma semana antes do aniversário dela, que era no domingo, dia 15. Acho que era quinta-feira, se a memória não me falha, eu estava em casa, tomando café, ela também estava em casa, tomando café, e ela me ligou em uma videochamada. Minha filha e eu estávamos sentadas à mesa, eu coloquei meu telefone para baixo e ficamos conversando e conversando sobre bobagens, sabe? Então ela virou a câmera.

E então eu vi ele, como estou vendo ele agora. Eu acenei. Oi, como vai? Minha filha e eu, ele foi muito simpático, muito educado, certo? E então ele nos cumprimentou e disse, “Então eu disse, então ele foi e brincou com ela e essa mulher com ela”. Eu disse: “Ah, meu filho, tome cuidado, ok?” e cuide dela. Então brincaremos e cuidaremos dela.

Então ela entregou o telefone de volta para ela e disse, me mostrando minha filha. Ele disse, ele disse que eu sou manhosa, que eu fico manhosa e faço cara feia mesmo quando estou com raiva. Ele disse: “Mostra para a Lara, que é minha filha, que é muito pior que eu, que é igualzinha a mim. Então, coisas assim. Eu sei, né? Minha cópia, ela ficava mostrando, certo? Minha cópia, que não sei o que, que ela adorava dizer isso, que ela era filha dela, que eu só a aluguei do meu útero, que ela era cópia dela.

Então, a conversa foi assim, exatamente uma conversa normal, uma conversa calma. Eles estavam tomando café lá, nós estávamos aqui, e eles estavam conversando fiado. E é isso, encerramos o assunto. Ela disse que talvez fosse viajar, ela estava resolvendo as coisas, sabe, trabalhando, preparando as coisas para viajar para Aracaju no fim de semana do aniversário dela.

Não, no fim de semana do aniversário dela era para Maceió. Ah, então tem uma viagem antes. Ela disse: “Sim, o fim de semana antes, que é o Dia da Mulher, não o dia 8. Era o dia 8. O aniversário dela era dia 15. 15 de março. O domingo antes do dia 15. Sim, então deve ser porque ela viaja para Maceió com ele naquela época”. Sim. E você foi.

Ok? Você ouviu sobre a viagem? Estava tudo bem? Sim. Mesmo no aniversário dela, uh, só nos falamos por telefone, mas ela ligou, ela fez uma videochamada para minha mãe. Minha mãe fez uma cirurgia e ela ligou para ela para ver como ela estava. Elas conversaram e ela disse na chamada que voltaria para Paulo Afonso, ficaria até terça ou quarta-feira, passaria o resto da semana em Aracaju e no domingo, quando voltasse, passaria aqui para ver minha mãe que estava se recuperando da cirurgia.

Um domingo que nunca chegou. Não, esse domingo nunca aconteceu. Aconteceu, mas de uma maneira mais triste e trágica para você. Uh, no dia 8 de março, sei que ela recebeu um buquê com um pedido de desculpas dele. Você sabe sobre esse buquê? Foi para você? Porque ela diz que eu tenho um, de acordo com o que o advogado me disse, há uma foto, é um buquê com um cartão onde ele diz: “Perdoe-me por ser uh, ele escreve um texto, perdoe-me por não sei o quê, não sei o que mais”. Ele está pedindo perdão.

Você sabe, você sabe sobre isso? A história? Só mais uma briga. Só mais uma entre tantas, porque depois do que aconteceu, certo? Até a própria irmã dele expressou muito sobre uma abordagem mais agressiva, um incidente de puxão de cabelo. Então, depois de todos esses eventos, sempre havia um presente, um buquê, um pedido de desculpas. Ah, então havia elementos físicos, certo? Ainda não, porque há um ciclo vicioso, um ciclo, certo? Esses abusadores criam um ciclo vicioso.

Do romance ao início do controle até chegar ao tapa e ao feminicídio, leva muito tempo, mas ele conseguiu montar todo o ciclo em quatro meses, então já havia esses pontos preocupantes. Exatamente. Exatamente. E situações, né, que aconteceram, e há muitas fotos, inclusive, né, de buquês, chocolates, bilhetes que ele enviou pedindo desculpas, pedindo perdão.

Depois do que aconteceu no dia 2 de março, na verdade acredito que o fato de todos estarem no piloto automático e terem tanto trabalho e compromisso, não paramos para observar. Flávia, todos os dias… Às 6:00 ou 6:10 da manhã, ela fazia um vídeo, um story no Instagram, vestida para o treino, tomando seus suplementos e encorajando os outros.

“Você bebeu água hoje?” e assim por diante, “Vamos lá, vamos pegar essa tapioca, sabe, isso é como correr atrás da vida”. Enfim, ela fazia isso todos os dias. Eu costumava fazer também. E depois do que aconteceu, percebi que ela não estava fazendo mais. Ela não vinha fazendo regularmente por dias, ela não estava fazendo com a frequência de antes, sabe? E então, de acordo com relatos, ele estava meio que controlando ela, controlando as redes sociais dela, ele tinha ciúmes da exposição dela nas redes sociais.

Meu Deus. E ele tinha um problema, sabe? Quanto maior o perfil dela se tornava, mais provável seria que sua outra esposa descobrisse, se eles se cruzassem, ou se ela — não sei se a esposa dele sabia que ele tinha outra mulher, mas descobri sobre a Flávia — ele tinha outro relacionamento mal organizado. E então o dia chegaria.

15 de março, aniversário da Flávia, e ele vai pedi-la em casamento. É verdade. Como foi, como você descobriu essa notícia? Como você descobriu? Ela muito, muito, muito feliz, acho que apesar do que aconteceu, sabe, os momentos que ela já tinha passado com ele, mas eu sempre acreditei ou pensei em uma mudança.

O sonho dela, sabe, de casar, de ser mãe, de construir uma família, acaba ofuscando essa situação, porque ele prometeu isso a ela, certo? Ele prometeu isso a ela a ponto de, conversando com a Luana, que era amiga dela, que mora em Paulo Afonso, certo? Acontece que com o contato diário, o ciclo menstrual dela estava atrasado, o dela estava atrasado, e ele comprou testes para ela fazer na esperança de engravidar.

Então, ele estava, bem, porque ele sabe que um abusador quer um filho, não porque ele quer ser pai, mas porque a mulher passa 9 meses na gravidez, então há um controle absurdo durante esses 9 meses, e então a mulher estará… Então, ela tem um bebê, alguém que depende dela 100%. E então é ainda melhor para ele, porque ele pode controlar tudo, trancá-la, e transformar a criança no novo tesouro dessa mulher para que ela não deixe aquele horror por causa da criança.

O abusador usa a maternidade da mulher como uma arma para controlá-la. Exatamente. É isso. É muito normal. É impressionante o quão rápido ele foi, porque foram apenas alguns meses. Sim, muito pouco tempo. E em muito pouco tempo ele fez muitas coisas ruins, certo? E algo que na época ela considerou bom, como a proposta de noivado, certo? E isso é normal em um relacionamento.

A pessoa faz, né, diz que vai fazer algo que você sonhou. Mas 4 meses é um tempo curto demais. Ela estava tipo, como você descobriu sobre o noivado? Ela enviou uma mensagem. Ela enviou uma mensagem. Ela enviou uma foto de visualização única das mãos dela com o anel. Então eu brinquei: “Ah, C, como assim?” “Tão rápido, do nada?” Então eu vou te contar, certo? Tão rápido, do nada, ela vai te contar pessoalmente que seria aquele domingo depois do domingo que não aconteceu.

É isso. Ela vai viajar. Quando vocês duas se falaram pela última vez? Na quinta-feira. Falamos na quarta-feira porque, além de tudo, de todas as responsabilidades dela, ela era meu porto seguro em todos os aspectos, com minha filha, com situações pessoais. E então, uh, Piranhas é uma cidade muito pequena, Paulo Afonso sendo um pouco maior, questões médicas, uma coisa, eu sempre ia a Paulo Afonso e ela era sempre a que agendava minhas consultas, que procurava médicos.

E eu tinha o procedimento agendado para terça, quarta-feira, dia 17. Eu tinha falado com ela no domingo, falei com ela na segunda-feira, ela mandou mensagem: “Maria, você vem na quarta-feira?” E eu disse: “Sim, estou, está tudo bem”. Ela nem sabia se eu estaria aqui porque tenho que ir para Aracaju. Então eu disse: “Está tudo bem, sem problemas”. Mas então ela não me contou. Ela confirmou se ia ou não para Aracaju. E na quarta-feira, quando saí daqui para Paulo Afonso, liguei para ela. Não consegui completar. Quando eu já estava chegando em Paulo Afonso, ela retornou a ligação. “Oi, Maria”. Eu disse: “Onde você está?”. Ela disse: “Acabei de chegar em Aracaju”. Eu disse: “Acabei de chegar aqui em Paulo Afonso”. Então ela disse: “Eu não acredito, por que você não me contou, sua boba?”. Ela me chamou de boba. “Não acredito que você não me contou sobre esse lugar”. Eu disse: “Mulher, eu te contei, e você não sabe, minha irmã, como minha cabeça está me dando trabalho?”. Eu disse: “Mulher, não se preocupe, eu vou cuidar do que tenho que cuidar aqui”. “Fique calma”. Então ela disse: “Ah, ok então, se precisar de alguma coisa, me avise e me mantenha atualizada”. É, eu até precisei de ajuda com algo lá. Falei com ela de novo, ela encaminhou, e então na quinta-feira ela me mandou mensagem de novo, sempre com Maria. “Maria, deu tudo certo?”. Eu disse: “Sim, deu”. “Eu mencionei, certo?”. Eu disse: “Estou descansando até sábado ou domingo, mas está tudo bem”. Enfim, é isso. Nossa troca de mensagens, a última foi na quinta-feira à noite. Tudo vai acontecer de sábado para domingo, certo? É verdade. Ah, como você descobriu? Que sua prima, irmã, seu, seu porto seguro, sua outra metade tinha morrido.

E quando você descobre que ela morreu, pior ainda é a maneira como tudo aconteceu. Uh, recebi uma ligação, eu ainda não tinha checado as redes sociais, não tinha visto nada, certo? Recebi uma ligação de um amigo nosso em comum que conheci através dela, de Paulo Afonso. Quando ele me ligou, até achei estranho. Danilo me ligando. Então imaginei que ele estivesse vindo aqui, porque também trabalho com turismo aqui.

E então pensei que ele queria algo, sabe, fazer algum passeio, reservar algum barco, algo assim. Então, oi, Dan, bom dia. E ele, reconheci a voz, Luana, eu disse, oi, ele disse, você está em casa? Eu disse sim, estou. Quando ele perguntou, “Com quem você está?”, eu disse, “Eu e a Lara”. Confesso a você que, bom, eu congelei.

Porque quando ele fez essa pergunta, não era normal. E vindo dele, um amigo da Flávia, só poderia ser por causa da Flávia. Eu disse: “O que há de errado?”. Então ele disse: “Flávia, você está em Aracaju?”. Eu disse: “Sim, estou”. Então ele disse: “Olha, não sei até que ponto é verdade, mas acabei de descobrir que ela estava saindo da festa, que na noite de sábado ela tinha ido a um show, que ela estava saindo da festa com o Thiago e na saída, quando viu ele, alguém atirou no carro dela contra o carro dele”.

Uau, a primeira história era sobre um ataque contra ele porque ele era policial. Foi isso que pensei na minha cabeça na época, tipo, o diretor de um presídio, certo? E então, muitas coisas acontecem. Eu disse, alguém saiu que tem algum problema com ele, tentou fazer algo, e ninguém quer saber sobre quem está com ele, certo? É isso que veio à minha mente.

Eu disse: “Dan, você tem certeza? Descubra e me conte alguma coisa”. Mas eu já tinha isso; eu já tinha destruído meu próprio mundo. Então desliguei e comecei a ligar para ela imediatamente. Chamava normalmente, apenas tocava, ligava pelo WhatsApp, apenas tocava. Enquanto isso, meu irmão me ligou; ele mora aqui em Canindé, crescemos juntos, certo? Ele consequentemente também.

Então ele disse: “Aconteceu algo com a Flávia?”. Foi aí que meio que fiquei estressada. Eu disse: “Leo, não sei, não sei. Danilo acabou de me ligar, mas ele não pôde dizer nada. Falo com você daqui a pouco, estou indo, estou tentando ligar para ela para descobrir o que aconteceu”. Desliguei com meu irmão, comecei a ligar para minha prima Jessica, que mora em Aracaju, que estava com ela na noite do show, e fiquei ligando para a Jessica, ligando para a Jessica, ligando para a Jessica, e nada.

Então Danilo me liga de volta. Então, Dan disse: “Olha, não foi como te contei. Uh, ele a matou e tentou…”. Sim, apenas não use essa palavra. Diga “autoexecução”, tentou tirar a própria vida, mas ok, vamos cortar aqui porque o YouTube derruba essa palavra, mas “autoexecução”, tentou tirar a própria vida, e tentou suicídio. Eu disse: “Como assim?”. Eu disse: “Mentira, mentira”. E não acreditei, não acreditei. Mentira. E então tentei acalmá-lo e acalmá-lo. Estou descendo aí. Ele na verdade veio de Paulo Afonso para cá. Então desliguei e não sabia o que fazer. Então continuei tentando ligar para minha prima, ela atendeu, ela estava dormindo.

Prima, uh, aconteceu algo? Você sabe de algo que aconteceu com a Flávia? Então ela disse: “Não, estou acordando agora”. Eu saí da festa. Ela ficou na festa. Foi você quem contou para sua prima que estava com ela na festa. Oh meu Deus! Ei, fui eu quem contou para ela da pior maneira possível, certo? Então ela disse: “Não, prima, não sei, mas vou”. Então eu disse o que meu amigo tinha dito, certo? Sil me ligou e me contou isso, tipo assim: “Oh meu Deus, você está louca? De jeito nenhum, de jeito nenhum, foi puro desespero”. Ela disse: “Não sei para onde estou indo, se estou indo para o necrotério ou para a delegacia”. Eu disse: “Não sei, tente descobrir o quão verdadeira é essa história”. E então recebi o vídeo do IML já saindo com o corpo. Aí está.

E então a partir daí eu desmoronei, e inúmeras ligações se seguiram, e cheguei ao ponto em que parei de atender meu celular, não queria saber de mais nada. De fato, era tudo verdade. E eu estava me preparando para ir à casa da minha mãe para dar a notícia, sabe? A mãe da Flávia não está viva. Não. Não está viva.

Nem o pai. O pai dela morreu em um acidente quando ela tinha 9 ou 10 anos, e a mãe teve um ataque cardíaco. Fez dois anos em dezembro. Oh, e foi uma situação desesperadora. E minha mãe a considerava como filha também, certo? Sim, claro. Ela ficou lá por 10 anos, não sei, concordando com ela, vivendo juntos.

E eu não tive tempo de chegar à casa da minha mãe porque ela viu e descobriu a notícia pelo Instagram, uma rede social. Oh, e sua mãe já descobriu, oh meu Deus. E como sua mãe se sentiu? Meu Deus, como ela pôde cooperar em tal coisa da pior maneira? Ela estava no pós-operatório, certo? Recentemente operada.

Não faziam 15 dias, eram cerca de 10 dias. Mas naquele momento, Beto, ela foi muito forte. Eu digo que ela foi muito forte, muito mais forte que eu. Muito mais que eu. Porque, assim, eu desmoronei de um jeito que não consigo explicar. E lembro dela me dizendo: “Minha filha, você precisa ser forte”. “Minha filha, todos precisam de você”. E para mim, nada fazia mais sentido. Lógico. Você, então vou entrar na parte do “depois”, mas só para você entender uma coisa, teve uma parte do “depois”, e então você deve ter descoberto como tudo aconteceu naquele dia. Flávia e Thiago vão ao show com outras pessoas. E isso? Mais três amigos.

Entre eles uma prima sua e outro amigo. E minha prima mora em Aracaju, ela falou com ela, e eles se encontraram na festa e se juntaram. Eles não foram juntos. Flávia e Thiago foram para Aracaju primeiro, certo? Isso. Flávia saiu na quarta-feira por motivos de trabalho. Ele chega com esses amigos de Paulo Afonso.

Ah, os amigos estavam viajando juntos de Paulo Afonso. Só para entender a dinâmica. Sua prima foi de carro no próprio carro dela. Isso. E como ele foi? Ele foi com aquele casal de amigos. No carro desse casal de amigos. Exatamente. Então, o que esse casal de amigos e sua prima conversam? Como eles estavam.

Não consegui falar com eles, Beto, porque, bom, me encontrei com eles no domingo, que foi o dia do velório, na segunda cerimônia de doutorado, e não voltei desde então. Então, também não acho que você queria estar envolvida nos momentos finais da sua prima. Ela não queria dizer isso, mas a Jessica, nossa prima, relatou que em algum momento percebeu que ela estava chateada com alguma coisa.

Lá, o cara imediatamente fazia careta. Sua prima diz que Flávia estava no show e algo aconteceu entre eles. Exatamente. E ele saiu e ficou não se sabe onde por bastante tempo. Ele saiu do grupo onde eles estavam, que era um espaço mais reservado, uma espécie de área privada, não um camarote VIP, mas um espaço privado, seu próprio espaço, sua área VIP.

Este é um espaço confinado. E então ele sai e fica por um longo tempo, e ela está lá tentando, você sabe, se distrair, aproveitar a festa com seus amigos, mas sua expressão era clara, seu descontentamento. Bicuda, bicuda, é assim que se chama. E então quando minha prima decide ir embora, ela chama por ela, “Prima, você vai comigo?”. Não, prima, não vou.

Ela tem certeza, venha comigo porque ela disse que chamou justamente porque sentiu que algo estava acontecendo, a atmosfera, sabe? Ela disse: “Não, estou no hotel logo em frente, não se preocupe”. Você pode ir, estarei lá em pouco tempo, vou direto para o hotel. E assim foi feito. Ele tinha a arma, Thiago.

Alguém fala sobre isso. Sua prima estava falando na festa. Ele tinha a arma. Então, você sabe como foi? Thiago, ele está voltando, eles estão indo embora juntos, ou o Thiago já saiu? Ele sai, retorna, fica por mais um tempo e sai de novo. E ela está saindo sozinha. Ele vai à frente. Até então eu pensei que ele tinha saído, mas ele não tinha.

Ele não tinha saído. Ela chega ao hotel sozinha e entra no quarto por conta própria. E ele não estava no hotel ainda. Ele não estava lá. Então o que acontece depois? Então o que acontece depois? Ela vai para o hotel, você sabe, ela chega ao hotel primeiro, e entra. E então descobrimos o resultado final através das câmeras de segurança do hotel, que é o que as câmeras capturaram, certo? Bem, ela chega depois de um tempo, você sabe, não um curto período de tempo, ele chega, a porta estava trancada, então volto para a festa. Acredito que nem todos discutirão pessoalmente, mas mesmo via mensagem de texto eles discutirão por algum motivo. Ela ainda está na festa ou já no hotel? Na festa, eles na festa. Lembra o que eu disse? Senti a atmosfera, ela ficou toda emburrada, então voltou para o telefone dela e saiu. Leva muito tempo para voltar.

E então acredito que algo aconteceu durante esse período, certo? Você disse que ela mencionou que o hotel era em frente, e ela foi a pé para a festa. Estou perguntando isso para saber como eles estavam em relação ao transporte. Então acredito que ela não foi a pé. Eles devem ter ido de carro porque na volta ela nem consegue estacionar o carro em frente ao hotel.

Ela ficou lá, ela foi no carro dela. Entendi. Um pouco mais longe. Acredito que ela de fato foi no carro. Chega, estacione um pouco mais longe porque há vários outros carros em frente ao hotel e dentro, permitindo a entrada pelo estacionamento, deixe o carro, entre e suba. Ele começa a mostrar imagens, então ele está no corredor escrevendo também.

Ainda não sabemos se não era realmente ela envolvida. Exatamente. E a filmagem mostra o horário, e ele estava no corredor, perto da porta do quarto, por 17 minutos o tempo todo, certo? Então imagina-se que seria com ela. Não sei, sabe? Só saberemos com certeza quando toda a investigação sobre os celulares, que ainda não foi concluída, for finalizada.

Ele estava com uma mala com ele, não estava? O advogado está carregando uma mochila, ele tem uma mochila, não uma mala, ele tem algo. Não sei se era uma bolsa. Ele estava carregando uma bolsa. Ok. Porque estou perguntando o seguinte: se ele teria ido ao hotel, feito as malas e as tirado, porque o advogado me diz que ele disse a alguém que ia pedir um serviço de compartilhamento de carona para levá-lo de volta a Paulo Afonso.

Agora entendo por quê? Porque ele estava dirigindo o carro de um amigo. Exatamente. Então, algumas informações, acredito que os rapazes, tanto Carlos quanto Lincoln, certo, já que estão no comando, estão em Aracaju, eles estão sempre lá, eles acabam… Sim, há mais informações sobre esse resultado, certo, do domingo do incidente, então ela não tinha mais nada a dizer, a relatar nada.

Então, ficamos com suposições, com a imagem do hotel, que foi o período que ele passou lá. E então, com aquela filmagem, isso desmente completamente o que ele disse, alegando legítima defesa, certo? Porque não existe, em lugar nenhum do mundo. É um homem que vai medir sua força contra uma mulher.

Ele não estava com uma arma, pessoal, ele estava de posse de uma arma. Exatamente. Ninguém vai lutar com uma pessoa que tem uma arma. Bem, porque há um detalhe sobre as chaves. Eu até perguntei ao advogado, e vou te contar isso, não sei se você sabe, que eu disse, é aquela chave magnética, sim, ela entrou, pode ter trancado por dentro.

Se você trancar por dentro, não acho que nenhuma chave consiga abrir mais. Então você tem que pedir para abrirem, você tem que destravar. Ah, então talvez ela tenha feito, perguntei, ela chegou ao hotel, parece que houve algum problema com a chave, e ela teve que descer e pedir uma nova.

Isso cancela a chave dele e ele não consegue entrar. A questão é: ela trancou por dentro, o que ainda não sabemos, ou ele não conseguia entrar porque sua chave magnética não abria, já que são duas ações distintas? Se ela entrou no quarto, se ela foi lá, pediu para você mudar o código da chave, subiu, fechou a porta e trancou, é porque ela não quer que ele entre.

Isso. Se ela entrou, ela mudou a chave, porque desmagnetizou, e realmente desmagnetiza. Ela chegou, passou, não entrou, passou e entrou; como ele estava com ela, ele não tem a chave nova. Ele tem que bater na porta, ela tem que abrir. Mas ele não faz isso, faz? O que ele faz? Ele arromba, não faz? A porta.

É ele quem arromba a porta. É depois do período, todos aqueles 17 minutos que ele passa no corredor trocando mensagens, que ele decide arrombar a porta e entra disparando tiros. Nem vou entrar nos detalhes forenses da morte dela com você. Bem, o mais louco é que ele atira no próprio rosto, joga a arma fora, e se abraça.

Isso é estranho. É aqui que a loucura da humanidade começa. Não seja louco. Você sabia, você sabe por que a loucura é insuportável? O ponto em que o mal pode escalar é obsessão, curiosidade. Não sei porque não sabemos, certo? Só teremos certeza de muitas coisas quando terminarmos com os peritos, mas não sei.

Acredito que ele fez tudo de propósito. Ele entra lá para matar, certo? Isso. Exatamente. Ele entrou determinado sobre o que ia fazer. Então você disse que ele alegou ser legítima defesa. O que ele disse? Foi pelos relatos, sabe, que ouvimos que quando a polícia chegou, ele estava abraçando alguém, olha a mente doente, sabe, de um psicopata, depois do que ele fez.

Como é que em um domingo, dia 15, você diz que a mulher da sua vida, você pede em casamento, você dá a ela um anel, diamantes, tudo, flores, um jantar romântico, tudo a que tem direito. Então, no domingo seguinte, sete dias depois, você tira a vida dessa mesma mulher. Que adorável! E de uma maneira tão brutal.

Por que você acha que tudo isso aconteceu? Você que conheceu Flávia e conhece Flávia agora. Beto, não o conhecendo pessoalmente, mas considerando todas as circunstâncias, acho que se resume a ciúmes e possessividade. E porque depois descobrimos que ele tem três filhos, outra mulher, um com cada mulher, e a mulher com quem ele ainda é casado, em princípio em Fortaleza, que se diz esposa dele e tudo mais.

Não vou entrar na moral da história aqui, porque todo mundo sabe com certeza se quer um relacionamento aberto ou não, mas o fato é que Flávia, parece, não sabia de nada, ela não sabia. Agora, se a esposa dele sabia e está tudo bem com ela, ótimo. O problema é quando você está enganando alguém. E isso.

E também porque a esposa dele é quem está pagando pela defesa dele. Então você percebe que ainda há afeto entre eles. Senão você não vai pagar nenhum advogado, certo? Ah, uh, o que estou perguntando é isso: será que sua prima poderia ter descoberto tudo naquela noite, que é uma das versões que vi, a que a polícia está trabalhando, esse é um dos pontos, certo? Que ela descobriu tudo e não queria, porque Luana, a amiga de Paulo Afonso, certo, que também é Luana, quando eles discutiram, ela me disse

que quando eles discutiram ela disse, “Não quero mais”. Ele moveu céus e terras e contatou amigos com ligações e mensagens persistentes. Onde você está? Quero te ver, quero te encontrar. Então, essa coisa de não aceitar, certo? De não aceitar. E partindo desse ponto de vista, se foi isso que aconteceu, se foi uma descoberta, então sim, eles podem ter discutido na festa.

Certo? Ela pode ter se irritado, saído, trancado a porta, e dito, “Não quero mais isso, vá embora”. Bem, sabe? Vários. E acredito que ele não aceitou porque ela era um desafio para ele. Total. Ela é a mulher que ele não consegue domar, que é a palavra que eles usam. E. Isso. É verdade.

É por isso que ele era tão rápido em tudo. Ele já estava pedindo noivado há 4 meses. E se ela tiver filhos, e se eles se casarem? Isso é impossível, não tem como. Ah, no seu caso, sua prima foi enterrada em Paulo Afonso, porque ela é de Paulo Afonso, não, ela foi enterrada em Cantinho de São Francisco, ok? Então, imaginei que os candidatos estão ok? Eu tinha recebido a informação de que ela tinha sido enterrada em Paulo Afonso.

Achei estranho porque, apesar de ela estar lá há muito tempo, quantos anos ela estava em Paulo Afonso? Acredito, não acho que tenha sido o ano exato, Beto, mas já fazia cerca de 10 anos. Então já era a cidade dela. Mas então, você acaba sendo velada, enterrada onde estão seus entes queridos, certo? Para que as pessoas possam te visitar.

Sim, foi, mas ela não tinha raízes lá, certo? O vínculo, o laço familiar, certo? Então, a pedido de amigos, você sabe, pessoal da faculdade, e muitas pessoas com quem ela tinha contato lá, ela queria que o corpo viesse para cá primeiro. E então depois de muita discussão, inclusive a transferência do corpo pela funerária devido a uma mudança para outro estado, conseguimos levar o corpo para Paulo Afonso, e eles organizaram tudo lá.

Quando chegamos, tudo já estava pronto. O corpo ficou lá de domingo à noite até segunda-feira, por volta das 9:30, 9:30 da manhã, e então fomos para Canindé, onde ficou por mais um tempo até o momento interessante. Ela fez sua última jornada, que ela sempre faria, certo? É Paulo Afonso, certo? Aracaju, Paulo Afonso, que triste.

Ela estava viva, mas foi ver seus entes queridos de alguma forma. Triste. Se você pudesse falar com sua prima agora, se a encontrasse, o que você diria a ela? É, Beto, é tão difícil porque, bem, nada, não importa o que, é um sentimento muito ruim, sabe? Acho que, por exemplo, se nada disso tivesse acontecido, estaríamos nos tratando normalmente.

Naveia, então como estão as coisas? E eu tenho uma consulta médica amanhã? E então eu sabia que ela me mandaria mensagem: “Maria, você realmente vem amanhã? Onde você quer que eu te pegue?”. Porque ela sempre me acompanhava. Então, essa seria nossa conversa, certo? Mas então, considerando tudo, uma coisa aconteceu. E hoje, se eu tivesse essa oportunidade, acho que não a deixaria passar porque muita coisa passa, além do sentimento ruim de impotência que carregamos, de não poder fazer nada, de não poder ter sucesso, porque além da perda, além do luto, tem o

sentimento de como aconteceu, como foi, certo? E eu digo a todos que tive o privilégio de conviver com ela e tudo o que vivemos, o amor que compartilhamos, ninguém nunca vai tirar isso de mim, nunca. E é isso que quero tirar dela. Quero guardar os bons momentos, as boas lembranças, nossas conversas, nossas fotos, nossos momentos juntas, e tudo mais.

Às vezes, mesmo em uma situação problemática, ela fazia todo mundo rir contando que íamos resolver o problema e que tudo daria certo. E às vezes eu ficava presa em algo. Pare de ser louca, menina. Uh-huh. Isso vai dar certo, e não sei o que mais. Então era muito… É isso.

Posso dizer que eu a amava, nós sempre fizemos isso, sempre trocávamos coisas, você sabe, do nosso próprio jeito, e o amor que ela tinha pela minha filha era recíproco. E eu dizia a ela: “Se eu tiver outro filho, você será a madrinha de novo”. Muito legal, muito bom. Ainda há momentos em que me peguei enviando mensagens, indo enviar para ela, e então eu paro.

É tudo muito, muito estranho. Muito, muito estranho. É tudo muito estranho, muito recente. E, e, e, e se tivesse sido um acidente, se tivesse sido uma doença, o luto seria diferente. Porque você, agora que vocês são as vítimas do crime, têm que lutar antes de poder viver o luto. Lutar por justiça, lutar pela memória dela, lutar pela verdade.

Luana, sou muito grato pela sua generosidade em poder falar conosco. Nós convidamos você a falar mais vezes sobre outras pessoas ligadas à Flávia durante todo esse processo, porque ele foi denunciado, mas ele ainda precisa ser formalmente acusado, depois julgado, condenado e tudo mais. Ainda há um caminho a percorrer, o canal está monitorando a situação, e está aberto para qualquer coisa que você precise discutir ou compartilhar.

Basta avisar a equipe de produção e nós remarcaremos. Espero que você possa passar o tempo e transformar toda essa dor e tristeza em saudade, porque saudade é mais fácil de carregar no coração quando a pessoa ainda está com você, certo? Mas um dia você pode se pegar enviando mensagem para ela, mas verdadeiramente apenas entre vocês duas, em paz e como um vínculo de irmãs. Um grande beijo.

Eu queria te dar um abraço pessoalmente, mas o Zoom ainda não permite. Mas foi um prazer conhecer você. Obrigado. Eu é que deveria estar agradecendo, certo? Agradeço a oportunidade, certo? Então, como você tem acompanhado, sempre que precisar de alguma coisa, sempre que houver novidades, acredito que tanto os advogados quanto eu estamos disponíveis, porque nosso maior desejo é que, como eu disse antes, nada vai trazê-la de volta, mas que não tenhamos o sentimento de que nada foi feito, certo? A justiça deve ser feita. Ela não vai

ser apenas mais uma. Ela não vai ser apenas mais uma. E ontem, até quando eu estava conversando com sua tia paterna, que mora longe, perguntei a ela como ela estava. Eu disse: “Estamos aqui, estamos em uma luta, e vou fazer isso com ela enquanto eu tiver fôlego, enquanto eu puder, sabe? Enquanto eu puder, nada vai trazê-la de volta”.

Mas como família, precisamos disso, certo? Que a justiça seja feita, e agradeço mais uma vez pela oportunidade. Acredito que isso precisa ser feito, que as famílias precisam ser ouvidas, que precisam ter voz, certo, que essas pessoas precisam falar, que isso precisa tomar dimensões porque é absurdo, isso está acontecendo cada vez com mais frequência, isso precisa parar.

Eu entendo que se aumentar a pena eles não têm medo, se aumentar a exposição eles não têm. Parece que quanto mais você debate e combate o feminicídio, mais o autor do feminicídio sente e sente a necessidade de viver e matar, até para provocar indignação em nós e mostrar que eles ainda têm o poder sobre a vida e a morte.

É horrível. Não consigo entender. E é como se fosse algo que está sendo normalizado. Não consigo entender, sim, certo? Certo? Que normaliza a vida das pessoas como se… Não vale nada, né? Que não tem família por trás dela, que não tem ninguém, você não sente compaixão pela dor do outro.

Não tem empatia, nada, né? Absolutamente nada. E eles realmente não têm medo do que são. O ódio perdeu a vergonha, não é? O mal perdeu a decência. Mas é bom que ainda estejamos indignados com isso e que percebamos que cada morte, cada Flávia, merece ser vista como única e não como um número, muito menos como normal.

Que Flávia, que esta sua entrevista tenha salvado inúmeras Flávias, que inúmeras mulheres que se encontram nesse desejo de amar, de ser amada, de formar uma família, de ter filhos, entendam que não acontece da noite para o dia. Se você já virou a chave uma vez, não pode dar uma segunda chance.

Muito, “eu te amo demais”, “minhas imperfeições demais”, qualquer coisa que seja demais pode se tornar um tsunami na sua vida. Então, que esta nossa conversa tenha salvado uma Flávia; Flávia já fez o bem. A maior coisa do mundo foi seu nascimento e sua vida, simplesmente por ser ela. Muito obrigado, um grande beijo, um beijo para sua família, e nos veremos em breve, com certeza.

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