
Você consegue imaginar um cara nascido em família de classe média, que estudou em escola particular, virou soldado da Aeronáutica e mesmo assim escolheu o caminho do crime puro por atração ao perigo? Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy da Pedreira, não precisava do tráfico para sobreviver. Ele tinha tudo para levar uma vida normal, mas trocou o futuro seguro por fuzis, bondes armados, bailes funk e guerras sangrentas que marcaram o Rio de Janeiro. De assaltante de condomínios de luxo a um dos bandidos mais procurados do estado, com recompensa milionária pela cabeça, Playboy virou tema de músicas, áudios virais e lendas nas comunidades. Sua história é de ascensão rápida, carisma mortal, rivalidades brutais e um fim polêmico que até hoje divide opiniões. Se prepara, porque essa trajetória tem reviravoltas, provocações no rádio, invasões ousadas e um enterro que parou o Rio. Isso e muito mais você vai entender agora.
Celso Pinheiro Pimenta nasceu em 1982 em Laranjeiras, bairro tradicional de classe média alta no Rio. O pai tinha uma banca de jornal, negócio que na época rendia bem, com revistas e jornais impressos. Diferente de tantos que entram no crime por pobreza ou abandono, Playboy teve estrutura: escola particular, casa decente e perspectiva de futuro. Mas aos 15 anos, nada disso importava. Ele se sentiu atraído pelo risco, pela adrenalina que nenhuma sala de aula oferecia. Começou com pequenos furtos e roubos na zona sul, ainda sem peso no mundo do crime. Na época, o apelido era “Mamadeira”, por causa da aparência juvenil demais para o ambiente pesado.
A grande virada veio quando conheceu Pedro Dom, filho de policial, que montou uma quadrilha especializada em assaltar condomínios de luxo. O diferencial eram os integrantes de boa aparência, brancos, bem vestidos — o tipo que porteiros não barravam. Playboy entrou nessa, subiu de nível e deixou os roubos de rua para trás. Foi através de Pedro Dom que ele teve o primeiro contato com o tráfico, se refugiando na Rocinha após os assaltos e conhecendo figuras como Lulu da Rocinha. Em 2005, Pedro Dom morreu em confronto, mas Playboy sobreviveu e seguiu em frente.
Com o passado ainda sem muita ficha, ele conseguiu, através de um padrinho, entrar na Aeronáutica. Virou soldado, aprendeu a manusear armas de guerra com treinamento formal. Estava quase fazendo prova para sargento quando roubou 22 fuzis HK do estoque militar. Cada fuzil valia uma fortuna no mercado paralelo — o lote inteiro chegava perto de R$ 1 milhão em poder de fogo. Transportou tudo numa Kombi até o Morro do Dendê, onde Fernandinho Guarabu guerreava contra rivais. Entregou o arsenal, mas quando o pagamento não veio, simplesmente foi lá, pegou as armas de volta e saiu sem guerra. Esse episódio mostra a frieza e a ousadia que marcariam sua carreira.
Logo depois, levou o arsenal para o Complexo da Maré, onde conheceu Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassa ou Coroa, figura importante da ADA. Coroa viu nele treinamento militar, experiência de rua e armas prontas. Batizou ele na organização e ali nasceu oficialmente o Playboy. Preso entre 2007 e 2009, saiu em liberdade condicional, mas o tempo na cadeia só fortaleceu suas conexões. De volta às ruas, estava mais articulado e sedento por poder. Na Maré, tomou conta de bocas, subia nos bailes funk, cantava no palco e conquistava o povo com carisma natural.
A partir de 2010, com o auge das UPPs, o cenário mudou. Comunidades eram “pacificadas”, grupos expulsos precisavam tomar novos territórios. Guerras de invasão viraram rotina na zona norte. Playboy tinha o dom de organizar bondes — comboios de carros lotados de homens armados que cortavam a cidade como operação militar. Quanto mais peso, menos resistência. A ADA mandou ele para o Complexo da Pedreira, em Costa Barros, com missão de segurar o território e expandir. Foi aí que ganhou patente informal de general. Organizava operações, definia alvos e calculava o momento perfeito.
Seu braço direito era Jorge Vieira Araújo, o Bebezão, homem de confiança que segurava o morro e executava as ideias. Juntos, formavam uma dupla temida. Bebezão morreu em 2013 num assalto a carro-forte, e Playboy sentiu a perda. Homenagens em funk eternizaram a parceria. Mas a rivalidade mais intensa de sua vida foi com Luís Cláudio Machado, o Marreta, do Comando Vermelho. Marreta era o “tomador de morros” do lado rival, imponente e brutal. A briga pelo Morro do Jorge Turco virou questão de honra. Playboy não lutava só com bala: mandava áudios provocadores, enviava fotos ostentando em território inimigo, corroía a autoridade do rival psicologicamente.
O episódio mais emblemático foi a invasão da Vila Olímpica de Honório Gurgel, preparada para os Jogos de 2016. Homens do Playboy entraram armados, posaram na piscina com fuzis e mandaram fotos para o Marreta. “Adorei a piscina. Esculachou!”, disse ele no áudio que viralizou. A provocação humilhou o rival e mostrou o domínio. Confrontos se espalharam, tiroteios atingiram civis, aeronave da polícia foi derrubada. Playboy também brigou com Fu da Mineira por causa de um caminhão roubado. No rádio, propôs trégua para proteger moradores: “Meu bagulho é bala até o final, mas tá morrendo criança, morador inocente. Vamos parar com isso pra não chamar mais atenção da mídia.”
Ele não era só guerra. Tinha carisma que conquistava aliados e até policiais. Em eleição, bonde armado apareceu, mas ele desceu, falou com o sargento, disse que guerra não era com eles e deixou R$ 400 para almoço. Em outra ocasião, pediu trégua de um dia para distribuir presentes de Natal às crianças. Histórias assim corriam nas comunidades, pintando ele como “responsa”, que separava a guerra da vida do morador. Muitos moradores o viam como herói local, que fortalecia a comunidade e ajudava quem precisava.
Em 2014, Playboy era o homem mais procurado do Rio. Polícia Civil, Militar e Federal caçavam ele. Foragido, trocava de esconderijo toda noite. Segundo o MP, ordenou o roubo de quase 200 motos do pátio do Detran — um recado ao Estado. A pressão aumentou. Ele deu entrevista a José Júnior, do AfroReggae, dizendo que sentia falta de coisas simples como praia e cinema, negou alguns crimes e topou se entregar com condições. A entrevista foi vista como humilhação pelo governo. O cerco fechou.
No dia 7 de agosto de 2015, a CORE invadiu a Pedreira com 80 policiais, blindados, helicópteros. Houve confronto. Playboy foi baleado, levado ao hospital e não resistiu. Tinha 33 anos. Versão oficial: reagiu e atirou primeiro. Versão das ruas: estava rendido. O enterro reuniu mais de 500 pessoas, coroas de flores, fogos de artifício. Jornalistas foram agredidos. A mãe dele, emocionada, agradeceu a comunidade pelo apoio, disse que não aprovava o caminho do filho mas viu o quanto era amado. “A dor é imensa, mas foi emocionante cada abraço.”
Playboy da Pedreira fechou portas que a vida abriu: família estruturada, escola boa, carreira militar. Escolheu bala até o final. Virou lenda, tema de música, áudios que ainda viralizam. Amado por uns, odiado por outros, mas impossível de ignorar. Sua história mostra como o Rio dos anos 2010 transformou gente com potencial em generais do crime. Guerras por território, UPPs, rivalidades sangrentas e carisma que conquistava multidões. Mesmo morto, o nome Playboy ainda ecoa nos morros, nos bailes e nas conversas de quem viveu aquela época.
O que você acha dessa trajetória? Playboy foi vítima das circunstâncias ou escolheu cada passo rumo ao fim trágico? Deixaria comentário aqui embaixo contando se conheceu ele ou ouviu histórias. Acha que o carisma dele salvou vidas ou só alimentou mais violência? Compartilhe essa história, ative o sininho, deixa o like e se inscreve para mais casos reabertos do crime no Rio. A saga do Playboy da Pedreira não termina nunca nas comunidades. Um forte abraço e até a próxima.