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Ninguém reivindicou a última mulher Apache — até que o fazendeiro solitário pagou por sua liberdade!

O vento arrastava folhas secas pela estrada de terra. Ash Ridge não tinha muitas árvores, mas os poucos algodoeiros que margeavam o caminho sul já estavam nus. A poeira agarrava-se às laterais dos prédios. O sol pendia baixo e dourado, projetando longas sombras.

Clay Mercer cavalgou para a cidade. Ele não vinha para conversar. Precisava de ferraduras, óleo para a lamparina, talvez um saco de farinha. O ferreiro ainda aquecia o ferro. Alguns homens locais encostavam-se em uma grade, de braços cruzados. Ninguém ergueu os olhos quando Clay passou. Eles o conheciam. O homem que vivia sozinho fora da cidade, cuja esposa havia morrido três anos antes. O homem que não falara muito desde então.

Foi então que ele a viu.

Ela estava atrás do portão de gado na beira do curral. Uma corda estendia-se através do portão para mantê-la no lugar. A pele vermelha e com crostas de seus pulsos inchados mostrava onde algemas de ferro haviam cavado fundo. Uma ainda estava presa ao seu pulso esquerdo. Seus tornozelos estavam nus. Seu cabelo escorria reto e negro pelos ombros. Ela estava ereta, com os ombros para trás e o queixo levemente erguido.

Clay parou de andar. O vestido que ela usava era de pele de veado, estilo Apache. Parecia ter sido bonito outrora, agora estava rasgado ao longo da lateral e do peito. Ela não estava amarrada ao poste, apenas encurralada, como se não esperassem que ela tentasse fugir.

Clay se aproximou da cerca. Os olhos da mulher cravaram-se nos dele. Jovem, talvez uns vinte e quatro anos. Havia sangue seco em seu lábio. Ela segurava uma pequena pedra cinza em uma mão.

“Por que ela ainda está aqui?”, perguntou Clay a um dos homens.

“Ela é Apache. O exército prendeu a maioria deles. Essa foi deixada para trás. Não fala inglês. Ninguém a reivindicou. O xerife disse que ela seria enviada para o leste ou coisa pior.”

“Quanto?”, Clay perguntou.

O homem piscou. “Como é?”

“Quanto pela libertação dela?” Clay puxou um pequeno saco de moedas. “Moedas de prata são o suficiente?”

O homem pegou a moeda. “Sem devoluções.”

Clay destrancou o portão. “Não vou tocar em você”, disse ele, em voz baixa. “Você anda sozinha.” Ela não respondeu, mas deu um passo à frente. Subiu na carroça dele sem ajuda. Clay pegou as rédeas e partiu.

Acamparam um pouco fora da linha das árvores para passar a noite. Clay fez uma fogueira, deu-lhe água e um pedaço de pão. Ela comeu devagar, sem agradecê-lo. Ela dormiu de botas, com uma mão em volta da pedra. Clay mal dormiu. O fogo estalava. Ele pensou em sua falecida esposa, Sarah. A fazenda havia permanecido a mesma desde então, mas agora havia alguém ali. Ela não havia dito uma palavra, mas também não havia fugido.

Na manhã seguinte, seguiram viagem. A propriedade de Clay era ampla e vazia. A casa de madeira, térrea, tinha uma chaminé de pedra. Ela desceu da carroça sozinha.

Eles entraram na casa. Clay aqueceu um ensopado no fogão e serviu duas tigelas. “Está com fome?”, ele perguntou.

Ela finalmente olhou para ele. “Sal”, disse ela. Apenas aquela palavra.

Clay pegou o saleiro e colocou ao lado da tigela dela. Ela salpicou um pouco e comeu.

Dias se passaram em silêncio. Um dia, eles consertavam o galinheiro e Clay notou que ela sentia dor. “Deixe-me ver”, disse ele. Ela hesitou, mas depois mostrou a costela com um machucado profundo. O exército havia levado seus irmãos, ela lhe disse, e a encontraram escondida. “Eu não vou voltar”, afirmou.

“Você não vai.” A partir dali, a confiança entre eles começou a crescer.

O inverno chegou com uma nevasca implacável. Clay ofereceu a ela as roupas antigas da esposa, peças de algodão mais quentes e modestas. Eles ficaram confinados na casa quente. “Você foi casado por muito tempo?”, ela finalmente perguntou.

“Sete anos. Ela morreu há três.” Clay percebeu que nunca havia perguntado o nome dela. “Seu nome. Você nunca me disse.”

“Ta”, ela respondeu. Ele repetiu baixinho.

Com a chegada da primavera, a convivência se tornara natural. Trabalhavam lado a lado na terra, plantando sementes. Em uma das tardes ensolaradas, Eli Barton, um vizinho de terras problemático, cavalgou até a cerca. “Você está brincando de casinha com aquela mulher Apache”, provocou Eli. “Você vai descobrir que esta cidade pode ficar muito hostil.”

“Ela tem nome”, rebateu Clay, com a voz firme. “Quer falar dela? Use-o.” Na manhã seguinte, Clay demarcou claramente suas terras com estacas, gravando seu sobrenome “Mercer” em uma delas.

A tensão aumentou semanas depois, quando o céu começou a fechar devido a uma forte tempestade no horizonte. Ventos violentos começaram a arrancar árvores. Em meio ao caos, Clay notou um raio atingir o celeiro. Eles precisaram lutar arduamente contra as chamas para impedir que o fogo consumisse o rancho inteiro. Cobertos de fuligem, mas com o celeiro a salvo, eles se abraçaram forte e compartilharam um beijo ardente na fumaça e na tempestade. Aquela mulher agora era dele, e ele era dela.

No dia do mercado, Clay e Ta foram à cidade juntos. Ela estava com o cabelo trançado, com postura ereta. Eli Barton apareceu, esperando por eles. “Que coisa”, disse Eli em voz alta, “trazer o gado para o mercado vestido assim. O que ela é exatamente para você?”

Clay deu um passo em direção a Eli. “Ela é a minha mulher.”

Eli perdeu o sorriso. A multidão emudeceu. Clay virou-se, pegou a mão de Ta e a conduziu por entre as pessoas. Nenhum deles desviou o olhar com medo.

“Você não precisava dizer aquilo”, ela sussurrou mais tarde.

“Eu queria”, respondeu ele, com o coração em paz.

A vida seguiu seu ritmo sereno naquele verão. A terra prosperou com plantações verdes, e a fazenda estava em paz. Certo dia, Clay pegou uma tábua de cedro e esculpiu a palavra “Mercer”, montando-a acima do portão. “Achei que era hora de saberem quem mora aqui”, ele disse a Ta. “Não só eu.”

Eles caminharam pelas terras sob a luz suave do entardecer. “Eu tinha medo há tanto tempo”, disse ela, encostando a cabeça no ombro dele. “Medo de que, se eu ficasse, algo quebraria ou seria tirado de mim.”

“Não foi o medo que a manteve aqui”, disse Clay. “Foi a sua força.” Ele não precisava mais do velho anel de casamento que carregava por tanto tempo. Em seu coração, agora só havia espaço para Ta e a vida que estavam construindo.

Na cabana acolhedora e iluminada pela lareira, a placa do lado de fora dizia “Mercer”, mas, para Ta e Clay, representava um lar preenchido pelo amor renascido das cinzas, em absoluta paz.