
O clima é de muita tensão. Neymar chega à Copa sem conseguir treinar normalmente com o elenco. Enquanto o time busca entrosamento, o camisa 10 segue em recuperação da lesão na panturrilha. Lazaroni foi direto ao ponto: é constrangedor. Entre Neymar e Romário, ele não hesitaria – levaria os dois, mesmo “quebrado”. Romário entrou em uma Copa com tendão de Aquiles lesionado e fez história. Hoje, com 26 jogadores no elenco, contra 23 da época, o contexto mudou: mais jogos, mata-mata mais longo, margem para recuperação dentro da competição. Lazaroni torce e reza todo dia pelo talento de Neymar, um dos maiores da história recente do futebol brasileiro. Mas questiona por que não se faz mais o que se fazia antes. Aos 38 anos, Fábio Santos ainda voltava a treinar técnico. Hoje o cuidado excessivo virou desculpa. 24 anos sem título mundial pesam na cobrança. Neymar tem aqui, possivelmente, sua última grande chance de brilhar e calar os críticos de uma vez.
A grande dúvida que paira sobre o CT é exatamente esta: qual função Neymar teria no 11 ideal de Ancelotti? Qual papel no time? O ambiente fica pesado com uma estrela que nem treinou com o grupo. Isso influencia negativamente o psicológico dos companheiros? A pressão é enorme. Ancelotti chegou como salvador, mas as críticas chovem sem parar: convocação confusa, time sem padrão de jogo, zero títulos entregues até agora. Até o momento, Ancelotti e Neymar são só nomes bonitos na Seleção, detonam os debatedores. No jogo contra o Panamá, Ancelotti testou um 4-2-4 no primeiro tempo. Neymar mal jogou, mas o esquema mostrou intenção de agressividade. O problema real, porém, está no lado direito – o calcanhar de Aquiles do plano de Ancelotti.
O Plano A foi destruído: Estevão como titular e Militão na lateral direita. Machucados os dois, adeus sonho. O Plano B improvisado com Luiz Henrique, Wesley, Ibanes também não funcionou direito. Agora é o Plano C total: improviso puro. Sem agressividade ofensiva no lado direito, o time fica previsível, sem drible, sem velocidade, sem apoio do lateral. Danilo, mais velho e zagueiro de origem, não vai subir e descer no calor infernal. Ibanes seria protocolar, sem ousadia. O lado direito vira um deserto ofensivo. Ancelotti pode até pensar em três zagueiros para liberar alas, mas a preferência dele é linha de quatro. Resultado? Dor de cabeça gigante para montar o time.
O debate esquenta ainda mais quando entra Hendrick no papo. O jovem que já mostrou serviço, que fez gol contra a Espanha, continua fora do time titular. Desde 2023/2024 analistas gritavam: convoca ele de qualquer jeito! Se o técnico do Real Madrid não escala, azar dele – Hendrick é melhor que a maioria dos atuais. Mas Ancelotti prioriza “nomes certos” que não querem se arriscar em amistosos contra Panamá e Egito. Os reservas entram para mostrar serviço. Os titulares preservam o corpo para a Copa. Essa diferença explica muita coisa nos jogos preparatórios. Argentina também sofre com lesões de quatro ou cinco jogadores em risco. Não dá para julgar tudo com a mesma régua.
Ancelotti nunca teve experiência montando Seleção. Até agora entregou só o nome. Os jogadores protagonistas não estão rendendo o esperado. Neymar foi convocado mais pelo peso da camisa do que pelo momento físico? Provavelmente sim. Mas Lazaroni acredita que ele vai fazer de tudo – é a última dança para o craque. O ambiente fica tóxico: um craque machucado no banco ou em recuperação influencia todo o grupo. Desânimo, pressão extra, dúvida constante. Não dá para levar a sério, desabafam. Os jogos amistosos serviram pouco. Agora, a partir de sábado, a verdade vem à tona. Neymar não deve jogar a estreia, talvez nem o segundo jogo. Sem motivo para forçar.
E se o lado direito continuar um buraco negro? E se Neymar voltar só no mata-mata, já cansado? E se Ancelotti insistir em nomes estabelecidos e ignorar os jovens como Hendrick, Luiz Henrique e Ryan? A Seleção vira um time de transição forçada, sem identidade clara. A comparação com o passado dói: Romário “quebrado” virou herói. Hoje o cuidado médico é maior, mas a ousadia parece menor. Neymar reza para cicatrizar rápido. A torcida reza junto. Mas as rachaduras táticas são preocupantes: meio-campo vulnerável, lado direito imprevisível para o mal, dependência excessiva de estrelas que não estão 100%.
Outros países respeitam o Brasil no papel, com Vini Jr. e Rafinha brilhando na Europa, mas dentro de campo tudo pode acontecer. Hugo Sánchez e companhia já cravam: Brasil no máximo em 6º lugar. Nós, brasileiros, sabemos que o talento existe. Falta encaixe, coragem e, principalmente, Neymar inteiro. Ancelotti vai ter que pensar rápido. Fortalecer o meio, arriscar três zagueiros ou apostar em improvisos com Rafinha, Luiz Henrique ou Wesley? O lado direito definirá muito da campanha. Se Neymar conseguir se recuperar e entrar, mesmo que aos poucos, a magia volta. O ambiente muda. A esperança renasce.
Mas se o “quebrado” virar ausência prolongada, o time vira franco-atirador perigoso – capaz de surpresas, mas também de decepções. A torcida está dividida: uns querem cautela, outros exigem o monstro em campo custe o que custar. Lazaroni resume o sentimento nacional: torce por Neymar, reconhece o talento único, mas não esconde o constrangimento da situação. Vamos ver o que vem por aí. O Brasil inteiro está vendo. E sofrendo junto.
Essa Copa promete ser uma novela dramática. Neymar contra o tempo, Ancelotti contra os planos fracassados, a Seleção contra o fantasma de mais um fracasso. O hexa está longe, mas enquanto houver Neymar, haverá esperança – mesmo que ele esteja quebrado no momento. O otimismo exagerado da comissão técnica pode até ajudar, mas a torcida quer fatos, quer ver o craque em campo fazendo a diferença. Sem ele, o sonho do hexa fica muito mais distante e as críticas vão explodir.
O Brasil vive de futebol e, neste momento, o futebol vive de Neymar. A lesão na panturrilha, as dúvidas táticas no lado direito, as convocações polêmicas e o peso de 24 anos sem título transformam essa Copa em um teste de fogo para todos. Ancelotti precisa encontrar soluções urgentes. A torcida, mais uma vez, segura a respiração e torce para que o monstro Neymar apareça, mesmo que aos pedaços, e faça história mais uma vez.