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AOS 79 ANOS, ATRIZ TEVE CASAMENTO DESTRUÍDO, ABANDONOU LUXO, ENTREGOU MANSÃO AO EX E HOJE VIVE ASSIM

Aos 79 anos, Nívia Maria vive uma realidade que poucos imaginariam para uma das grandes damas da teledramaturgia brasileira. Longe dos holofotes intensos que marcaram sua carreira na Globo, a atriz desfruta de uma vida mais tranquila, em um apartamento simples no Rio de Janeiro, cercada pelo afeto do filho Edson e dos netos. Não há mais a grande mansão, nem o glamour de outrora. O que existe hoje é uma mulher serena, dona de si mesma, que enfrentou perdas profundas, depressão e a necessidade de reaprender a viver sozinha. Sua história é um exemplo poderoso de resiliência: ela abriu mão de tudo que construiu durante quase três décadas de casamento para preservar sua dignidade e, a partir do zero, reconstruiu não apenas a carreira, mas a própria existência.

Nívia Maria não chegou ao casamento com Herval Rossano como uma jovem sem experiência. Antes dele, já havia vivido um primeiro casamento ainda aos 18 anos e uma união com o ator Edson França, com quem teve dois filhos, Edson e Viviane. Quando conheceu Herval em 1976, durante as gravações de “Gabriela”, ela já carregava responsabilidades, marcas emocionais e uma carreira em ascensão. Herval, um dos diretores mais respeitados da televisão brasileira, se encantou por ela. O romance floresceu e, em pouco tempo, eles se casaram. Com o nascimento de Vanessa, em 1980, a família parecia completa. Durante 27 anos, o casal foi visto como um dos mais estáveis do meio artístico. Ele dirigia grandes produções, ela brilhava em papéis importantes. Juntos, representavam poder, prestígio e continuidade em um universo volátil.

A casa onde viviam no Rio de Janeiro simbolizava essa estabilidade. Não era apenas um imóvel: era o centro da vida familiar, o espaço onde os filhos cresceram, onde se recebiam amigos e colegas de trabalho, onde a rotina parecia protegida. Herval assumia o lado prático da vida — contratos, contas, decisões financeiras, burocracias. Nívia podia se dedicar à carreira, à maternidade e à arte sem se preocupar com os detalhes administrativos. Essa divisão, que parecia confortável, criou uma dependência silenciosa. Enquanto o público via uma atriz segura e bem-sucedida, poucos imaginavam que ela estava afastada das responsabilidades mais concretas do dia a dia.

A separação, anunciada em 2003, chocou o meio artístico. Após quase 30 anos juntos, o fim do casamento ganhou contornos públicos, especialmente com o surgimento de Mayara Magri ao lado de Herval pouco tempo depois. As colunas sociais especularam sobre traição, mas Nívia nunca transformou o assunto em uma guerra midiática. Anos depois, ela foi direta: “A gente fez o divórcio. Eu mudei de casa. Ele ficou morando lá. Já tínhamos acabado.” Mayara, por sua vez, afirmou que reencontrou Herval já separado e doente, acompanhando-o em tratamentos. Independentemente das versões, o impacto para Nívia foi devastador. Não foi apenas o fim de um amor. Foi a desmontagem de toda uma estrutura de vida.

A decisão mais simbólica foi deixar a grande casa da família. Em vez de brigar por patrimônio ou iniciar uma disputa judicial, Nívia simplesmente saiu. Entregou as chaves e recomeçou. Aquela casa não era apenas tijolos e cimento: era o cenário de quase três décadas de memórias, alegrias, criação dos filhos e segurança emocional. Deixar aquele espaço representou um exílio voluntário. Aos 54 anos, ela se viu sozinha, precisando reconstruir tudo. Foi então que veio um dos períodos mais difíceis de sua vida: uma depressão profunda. Ela mesma descreveu a doença com sinceridade dolorosa: “A depressão tira a vontade de comer, dormir, olhar e conversar. Eu estava me apagando.”

Houve dias em que ficava trancada em casa, sem tomar banho, sem vontade de levantar da cama, olhando para a parede. Os filhos perceberam o perigo e a levaram ao médico. Foi um momento de vulnerabilidade extrema para uma mulher que sempre transmitiu força nas telas. Além da dor emocional, veio o medo prático. Nívia confessou que se assustou ao perceber que não sabia nem pagar uma conta de luz. Durante anos, Herval havia administrado esse lado da vida. Agora, sozinha, ela precisava aprender tarefas básicas que a maioria das pessoas faz automaticamente. Esse susto, no entanto, tornou-se combustível. Ela transformou o medo em determinação e assumiu o controle da própria existência.

O retorno ao trabalho foi fundamental na recuperação. Em 2009, foi convidada para “Caminho das Índias”, de Glória Perez. Interpretando Ci, Nívia ainda carregava os resquícios da depressão. Ela mesma admitiu que se via lenta, aérea, sem expressão em algumas cenas. Mas o convívio com o elenco, a rotina de gravações e o reencontro com o ofício que amava foram curativos. “O que me salvou foi o convite para Caminho das Índias”, disse ela. Aos poucos, a “criança palhaça” que existia dentro dela voltou a aparecer no estúdio. O trabalho a devolveu à vida.

Profissionalmente, Nívia Maria sempre foi resiliente. Com mais de 50 anos de carreira na Globo, participou de dezenas de novelas marcantes. Mesmo após o fim do contrato fixo em 2022 — um momento que ela reconheceu ter doído pela frieza com que foi tratado —, continuou trabalhando. Participou da série “A Divisão” no streaming e, em 2025, retornou às novelas em “Ita Mundo Melhor”, no papel de Margarida. Aos 79 anos, prova que talento e vontade não envelhecem.

Financeiramente, não há relatos de colapso. Nívia construiu um patrimônio sólido ao longo da carreira e soube administrá-lo após a separação. Hoje vive com conforto, mas sem ostentação. Trocar a mansão por um apartamento prático foi uma escolha consciente. O luxo atual dela não está em metros quadrados, mas na liberdade de viver do seu jeito. Mora com o filho Edson, convive diariamente com os netos e desfruta de uma rotina mais leve, centrada no afeto familiar. Quando fala sobre a vida amorosa, assume que está solitária no sentido romântico, mas sem amargura. É uma solidão madura, escolhida.

A trajetória de Nívia Maria inspira porque foge do roteiro comum de celebridades que terminam em escândalos ou decadência. Ela enfrentou a dor de cabeça erguida, sem vitimismo. Preferiu a dignidade à briga pública. Aprendeu a pagar contas, a tomar decisões sozinha, a reconstruir a identidade fora do casamento. Aos 79 anos, carrega cicatrizes, mas também uma força serena que só quem passou pelo fundo do poço consegue ter. Não é mais a esposa do diretor poderoso. É Nívia Maria, inteira, autônoma, dona do próprio destino.

Sua história mostra que recomeçar nunca é tarde. Depois de entregar as chaves da mansão, ela encontrou algo mais valioso: a si mesma. Hoje, com o sorriso tranquilo e o olhar renovado, a atriz que encantou gerações nas novelas da Globo é a prova viva de que a verdadeira vitória não está em manter o que se tinha, mas em ter coragem para construir algo novo quando tudo desaba.

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