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Jovem desapareceu em 2005 enquanto corria – 5 anos depois, uma mulher descobriu algo que mudou tudo

Em outubro de 2005, numa pacata área rural de São Paulo, a jovem Gabriela Fonseca desapareceu. Ela havia saído para a sua corrida diária com o cão, um hábito que fazia parte da sua rotina tranquila. Mas, daquela vez, não voltou para casa. O que começou como uma tarde normal transformou-se num mistério que abalou a comunidade.

Mal sabiam eles que a chave para desvendar o que aconteceu a Gabriela só seria descoberta 5 anos depois, de uma forma que ninguém poderia ter previsto. Antes de continuarmos, escreva nos comentários de onde está a ouvir, e aproveite para se inscrever no canal e ativar o sino de notificações para não perder nenhum caso.

Gabriela era uma jovem estudante que vivia uma vida pacífica e feliz com a sua família numa área rural, um daqueles lugares onde a comunidade é unida e as portas raramente são trancadas. A sua rotina era simples, dividida entre estudar, ajudar em casa e dar longos passeios com o seu cão. Kira viajava pelas estradas de terra que conhecia desde a infância.

Para a sua família, ela era o centro de tudo, uma presença constante e amorosa. “Ela era uma menina cheia de vida e de sonhos, muito apegada a nós”, contou a mãe, Márcia, numa declaração posterior. “Ela tinha uma fé linda.” Ele sempre disse que sentia Deus na natureza ao seu redor. “Ela era a nossa maior alegria, e só pedíamos a Deus que a protegesse sempre.”

A manhã de 15 de outubro de 2005 começou como qualquer outro sábado na casa da família. O dia estava ensolarado e o clima completamente normal. Gabriela ajudou a mãe com algumas tarefas domésticas, conversou com o irmão Renato sobre os planos para o fim de semana e passou algum tempo a brincar com o cão no quintal.

Ninguém poderia imaginar que aquelas horas pacíficas seriam as últimas, que a rotina familiar que lhes trazia tanto conforto estava prestes a ser quebrada de forma brutal e irreversível. Na memória da família, aquele dia ficaria para sempre marcado pela ausência de qualquer sinal ou premonição do que estava por vir. Por volta das 16h00, Gabriela vestiu a sua roupa de corrida, chamou a Kira e saiu para o seu treino habitual. A rota era sempre a mesma, uma longa estrada de terra que serpenteava por pequenas propriedades rurais e pastos. Era um caminho que ela já havia percorrido centenas de vezes, sentindo-se perfeitamente segura no ambiente familiar do campo.

Um vizinho que trabalhava na sua cerca deu mais tarde o seu testemunho. “Vi-a a passar a correr com a cadelinha, como fazia sempre. Acenei para ela e ela sorriu de volta.” O homem contou. “Parecia um dia como os outros. Essa foi a última vez que a vimos por aqui.” O sol começou a pôr-se no horizonte, pintando o céu com tons de laranja, e a família começou a esperar o retorno de Gabriela.

No entanto, o tempo passava e não havia sinal dela. A preocupação inicial transformou-se num medo palpável quando, no início da noite, ouviram arranhões na porta da cozinha. Era a Kira, a cadela, que tinha voltado sozinha. O animal estava ofegante, agitado, e olhava fixamente para a estrada, como se esperasse que alguém o seguisse.

A coleira da Gabriela não estava com ela. “Quando a Kira voltou sozinha, a chorar e a choramingar daquela maneira, o meu coração gelou.” Ele lembrou o irmão, Renato. “Naquele momento, soube que algo muito errado tinha acontecido.” O pânico tomou conta da família. Sem pensar duas vezes, Márcia e Renato correram pela estrada fora, a gritar o nome da Gabriela.

A escuridão, que caía rapidamente, tornava a busca ainda mais angustiante. Eles refizeram o caminho que ela costumava fazer, com o coração pesado a cada sombra e a cada som do campo. Logo a notícia espalhou-se pela vizinhança. Em minutos, amigos e outros moradores locais juntaram-se à família, armados com lanternas, para ajudar na busca desesperada.

Eles vasculharam as margens da estrada e os campos próximos, mas não encontraram absolutamente nada, nenhum rastro da jovem. Após quase quatro horas de buscas infrutíferas, com a escuridão a tornar a procura praticamente impossível, a família tomou a difícil decisão de contatar as autoridades. Por volta das 20h00, uma viatura da polícia chegou ao local e o que era um medo familiar transformou-se num caso oficial de pessoa desaparecida.

Para os pais e o irmão de Gabriela, a chegada da polícia representou a formalização do seu pior pesadelo. A angústia daquela noite foi apenas o começo de uma longa e dolorosa jornada, em busca de respostas que eles mal podiam imaginar que levariam anos para serem concluídas. Na manhã após o desaparecimento, a pequena comunidade rural já estava totalmente mobilizada.

Dezenas de voluntários juntaram-se às equipas da polícia e dos bombeiros, determinados a encontrar Gabriela. O ponto de encontro foi a entrada da propriedade da Família, que se transformou num centro de operações improvisado. As equipas foram divididas para cobrir diferentes áreas. Alguns seguiriam a estrada, outros entrariam na densa floresta que a cercava e outros viajariam ao longo das margens do rio.

“A nossa prioridade era cobrir a maior área possível no menor espaço de tempo”, declarou um dos polícias que lideravam a operação. “Tínhamos dezenas de voluntários a nosso lado, uma comunidade inteira unida na esperança de a encontrar a salvo.” Nos dois dias seguintes, os esforços de busca foram incansáveis. Cães farejadores foram trazidos para tentar encontrar o rastro da jovem, mas o tempo seco e o vento dificultaram o trabalho.

Os voluntários caminharam quilómetros por estradas de terra, a chamar o nome da Gabriela, enquanto as equipas da polícia investigavam qualquer informação, por mais pequena que fosse. Com o passar das horas, sem qualquer notícia, o otimismo inicial deu lugar a um sentimento de angústia e exaustão. A vasta e silenciosa paisagem rural, outrora sinônimo de paz, parecia agora um labirinto opressivo que guardava um terrível segredo, e o medo do pior desfecho possível começou a tomar conta de todos.

A temida confirmação chegou na tarde do terceiro dia de buscas, em 18 de outubro. Um voluntário, que havia decidido vasculhar uma área mais distante da margem do rio, avistou algo preso entre galhos na água. Ao se aproximar, o horror tomou conta. Era o corpo da Gabriela. “Eu estava a caminhar pela margem quando vi algo estranho na água.”

“Foi um choque terrível, uma cena que nunca vou esquecer”, disse o homem, visivelmente abalado, em seu depoimento à polícia. “Naquele momento, a única coisa que eu pude fazer foi rezar e pedir a Deus que desse algum tipo de conforto àquela família.” Com a descoberta do corpo, o caso deixou de ser um desaparecimento e tornou-se oficialmente numa investigação de homicídio.

A área foi imediatamente isolada para o trabalho da equipa forense, que passou horas a analisar a cena em busca de qualquer vestígio. Foi um trabalho meticuloso e difícil, mas que rendeu um resultado crucial. Os peritos conseguiram coletar material genético do agressor no corpo da vítima.

Um investigador forense comentou sobre a importância do procedimento: “Mesmo em um cenário adverso, o nosso protocolo é coletar tudo. Sabíamos que qualquer vestígio, por menor que fosse, poderia ser a única chance de identificar o culpado no futuro.” Naquela época, eles não tinham ideia de quão proféticas essas palavras seriam. A investigação agora tinha um foco claro: encontrar o dono daquele DNA.

Os detetives começaram a entrevistar todos os moradores da área, mapeando quem morava ao longo da rota de corrida da Gabriela. Em meio às conversas, um nome surgiu com bastante frequência: Guilherme, um jovem que morava com a família numa propriedade vizinha e era conhecido por seu comportamento recluso e antissocial. Ele foi rapidamente colocado na lista de pessoas de interesse da polícia, pois morava perigosamente perto do local onde a jovem costumava correr.

Os investigadores então decidiram abordar Guilherme diretamente. No seu depoimento, ele pareceu frio, negou qualquer envolvimento e deu respostas vagas sobre o seu paradeiro no dia do crime. O momento decisivo da entrevista ocorreu quando a polícia pediu uma amostra voluntária de DNA para fins de eliminação, um procedimento padrão que dezenas de outros homens na comunidade já haviam concordado em fazer.

Guilherme, no entanto, recusou-se categoricamente. “A recusa imediata dele foi um grande sinal de alerta”, afirmou um dos detetives. “No entanto, sem evidências diretas ligando-o ao crime, não podíamos forçá-lo legalmente a cooperar. Nossas mãos estavam atadas.” A recusa de Guilherme criou um impasse frustrante para a investigação.

A polícia tinha a prova do crime, o DNA, e um suspeito que se encaixava no perfil e se recusava a cooperar, mas não havia maneira legal de conectar as duas pontas. Nos meses seguintes, o caso de Gabriela esfriou. A busca por novas pistas não levou a lugar nenhum, e a falta de tecnologia ou base legal para avançar com o principal suspeito deixou a polícia impotente.

Para a família, começou um novo e doloroso período de espera, enquanto um criminoso permanecia livre na mesma comunidade. Com o principal suspeito legalmente inacessível e sem outras pistas concretas, a investigação sobre a morte de Gabriela precisava de uma nova direção para evitar a estagnação completa. Foi nesse momento que uma teoria alternativa começou a ganhar força entre os detetives: a possibilidade de que o crime houvesse sido cometido por um criminoso itinerante, alguém que… Estivesse apenas de passagem pela região.

“Quando a principal linha de investigação encontra uma barreira como essa, é nosso dever explorar todas as outras possibilidades”, explicou um dos investigadores da época. A teoria de um agressor de fora começou a parecer plausível, pois explicaria a ausência de novas pistas ou qualquer comentário da comunidade local.

Com essa nova diretriz, a polícia iniciou uma fase laboriosa e exaustiva de investigação. Os detetives começaram a reunir registros de trabalhadores sazonais que haviam trabalhado em fazendas da região nos meses que antecederam o crime. Eles viajaram para cidades vizinhas para entrevistar pessoas que haviam se mudado para lá e pesquisaram os registros de indivíduos com passados ​​violentos que poderiam ter passado pela área.

Foi como procurar uma agulha em um palheiro, uma busca baseada em especulação que consumiu tempo e recursos preciosos da delegacia, mas que, naquele momento, parecia ser a única esperança de encontrar uma resposta para o crime. A teoria do estranho ganhou um ímpeto inesperado algumas semanas depois, quando uma testemunha procurou a polícia para relatar algo que havia visto na tarde do crime.

“Eu não pensei muito nisso na época, mas ficou na minha cabeça”, disse a testemunha em seu depoimento. “Naquela tarde, vi uma caminhonete velha de cor escura estacionada no acostamento, não muito longe de onde a garota estava correndo. O motorista estava do lado de fora. Tenho certeza de que o veículo não pertencia a ninguém daqui. Eu nunca o tinha visto antes.”

Essa informação deu aos investigadores, pela primeira vez em muito tempo, uma pista tangível para seguir. A caça à caminhonete escura tornou-se a principal prioridade da investigação. Um alerta foi emitido para a polícia em toda a região, e os detetives começaram a verificar todos os relatos e veículos suspeitos que apareciam.

Por meses, a equipe dedicou-se quase exclusivamente a essa pista. Eles investigaram dezenas de veículos, interrogaram proprietários e seguiram trilhas que não davam em nada. Enquanto isso, o verdadeiro culpado continuava a viver a sua vida tranquilamente, a poucos quilómetros da casa da família de Gabriela, completamente fora do radar da polícia, que agora perseguia um fantasma numa estrada diferente.

Após quase um ano de buscas, a equipa finalmente o localizou num estado… Um vizinho possuía uma caminhonete que combinava com a descrição, mas cujo proprietário não tinha um álibi claro para o dia do crime. As esperanças de resolver o caso eram imensas, mas duraram pouco. Uma verificação mais aprofundada dos registos de trabalho do homem e dos depoimentos de colegas confirmaram que, apesar de algumas inconsistências na sua memória, ele estava noutra cidade no dia em que Gabriela desapareceu.

A pista, que parecia tão promissora, ruiu completamente. “Dedicamos meses àquela caminhonete. Quando encontramos o proprietário, parecia que estávamos no fim da linha”, lamentou um detetive. Descobrir que era um beco sem saída foi devastador para o moral da equipa. Com o colapso da teoria do estranho, a investigação ficou sem nenhum rumo a seguir.

O DNA permaneceu nos arquivos, sem um nome correspondente. O suspeito original permaneceu em silêncio, protegido pela lei. Não houve mais testemunhas, nem quaisquer novas provas. “Com um profundo sentimento de frustração.” E após anos de trabalho infrutífero, a polícia não teve alternativa a não ser suspender a investigação ativa. O caso de Gabriela foi oficialmente encerrado, deixando a sua família num limbo de dor e incerteza, e a comunidade com a sensação arrepiante de que um criminoso poderia estar a viver entre eles, impune.

Antes de continuarmos, se você ainda não é inscrito no canal, eu o convido a se inscrever e a ativar as notificações para não perder nenhum caso. Quase 5 anos se passaram. Para a família da Gabriela, foi um período de luto silencioso e uma esperança que diminuía a cada dia que passava. O caso, para todos os efeitos, era um arquivo frio, uma caixa de papel numa prateleira empoeirada.

Isso mudou no início de 2010, com a chegada do Inspetor Mauro, um detetive experiente, conhecido pela sua dedicação a casos arquivados. Quando ele se deparou com a história de Gabriela, algo o tocou profundamente. “Cada arquivo esquecido representa uma família que ainda espera por respostas”, disse Mauro numa entrevista anos depois.

“O caso dela era uma daquelas feridas abertas. Senti que era nossa obrigação moral e profissional tentar mais uma vez.” O inspetor passou semanas imerso nos detalhes do caso, lendo cada depoimento, analisando cada fotografia da cena do crime. Ele rapidamente descartou a longa investigação sobre o suposto estranho, considerando-a uma distração custosa.

Para Mauro, a chave do mistério estava no primeiro capítulo da investigação, num detalhe que ele considerava a anomalia mais gritante de todo o caso. “A investigação se desviou ao seguir uma teoria sem evidências concretas”, afirmou o inspetor. “Enquanto isso, ignoraram o fato mais suspeito. Um homem que viveu no epicentro dos acontecimentos e que desafiadoramente se recusou a cooperar com um simples teste de DNA.”

“Para mim, a resposta esteve sempre lá.” Com essa convicção, o Inspetor Mauro e sua pequena equipe de confiança começaram a monitorizar o Guilherme discretamente. O objetivo não era confrontá-lo, mas sim entender totalmente a sua rotina sem levantar qualquer suspeita. Por várias semanas, a polícia observou os seus horários, as suas rotas e os seus hábitos.

Confirmaram que ele ainda vivia na mesma casa e mantinha o mesmo emprego numa empresa local de distribuição de alimentos. Era uma tarefa paciente e metódica que visava a estabelecer um padrão de comportamento que seria fundamental para a execução do passo seguinte e mais delicado do plano que o inspetor começava a formular na sua mente.

O Mauro sabia que mesmo depois de 5 anos a situação legal continuava a mesma. Ele não podia forçar o Guilherme a ceder uma amostra de DNA. Foi então que, numa reunião com a sua equipa, ele propôs uma solução ousada, uma estratégia que contornaria o obstáculo legal. “Se a lei não nos permite pedir, teremos que encontrar outra forma.”

“Se ele não nos der o seu DNA, recolheremos o que ele deitar fora”, terá dito o inspetor. “É uma área legalmente complexa, mas é a nossa única hipótese real. Confio que a verdade, com fé em Deus e trabalho duro, encontra sempre uma forma de emergir, e acredito que esta é a nossa forma.” O plano, embora arriscado, dependia da cooperação de civis.

O Inspetor Mauro tomou a iniciativa de marcar uma reunião confidencial com a gerente da empresa de distribuição de alimentos onde Guilherme trabalhava. Em seu escritório, ele explicou a história completa do caso da Gabriela, a forte suspeita sobre o funcionário e o impasse legal que impedia a solução do crime. Ele pediu a ajuda dela numa operação altamente sigilosa, garantindo proteção e anonimato total a todos os envolvidos.

O sucesso de toda a operação dependia da confiança e da coragem daquela mulher. A gerente ouviu todo o relato em choque. A ideia de que o autor de um crime que aterrorizou a comunidade pudesse ter trabalhado na sua empresa todos aqueles anos era perturbadora. Sem hesitar, ela concordou em ajudar. “Lembro-me perfeitamente do pânico que todos sentimos em…” “É o nosso dever, como cidadãos, ajudar a fazer justiça”, garantiu ela ao inspetor.

Depois de pensar por um momento em quem poderia realizar uma tarefa tão delicada sem levantar suspeitas, ela sugeriu o nome perfeito: Simone, uma funcionária de longa data, discreta e totalmente confiável, que trabalhava no mesmo departamento que o Guilherme.

No dia a seguir à sua conversa com o Inspetor Mauro, a gerente chamou a Simone para uma reunião privada no seu escritório. Com a porta fechada, contou-lhe cuidadosamente toda a história, desde o crime que tinha abalado a comunidade há cinco anos até à suspeita que recaía sobre o Guilherme e ao impasse legal que impedia a polícia de atuar.

A gerente explicou a natureza delicada e confidencial da missão, deixando claro que a decisão de ajudar ou não cabia inteiramente à Simone, sem qualquer pressão. A proposta era arriscada, mas podia ser a única oportunidade para resolver um crime que tinha deixado uma ferida aberta em toda a região. Simone ouviu tudo em silêncio, processando a informação chocante.

O medo foi a sua primeira reação. Afinal de contas, o Guilherme era o seu colega de trabalho. No entanto, o sentimento de injustiça e a recordação da dor da família de Gabriela prevaleceram. “Fiquei assustada, claro. Eu trabalhava ao lado dele todos os dias,” confessaria mais tarde a Simone no seu depoimento. “Mas pensei na família da rapariga, em todos aqueles anos de sofrimento sem uma resposta.”

“Senti que Deus estava me dando a oportunidade de ajudar e que eu precisava ter a coragem de fazer a coisa certa e, quem sabe, trazer um pouco de paz a todos nós.” Ela aceitou firmemente a missão. Daquele dia em diante, a rotina de Simone no trabalho mudou. Por fora, ela manteve a mesma cordialidade e profissionalismo de sempre, mas por dentro estava num estado de alerta constante.

Cada gesto e cada movimento de Guilherme era discretamente observado por ela. A tensão era imensa. Ela temia que um olhar descuidado ou uma atitude suspeita pudessem arruinar tudo. Durante dias, ela esperou pacientemente pela oportunidade perfeita, um momento em que pudesse agir com segurança, sem ser notada pelo Guilherme ou por qualquer outro colega, sabendo que o sucesso de todo o plano policial dependia da sua discrição e coragem naquele ambiente.

A oportunidade surgiu numa tarde de junho de 2010. Durante um intervalo, Simone observou Guilherme beber um refrigerante e deitar fora a lata e uma garrafa de água de plástico num caixote do lixo localizado numa área de pouco movimento do pátio da empresa. Agilmente, ela esperou que ele se afastasse, com o coração acelerado enquanto se aproximava da lixeira.

“Meu coração parecia que ia pular pela boca. Eu apenas peguei os itens, coloquei-os na minha bolsa e saí de fininho”, relatou ela. “Aqueles foram os segundos mais longos da minha vida.” Naquela mesma noite, ela entregou o material a um contato da polícia numa reunião secreta. A sua parte no plano tinha sido cumprida. A pequena bolsa contendo os itens descartados chegou ao laboratório forense como a maior esperança para um caso encerrado.

Para os especialistas, foi o início de um trabalho de enorme responsabilidade. Com extremo cuidado, eles extraíram amostras de saliva dos recipientes e iniciaram o processo de análise para obter o perfil genético. A seguir veio o momento mais aguardado: comparar aquele novo perfil com o DNA do agressor, recolhido no corpo de Gabriela e guardado nos arquivos da polícia durante quase 5 anos.

No silêncio do laboratório, a resposta para um crime brutal estava prestes a ser revelada por uma máquina. Em julho de 2010, a espera terminou. O sistema de análise de DNA emitiu um alerta de correspondência. Não era uma correspondência parcial ou inconclusiva, era uma correspondência perfeita. O DNA encontrado na garrafa e na lata era, sem dúvida, o mesmo DNA do homem que havia atacado e tirado a vida de Gabriela 5 anos antes.

“Quando o programa indicou uma correspondência completa, foi um momento de euforia contida para a equipa”, descreveu um dos peritos. Após tanto tempo, o fantasma do arquivo finalmente tinha um nome e um rosto. A polícia tinha agora a prova irrefutável de que necessitava. A teia estava a fechar-se sobre o Guilherme.

Com a evidência científica em mãos, a polícia agiu rapidamente. Numa manhã de agosto de 2010, uma equipe de investigadores foi até a casa de Guilherme. Ele foi completamente pego de surpresa. Por cinco anos, ele viveu entre seus vizinhos, acreditando que seu segredo estava seguro e que a investigação havia sido esquecida. “Ele não estava nos esperando. Todo esse tempo, ele viveu achando que estava imune,” relatou o inspetor Mauro.

“Quando chegámos à sua porta com um mandado de prisão baseado em provas irrefutáveis de DNA, o olhar de choque na sua cara disse-nos que ele sabia que o jogo tinha acabado.” A notícia da prisão espalhou-se como fogo pela pequena comunidade. Houve uma onda de alívio por finalmente haver uma resolução, mas também de horror e descrença.

O criminoso que os aterrorizou não era um estranho ou um forasteiro, mas um vizinho, alguém com quem se cruzavam na rua. Para a família da Gabriela, as notícias foram um turbilhão de emoções. A confirmação de que o suspeito que eles temiam era realmente o responsável trouxe uma dor renovada, mas, pela primeira vez em 5 anos, também trouxe a esperança concreta de que a justiça seria finalmente feita.

O julgamento do Guilherme começou em maio de 2012. O tribunal estava lotado. No primeiro dia, a acusação apresentou o seu caso, reconstruindo meticulosamente a cronologia do crime. Eles detalharam a vida da Gabriela, o seu desaparecimento, a longa e frustrante investigação inicial e, finalmente, a reabertura do caso pelo Inspetor Mauro, que culminou com a solução através de um método inovador.

O objetivo era mostrar aos jurados não apenas a brutalidade do ato, mas também a persistência das autoridades na busca pela verdade, mesmo depois de tantos anos. O ponto central do caso foi, sem dúvida, a apresentação da prova de DNA. Peritos forenses foram chamados ao tribunal para explicar. O promotor explicou de forma clara e didática o processo de comparação genética.

Mostraram ao júri como o perfil de DNA extraído da garrafa e da lata que o Guilherme deitou fora era uma correspondência exata e inquestionável com o perfil genético do agressor encontrado no corpo da Gabriela. “A ciência não tem opinião ou lado”, afirmou o procurador no seu argumento. “A defesa pode tentar criar dúvidas, mas não pode apagar a verdade que está escrita no código genético do arguido, e essa verdade liga-o à vítima no momento do crime.”

Os depoimentos que se seguiram trouxeram a carga emocional que faltava no julgamento. Márcia, a mãe de Gabriela, falou sobre a sua filha, sobre a dor da perda e sobre os anos de incerteza que consumiram a sua família. Depois, Simone subiu à sala de audiências e narrou, com voz firme, como e por que motivo decidiu ajudar a polícia.

O seu testemunho foi fundamental para validar a forma como a principal prova foi recolhida, eliminando qualquer dúvida sobre a integridade da prova e demonstrando a coragem de um cidadão comum. Após três semanas de julgamento, o júri retirou-se para deliberar. A espera pela decisão foi um momento de enorme tensão para todos os presentes, especialmente para a família de Gabriela.

Finalmente, o júri voltou ao tribunal. O silêncio foi absoluto quando o porta-voz se levantou para ler o veredito. Culpado. Um suspiro coletivo de alívio ecoou entre a família e os amigos da vítima. Guilherme, por sua vez, não demonstrou nenhum sinal de remorso. “Ele foi dominado pela emoção ao ouvir a palavra que selou o seu destino, permanecendo frio e impassível, tal como tinha sido ao longo da investigação.”

Em julho de 2012, chegou a sentença final. O Guilherme foi condenado a quase 30 anos de prisão, a pena máxima permitida por lei para o crime. A decisão representou o encerramento de um capítulo longo e doloroso para a família da Gabriela. À saída do tribunal, a sua mãe, Márcia, falou à imprensa: “Nenhuma sentença trará a minha filha de volta, mas a justiça que tão desesperadamente esperávamos foi feita”, disse ela, com a voz embargada.

“Agora acreditamos que ela pode finalmente descansar em paz. Que Deus tenha piedade da alma dele, porque nós nunca seremos capazes de perdoar.”