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Mulher Apache de 2,13 metros riu da ideia de se reproduzir com um cowboy — até engravidar!

O sol já estava quase sumindo quando Nathan Cole voltou de sua ronda na cerca da divisa. A pouca luz transformava o chão seco em um tom profundo de ferrugem, e a poeira grudava nas barras de sua calça e em suas botas de couro. Ele levou seu cavalo baio para o pequeno curral, afrouxou a sela e deu um breve tapinha no pescoço do animal.

Sua vida havia se tornado extremamente silenciosa desde o fim da guerra. Dias em que o silêncio era tão denso que machucava. Apenas uma cabana isolada, alguns hectares de grama que mal alimentavam seu gado, e horas a fio consertando o que o vento impiedoso e o clima brutal destruíam.

Ele já havia sido um respeitado batedor da cavalaria, um homem muito bom com um rifle nas mãos e um mapa na cabeça. Mas a guerra o deixara apenas com cicatrizes profundas pelas costelas e um cansaço crônico nos ossos que nunca ia embora. Ele estava pensando no que faria para o jantar, e se o resto de feijão que sobrara daria para mais uma noite, quando viu um movimento estranho perto de seu celeiro meio desabado.

Ele parou exatamente onde estava. Sua mão roçou o cabo do revólver em seu cinto, mas não o sacou. A figura saiu da sombra escura. Era uma mulher, surpreendentemente alta como o batente da porta do celeiro — talvez até mais —, com cabelos escuros soltos, tranças desfeitas e penas presas por um fio.

Ela usava um vestido de pele de gamo rasgado no decote e ao longo de uma das coxas, exibindo a pele bronzeada riscada de sujeira e suor. Estava descalça, com os pés rachados e em carne viva de quem havia percorrido muitos quilômetros sobre o chão duro. Sua respiração estava irregular, e pelo modo como os ombros subiam e desciam, ele percebeu que ela estivera correndo até poucos minutos atrás.

Nathan ficou imóvel, deixando que ela o olhasse bem primeiro. Seu primeiro pensamento foi de que ela havia fugido de alguém — de algum acampamento distante, de uma carroça ou de algo muito pior — e acabado ali porque não tinha mais para onde ir.

“Você está nas minhas terras”, ele disse finalmente, com a voz grave e calma. “Não quero confusão.”

Os olhos da mulher estavam cravados nele, afiados e desconfiados, como se ela esperasse que ele puxasse a arma e atirasse ou gritasse chamando outros homens. O maxilar dela travou com força. Ela não disse absolutamente nada. Nathan sentiu a velha tensão de guerra beliscar seu peito, aquela parte dele que sempre calculava a distância e pesava os riscos antes mesmo de ter plena consciência de que estava fazendo isso.

Ela era grande e forte o suficiente para lutar, se quisesse. Mas não parecia pronta para nenhum combate. Ela parecia estar meio morta de fome.

“Você está com fome?”, ele perguntou suavemente, após um longo instante.

Isso quebrou o impasse silencioso. Os olhos dela piscaram em direção à cabana ao longe, depois voltaram rapidamente para ele. Ela deu um aceno quase imperceptível.

“Certo”, ele disse. Recuou da cerca com movimentos bem lentos, tomando o cuidado de não assustá-la. “A cabana é por aqui. Se quiser comer, venha comigo.”

Ele não esperou pela resposta dela. Apenas deu as costas e caminhou calmamente em direção à cabana. A vida lhe ensinara que não se implora por confiança. Você deixa a porta aberta e permite que a outra pessoa decida entrar. Atrás dele, ouviu o som áspero de seus pés no chão de terra. Lentos e terrivelmente cautelosos.

Por dentro, a cabana era rústica. Havia apenas uma cama, uma pequena mesa e um fogão a lenha que ocupava quase todo o ambiente. Nathan acendeu um lampião a óleo, tirou um pedaço de pão seco de uma prateleira, colocou na mesa junto com uma tira de carne-seca e encheu uma caneca de lata com água do balde fresco. Posicionou a comida e recuou.

Ela ficou parada perto da porta por um instante, com os ombros duros como se esperasse cair em uma armadilha, mas depois se aproximou e comeu com mordidas rápidas e precisas. Seus olhos negros não se desviaram dele nem por um segundo.

Quando terminou, repousou a caneca de lata devagar, como se aguardasse para ver o preço daquela refeição.

“Pode se deitar perto do fogo”, ele disse. “O cobertor está limpo.”

Na manhã seguinte, Nathan acordou antes do sol nascer, como fazia todos os dias. Ao preparar o café e mais comida, notou os horríveis hematomas arroxeados ao longo das costelas da mulher.

“Qual é o seu nome?”, ele perguntou.

“Yana”, ela respondeu.

“Eu sou Nathan. Está fugindo de alguém?”

“Homens”, ela disse de forma cortante. “De uma cidade a leste. Me levaram como prisioneira pelo que sou.”

Nathan não precisou de mais palavras. Ela não seria devolvida. Nos dias que se seguiram, uma rotina silenciosa tomou conta da cabana. Nathan cuidava dos animais e das cercas, e Yana cozinhava e arrumava a casa. Ela passara a confiar nele o suficiente para dormir na cama enquanto ele usava o chão frio perto do fogo.

Certo dia, dois cavaleiros mal-encarados surgiram no rancho procurando pela mulher fugitiva.

“Ouvi dizer que você está com uma índia alta por aqui”, um dos homens sorriu com malícia. “Povo lá de Laramie diz que ela vale um bom dinheiro na troca.”

Nathan não recuou nem um centímetro. “Ela não está à venda”, cravou, com a mão no rifle. “Deem meia-volta. Se aparecerem aqui de novo sem um papel assinado por um juiz, saem com um buraco de bala na testa.”

Os homens praguejaram e fugiram. Yana, que observava tudo tremendo da porta da cabana, soltou o ar que prendia no peito. “Você podia ter me entregado para eles”, ela sussurrou depois.

“Podia. Mas não quis”, ele respondeu.

O alívio e a confiança substituíram completamente o medo nos olhos de Yana. A partir daquele dia, a cabana, que antes exalava apenas poeira, guerra e solidão, finalmente se transformou em um lar acolhedor. O inverno rigoroso os forçou a ficarem abrigados dentro de casa por muitos dias, período em que passaram a dormir juntos, compartilhando o calor humano num beijo apaixonado que rompeu as últimas barreiras de medo de ambos.

Certa noite, jantando diante do fogo quente e crepitante, Nathan decidiu fazer uma brincadeira, algo que não fazia desde a guerra. “Se este inverno maldito nos deixar trancados aqui por muito mais tempo, logo dirão pela cidade que vamos criar uma família inteira antes de a primavera chegar.”

Yana congelou de início, e então gargalhou. Um som curto e afiado que amoleceu em um riso genuíno e surpreendente. “Me reproduzir com um branco?”, ela zombou, balançando a cabeça, mas sem qualquer tom de amargura. “Você fala como homens que se acham muito importantes.”

As orelhas de Nathan queimaram, mas ele sorriu de volta. “Talvez”, disse.

Quando as neves finalmente derreteram, a grama verde voltou a brotar pelo pasto. A rotina rústica já era parte de suas vidas felizes e pacificadas. Um dia, Nathan chegou da lida e encontrou Yana parada perto da porta da cabana, com a mão descansando suavemente sobre a barriga reta.

Ela o olhou com uma calma inabalável. “Há uma criança aqui”, ela disse com naturalidade, sem qualquer pingo de medo.

Nathan parou de supetão, deixando as palavras se assentarem em sua mente calejada. Ele caminhou até ela e colocou sua mão áspera de peão sobre a dela, sentindo todo o peso glorioso do que ela acabara de dizer. “Vamos abrir bastante espaço nesta cabana para ela”, ele falou de forma simples e cheia de uma nova certeza revigorante. “Vou construir o berço de madeira mais forte que puder antes que este mês termine.”

Alguns dias depois, desceram para a cidade próxima e assinaram os papéis oficiais na missão religiosa local, tornando a união legítima para que ninguém pudesse assediar a sua esposa grávida. No caminho de volta para casa, o vento espalhava a doce e inconfundível fragrância de terra molhada e mato crescendo com vigor, confirmando as alegrias do futuro esplêndido que os aguardava de braços abertos.

O sol já quase mergulhava em tons alaranjados pela bela planície infinita de sua propriedade. Yana descansava a cabeça de cabelos escuros e volumosos sobre o forte ombro de Nathan enquanto observavam juntos o crepúsculo. Tudo era quietude e harmonia nas colinas escarpadas. O homem que antes olhava para o vasto e melancólico horizonte esperando apenas a próxima tragédia, agora abraçava o belo futuro certo em seus grandes braços rústicos.

“Eles não vão nos tirar absolutamente nada”, Yana afirmou com voz vibrante.

O grande amor havia resgatado os dois perfeitamente do terrível abismo de suas tristezas ocultas, construindo de modo humilde e silencioso um precioso lar indestrutível. E pela exata primeira vez desde a guerra, o peito cansado do cowboy não trazia mais cicatrizes frias, mas o intenso e ardente calor da linda e poderosa promessa da vida nova e indomável.